Estou saindo de casa, te encontro na cafeteria próxima ao colégio. — mensagem de Maria Clara, minha melhor amiga, só não a chame de Maria senão ela mata vocês!

Okay! — a respondo, enquanto termino de me arrumar para o primeiro dia de aula.

Não sei se isso também acontece com vocês, mas todo ano é a mesmíssima coisa, eu acabo ficando tão ansioso pro primeiro dia, que nem durmo. Acabo de me arrumar, e agora só falta escovar os dentes.

Estou saindo de casa agora! — a respondo com um áudio.

A verdade é que eu nem sempre fico entusiasmado com um novo ano letivo, mas alguma coisa me dizia que este seria diferente, diferente de todos os que eu já me "aventurei". Uma vez eu fui suspenso por um mês da escola, por sujar todo o laboratório de química da escola no primeiro ano.

Mas isso já ficou no passado, eu já não sou assim mais, pelo menos não como antes. Meu nome, é Adrian Califfe, tenho 17 anos.

O Vitor já esta aqui impaciente te esperando. Vem logo — Vitor Camargo, 19 anos, namorado da Clara. Ele repetiu o ano uma vez. Pudi perceber que a voz de Vitor sai ao fundo. — Amor... — ele é um cara legal. Meu melhor amigo desde que eu entrei nessa escola no 6º ano, primeiro veio a Clara, depois o Vitor.

— Vocês conhecem o conceito de esperar? — perguntei aparecendo atrás deles dois. — Eu nem sei por que tanta pressa, sempre saio de casa meia hora antes de a escola abrir. E a escola é aqui perto!

— Mas é por que temos uma novidade pra te contar.

— Nós não, ela! — Vitor fala com a boca cheia de hambúrguer assado.

— Ai amor, come direito. — Clara fala, enquanto Victor ri tomando um pouco de refrigerante.

— Como é que você consegue comer e tomar isso logo de manhã cedo? Eu só consigo se a fome for muito grande. — eu comento rindo.

— Eu só... Só consigo kkkkkk — Deus é mais.

— Sobre a fofoca...

— Ah sim, a escola liberou a lista de turma das salas. E fui ver se íamos ser da mesma sala. Acabou que não, e que tem um menino novo, lindíssimo na nossa turma. Olha isso aqui! — nossa escola era um tanto que diferente das outras, eles divulgavam os nomes e as salas dos alunos, mandando pros nossos e-mails e tinham até fotos dos alunos no sistema deles.

— Uou — é sério gente, lindo pra um cacete — Qual é o nome dele?

— Pelo que vi aqui, ele se chama Vinícius. Vinícius Albuquerque.

— Hmm — digo tomando um gole do café com leite. — Nome de burguês kkkkkk.

— Como assim "hmm"? Achei que ficaria mais animado.

— Por quê? Rs.

— Um cara gato desses, e você só fala "hmm" Adrian?

— Não quero muito focar em garotos esse ano amiga. Prefiro mesmo é focar no meu futuro. Papai já esta colando em cima por conta da faculdade.

— Ai tio Fellipe às vezes hein... — meu pai é super de boa com muitíssimas coisas, tipo, muitíssimas mesmo. Mas com base nos meus últimos anos, ele esta colando em mim o tempo inteiro, e cobrando coisas do tipo: que faculdade vai fazer? O que pretende fazer se a faculdade não der certo?

Não sou fã de ser pressionado. Ontem mesmo ele veio ter uma conversa comigo sobre todo o passado escolar que eu tenho, e sobre esse primeiro dia de aula. Começou a me cobrar muito e já dei uma prensa nele.

— Dez minutos para a escola abrir. Vamos, ou vão comprar mais alguma coisa?

— Calma ai, eu vou comprar uma besteira. — Vitor fala se levantando.

— Oh garoto você não cansa de comer não? — Clara pergunta e ele vai até a parte de besteiras da padaria com um sorriso nos lábios. — Eu acho engraçado, que ele come feito uma grávida passa fome, e não engorda porra nenhuma.

— Ele deve ter aquela parada de genética que não engorda. Não lembro o nome dado a isso.

— Prontinho, agora podemos ir — ele fala pondo salgadinhos dentro de sua mochila.

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— Só eu que estou ansioso pra esse ano letivo? — pergunto.

— Ansioso pra que? A única razão de eu estar ansiosa — ela faz aspas falando — é pra acabar esse ano letivo. E o Vitor também, pra esse monte de quenga parar de dar em cima do MEU NAMORADO. — ela fala aumentando a voz para umas meninas passando por nós para ir a escola, se assanhando para o Vitor.

— Menina louca — fala uma das garotas que passa por nós.

— Vem, vamos ver em que sala nós vamos ficar. — Vitor diz a empurrando

— Vocês são o casal perfeito kkkkkk

— Tenta explicar isso pra ela! — ele fala olhando pra mim.

