By my side
1 Capítulo 01
Notas iniciais
Comentários com criticas construtivas são bem vindos.
Já passava da meia noite quando o choro alto rompeu o silencio. Seus cabelos castanhos estavam molhados e sua respiração irregular pelas incontáveis horas em trabalho de parto.
Escutou vagamente sua mãe soluçando e seu pai tentando inutilmente acalma-la, estava distraída por aquela pequena criatura em seus braços. Não escondeu as lágrimas que insistiam em correr por seu rosto ao encontrar os adoráveis olhos de sua filha.
Cinza. Uma tempestade em meio a verão Londrino.
— Ela tem belos olhos.
Ergueu os olhos para a enfermeira que gentilmente tinha lhe acompanhado até aquele momento. Seu nome era Beatrice e as olheiras não escondiam sua beleza jovem e doce, lhe fazendo desejar que sua filha tão amável quanto a mulher que tão amavelmente permaneceu ao seu lado.
O lugar em que Ele deveria estar e que foi ocupado por uma estranha e seus pais, que ainda tinham poucas recordações dela.
Voltou seus olhos para seu pequeno pássaro, que era a perfeita imagem de seu pai. Se um dia desejou esquecer Draco Malfoy, aquele bebe em seus braços dificultaria ao máximo que isso ocorresse.
— Como será seu nome?
Seus olhos pararam no medico que lhe perguntava cedo demais por um nome, sem ao menos permitir mais um tempo. Era um pedido lógico para a ficha e o inicio de exames de rotina.
— Ava. – Iniciou parando um pouco e voltando seus olhos para a doce enfermeira. – Ava Beatrice Granger.
Seu amor era bruto pela manha, por isso não foi nenhuma surpresa quando escutou o despertador se espatifar na parede. Abriu um olho para o aparelho tecnológico em pedaços no chão.
Era o quinto que destruía somente aquela semana e isso que era apenas quarta feira. Sentou-se desajeitada na cama, sentindo-se mal pelo pequeno merdinha.
— Minha mesada foi desperdiçada.
Agora realmente sentia-se doente do estômago, por perceber que cada ultimo centavo foi gasto naquele despertador. Ela poderia pedir a sua mãe para conserta-lo, mas não gostava de contar com coisas impossíveis.
Sua mãe não permitia magia dentro de casa. Gostava de pensar que elas não precisavam assustar o vizinho com nenhuma luz estranha ou por coisas levitando sozinhas, mas sabia que sua mãe evitava contato com o mundo da magia.
— Porcaria.
Saiu da cama, ignorando o merdinha estraçalhado no canto de seu quarto, caminhando apressada para o banheiro. Estava de férias da escola, por isso poderia enrolar o suficiente em seu banho matinal.
Escutara sua mãe sair mais cedo para o trabalho, por isso a casa era somente dela para fazer o que desejava.
Parou antes de entrar no box, pensando seriamente em quebrar as regras e consertar o merdinha, no entanto sua mãe sempre sabia quando ela ousava quebrar as regras da casa. Suspirou amarrando os fios loiros em um coque.
— Mais da metade da minha mesada. – Resmungou irritada.
Por algum motivo desconhecido, sua mãe Hermione Granger se afastou do mundo bruxo. Mamãe era mestiça e quando se formou decidiu por seguir sua vida longe do mundo que passou boa parte de sua vida. Atualmente Dra. Granger trabalhava em um dos melhores hospitais trouxas de Londres.
Às vezes, podia perceber um ar nostálgico rodeando sua mãe, além da tristeza que se fazia presente. Hermione afastou-se completamente dos amigos e pessoas próximas, ficando apenas com seus pais humanos próximos a ela.
Enterrou-se na banheira buscando impregnar-se com seu cheiro favorito e sempre presente, baunilha. –Bom dia mundo.
Desejou abrindo um sorriso animado. Estava de férias de Hogwarts, já que sua querida mãe não pode impedir que sua carta de admissão chegasse e era uma verdadeira solitária por opção dentro do castelo.
