Notas iniciais
Vamos a mais um capítulo, aproveitem! ♥

Roland

Dormi muito bem essa noite, acordei cedo e bem-disposto e passei praticamente o dia todo sentado no meu escritório escrevendo meu novo livro. Meu dia foi bastante produtivo, e sei que é porque vou encontrar a misteriosa Vanessa daqui a alguns minutos. Não consigo tirar ela da minha cabeça desde que a vi naquele palco, e depois que nós trocamos algumas palavras suas feições, sua voz e seu sorriso estão gravados em minha mente e as vezes me pego sorrindo feito bobo lembrando dela. Como posso estar tão fascinado com alguém que nem conheço?! Mas sei a resposta, eu sou escrito, um romancista e sei melhor do que ninguém que sentimentos não se explicam e acontecem quando a gente menos espera.

Estou me arrumando, decido caprichar na arrumação, arrumo meu amado bigode e do um jeito no meu cabelo rebelde, passo bastante perfume e acho que estou encantador. Não costumo me achar muito e faz muito tempo desde que tive um relacionamento sério, vivo com a cabeça nos meus livros e nas minhas palavras, me envolvo com poucas mulheres, apenas casos rápidos e as vezes um sexo casual, simples distração. São poucas as mulheres que mechem comigo, mas parece que a doce Vanessa chegou para tirar o meu sossego, eu me conheço e sei que ela me deixou balançado. Ok, sei que ela tem namorado, mas sinceramente? Acho que ela ficou mexida também, e talvez eles não tenham nada muito sério. Sei que estou me precipitando, só falei com ela durante uns dez minutos, o que eu estou querendo?!

Termino de me arrumar e vou até o Hard Rock Café como combinamos, faltam dez minutos para as 18h e vou de carro até lá pois andando levaria mais tempo.

Não demoro e depois de alguns minutos já estacionei o carro próximo à entrada do café, estava bem movimentado afinal é início de noite de domingo e a cidade começa a se tornar boemia. Escolho uma mesa para dois bem no canto e me sento aguardando minha convidada.

Vanessa

Roland é um nome bonito e exótico, penso enquanto lavo meu cabelo me arrumando para encontrá-lo no café. Passei praticamente o dia todo no clube hoje, Patrick convidou alguns amigos e aproveitamos para almoçar por lá também, e eu definitivamente aproveitei para pegar um bom sol. Muito difícil eu ter tempo para fazer esses programas devido aos ensaios da companhia, e com a chegada da nova peça sei que meus dias serão completamente corridos. Termino o banho e me enrolo no roupão indo para o quarto.

E não consigo negar, Roland não saí da minha cabeça desde ontem. Tivemos um papo muito muito breve, nem conheço ele, mas a verdade é que estou impressionada com ele. Ele é lindo e tem um sorriso perfeito, além de escrever esses livros maravilhosos que eu tanto amo e distribuir palavras tão lindas e encantadoras para seus leitores. Mas estou incomodada com isso, faz tempo que um homem não me chama tanto a atenção como ele fez comigo. Entro no quarto e visto uma lingerie preta, escolhi um vestido creme comportado na altura dos joelhos e um scarpin preto para completar. Sento na penteadeira e seco meu cabelo, não demoro muito pois ele é curto e fácil de secar, decido prendê-lo em um rabo de cavalo dando destaque a franja na frente. Capricho na maquiagem, marcando bem os olhos e a boca. Levanto e me olho no espelho, acho que estou bem, não quero parecer desesperada, então esse visual vai combinar, mas não vou negar que quero impressionar ele... sei que é errado, mas no momento não me importo.

Patrick foi para a casa dele dormir depois do clube, eu disse a ele que iria sair com umas amigas e por incrível que pareça ele não falou nada. Pego o livro para Roland autografar e vou de táxi até o Hard Rock Café. Chego dez minutos atrasada e avisto ele sentado no canto olhando para a porta, nossos olhos se encontram e ele sorri e quando eu vejo já estou sorrindo de volta.

— Oi Roland. Boa noite. – digo me aproximando da mesa, ele se levanta e beija minha bochecha.

— Olá Vanessa. Boa noite. – retribuo seu beijo, ele sorri.

Ele afasta a cadeira para eu sentar e me lança um olhar profundo, me sinto exposta. Ele se senta na minha frente e chama o garçom.

