Notas iniciais
"Você representará?
Você permanecerá perto?
Eles vão se envergonhar de você?
Eles vão te culpar?
Há uma consequencia
No caminho que escolher
Eles vão mudar você?"
Represent - The Red Jumpsuit Apparatus

Foi mecânico. Abrir os olhos e tatear a cama enquanto os fortes raios solares queimavam minhas pálpebras. Senti a textura macia e morna contra a palma da minha mão. Eu deveria apenas continuar deitado e afagar o braço dela. Mas apenas toquei seu rosto enquanto os fios claros e louros se prendiam em meus dedos.

Ela soltou um muxoxo. Não dei atenção. Levantei e peguei minhas roupas. Vesti minhas roupas, amassadas e com o forte cheiro de bebida e perfume. Observei a garota deitada na cama, enrolada nos lençóis e num edredom.

Eu deveria me desculpar. Eu deveria ter ficado ali com ela, apenas para dar a ela a ilusão de que aquela noite tivera um significado. Ou ao menos, lhe deixar um bilhete. Devia ter agido com frieza, ou quem sabe, como um imbecil. Poderia ter acordado ela, poderia ter passado mais algum tempo naquele apartamento estranho e desconhecido.

Mas tudo o que eu fiz foi pegar meu capacete e minhas chaves. Girei os calcanhares enquanto colocava meus tênis e punha as chaves em meus bolsos. Ouvi o som dela se remexendo e continuei andando até a porta e depois, atravessei o corredor tentando reconhecer a saída.

– Ei, aonde você vai? — a sua voz grogue e sonolenta ecoou pelas paredes finas.

Eu tinha as opções em mente, enquanto meu cérebro explodia. Podia apenas ignorá-la. Ou podia apenas fingir que eu me importava o suficiente para lhe dizer algo simples. Respirei fundo enquanto as perguntas e fragmentos turvos da noite passada invadiam minha mente, como marteladas num prego torto.

– Eu tenho que ir. — respondi e ouvi seus passos se aproximando. Virei e a encarei. Ela passava a mão esquerda nos cabelos claros enquanto segurava um lençol contra o corpo com a outra mão. — Tenho um compromisso, então...

– Não precisa me dar explicações, cara. Não sou sua mãe e nem mesmo sua namorada, então se quer ir, vá. — ela disse sorrindo como se tudo o que eu tivesse dito não passasse de uma piada repetida e ruim. — Só queria saber se não quer um café antes. Para a sua ressaca...

– Obrigado, mas dispenso. Tenho mesmo que ir. — insisti. Agarrei meu capacete e sorri para ela fracamente. Como se fosse uma espécie de obrigação.

– Ok, então... Obrigada pela noite, mas dispenso melancolia e romantismo meloso logo cedo. — ela falou e pegou um molho de chaves e caminhou até uma porta um pouco escondida à direita. — Se não conseguir encontrar um táxi...

– Eu vim de moto. Eu acho. — falei exibindo o capacete.

– Acho que não. Mas, de qualquer jeito, se quiser um táxi ande dois quarteirões e você vai encontrar alguns estacionados por perto. — ela falou e destrancou a porta.

– Isso não deveria soar tão estranho, não é? — perguntei e ela me encarou um pouco confusa. — Quero dizer... Você não deveria se importar tanto assim. Somos desconhecidos.

– Às vezes alguém tem que se importar. — ela respondeu. — E, além disso, não somos tão desconhecidos assim; eu te vi nu e você me viu nua. Então isso meio que nos dá uma espécie de familiaridade.

Em seguida ela riu. Rapidamente, como se aquilo fosse um fato cínico demais para ser encarado seriamente. Esbocei um meio sorriso e ela me observou rapidamente. Houve o silêncio e certo desconforto enquanto nos encarávamos.

– Eu sei que eu não tenho nada a ver com a sua vida, mas quem é Sakura? — ela disparou a pergunta com um sorriso nos lábios.

Eu devia encarar aquilo como uma pura curiosidade. Apenas como uma pergunta aleatória, sem qualquer tipo de noção sobre o que aquele nome ainda causava em meu cérebro e em meus batimentos cardíacos. E mesmo assim, parecia que aquele nome me arruinava por dentro e me mantinha de certo modo, são.

