By Your Side
6 Mercê
Notas iniciais
Parece que estou sempre sozinho,
Parece que nunca estou chegando em casa,
Parece que estou sempre sozinho...
Todas as estrelas e avenidas não estão perto o bastante para você"
Stars and Boulevards - Augustana
Três dias haviam passado. Três noites haviam ido e três amanheceres haviam pintado os céus de tons amarelados e vívidos. E naquele tempo, pensamentos e raciocínios invadiram minha mente, mesclados a ordens que eu jamais obedeceria e ao rosto daquela garota. Levaram para longe o que eu chamava de paz e tranquilidade. Havia apenas o caos das perguntas que não acabam e dos sorrisos que desfaleciam internamente, mas externamente continuavam bonitos e intocáveis.
E naquele tempo meus olhos viam o que era necessário, mas fechavam-se à verdade e a qualquer tipo de exposição da mesma. E era uma verdade simples. Eu havia me conformado com toda aquela situação erroneamente estúpida. Sim, estúpida. Apenas mais do que o suficiente para eu ter a consciência de que tudo aquilo ocorria graças ao meu consenso e àquela ideia absurda de que um dia ela sorriria para mim.
Continue sonhando, Itachi... Sonhe até o seu sonho tolo virar realidade...
O som do celular tocando despertou minha atenção e rapidamente silenciou aqueles pensamentos e infinitos tipos distintos de verdades e mentiras. O atendi na terceira chamada.
– Porra, até que enfim seu boiola! Pensei que você estava dando por aí ou comendo alguém, caralho! – a voz estridente e irritadiça de Hidan perfurou meus ouvidos. — Ei... Tem alguém aí? Alô? Alô? Responde porra!
– Será que você não ligou errado hein? Hn.– a voz baixa e levemente irônica de Deidara surgiu.
– Claro que não, porra. Eu não sou estúpido assim! Eu só apertei aqui “Itachi” e pronto! Essas merdas tecnológicas fazem tudo por mim. Daqui a pouco, vão me masturbar também se eu apertar algum botão endiabrado...– Hidan retrucou. – Alô? Itachi?! FALA ALGUMA COISA INFERNO!
– Hidan... — murmurei.
– Viu? Não falei que tinha ligado certo? Tomou no cu, Deida-no-meu-cu! – Hidan retrucou e começou a rir. — Caralho... Eu sou um gênio!
– Ei, Hidan... — o chamei e ele parou de rir. — Por que me ligou?
– Oras... Porque eu preciso falar com você, porra! Por que mais eu ligaria? – ele disse. Revirei os olhos. — E, além disso, faz algum tempo desde a saída para o bar. Eu tinha que ter certeza se você pegou aquela garota lá... E que, a propósito, era muito... Hã... Bonita. É.
– Parece que nós temos dezessete de novo... — balbuciei. — Olha Hidan, acho que isso não é o tipo de assunto que se trate pelo celular. E... Eu só... — a imagem dos olhos dela invadiu minha mente. Os fios claros mesclavam-se com fios róseos. — Acho que é melhor não falar nisso por enquanto.
– Então, você broxou. — ele disse decepcionado. – Porra, Itachi... Desse jeito fica difícil acreditar que você não é boiola ou que não quer virar padre...
– O que? Cala a boca, Hidan. Não é nada disso. — retruquei.
– O Itachi broxou hn? Não esperava isso dele... Não mesmo... Hn. – Deidara disse. — Ele vai virar padre ou o quê? Hn.
– Calem a boca! Não foi nada disso. E não, não vou virar padre. — respondi. Respirei fundo. — E parem de imaginar coisas. Eu posso explicar tudo. Mas não por telefone. Eu passo aí mais tarde, ok? — ouvi os consentimentos de ambos e encerrei a ligação.
Arrastei meus pés pelo cômodo até a janela fechada. Arrastei as cortinas preguiçosamente e fechei os olhos com força. A claridade repentina fazia meus olhos arderem por alguns momentos e depois a sensação de incômodo surgiu sutilmente. Abri os olhos e fitei a movimentação quase minúscula nas ruas e calçadas. Os prédios de Tókio erguiam-se superiores e intocáveis.
E por um momento, meus olhos prenderam-se no vasto horizonte de concreto e janelas espelhadas. E por um milésimo de segundos ou até mesmo, menos que isso, parecia que não haviam pares de olhos esverdeados e um coração falhamente ativo. Havia apenas um rapaz solitário admirando a cidade da janela de um apartamento. E nada mais.