Sentou-se no banco, um pouco apreensiva. Sua mãe tentara fazer um grande resumo sobre como seria este momento, mas ainda sim não aplacou completamente seu nervosismo ou o olhar que as pessoas lhe destinavam.
— Ora, quem diria que você estaria aqui. – Murmurou o chapéu seletor em sua cabeça, parecendo divertido. – Sua aparência não nega a família que pertence, mas sua personalidade é a perfeita mistura de seus pais. – Franziu o cenho para aquelas palavras, mas ficou quieta. — Tem a coragem, o orgulho, a determinação e a ambição todas as características que levam tanto a Grifinória quanto a Sonserina.
Fechou seus olhos não conseguindo realmente pensar em qual casa cairia. Gostaria de ir para Lufa-Lufa ou Corvinal, menos para aquelas duas casas, mas já sabia de antemão que não era sua decisão.
— Faça-se grande Ava. – Pediu o chapéu em sua cabeça, interrompendo seus pensamentos. – Sua casa é a Grifinória.
Sorriu para seus sais de banhos, que traziam o característico cheiro adocicado da baunilha. Surpreendeu a todos ter uma Malfoy em meio aos leões e muitos ousaram afirmar que havia uma serpente entre eles.
Recordou-se que na época desconhecia suas origens e acabou descobrindo por outras pessoas quem realmente era. Foi a primeira vez que Hermione apareceu em Hogwarts e voltou ao mundo bruxo, após seu nascimento.
Logicamente que todos sabiam quem era Ava Beatrice Granger, inclusive seus professores e a diretora. Ela era a imagem cuspida de seu pai com a inteligência e doçura de sua mãe.
Suspirou deixando-se permanecer por mais alguns minutos, recordando a primeira vez que sua mãe contou sobre seu pai e quem realmente eles eram. Ainda doía pensar que seu pai podia estar desaparecido ou preso em Azkaban.
Mamãe afastou-se do mundo bruxo e de seus mais queridos amigos. Pelo pouco que ela contou, seus melhores amigos se afastaram por ressentimento ao envolvimento da minha mãe com meu pai, durante a guerra.
Doía pensar que no momento que minha mãe mais precisava deles, estas pessoas lhe abandonara.
Soprei a espuma, aproveitando para me levantar e enxaguar o corpo para finalmente me vestir e fazer minha higiene matinal. Coloquei minha melhor caça de malha larga e uma blusinha regata, que exaltavam minhas curvas meu tom de pele mais bronzeado, conquistado com muito esforço.
Voltei meus olhos para minha bagunça de fios loiros esbranquiçados, também chamado de cabelo e suspirei os ajeitando em dois rabos altos de cada lado da cabeça.
— Por um dia incrível. – Murmurei para meu reflexo abrindo um sorriso.
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Godric Hollow
Examinou mais uma vez os papeis que tinha em mãos e novamente suspirou com o que leu. Sua melhor amiga ainda não os perdoaria pelo o que tinha acontecido anos atrás, mas era sua única chance de reconciliação.
—Alguma novidade? – Perguntou Gina se aproximando e lhe abraçando.
Harry balançou a cabeça sentindo-se um pouco desanimado. – Estou tão arrependido.
Gina sacudiu a cabeça, concordando com os sentimentos do marido. Todos tinham agido de forma ruim com Hermione e tudo por ressentimentos do passado, que mesmo ainda sendo frescos devido à guerra, nunca deveriam ter causado aquela briga e separação.
Eles poderiam ter acolhido a amiga e ajudado naquele momento, que com toda certeza Hermione necessitava, já que os pais tinham perdido a memória.
— Mesmo que a criança fosse do Malfoy, ainda tinha muito da Hermione. – Murmurou Harry chateado com suas atitudes passadas. – E era criança, somente uma criança.
Hermione envolvera-se antes da guerra começar com Draco Malfoy, foi um relacionamento por tudo que sabiam. Gina nunca conseguiu imaginar se havia sentimentos mais profundos de ambas as partes, mas ainda sim gerou frutos.