Sorri nervosamente e arrastei meus pés até a saída.

– Ela... É só uma garota... Só isso... — murmurei em resposta. A garota que eu amo. A garota que namora meu irmão mais e novo e que só me vê como amigo.

As palavras queimavam. Carbonizavam qualquer tipo de paz momentânea longe daquele fato. Pois bem no fundo, eu sabia e tinha a absoluta e total certeza de que aquele fato jamais estaria longe o suficiente para parar de incomodar, parar de doer e machucar tanto.

– Parece que ela é mais do que isso. Sabe... Ontem você não parava de chamá-la. — ela disse enquanto segurava o lençol com um pouco mais de força. — Dizia o nome dela o tempo todo.

– Eu... Só... Eu só... — balbuciei. — Eu... Fiz besteira ontem. Eu não devia ter bebido tanto e muito menos... Eu só... — eu a encarei e seu sorriso desfez-se imediatamente. Bufei e me afastei um pouco. — Sinto muito. Mas, eu só não devia estar aqui. Entende?

– Você deve gostar mesmo dela... — ela respondeu. — Garota de sorte. Ela tem você, então... Ela tem alguém que se importe. — um sorriso forçado surgiu nos lábios dela, como se admitir aquilo lhe irritasse. — Espero que ela ao menos saiba disso.

Machucou ouvir aquilo. Não por conta daquela verdade que estava sendo exposta e jogada contra meu rosto. Não deveria machucar porque ela estava dizendo aquilo. Mas porque era um fato mentiroso. Uma verdade oca, que eu custava a jogar fora. Era como se alguém estivesse estapeando meu rosto com todas aquelas palavras e mais outras de uma vez, de maneira absurdamente forte até que aqueles fatos estivessem marcados em minha pele.

E eu sorri diante daquilo. Sentindo aqueles tapas. Internamente e externamente. E continuei sorrindo apesar dos nós na minha garganta e da repentina vontade de desaparecer. Eu sabia que iria machucar ouvir aquilo em sussurros. Ou através de pensamentos insanos. Mas jamais havia imaginado a intensidade daquela dor incômoda em voz alta. E honestamente, machucava e doía mais do que eu me lembrava. Ainda mais dela. Uma estranha.

– Ela... Vai saber no tempo certo. — outra mentira. Não, ela nunca vai saber. Não há necessidade. Ou há?

– Ah, droga... Ela não sabe não é? Sinto muito, eu não devia ter dito aquilo... — imediatamente o remorso estava presente na voz dela enquanto ela assistia meu sorriso conformado se tornar menor e menos convincente. — Olha... Eu não devia ter...

Outro tapa. Desta vez mais doloroso. Mais profundo. E eu aceitava aquilo com um sorriso morto e verdades marcadas sob minha pele. Mas aceitava de bom grado. Por obrigação. Por puro fingimento. Por apenas um pouco mais daquela dor, até que minha sanidade voltasse e me tirasse daquela condição precária ou até que meu coração simplesmente parasse.

– Eu tenho que ir. Eu... Eu preciso ir. — com pressa, me retirei desnorteado até o elevador.

Apertei o botão várias vezes. De novo e de novo, como se o elevador pudesse trancafiar a tempestade que se erguia na minha cabeça. Como se aquele cubo de metal pudesse manter presos tudo o que eu queria esquecer. Mas era mais uma tola esperança de algum dia ser. Apenas ser quem eu deveria ter sido.

{ ... }

Eu devia ter dirigido por horas. Arrastando minha moto de um lado da cidade até o outro. Tudo isso por conta do medo crescente mesclado àquela sensação de remorso de algo. Eu sabia que em pouco tempo teria de abastecer — a gasolina estava quase no fim -, e em pouco tempo, não importaria a hora ou o dia, eu teria que encará-los. Sasuke. Sakura. E minha consciência.