— Quer comer ou beber alguma coisa? – pergunta.

— Que tal croissant e cappuccino? Me acompanha?

— Com certeza.

O garçom anota o pedido e pede licença, olho para Roland que me encara atencioso.

— Desculpe o atraso... – digo puxando conversa.

— Só foram dez minutos, não se preocupe. – ele ri. — E seu atraso é complemente aceitável... – ele me olha. — Você está linda e queimada também. – rio.

— Ah, obrigada. – sorrio. — Meio que resolvi tirar o atraso hoje e aproveitei para tomar um sol, fomos ao clube com uns amigos. Normalmente não tenho tempo para isso.

— Foi com seu namorado? – me encara curioso. — Como é mesmo o nome dele?

— Ah, sim... Patrick. Ele chamou uns amigos e nós fomos aproveitar.

— E ele não se importou de você vir aqui hoje? – ele parece interessado.

— Vamos dizer que eu não disse exatamente com quem eu ia sair... – mordo o lábio e sorrio. Ele ri e balança a cabeça.

— Entendo... provavelmente ele não deixaria você vir se soubesse. – levanta a sobrancelha provocativamente.

— É, provavelmente ele iria implicar... coisa de homem na certa, você deve saber como é. – reviro os olhos. — Acredito que se fosse você também não deixaria... estou certa? Homens!

— Não, acho que não deixaria também. – balança a cabeça com veemência. Sorri. — Ainda mais sendo bonita como você é, cativante e interessante.

Me aproximo mais dele e encaro seu rosto.

— Mas isso é errado, vocês homens não tem esse direito. E obviamente não do razão a vocês, isso não é certo. – ele ri.

— Eu sei, não é certo e não temos razão, não vou discordar de você... sou escritor e tenho a mente bastante aberta, mas o coração as vezes fala mais alto... as vezes simplesmente a razão fica de fora.

— Isso eu concordo. – sorrio. — Mas eu não estou fazendo nada de errado, então não estou me importando e estou tranquila. E não vou deixar que me digam com quem ou não sair, digamos que Patrick não tem esse direito sobre mim... nossa relação não está tão avançada assim, se é que me entende.

Vejo seus olhos arregalarem rapidamente e suas feições me indicam que ele gostou do que acabou de escutar. Mas o fato é que eu só disse a verdade, eu e Patrick só estamos nos curtindo, pelo menos da minha parte é só isso.

O garçom se aproxima servindo nossos pratos, nós agradecemos e degustamos um pouco.

Mordo um pedaço do croissant e ele bebe um pouco do cappuccino, enquanto me olha interessando.

— Você parecer ser linha dura. – ele me diz, com a xícara parada perto da boca.

— E você acha isso ruim? – provoco.

— Não, acho que é válido, mostra que você é independente. Acho que é mais uma coisa para admirar em você.

Sorrio envergonhada e tomo um pouco do cappuccino. Pelo visto ele adora elogiar... realmente encantador, se a mulher não tomar cuidado é fisgada rapidamente. Ele alisa o cabelo e sorri, e sinceramente eu me distraio com esse movimento... endireito minha postura e termino minha refeição. Não seja fraca, Vanessa!

Roland

Termino meu croissant, estava maravilhoso. Vanessa continua comendo o dela, ela é calma e segura em seus movimentos, realmente encantadora e está mais linda ainda. Fiquei impressionado com sua rigidez, essa mulher sabe se defender! Sorrio.

— Vamos parar de falar de mim... vamos falar de você. – ela me tira do devaneio. — Eu que sou a fã aqui, inclusive... – ela pega algo no colo e vejo que é meu livro, sorrio meio envergonhado. — Não esqueci do que você me prometeu, meu autografo por favor. – sorri brincalhona.

— Com todo prazer!

Pego o livro que ela me estende e tiro minha caneta que sempre carrego no bolso da frente da minha camisa e assino na folha de rosto do livro, deixando uma dedicatória especial.

“Linda Vanessa,

Obrigada por ler e suportar mais um livro meu... espero que eu esteja indo bem nas minhas histórias.

Com carinho, Roland.”

Entrego o livro de volta para ela e vejo um sorriso se formar enquanto ela lê o que escrevi. Ela ri, uma risada gostosa.

— Obrigada! – ela guarda o livro no colo.