Acabou que eu e Vitor ficamos na mesma sala e Clara em sala diferente. Ela ficou irada, mas depois mais contente quando soube que seria da sala do Vinícius.

— Por que tu tá toda felizinha assim Clara?

— Eita. Fique calmo amor, eu só quero conhecê-lo pra jogar ele na mão do Adrian.

— Hm. Aham, e se ele for hétero e quiser ficar contigo, e não com o Adrian? O que tu vai fazer?

— Dispensa-lo claro! Amor para de se preocupar que eu ainda nem falei com o garoto.

— E você pode se preocupar com as minas que dão em cima de mim?

— Ai Vitor. — a mesma fala e vai pra sua sala.

— Hey, espera ai...

— Hey você! Vem nossa aula já vai começar, e a professora de português já está vindo ali.

— Ahhh, Adrian.

Entramos e ela começou a falar, nem lembro o que ela disse, só coloquei no caderno tudo o que ela passou no quadro. O bom é que ela deixa a gente livre quando ela acaba a explicação, e glória a Deus a sala se comportou nesse primeiro dia. Espero que seja assim pro resto do ano.

Do nada a Clara me manda uma mensagem no WhatsApp.

— Neiva do céu, o garoto novo é ainda mais bonito pessoalmente. É um amor de pessoa.

— Espera... você já esta conversando com ele? kkkkkk você não perde tempo mesmo garota.

— Só se for por você né, mounamour? Eu só estou conversando com ele mesmo pra pegar amizade, e descobrir mais sobre ele.

— Você é doida amiga. Sério kkkkkk

— Doida eu ainda não cheguei a ser. No máximo uma maluquinha em treinamento kkkkkk

— Mas e então, o que descobriu?

— Então, o nome dele você já sabe, ele tem 17 anos, ele tem 1,80 — Oi? — Ele é filho de classe média, é bolsista assim como eu. Só não tive coragem de perguntar a sexualidade dele.

— Você sabe que não precisa fazer nada disso, né? Eu já te falei não vou me jogar em nada por agora.

— Nesse tu vai, por que eu acho que vale a pena amigo. E outra ele é novo até na cidade. Então, já tem uma deixa pra tu e ele serem amigos.

— Ai amiga kkkkkk, eu não vou chegar ao garoto falando: Oi, vem comigo que eu vou te apresentar a escola! Não mesmo!

— Claro que não, por isso já marquei seu encontro com ele.

— VOCÊ FEZ O QUE? MARIA CLARA!

— Não me chame de...

— Por que você fez isso?

— Ai amigo para de drama, é só um favor que tu vai fazer pra ele.

— Você é doida — mando a mensagem e depois me viro para Vitor — A sua namorada é doida — ele diz mostrando a conversa para o Vitor e ri. — E você ri? Estou perdido com esses dois.

A primeira aula passou, e chegou à aula do professor de geografia que fica flertando comigo achando que ninguém tá vendo.

— Bom dia turma — toda a turma o cumprimentou, também por ser um dos professores mais companheiros dos alunos da escola, o que acaba por torna-lo odiado pelo resto dos professores — Hoje iremos falar sobre a revolução industrial.

— Ah qual foi professor — o popular da escola, o Vitor começa — primeiro dia de aula, da uma folga pra gente, bora fazer aquela parada de apresentação — ao falar isso, toda a turma junto do professor começa a rir do comentário de Vitor.

— Senhor Camargo, o senhor esta junto de toda a sala do terceiro ano desde o primeiro, todos vocês se conhecem — enquanto ele falava Vitor olhava pra mim, e eu já sabia bem o que ele queria dizer com o olhar dele — então não vejo a necessidade de... — o interrompo

— Ah professor, por favor, nem que seja só pra ficar a toa, primeiro dia de aula vai, por favorzinho — dito isso ele fica cinco segundos me olhando, e eu fazendo o mesmo com cara de criança pidona.

— Okay, tudo bem. — dito isso, toda a sala começou a arrastar cadeira pra juntar e conversar, formar grupinhos.

Juntei minha cadeira com a de Vitor. Comecei a conversar com Clara junto dele. Adoro minha amizade com os dois, por que nenhum deles tem frescura por eu ser gay. Tiramos umas fotinhas zoadas, essa aula foi passando e eu trocando mensagens com o professor.

— Não quero saber de me jogar pra ninguém — Vitor falava com voz de deboche pra mim — Daqui a pouco estão os dois na sala do zelador kkkkkk

— Vitor cala essa boca kkkkkk — não que eu vá me jogar pro professor, que a propósito se chama Diego. Mas ele vale a pena, é bonito, simpático e tudo de bom na cama. Mas não voltarei com minha palavra, não vou me jogar de cabeça em águas rasas por alguém.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.