By The Chance
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Depois da conversa com Coulson na quinta à noite, na manhã seguinte ele a levou até seu prédio e se despediu com um sorriso antes de empurrar o carrinho de Skye para a praça.
No sábado ela acordou pesarosa por não estar com Skye em sua cama. Ela não via os via desde daquela manhã de sexta. E um dia depois ela já sentia falta dos dois . May lutou durante todo o dia contra a vontade de fazer uma visita a casa deles. Quando Natasha ligou para lembrar do pequeno encontro de garotas que estava marcado a noite, seus pensamentos mudaram o foco.
Melinda não queria sair. Queria se afundar no sofá da sala e devorar um pote de sorvete, discutindo consigo se deveria aceitar a proposta de Phil. Agora teria que se arrumar, sorrir e se locomover para muito além da sua sala de estar.
Porém não desmarcou o encontro. Às oito da noite, ela estava empoleirada em um dos bancos do bar mais frequentado por elas na faculdade esperando que suas amigas aparecessem logo. May vestia calças de couro justas e uma camiseta do The Doors, que roubou de um ex-namorado. Tinha passado apenas um batom escuro nos lábios, no espelho do elevador.
Alguns minutos depois da bebida de Melinda ser servida, Natasha apareceu na porta do estabelecimento, dando aceno quando localizou a amiga no bar. A ruiva alcançou o balcão e pediu um martini, antes mesmo de cumprimentar a amiga.
—Olá Senhora Coulson. — Nat sorriu, bebendo o conteúdo transparente .
—Nem brinque com isso.- ela encarou a amiga. — Não hoje.
—Ficou uma semana de folga e ainda está mau-humorada? — A ruiva começou a arrastar amiga para uma das mesas. — Como foi a semana cuidando Skye?
—Não foi exatamente férias. Ela estava doente primeiro. E depois ela começou a andar para todos os lados e dormindo nos lugares mais estranhos. Também descobri que ela não gosta do cadeirão para refeição, nem de tomar remédios.
Enquanto Melinda fazia seu pequeno monólogo sobre a semana, outras duas mulheres se juntaram à mesa.
—Olá? — Natasha cortou Mel, olhando para as visitantes.
—Bobbi, Yoyo! Que bom que chegaram! — Melinda completou. — Natasha, quero te apresentar minhas amigas de faculdade. Está é Bobbi — ela apontou para a loira alta é muito bonita. — ela é minha ex-cunhada. E essa é Elena. — apontou para morena com claros traços latinos — Que carinhosamente eu chamo de Yoyo, apelido que meu irmão deu. Ela é minha futura cunhada.
—Melinda, já te falei sobre isso. -Elena respondeu, o sotaque marcado.
—Espera, elas são a ex e a atual do seu irmão? — Natasha perguntou surpresa.
—Não, óbvio que não. Eu sou ex mulher do Hunter. Meu melhor amigo é o Mack. A Elena é atual interesse do Mack. Mack é o outro irmão da Melinda.
—Acho que não te contei que tinha dois irmãos. — Melinda se sentiu culpada.
—Você nem me contou que tinha irmãos. — Natasha disse magoada
—Do que vocês estavam falando mesmo? — Elena perguntou, enquanto Bobbi fazia sinal para o garçom.
—Melinda estava falando da filha dela. — Nat entregou, enquanto esvaziava sua taça.
—Filha?- Bobbi deixou o garçom falando sozinho por alguns minutos.
—É apenas Skye, Bárbara. — Melinda a cada segundo se arrependia mais de ter saído de casa.
—Ah, a filha do patrão bonitão. — Bobbi exclamou depois de terminar o pedido. Todas riram da forma que ela se referiu a Coulson.
Melinda contou alguns detalhes das últimas semanas, atualizando as duas antigas colegas de faculdade. Já Natasha, que sabia de toda história, se preocupou em procurar por homens bonitos na balada.
—E enquanto tomávamos vinho na última quinta-feira, ele pediu para que eu me mudasse mais uma vez. -Ela rodou um dos braceletes que usava, tentando diminuir a sensação agoniante gerada da indecisão.
—Por que suas coisas não estão na casa dele? — Nat perguntou, com uma nota indignada na voz.
—Porque não é para as coisas serem assim. Eu devia apenas esquecer tudo e me afastar dos dois. — May repetiu o que sua parte racional dizia.