— Mas então, o que quer saber sobre mim? Já aviso que não tenho muitas coisas para contar...

— Quando começou a escrever?

— Quando era pequeno, com 8 ou 9 anos eu já escrevia algumas coisas bobas, colocava algumas palavras no papel e torcia para que elas virassem uma boa história... – sorrio. — Nas festas em família meus parentes liam e diziam que era maravilhoso e que eu tinha talento e que seria escritor quando fosse mais velho, e bem aqui estou eu. Dessa vez eles acertaram, e sinceramente nunca duvidei totalmente disso, sempre me senti bem escrevendo e é algo que sinto prazer em fazer... me sinto completo e quero possibilitar as pessoas momentos agradáveis com meus livros. Não tenho certeza se venho conseguindo atingir esse objetivo, mas me sinto bem fazendo o que faço.

Ela me olha extremamente interessada, e seus olhos inteligentes e atenciosos me fazem querer contar mais e mais sobre isso, é estranho.

— Você faz isso muito bem Roland, e digo isso sinceramente e de coração, como uma leitora mesmo. Acompanho seus livros a muito tempo, eles sempre são meus companheiros durante as viagens que faço com a companhia de dança. Me divirto lendo e principalmente tenho sempre momentos muito agradáveis, adoro suas palavras... você escreve muito bem e isso não é só eu que digo.

Sorrio e fico meio envergonhado.

— Agradeço... é muito bom ouvir isso. Inclusive passei praticamente o dia todo escrevendo meu novo livro, tive um dia bastante produtivo e acho que ele vai sair mais rápido do que a editora espera.

— Sério? – ela sorri. — Já estou doida para ler... adoraria já tê-lo em minhas mãos para ler durante a viagem a Londres nos próximos dias, mas sei que terei que segurar minha ansiedade.

Ah, a viagem dela a Europa... lembro que ela me disse ontem em nosso papo breve. Estranhamente sinto um aperto ao ouvir isso, não quero ficar longe dela. Me sinto um idiota pensando isso. O que está acontecendo comigo?!

— Vai ficar muito tempo lá? – pergunto, mas lembro da resposta.

— Duas semanas. Não é tanto tempo, a gente costuma viajar muito mais.

— E sua nova peça?

— Já temos uma noção de como vai ser, estamos querendo já ensaiar um pouco lá na Europa, pois assim que voltarmos provavelmente já teremos o primeiro espetáculo de estreia. E se quiser ir, está convidado.

— Estarei na primeira fileira, com certeza. – sorrio.

Ela olha em volta e seu rosto é sereno e leve.

— Você falou em ser minha fã, e eu digo que sou seu fã. – ela me olha. — Vanessa, você dança lindamente e demonstra uma paixão pelo que faz... eu realmente fiquei encantado vendo você naquele palco, na verdade todos devem ficar. É brilhante.

— Roland, o homem dos elogios. – ela ri. — Assim fico sem graça, e olhe que é difícil eu ficar sem graça. – sorrio. — Mas obrigada, eu amo o que faço e quero sempre me aperfeiçoar em minha dança... eu tento.

Sorrio, não sei o que responder, me sinto diferente.

As pessoas passam ao nosso redor e sinto alguns olhares em nossa direção, não sei se por causa de mim ou dela, ou por causa de nós dois, mas o fato é que somos conhecidos na cidade e estamos acostumados.

— Mora sozinho aqui? – ela me pergunta.

— Sim. Sozinho. Um escritor solitário. – rimos.

Acho que ela quis saber se tenho alguém na minha vida, mas não tenho certeza. Mas é uma pergunta normal para mim, às pessoas normalmente me questionam sobre isso, pois sou bem reservado. Sorrimos um para o outro.

Vanessa

Uma música agitada e dançante começa a tocar ao fundo na máquina, algumas pessoas se levantam para dançar, olho para Roland que balança a cabeça ao som da música. Tenho uma ideia.

— Quer dançar?

Levanto e estendo a mão para ele. Ele me olha meio assustado e eu quero rir, mas disfarço mexendo meu corpo ao som da melodia.

— Eu? Dançar? Vou fazer você passar vergonha.

Sinto seu olhar sobre mim, ele tenta disfarçar.

— Venha. Deixe de besteira.