Bufei sob o capacete enquanto acelerava até o posto de gasolina mais próximo. Tentei manter meus olhos na estrada e nos faróis com vidros iluminados por uma luz verde grotesca, tentei ao máximo manter o foco e a atenção sobre os detalhes que me cercavam. Nos carros que passavam apressados aos meus lados. No vento agitando minha calça e minha jaqueta. Nos diversos odores que invadiam minhas narinas.

Mas simplesmente não adiantava. Minha mente vagava para fragmentos da noite passada, grandes borrões carregados de risos e o gosto forte de uísque em minha garganta. Prendia-se demoradamente na garota enrolada num lençol com um sorriso claramente forçado e depois nos olhos esverdeados abatidos. E logo comparava com os olhos dela. Com os olhos de Sakura.

– Vê se olha por onde anda! Imbecil! — o grito irritado de algum motorista chamou minha atenção e internamente, fiquei agradecido.

Foquei-me na estrada e avistei um posto. Dirigi até ele e em pouco tempo, fui atendido. Murmurei algo relacionado à quantidade de gasolina e entreguei algumas notas ao frentista. Eu agia como uma espécie de robô, no automático. Sem qualquer consciência real do que estava dizendo ou fazendo.

Aquilo se devia à Sakura. Àquela estranha garota com o sorriso tão abatido quanto seus olhos. E à bebida. Mas eles não eram os reais culpados. E soava estranhamente hipócrita querer acreditar que tudo ao meu redor levaria a culpa sobre a situação patética e agonizante em que me encontrava. É... Agora eu sou um hipócrita iludido. Da vida, das pessoas e de qualquer tipo de causa que faça meu coração bater descompassado.

Porém, apesar de qualquer tipo de tentativa de me livrar da culpa e do remorso que me consumia diariamente, eu tinha a completa certeza de que bastaria encarar o espelho para saber quem era o culpado.

E por mais que eu fingisse que estava de acordo com aquilo, era uma parte odiável que eu queria, simplesmente, amputá-la. Mas não podia, pois estava tão acostumado com suas infernais acusações e com seu peso sobre meus ombros que não saberia — e nem mesmo ousaria tentar descobrir — como viver sem aquela parte específica.

E então, a culpa repousou em meus ombros mais uma vez. Referia-se em minha mente sobre aquela garota. Droga! Pare de pensar nela só por um segundo, maldição! Mas eu só não conseguia, e de algum modo não queria interromper o trabalho da culpa e do remorso em meu cérebro e em minha consciência. Talvez fosse outro hábito que eu tinha adquirido. Um péssimo hábito, uma mania desagradável que ainda assim me mantinha vivo.

– Seu troco, senhor. — a voz cansada e arrastada do frentista chamou minha atenção. Agarrei as notas amassadas e as coloquei dentro do meu bolso. Acelerei para longe dali, apenas para lugar algum até que a covardia desgarrasse meus músculos e parasse de sussurrar ao meu ouvido.

Vamos lá, Itachi. Pare de pensar. Pare de raciocinar, droga! Seja infantil, estúpido. Qualquer coisa menos racional! Aja como um idiota mais uma vez, vamos lá! Aquilo soava como um conselho infantil, uma ideia absurda vinda de algum canto da minha insanidade. Mas parecia ser a voz da razão ou coisa parecida enquanto eu finalmente dirigia até o centro da cidade.

Droga... Seja idiota! Faça o que você quer, seja corajoso e exploda, inferno! Era uma parte insistente. E eu queria absurdamente explodir. Simplesmente, gritar, cansar, falar e fazer absolutamente tudo o que atrevia a fazer em sonhos ou em devaneios. Queria agarrá-la pelos ombros e então levá-la para longe. Chamá-la de minha. Tê-la em meus braços e sorrir verdadeiramente.

Mas resumia-se num sonho distante e cinzento, empacotado e guardado num canto esquecido. Jamais estaria perto o suficiente para se tornar realidade, pois sempre escaparia dos meus dedos. Como os outros sonhos. Como as outras esperanças. Como ela. Como Sakura. E eu apenas não me permitiria explodir. Pois o receio de não saber mais quem eu era por debaixo daqueles sorrisos e máscaras chegava a assombrar qualquer expectativa de liberdade provisória.

