By The Chance
5 Capítulo 5
Notas iniciais
A rotina de Melinda entrou em um pequeno ciclo: pela manhã ela permanecia na empresa, tentando resolver pelo menos uma parte dos negócios pendentes e acompanhar os treinamentos dos funcionários. Horas após o almoço, ela largava as funções de CEO nas mãos de Natasha e dirigia até a casa de Phil, levando documentos para ele rever e assinar e ela aproveitava um pequeno tempo com a bebê.
Esse pequeno tempo em poucos dias passaram a ser horas, até que Skye dormisse em seu braços e Coulson sorrisse agradecido depois que a deitava no berço. Alguns dias, quando a pequena dormia mais cedo, cansada pelas horas de brincadeiras, Melinda e Phil ainda passavam algum tempo conversando sobre detalhes da empresa ou sobre a rotina de Skye, degustando algum vinho.
— Eu preciso voltar a empresa logo. Maria Hill já me procurou e está esperando minha resposta — Phil expressou numa noite de sexta, após Melinda colocar Skye na cama.
— Não acha que está um pouco cedo? — Melinda surpreendeu-se.
— Faz mais de um mês, Mel. Apesar do seu incrível trabalho, eu estou entediado. E Rosalind não gostaria que eu parasse minha vida — a última frase ele pronunciou em um tom mais baixo. Ainda aprendendo a lidar com a situação.
—Quem cuidará de Skye? — May perguntou assim que chegaram ao andar debaixo.
—Estou pensando em contratar uma babá — ele disse, servindo uma taça de vinho tinto para a mulher — Na verdade, temos uma vizinha, acho que ela tem uns quinze anos. O nome dela é Jemma Simmons. Ela tem um carinho muito grande por Skye e já se ofereceu para ficar com ela. Pelo menos por meio período.
Melinda balançou a cabeça, tentando assimilar a ideia de uma criança de quinze anos cuidando de uma outra criança.
— Fique tranquila, Mel. Jemma é uma daquelas crianças super dotadas! Você não acreditaria que ela tem essa idade. Amanhã vou conversar com ela, você pode vir também.
— Passar o sábado aqui? — May perguntou, surpresa.
— Por que não? Skye sente sua falta durante o final de semana mesmo... E passar mais que apenas algumas horas juntas vai fazer bem para vocês e será uma folga para mim.
Melinda sorriu e terminou a taça de vinho. Negou quando Phil tentou enche-la novamente.
— Hora de ir — ela acenou um adeus, vestindo sua jaqueta de couro e calçando os saltos — Até amanhã.
Na calçada apenas verificou se o carro estava trancado e seguiu o pequeno caminho até seu apartamento a pé. Já que voltaria no dia seguinte, não fazia sentido tirar o carro dali, além de ela estar muito cansada para ter atenção para estaciona-lo na pequena vaga na garagem do prédio.
Todos os dias ao sair da casa de Phil, sentia seu estômago dar pequenas voltas e tentava entender exatamente o que estava acontecendo. Cada dia ela queria ficar mais um pouquinho.
Coulson parecia melhor a cada dia que passava. Bem o suficiente para aparecer com Skye apresentável e completamente alinhado quando Melinda batia a sua porta toda tarde.
Já Skye parecia totalmente conectada com May, assim como a mulher estava a pequena. Dificilmente ela dormia sem ser nos braços da chinesa, enquanto ela entoava pequenas cantigas em mandarim. May passava vários momentos do dia ansiando para ver Skye.
Suspirando, Melinda abriu porta de seu apartamento para encontrá-lo completamente bagunçado e o sentiu estranhamente vazio. Se arrastou até o banheiro para cumprir seu ritual da noite e foi direto para a cama, feliz por estar envolvida pelo cheiro familiar de seus lençóis.
**********
Quando acordou, Melinda lutou para não dar uma desculpa qualquer a Coulson e permanecer em sua cama por mais algumas horas. Por fim, a curiosidade de conhecer Jemma venceu a preguiça, então escolheu uma roupa confortável para passar o dia. Ela prendeu o cabelo num rabo alto para evitar que Skye colocasse mechas na boca, sua nova mania preferida.
Ainda de chinelo, fechou a porta atrás de si comendo uma maçã. Passava um pouco das onze da manhã, o sol estava quente e o céu completamente azul. Quando chegou na casa dos Coulson, a porta estava aberta e Skye estava na varanda, com dois adolescentes. Melinda acenou para os dois. A menina tinha os cabelos castanhos e estava com Skye no colo, sentada no chão, enquanto o garoto, de olhos extremamente azuis, distraia a bebê com um chocalho.
— Olá... — Melinda chegou perto do trio. Skye apontou os bracinhos para ela, que a pegou no colo por reflexo.
— Acredito que você seja Melinda? — a garota perguntou receosa, observando Skye no colo dela.
— Sim! Jemma não é? — May apoiou Skye em um braço e estendeu a mão para cumprimentar a garota.