Ele levanta, segura minha mão e vamos andando até a pista improvisada de dança onde outras pessoas se divertiam.

Mexo meu corpo ao som da melodia e ele faz o mesmo, no início ele parece meio envergonhado, mas vai se soltando e ele dança bem!

A melodia não é calma, mas também não é tão agitada então dançamos um de frente para o outro improvisando alguns passos junto com o pessoal.

Alguns homens seguram na cintura das mulheres em um determinado momento da dança e vejo Roland me olhar quase como se pedisse permissão para fazer o mesmo, eu sorrio e rodopio e então quando vejo suas mãos seguram minha cintura e nós nos mexemos juntos ao som da música.

Ele tem as mãos fortes e rígidas, me sinto segura com seu toque.

Nós dançamos enquanto trocamos olhares, tento decifrar seu rosto e suas feições, mas ele é muito tentador e evito me perder em seus belos olhos. Simplesmente não quero pensar muito em nada agora, não sei o que estou sentindo ou o que quero, mas sei que estranhamente ele me faz bem como nenhuma outra pessoa já me fez sentir. Sinto que não estou fazendo nada errado, tenho minha consciência limpa, mas no fundo sei que estou mexida e envolvida.

Ficamos na pista de dança durante mais duas músicas, ele é muito divertido e faz várias palhaçadas e eu simplesmente não consigo me concentrar para dançar.

Em um momento nós dois nos aproximamos e eu sinto seu cheiro e sua presença. Ele me olha sorrindo e eu sorrio de volta, acho que jamais esquecerei dessa dança.

Voltamos para a mesa rindo e comentando, pedimos suco de laranja para o garçom e nos acomodamos novamente.

— Estou aprovado no quesito dança? – ele pergunta.

— Nota 10!

— Sério? Mandei bem então, Vanessa.

— Total.

— Então satisfiz sua vontade de dançar? – não sei se sou eu, mas percebo um pouco de malícia em sua pergunta.

— Bastante. – respondo acompanhando seu tom. É mais forte que eu.

O garçom traz nossos sucos, estou com tanta sede que bebo metade do copo em um gole só.

— Acho que seu namorado já deve estar te procurando...

— Talvez, não sei. Eu disse que ia sair com umas amigas, e normalmente eu demoro para voltar, então.

Ele ri.

— E o seu nome? Achei seu nome diferente, Roland... impactante. – comento.

Ele ri novamente.

— Nunca tinha ouvido não?

— Não que eu me lembre...

— Então sou o primeiro Roland da sua vida? – sorri.

— Pelo visto sim. – sorrio.

— Bom saber.

Ele me olha intensamente, fico desconcertada, mas sustento seu olhar.

— Seu nome eu já ouvi, claro, mas acho que você é a pessoa que mais combina com ele. – ele continua. — Na verdade acho que você combina bem com Nessa também... tem um lado fofo no apelido, e você parece fofa também.

Rio.

— Fofa? Nunca me disseram isso antes...

— Sim, fofa.

— Fofa é legal.

— Posso te chamar de Nessa?

— Pode. Posso te chamar de Roly?

— Roly? – ele ri. — Pode... se você gosta.

— É, eu gosto, acho que soa bem. Você não gosta?

— Passei a gostar agora.

Nós sorrimos. Parecemos dois bobos.

— Roland é muito impactante, acho que quando eu estiver brava com você irei lhe chamar assim... fora isso é Roly mesmo.

— Então você pretende ficar brava comigo em algum momento? – sorri.

— Provavelmente irei ficar...

— Então significa que nossa amizade está só começando? – ele me olha em expectativa.

— Claro... porque? Você achou que depois de hoje eu ia simplesmente sumir? – eu rio.

— Não, não é isso... só quis confirmar mesmo.

— Ah bem. Espero que não suma também.

Ele me olha satisfeito e sorri lindamente.

— Jamais.

Sorrio.

Ele continua.

— Então, quando eu estiver bravo com você irei lhe chamar de Vanessa, assim ficamos iguais. Ok?

— Ok. Estamos acertados.

— Um brinde?

— Um brinde!

Nós batemos nossos copos de suco fazendo um brinde e depois viramos o resto do suco todo na boca como se fosse uma vodka bem preparada. Me sinto à vontade com ele, é como se já nos conhecêssemos a anos, estou amando estar em sua companhia.