E tão rápido quanto aquela sensação, estabeleceu-se a realidade. Risonhamente cruel e sem meias verdades. E lhe sorri de volta. Como se dissesse “Eu estou de volta”.
Afastei-me da janela e vesti meus tênis. Agarrei meu celular e o guardei em meu bolso. Silenciosamente, abandonei meu quarto e atravessei o corredor estreito e ligeiramente iluminado. Peguei meu capacete e as chaves. Sai do apartamento e o tranquei. Dirigi-me até o elevador e o aguardei. Porém meu celular começou a tocar. O atendi rapidamente.
– Alô? — murmurei.
– Itachi... Desculpe ligar tão cedo. Mas é importante. — reconheci a voz gentil e contida de Konan. Franzi as sobrancelhas.
– O que aconteceu Konan? — perguntei e ela suspirou.
– É sobre o seu irmão. Digamos que ele está dando problemas ao Pain de novo... Mas ele foi longe demais dessa vez. Então... Eu acho melhor você vir até aqui antes que o Pain mude de ideia a respeito de punir seu irmão. — comecei a andar até as escadas e pulei os degraus com pressa.
– Punir? Do que é que você está falando? — questionei confuso. — E onde é que ele está?
– Itachi... Apenas se apresse ok? Estamos na nossa antiga escola. — foi tudo o que ela disse antes de desligar. Coloquei o aparelho em meu bolso mais uma vez. E apenas com aquelas poucas palavras, a raiva agitou-se em minha pele num misto de angústia e fardo familiar.
E ao mesmo tempo foi o que bastou para me fazer correr até minha moto, pôr o capacete e acelerar pelas ruas movimentadas de Tókio em pleno sábado. Aquele estranho misto de adrenalina e receio fazia meu coração bater num ritmo pessimamente acelerado. Palavras desconexas e importantes circulavam minha sanidade, coagitavam possibilidades absurdas e explicações tolas para o que ocorria e de algum modo, moldavam-se à realidade e à questão simples e comum que deveria surgir num momento como aquele.
O que é que está acontecendo?
Aquele conjunto simples de palavras formava a mais confusa das perguntas. Que se aplicava ao mundo particular e em ruínas que eu habitava, às sensações doídas e anestesiantes que tomavam conta do meu corpo todas as vezes que eu via Sasuke e Sakura juntos. Somente se aplicava aos sorrisos mascarados, aos fragmentos internos que pulsavam juntamente com meu coração e com os fios de finais possivelmente felizes que me envolviam de algum modo.
E enquanto o desespero crescia a cada rua que eu virava e a cada farol que se fechava aquela distinta pergunta ganhava mais força, mais necessidade de uma resposta.
O que é que está acontecendo? – era essa a pergunta. Apenas a concretização da realidade, sem qualquer tipo de intervenção comum ou ocultação dos fatos corriqueiros. — talvez fosse a melhor resposta. Ou apenas o pior murmúrio que pudesse escapar perante aquela questão.
Mais uma vez meu celular vibrou em meu bolso. E a certeza de que a realidade sorria cruelmente aumentou. Desta vez, não lhe sorri de volta. Não pude. Eu tinha que me apressar para saber o que estava acontecendo enquanto a realidade sorria amplamente, consumindo qualquer possibilidade de acreditar que tudo estava bem e que o mundo prosseguiria bem.
E só por um segundo eu quis que aquela não fosse a minha realidade. A minha vida. A minha confusa rotina. Eu apenas desejei que aquilo não fizesse parte da minha medíocre história e de alterar o rumo que a mesma tomava. E eu posso. Mas, apenas sou covarde o suficiente para tentar. Ou apenas para querer.
{ ... }
Eu me sentia um completo idiota. Um imbecil do mais alto nível por estar caminhando por aqueles corredores mais uma vez. Nostalgicamente, eu era um estúpido aluno do segundo colegial mais uma vez. De algum modo eu sabia que não devia estar ali ou até mesmo considerar as palavras de Konan ou de qualquer outra pessoa.
Afinal, aquele era o Sasuke. Aquele era o meu irmão mais novo e inconsequente. Um completo imbecil desgraçado. Bufei.