E fiz o que deveria ter feito. No final do dia, ali estava eu: estacionando minha moto na parte subterrânea e cercada por outros automóveis, em seguida subindo a rampa até a parte externa do prédio. Fiz apenas o que devia ter feito. Voltei para o lugar que costumava chamar de casa. Ou que apenas deveria ser.

Subi as escadas até meu apartamento. Numa mão segurava o capacete e na outra, as chaves. Gritos ecoavam em minha mente. Coisas como “Pare agora”, “Dê meia volta e vá embora” e “Só dê o fora daqui” enchiam minha cabeça como sussurros baixos e irritantes. Apenas caminhei até a porta e a destranquei. Adentrei no imóvel. Não houve uma recepção calorosa, choro ou gritos de surpresa como uma parte insana da minha mente fantasiava ironicamente. Na verdade, houve apenas o silêncio que um lugar como aquele poderia oferecer.

Pus o capacete sobre o sofá enquanto depositava as chaves sobre a mesa. Atravessei o corredor e a sala. Uma grande parte em minha mente ainda repulsava a ideia de ir até a cozinha. A nítida imagem de Sasuke e Sakura juntos, ambos demonstrando o quão descartável eu sou nesta situação ainda surtia o efeito de um forte tapa depositado contra meu rosto.

Fui até meu quarto. Não ousei adentrar no quarto de Sasuke. Abri a porta do meu quarto e a fechei. Em silêncio peguei uma calça qualquer e adentrei no banheiro. Despi-me e girei a torneira até que a água relaxasse meus músculos ou até que meus pensamentos e aquelas lembranças em pedaços abandonassem minha mente.

{ ... }

Eu poderia dizer que as horas eram o suficiente para tirar aquelas ideias absurdas sobre dizer absolutamente tudo o que eu queria; ou até mesmo arriscar a fantasiar que algumas horas de sono iriam limpar aquele resíduo de insanidade da minha mente. Poderia mentir mais uma vez e concordar que tudo estava bem. Mas só não estava.

O silêncio me corroia lentamente e rapidamente. Sem qualquer tipo de pausa para que eu me acostumasse com aquilo. Respirei fundo novamente e me ajeitei mais uma vez no sofá. Minha mente implorava por um pouco de distração. E talvez, eu deveria ser hipócrita mais uma vez e agradecer por vê-los empurrar a porta enquanto se beijavam.

Ou apenas devia agradecer por vê-la. Por saber que ela ainda o amava. E talvez, agradecer por todos os nós que se fechavam em minha garganta. Mentir não machuca... Mentir mais não vai machucar... Era o que uma parte em minha mente me convencia. E eu estava disposto a aceitar aquela ilusão. Só mais uma não faria diferença... Nunca fez.

– Sasuke, para! Eu vou cair. — a voz dela, animada e risonha, preencheu meus ouvidos e ecoou rapidamente pela sala.

– Você sabe que eu não deixaria isso acontecer. — a resposta dele foi nítida. Maliciosa. Quase insuportável. Ajeitei-me mais uma vez no sofá enquanto pegava o controle e o apertava entre meus dedos.

– Eu vou cair, é sério. Sasuke... Pára! — ela pediu com a mesma animação em sua voz. Em seguida Sasuke a beijou. E vê-la retribuindo o beijo deveria ser comum. Absolutamente, normal e parte daquela cena.

Mas na verdade era apenas outro tapa em meu rosto. Outra confirmação de quem ela queria. Apenas mais um nó na minha garganta. E só mais uma parte do meu coração que vacilava e quebrava. Eu devia estar acostumado. E de certo modo, estou. Tenho que estar.

– Ah, Itachi! Ainda bem que você apareceu! — ela correu em minha direção. Esboçava um sorriso.

Eu poderia dizer que aquele era um sorriso dirigido a alguém com quem ela se importava. Mas era só mais um sorriso amigável. Demonstrava uma preocupação que se fora. Um alívio momentâneo que fora acrescentado à total sensação de bem-estar que ela já sentia.