Roland

Conversamos bastante, as horas voaram e quando fomos ver o café já estava se preparando para fechar e o ambiente já estava vazio. Simplesmente não vimos o tempo passar e as pessoas saírem. É muito bom ficar ao lado dela, ela é extremamente inteligente e esperta, sua conversa envolve qualquer um. Falamos sobre tanta coisa, ela me conta sobre seus primeiros testes e suas quedas no palco, eu conto a ela sobre meus rascunhos de livros jogados fora e das noites estressantes que as vezes tenho sem conseguir escrever nem uma palavra. Me sinto à vontade com ela, sinto como se já conhecesse ela a anos. Nós dois trabalhamos com arte e temos tanta coisa em comum.

— Acho que está tarde. – digo relutantemente percebendo a movimentação dos funcionários.

— Sim, o café já vai fechar e a gente aqui atrapalhando. – nós rimos.

— Difícil dizer isso... mas acho que temos que ir embora.

Faço cara de triste, ela me acompanha.

— Vamos lá. – ela diz.

— Vou pagar a conta.

Ela me olha surpresa e sei que vai reclamar.

— Eu convidei você, eu pago. — ela protesta.

Encaro ela.

— Não, eu que te convidei e por tanto eu que pago. — entro no jogo.

— Não é assim...

— Vanessa?!

Finjo estar bravo e olho para ela. Ela me encara e depois começa a rir, acho que lembrou do nosso trato de chamarmos um ao outro pelo nome quando estivermos bravos.

Percebo que ela está relutante, depois levanta às mãos em sinal de rendição e sorri.

— Certo, dessa vez eu deixo. A próxima é minha.

Próxima? Opa. Fico mais que feliz.

Sorrio. Sigo até o caixa e pago a conta, quando volto ela está parada na frente do café de costas para mim com meu livro embaixo do braço. Aproveito a oportunidade para olhar ela por completo, não que eu não tenha tido a oportunidade enquanto ela estava no palco, mas meus olhos são atraídos para seu corpo como ímã.

Ela é maravilhosa. Gostosa, a palavra é essa. Atraente pra cacete e sensual. Não sei o que pensar, só consigo olhar para ela.

— Vamos? – seguro seu braço, ela se assusta, sorrio.

— Sim, vamos... tenho que chamar um táxi.

— Táxi? Não, não precisa, eu estou de carro, levo você em casa.

Ela parece estar analisando minha resposta.

— Ok, vou aceitar, é mais prático.

Vamos caminhando até meu carro, abro a porta do carona e ela entra, fecho a porta e sigo para o meu lado. Ligo o carro e do partida, ela me indica o caminho e nós vamos até lá conversando mais um pouco, quero aproveitar cada segundo com ela.

Infelizmente o trajeto é rápido e já estamos parados na frente do seu prédio.

— Pronto. Está entregue moça.

Sorrimos.

Continuo.

— Então, você vai viajar quando?

— Acho que amanhã, anteciparam, pois o teatro foi liberado mais cedo.

Amanhã? Já? Sinto um aperto.

— Duas semanas fora? Isso?

— Duas semanas.

— Te vejo quando voltar? – pergunto.

Ela me olha e sorri.

— Com certeza. Vai me vê no novo espetáculo?

— Com certeza. Não perderia por nada.

Sorrio, e é a mais pura verdade.

Ela me surpreende e beija delicadamente minha bochecha. É um beijo doce e simples.

Sorrio tímido e sem pensar a beijo na bochecha também.

— Tchau. – ela se despede, seu olhar é intenso e o meu também.

— Tchau. E bom espetáculo lá fora.

— Obrigada. E por favor adiante seu novo livro, não sei se posso esperar mais.

Assinto com a cabeça sorrindo e ela saí do carro.

Ela vai andando até a entrada do prédio e eu observo seu andar, suas pernas, um pacote completo.

Ela entra no prédio e eu do partida no carro.

Sinto tanta coisa, e acima de tudo estou satisfeito e alegre, foi uma noite ótima.

Vanessa definitivamente é uma raridade, e sei que estou fissurado nela.

Será que ela ficou mexida comigo? Não quero ser precipitado, mas eu senti que é recíproco.

Definitivamente eu a quero. O que posso fazer?!

Notas finais
Gostaram? Comentem. Beijos!