—Claro que não! A menina já está apegada a você... Você está mais que apegada a Skye, passou quase uma hora falando da criança. — Elena finalmente teve voz. — Ele não está te convidando para transar. Infelizmente. Ele está te convidando para ajudar com a garota. Que mal tem nisso. Sem contar que convivendo com o homem talvez coloque uma lupa em todos seus defeitos e você desencane dessa paixonite.
—Vou pensar sobre isso. — Melinda respondeu a amiga.
Natasha convenceu todas a moverem para a pista de dança. Durante a noite, várias doses de álcool foram tomadas e alguns caras receberam fora de quatro garotas na pista de dança. Quando Elena teve que pegar o telefone da mão de Bobbi para evitar que ela ligasse para Hunter, May declarou à noite como encerrada.
A taxista teve total paciência de levar quatro mulheres bêbadas para suas respectivas casas. Melinda ficou por último, já que sua casa era vários quarteirões depois da casa da Elena.
Depois das duas da manhã apenas decisões erradas são tomadas. Porém, encorajada pelo álcool, Melinda mandou a mensagem que mudaria sua vida:
"Aceito seu convite. Tem como me ajudar com a mudança amanhã à tarde?
Ps: de manhã estarei com uma enorme ressaca"
********
"Melinda May, você é muito idiota" ela repetia essa frase a cada segundo depois que acordou. A dor de cabeça lancinante tornava sua visão turva ( quando ela conseguia manter os olhos abertos ) e Melinda só teve coragem de se arrastar até a cozinha para tomar uma aspirina.
No caminho de volta para a cama, ela pegou o celular que estava abandonado em cima da mesa de centro. Haviam algumas chamadas não atendidas, algumas mensagens não lidas.
Ela ignorou as primeiras mensagens dos seus irmãos, sabendo que era uma discussão sobre a saída com as meninas na noite anterior. O que realmente chamou atenção foi algumas mensagens de Phil, que ela abriu tentando se lembrar o que tinha mandando para ele na noite anterior.
Quando percebeu que ele tinha apenas respondido com planejamos para a mudança de casa, prometendo que passaria na casa dela apenas ao anoitecer, para que ela tivesse bem disposta, ela entendeu o que tinha feito na última noite.
—Melinda May, você é completamente idiota!! — ela exclamou para as paredes do seu quarto, se sufocando nos travesseiros em seguida, tentando apagar a noite anterior.
*********
Por volta das seis da tarde, o interfone da cozinha soou. Melinda abriu a porta e voltou para o quarto, fechando a última das três malas. Claro que nem todas suas coisas couberam em apenas nessas, mas ela poderia voltar mais vezes para buscar o resto de suas coisas.
Durante a tarde, ela se dedicou em arrumar seus pertences e ofereceu o apartamento para Natasha, que precisava de um lugar para ficar na cidade, evitando que seu amado lar ficasse as moscas.
Já que ela tinha se proposto a mudança, ia seguir tudo que as meninas sugeriram: cuidar de Skye, aprender de Coulson. Descobrir seus defeitos.
O fecho da mala gemeu enquanto Melinda tentava fecha-la com um conteúdo maior que o indicado. Quando terminou, May pode ouvir passinhos vacilantes na porta do seu quarto e uma exclamação feliz.
—Olá Skye! — ela abriu os braços para os quais a menina correu. -Eu também senti sua falta. — Ela cobriu a bebê de beijos, enquanto a mesma gargalhava.
—Você sentiu falta só dela?!- Coulson estava encostado no batente da porta, observando a cena. -Pensei que depois das mensagens talvez eu também estivesse com saudades de mim.
—Não seja ridículo, Phil. — ela sorriu, ele fez uma expressão ofendida antes de passar os braços timidamente em volta dela e de Skye.
—Só estou feliz que você tenha aceitado. — ele sussurrou, antes de soltar as duas. — E a ressaca?
—Preferia não ter saído ontem à noite. — ela gemeu, enquanto colocava Skye sentada na cama. A criança não demorou a deslizar para o chão, atraída por algumas bagunças no guarda-roupas da mulher;
—Vou começar a descer com as malas. — Coulson iniciou.
Phil não deixou que Melinda carregasse nenhuma das malas, justificando que ela ainda estava se recuperando da noite anterior e que alguém tinha que ficar atrás da criança, que explorava cada cantinho da casa.
Em poucos minutos, as malas já estavam no carro e Melinda, com Skye no colo, fechou a porta do apartamento, pelo que parecia por um longo tempo.
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