— Será que um dia ela irá nos perdoar? – Questionou Gina pensativa.
Harry suspirou alto, duvidando que Hermione os perdoasse por aquelas palavras venenosas ditas no calor do momento. No entanto, estavam falando de sua doce amiga, que sempre tinha uma palavra de sabedoria a entregar.
— Se pelo menos conseguíssemos seu endereço. – Voltou seus olhos para os esverdeados da esposa. – Ava estuda junto com os meninos, mas ainda sim é difícil.
Ambos suspiraram com a noticia, ignorando que dois rostos conhecidos os assistiam. James e Lily se entreolharam sabendo o que deveriam fazer assim que as férias acabassem.
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Frio. Ele estava sempre sentido frio.
Voltou seus olhos para a parede, encontrando suas marcações. Contou mais uma vez os anos que havia passado preso naquela cela em Azkaban. Tinham se passado exatamente 14 anos e agora faltavam exatamente dois meses para se libertar daquelas paredes cinza.
Sua condenação tinha sido menor em consideração a de seu pai. Lucius Malfoy foi condenado à prisão perpetua por todas as suas ações ao lado de Voldemort. E sua mãe, Narcisa ficou em prisão domiciliar, já que nunca foi realmente participativa.
Draco passou por cada dia, semana, mês e ano naquele lugar se arrependendo amargamente de suas ações. E não somente as poucas que fez ao lado do Lorde das trevas, já que fez tudo aquilo por ameaças a sua integridade física e da sua família e não por vontade. Ele arrependeu-se de suas ações em Hogwarts para com os Weasley, Potter e principalmente ela.
Ah, como se arrependia de ter acreditado em seu pai. Deixara os ensinamentos tolos, como o preconceito de sangue, leva-lo ao mais baixo que um ser humano poderia ir.
Ele machucara Hermione profundamente, todas as vezes que a chamava de Sangue- ruim. Draco merecia o completo desprezo da grifinória por ele e, no entanto ganhou seu amor e carinho.
Sentia falta disso. Apaixonara-se pela inteligentinha, rata de biblioteca e nada podia apagar da sua memória o perfume de rosas que sempre vinha acompanhado de um sorriso carinhoso e compreensivo.
Hermione foi seu porto seguro até o fim da guerra, mesmo que durante ela não conseguissem encontra-se com muita frequência. Ela foi sua esperança por um mundo melhor e que aquela maldita guerra teria fim com a o bem saindo vencedor.
Estava ansioso por ver a mulher que amava e finalmente tê-la em seus braços, dizer às palavras que nunca conseguiu expressar naqueles tempos sombrios da guerra.
— Eu te amo sabidinha.
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Jogou seus pés para cima tentando ignorar sua avó. Revirou os olhos quando Elizabeth Granger bateu em suas pernas, para que as retirasse de cima da mesinha de centro. Ava poderia jurar que sua avó conseguia ser pior que sua mãe em seus melhores dias.
— Estou fazendo frango com batatas amanteigadas e salada.
Acenou em reconhecimento ao trabalho duro da avó. Beth insistiu com Hermione para cuida da neta, enquanto esta estava trabalhando durante as férias escolares.
Sua avó lhe cutucou as costelas. – Está tudo bem com este cardápio?
—Eu não sou exigente vovó. – Recordou fixando seus olhos nos castanhos de Beth. – Obrigada pelo seu cuidado.
Elizabeth abriu um sorriso carinhoso para a neta. Sua adorável Ava era a copia carbono do pai, as únicas diferenças era o sexo, mas Beth conseguia enxergar muitas coisas de sua Hermione na neta. O nariz arrebitado, o formato dos olhos, a perspicácia e inteligência tão aparente nos olhos cinzentos. E como podia faltar a personalidade tão comum aos Granger.
— Espero que realmente aprecie. – Desejou puxando a neta para um abraço apertado. – Faço com muito carinho.
Ava sorriu devolvendo o abraço apertado. – Eu te amo avó.
— Oh minha querida, eu também te amo.
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