— Sim. E esse é Leopold Fitz, meu melhor amigo — ela retribuiu o aperto de mão e apontou para o garoto do seu lado. Melinda guiou a mão para ele.
— Apenas Fitz — ele disse em voz baixa, tímido.
— Já conheceu os meninos, Mel — Coulson saiu pela porta da frente, com uma mamadeira na mão.
— Bom dia Phil. Acabei de chegar — ela disse, pegando a mamadeira da mão dele e dando a Skye.
— Então Jemma, pode ir... Sei que você e o Fitz tem mais coisas para fazerem hoje. Mas não aprontem muito!
— Sim, Phil! Temos um mega projeto para a próxima aula. Não é fácil estar na faculdade aos 16 anos! — Jemma respondeu entusiasmada — Mas segunda eu venho na parte da tarde para ficar com a Skye — ela brincou com a neném que largou a mamadeira para sorrir — Tchau gente!
Jemma puxou o melhor amigo pela mão, e Fitz tentou acompanhar seu ritmo pela entrada. Melinda se sentou na cadeira de balanço na varanda esperando que Skye terminasse de mamar.
— O que achou? — Coulson perguntou, sentando-se ao lado dela.
— 16 anos e na faculdade? — ela assinalou sua surpresa — Realmente um prodígio.
— Eu te disse. Aquele garoto, Fitz, é o melhor amigo dela também é também um pequeno gênio. E vive com ela o tempo todo.
— Ah, o amor adolescente... — Melinda suspirou baixinho.
— O que você disse? — Phil perguntou, curioso.
— Só que Skye já terminou — ela pegou o frasco da mão da criança e entregou para ele — Papai poderia levar isso para a cozinha? — Melinda completou, com uma voz infantil.
Coulson rolou os olhos e levou a louça para dentro. Skye se remexeu no colo da mulher, em direção ao chão.
—Então a mocinha só me queria para restaurante... — ela murmurou colocando a criança no chão.
A menina engatinhou até alguns brinquedos que estavam espalhados pelo chão da varanda. Melinda se perdeu em pensamentos observando a garota e mal percebeu quando Coulson sentou novamente ao seu lado.
— Hill ligou novamente. Marquei uma reunião com ela na próxima segunda, quando Jemma vier — Melinda confirmou, sabia dos planos de Maria — Ela exige sua presença na reunião. Ela também quer que você coordene o projeto.
Melinda sibilou, surpresa.
— Phil, eu, eu.... Eu não me sinto pronta! Tem um pouco mais de dois meses que eu sai da faculdade, eu posso colocar tudo a perder.
— May, você está no comando de uma das maiores empresas de segurança do país há um mês. Não vejo nada dando errado — ele brincou.
— Sim, mas a maior parte desse mês eu passei com você e Skye aqui. Eu só estava lá como representante. Quem toma as decisões é você — Melinda começou a andar para todos os lados no pequeno espaço da entrada. Skye parou de brincar para olhar para a mulher se movimentando.
— Mel, vai dar tudo certo. Não precisa aceitar se você não quiser — Coulson se levantou e a segurou pelos ombros — Mas o almoço você terá que aceitar fazer comigo.
Melinda sorriu, pegando a neném no colo e entrando na casa atrás de Phil.
— Qual a sua especialidade? — ela perguntou, assim que colocou Skye no cercadinho na cozinha.
— Macarrão? — ele respondeu, pegando uma panela no armário em cima da pia. Melinda riu e rolou os olhos.
— Que tal a gente pedir um chinês? — ela sugeriu — Quer dizer, aquilo que chamam de chinês aqui...
— Parece uma boa ideia — ela assentiu e ligou para o delivery.
Em poucos minutos a comida foi entregue e eles se sentaram em volta da mesa de centro da sala, encostados no sofá e assistindo um dvd infantil ao qual Skye, sentada entre eles, amava. Phil se atrapalhava com os hashis e Melinda gargalhava enquanto atacava o conteúdo da caixinha.
Após o almoço, eles permaneceram sentados no tapete, tentando realmente entender aquelas figuras coloridas que passavam na tela e entretinham a bebê. Skye cansou e engatinhou até Melinda que a colocou no seu colo, com as perninhas pendentes ao lado de suas coxas e o corpinho apoiado no seu torso. Poucos minutos de carinho nas costas da bebê e ela fechou os olhinhos.
— Você é melhor do que mil cantigas de ninar e todos os cobertores de segurança — Phil proferiu quando May virou Skye para deitar nos seus braços para que ela ficasse mais confortável.
—Tenho impressão que ela sente o meu cheiro e percebe que é hora de dormir...
—Vai colocá-la lá em cima?
—Pode deixar ela aqui comigo um pouquinho — Melinda respondeu, acariciando o cabelo da menina, que enrolava em poucos cachinhos nos dedos dela.
Phil apenas recolheu as embalagens de comida e levou para o lixo, sentando ao lado de May novamente para aproveitar o resto daquela tarde.
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