– Eu não vou esperar mais, Konan. Esse garoto está me irritando demais e não me importa de quem ele seja irmão. — a voz grave e séria de Pain estava elevada e irritada. Apressei meus passos e empurrei a primeira porta que vi.
E ali estávamos. Paralisados. Uns de surpresa. Outros por puro reflexo, como se estivessem sido pegos fazendo algo errado e ilegal. E de certo modo eu quis acreditar que estavam. Quis crer naquele pensamento lógico.
– Itachi! — Konan disse aliviada e tensa ao mesmo tempo. Ela sorriu amigavelmente e depois seu sorriso desfez-se tão rapidamente quanto havia se instalado.
– Você é tolo Itachi. Não deveria ter vindo até aqui. Seu irmão não merece tanta consideração ao ponto de receber um resgate do irmão mais velho. — Pain direcionou suas palavras duras à mim enquanto encarava Sasuke que estava jogado no chão, cercado por dois caras mais altos e fortes.
– Pain, eu não quero saber o que está acontecendo agora. Eu quero saber o que ele fez. — perguntei enquanto encarava Sasuke rapidamente. O rosto machucado e inchado fitava o chão. Ele se encolhia como uma criança assustada.
E eu desesperadamente quis acreditar que aquilo não era certo. Mas não passava de nada que ele não merecesse.
– Ele se atravessou meu caminho, Itachi. Este foi o erro do seu irmão. — ele me encarou e prosseguiu. — Ele continuou com as corridas em meus territórios, lucrando às minhas custas. Vendia drogas junto com alguns vagabundos como ele e promovia os rachas naquilo que é meu.
Eu não sabia se era decepção. Ou raiva, medo do que Pain poderia fazer ou apenas aquele choque de realidade que me fez ficar em silêncio. Mas aquele silêncio era um completo vazio. E estapeava meu rosto, de novo e de novo. E eu soube que não conseguiria encarar Sasuke. Não agora. Não depois. Não por um bom tempo...
– Você acha que isso é certo, Itachi? Ainda acha que seu irmão merece alguma coisa? — Pain questionou completamente irritado. Ele andou com pressa até Sasuke e o puxou pelo braço. — Responda Itachi! Um inútil como esse aqui merece alguma coisa?! Hã?!
– Pain, por favor... Deixe Itachi levar o irmão dele logo. — Konan interveio cautelosamente. Pain ergueu a mão livre fazendo-a silenciar-se em seguida. Ele soltou Sasuke que apenas desabou no chão.
– Isto é o Itachi quem decide. Ou você salva a vida medíocre do seu irmão e vai embora, ou o abandona aqui e me deixa puni-lo como qualquer um que atravessa meu caminho. — ele cuspiu as palavras duramente.
Não ousei encarar Sasuke. Não consegui encarar Pain ou Konan depois disso. Apenas abaixei a cabeça. Havia duas opções. A certa e a lógica. Cada uma envolvia uma sequencia minúscula de circunstancias e conflitantes objeções que me faziam recuar sobre qual opção fazer. Pois cada uma afetaria indireta e diretamente aquilo que eu costumava chamar de destino.
E novamente me senti estúpido. Senti raiva de mim mesmo. De meu cérebro, de minhas emoções e dos olhos esverdeados que invadiram minha mente. Eu teria que escolher. Não por mim, por minhas lógicas, razões e motivos. Mas por ela. E odiei-me profundamente por fazer aquilo. Abraçar a escolha erroneamente lógica, porém perfeitamente racional.
Resumiu-se naquele pensamento. Naquela desculpa esfarrapada de que eu não saberia se ela ainda gostaria de minha presença por perto caso eu abandonasse Sasuke. Resumiu-se nos meus passos arrastados e pesados até aquele ser humano ferido e quase inconsciente, que apenas tínhamos em comum os laços sanguíneos e nada mais.
Humilhado e envergonhado. Eram daqueles paralelos modos que eu me senti quando me aproximei de Sasuke e o puxei, fazendo-o apoiar-se em meus ombros e mancar até o mais longe possível dali. Não quis ouvir as palavras finais de Konan ou de Pain. Tentei sair dali o mais rápido possível. E assim, tropegamente, o fiz.