– Por onde você estava? Eu fiquei preocupada; e por que não atendeu o celular? Eu devo ter ligado umas treze ou quinze vezes. — ela disse repreensiva.

Não se engane. É só uma preocupação amigável. Odiavelmente amigável...

– Eu...

E simplesmente, o rosto daquela garota estranha invadiu meus pensamentos. Pesava mais do que a culpa costumeira de ficar em completo e absoluto silêncio. Era estranho sentir aquele peso de remorso nos ombros apenas por ter relembrado dela.

– Eu só não ouvi. — respondi rapidamente.

– Ou estava ocupando demais, não é irmão? — Sasuke disse como se aquilo soasse como uma ótima brincadeira. Soava mais como uma verdade que eu queria negar.

Imediatamente o silêncio se instalou. Sakura me encarou envergonhada e depois desviou seu olhar para a televisão ligada. Sasuke a abraçou pela cintura e me encarou de modo divertido. Respirei fundo e afundei as mãos no bolso da minha calça.

– O que foi? Não é verdade por acaso? — Sasuke continuou enquanto apoiava a cabeça na curva do pescoço dela. — Ou estou mentindo, irmão?

– Eu não ouvi o celular, Sakura. E já disse que não precisava se preocupar comigo. — respondi baixo.

E pela primeira vez, eu tive vergonha de encará-la e de tentar entender o que seus olhos queriam dizer. Porque um pequeno medo e uma grande incerteza haviam implantado-se se eu ousasse encarar os olhos esverdeados dela. Pois eu me lembraria de outros olhos verdes. Um par que invadia melancolicamente e de modo conformado minha sanidade.

Droga, Itachi! Por que você teve que fazer aquilo? Era uma pergunta estúpida. Racionalmente idiota. E eu não queria respondê-la, pois sabia qual era o real motivo que havia me levado àquilo. E simplesmente, não poderia ignorá-lo por muito tempo.

– Você ouviu o que ele disse, não precisa se preocupar com ele, Sakura. — o modo como aquilo soava podia ser considerado hipócrita ou até mesmo como um modo educado de dizer que aquele assunto estava encerrado. Mas sempre soaria como um desafio. Um modo de propor uma afronta que jamais aconteceria. E ele sabia daquilo.

– Sasuke, pode me levar para casa? — Sakura perguntou virando-se e desviando rapidamente os olhos para Sasuke. E mentalmente, eu agradeci por aquilo. — Lembrei que preciso pegar algumas coisas e levar para a Hinata.

– Tudo bem... — Sasuke respondeu e a beijou. E eu apenas assisti enquanto a raiva e a dor se misturavam sob minha pele e me consumiam pouco a pouco, junto àquela súbita vontade de separá-los. Mas eu só fiquei e assisti.

Como tantas outras vezes, a vontade de fingir que nada daquilo estava acontecendo surgiu e eu a agarrei como se fosse minha última escapatória. E depois de tanto tempo, era a minha primeira e última escapatória.

Eles se separaram. Um sorriu para o outro e Sasuke simplesmente saiu, fechando a porta atrás de si. Ela suspirou, como sempre fazia todas as vezes em que ele a beijava e tocou seus lábios com a ponta dos dedos, como se quisesse acreditar naquela realidade. Mas eu simplesmente não queria aquela realidade. Porém era a única que eu tinha e eu teria que me conformar com aquilo... Sempre.

Arrastei meus pés até o corredor. Mantive o sorriso em meu rosto. E não importava o quão doloroso era ver aquilo ou quantas vezes eu ficaria em pedaços. Aquele falso sorriso permaneceria. Fincado em meu rosto até que eu pudesse acreditar que aquela incômoda sensação de sorrir perante aquele caos era apenas parte do cenário.

– Itachi... Eu preciso falar com você.

E simplesmente fiquei parado. Não ousei encará-la. Não precisava me lembrar dos outros olhos verdes. Pelo menos, não agora... Não agora...

– Acho que não precisa. Eu... Eu estou cansado e tenho que descansar. Tenho alguns compromissos amanhã cedo. — simplesmente deixei que as palavras escorregassem da minha boca.