Após algum tempo, afastamo-nos o suficiente até encontrar um táxi. Não pedi que nos levassem ao hospital ou ao pronto-socorro mais próximo. Sasuke não merecia tantos cuidados. Eu tinha que reconhecer aquele fato. Pedi que nos levasse até o apartamento que dividíamos. E silenciosamente o percurso ocorreu. Sem pausas para analisar o clima, os tons nos céus ou a movimentação em Tókio. Ou até mesmo para sentir saudades de tempos simples e melhores.
Só houve o silêncio. E o ódio ardente sob minha pele.
E rasteiramente o tempo passou e havíamos chegado. Atravessei o hall com Sasuke ainda cambaleante, porém falante. Ele reclamava através de muxoxos e frases cortadas. Esperamos o elevador e quando o mesmo havia chegado ele mancou até uma das paredes metálicas e espelhadas. Apertei o botão até o andar em que residíamos e aguardei.
– Ei... Eu preciso... de uns... analgésicos. — ele balbuciou enquanto apreciava o ar condicionado. — Você... vai ter... que peg... pegar para mim.
Continuei em silêncio. E em poucos minutos havíamos chegado. Apoiei Sasuke em meus ombros mais uma vez e andamos até o corredor longo e bem iluminado. Ele continuava a balbuciar. Repetidas palavras. Desconexas. Porém uma delas despertou minha atenção.
– A Sakura... Ela não pode... saber. — ele balbuciou e franzi as sobrancelhas. E pela primeira vez naquele tempo o encarei e ele respirou fundo. — Ela não pode saber... disso. Itachi... Tem que... mentir... Ok? Você... Você tem que... Vai ter que mentir.
E aquela sensação embrulhada de decepção e raiva apenas agitou-se em meu âmago e ferveu debaixo dos meus músculos. Talvez fosse incredulidade. Ou só fosse algo relativo com as palavras de Pain.
– Por que eu faria isso, Sasuke? — questionei e ele ergueu a cabeça com certa dificuldade e conseguiu expressar um meio sorriso sujo.
– Porque... nós dois... Nós somos irmãos. — ele disse.
Foi um impulso. Um reflexo perante aquelas simples palavras tolas e verdadeiras, carregadas de mentiras mal sustentadas e de fatos negados e expostos. Não havia noção de controle ali. Não perante aquilo apesar de tudo o que eu havia ouvido e visto. Se houvesse um limite, de nada ele valia. Não ali. Não comigo. Não naquele momento não convencional.
– Irmãos, Sasuke?! Você ainda tem a ousadia de se considerar meu irmão depois daquela merda? — eu devia ter controlado meu tom de voz. Aquela irritação e ódio fluentes em minhas palavras e cresciam conforme eu segurava Sasuke pela gola da jaqueta. — O que é que você pensa que estava fazendo vendendo drogas e se metendo nessas porcarias de rachas? Hã?! Queria se tornar o quê?
– Eu só... queria ser algo que você jamais vai ser. — ele balbuciou claramente daquela vez. — Porque eu não tenho medo. Não sou você.
O estalo foi alto. Aquela queimação leve na palma da minha mão formigava. Minha respiração estava descompassada enquanto o rosto de Sasuke estava levemente virado. Eu tremia de ódio, de raiva e de ressentimento. Minha mente formulava mil e uma respostas para dar a Sasuke, que apenas desfaleciam na minha garganta. Havia apenas uma certeza. Eu havia estapeado meu irmão mais novo. Por motivos claros e por uma verdade jogada na minha cara.
– E é esse o melhor que você tem Sasuke? Ser um drogado e correr em rachas no território de mafiosos? — questionei e o soltei. Ele escorregou pela parede e desabou lentamente. — Porque se é isso é o máximo que você pode oferecer, então não merece o que tem.
Fale mais. Jogue mais algumas verdades na cara dele. Eram algumas das ordens que surgiam, uma após a outra e que confusamente misturavam-se em minha mente. Mas eu não posso ser como ele. Apenas me afastei e me retirei. Caminhei até as escadas e calmamente desci os degraus.
Quando finalmente alcancei o hall do prédio, atravessei o mesmo assim como havia feito anteriormente. Sem pronunciar nada. E então meu coração falhou uma vez. Retomou suas batidas e falhou mais uma vez. O vento suave e quase aconchegante balançou meus cabelos como se me fizesse um afago e agitou os cabelos róseos dela. Ela balançava calmamente o corpo sobre as sapatilhas enquanto os fones de ouvido estavam fixos em seus ouvidos.
E a verdade ardeu. Como talvez nunca tivesse ardido antes. Ela correu um pouco até mim e retirou os fones. Ela sorriu abertamente e jogou com cautela os braços ao meu redor, puxando-me para perto.
– Juro que pensei que não fosse você sem o capacete. — ela brincou. E em seguida esboçou um sorriso relaxado. — Saindo nesse horário, Itachi? Vai encontrar uma garota? — eu quis acreditar que as últimas palavras dela escaparam de seus lábios de forma incômoda. Porém quando outro sorriso tomou conta de sua expressão, aquela fútil possibilidade era apenas cinzas.
– Não... Eu... Preciso falar com você, na verdade. — murmurei e ela assentiu, começou a subir os degraus até o prédio, mas parou. Virou-se e me encarou confusa.
– O que foi? Não vai subir também? — ela perguntou e voltou rapidamente.
Encarei seus olhos. Procurei as palavras, tentando encontrar um modo de começar. E elas simplesmente desapareceram. Sumiram estranhamente, esconderam-se num calabouço e ali foram trancafiadas e esquecidas. E o formigamento leve pulsava juntamente com meu sangue. Corroia a palma das minhas mãos e não era agradável. Incomodava. Mas não tanto quanto aquele complexo choque de realismo injetado nas minhas veias.
– Itachi, aconteceu alguma coisa com você? Ou com o Sasuke? — ela perguntou e me encarou.
Eu não poderia lhe dizer aquilo. Não suportaria ver as lágrimas e saber que daquela vez, daquela excessiva vez, não seria Sasuke o completo responsável. Eu levaria parte naquilo. Mas ainda não sabia se ousaria tanto.
– O Sasuke está no corredor. Machucado. Acho que ele se envolveu numa briga feia. — murmurei as palavras com cautela. Não a encarei. — Eu... Fiquei sabendo depois. Não sei quem fez aquilo.
– Ele... Ele está muito machucado? — ela perguntou aquilo com pesar. Como se doesse apenas de imaginar. Mas doía mais suportar aquilo e sentir a verdade queimar na minha garganta. — Você... Como você o encontrou? Onde?
– Depois eu explico. Acho... Eu acho que é melhor você ver como ele está. — murmurei. Mas não ouvi seus passos aumentando e depois sumindo.
– Por que não levou ele para um hospital? — ela perguntou receosa. E daquela vez a encarei. Com um mínimo sorriso, como se aquela expressão pudesse amenizar as coisas. De certo modo, não as amenizava e nem as melhorava. Não alterava muita coisa. Apenas deixava a mentira mais acessível à verdade.
– Eu só não pude. — foi tudo o que eu disse. Andei o mais longe possível dela e daquele prédio. Mas aquele vazio decepcionante misturava-se ao peso daquelas meias verdades que escorregavam por meus dedos. E eu não me permitia tentar agarrá-las em sua trajetória de queda.
Porque eu sou covarde o suficiente para fazer qualquer coisa além de sorrir. Talvez aquela fosse a minha própria desculpa. Esfarrapada. Insegura. Insuficiente. Contrária. E enquanto eu continuava a me afastar, parecia que aquilo seria o suficiente e o insuficiente.
Uma pequena dose de mentiras — era daquilo que eu precisava desesperadamente. As verdades já entupiam meu sistema nervoso. Respirei fundo mais uma vez. Sim, eu precisava de uma dose de mentiras.
Pelo menos até que a minha insuficiência fosse preenchida por algo além de um sentimento que apenas eu sabia que existia. Alguma coisa que fosse além da minha realidade e do meu precário mundo.
Notas finais
Mais um capítulo, espero que tenham gostado deste e também dos anteriores. Bem... Meio que como puderam notar, deste capítulo em diante algumas coisas vão mudar sutilmente e drasticamente. Uma delas é o comportamento do Itachi referente ao que ocorre. ^^
Hã... Espero que tenham gostado da música. E também espero que tenham gostado do ritmo da fanfic. ^-^
Desculpem a demora na atualização, mas para aqueles que estão ou estavam em dúvida, novamente digo:
By Your Side será finalizada mais adiante e não foi abandonada.
É mais isso por enquanto.
Sugestões, dúvidas, críticas, ideias e afins são bem vindos.
Até o próximo!
o/
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