– Seja sincero. Por que não atendeu o celular quando liguei? Eu fiquei preocupada... Pensei que... — ela tentou dizer.

– Não precisa ficar preocupada. — retruquei baixamente. Minha voz se arrastava conforme meus passos. E eu ainda não entendia o porquê de permanecer com aquele sorriso. — Eu estou bem. Não aconteceu nada comigo, então não há motivo para se preocupar.

– Mas eu sou sua amiga, Itachi! Eu tenho o direito de me preocupar com você. — ela disse enquanto se aproximava. Senti o claro morno de sua mão contra meu braço. Era reconfortante. Dolorosamente reconfortante. — E, além disso, eu me importo com você. É por isso que me preocupo.

Doía. Sentir aquela vontade de beijá-la e não poder. Ouvir aquelas palavras sabendo que sempre seriam amigáveis. Doía saber que no fundo eu a amava e ela nem ousaria perguntar ou notar.

E doía mais saber que aquele tipo de sentimento que eu nutria por ela era uma droga da qual eu tinha que me livrar, mas era covarde demais para ousar me livrar dos sorrisos falhos e das verdades ocas que eu havia treinado para acreditar.

– Por favor, Sakura... Não se preocupe comigo. — implorei baixamente. Mas ela não notou. — Eu sei cuidar de mim mesmo. Não tem que se preocupar à toa comigo.

Ela riu e se afastou.

– Bobo. Sempre vou me preocupar com você. E com razão. Mas... Só não faça isso de novo. Por favor. — ela pediu. Ouvi o suspiro de alívio quando assenti brevemente. Em segundos ela se retirou.

E eu só quebrei por dentro. De novo. De novo e de novo. Até que aquela dor fizesse meu coração parar; mas não fazia. Os nós se transformaram em amarras fortes no meu pescoço. E os sorrisos morreram um após o outro. Não houve gritos. Não houve socos nas paredes. Não houve nem mesmo um acesso de raiva ou uma crise de intolerância.

Não houve nada além do silêncio; e dos pensamentos baixos que me diziam que eu tinha que me acostumar àquilo e superar as vontades tolas de ousar quebrar aquela máscara. Eu sabia que iria doer. Mas só não estava acostumado. Ainda não. E aquilo iria se repetir de novo e de novo até que eu me rendesse ao nada.

Lentamente arrastei meus pés. Engolindo a vontade de dar um basta àquela situação e de parar de acreditar nas mentiras e ilusões que eu mesmo havia criado. Apenas esqueça Itachi... Nada disso aconteceu. Tudo vai estar bem pela manhã. Era no que eu queria acreditar. Mas não adiantava. Não adiantava quantas vezes amanhecesse, entardecesse ou anoitecesse.

Eu ainda estaria quebrado internamente pela manhã e esboçaria um sorriso mesmo assim. Era o meu modo tolo de dizer que eu me importava o suficiente para ser o que ela precisasse. Mesmo que no fundo, ela jamais notasse, eu ainda estaria por perto. Apenas perto o suficiente para ostentar um sorriso e um coração despedaçado. Pelos anos. Pelas mentiras. E por ela.

Notas finais
YOOOOOOO!
Mais um capítulo... Espero que tenham gostado dele.
^^ A demora desta vez não foi enorme, apenas alguns dias, mas mesmo assim espero que estejam gostando do ritmo dos capítulos.
Hã... Agradeço os reviews do capítulo passado e também por não terem desistido da fanfic. ^^
Bem... Sobre a fanfic em si, gostaria de saber se seria interessante um POV'S da Sakura, do Sasuke ou da personagem com a qual Itachi teve um caso no capítulo anterior. E também se seria interessante nos próximos capítulos focar um pouco mais em Deidara, Hidan e outros.
E também gostaria de saber se o tamanho do capítulo em si é bom ou se é melhor maior ou menor. ^^
Ideias, críticas, sugestões, reviews e recomendações são bem-vindos.
#indiretaon
Mas, voltando...
Espero que estejam gostando da fanfic, e tentarei postar mais capítulos em breve.
Até o próximo!
o/
P.S.: Se houve algum erro ortográfico, favor avisem.