By The Chance
4 Capítulo 4
Notas iniciais
A manhã seguinte para Melinda revelou-se um desafio. Mal abriu os olhos para a luz do dia e percebeu que seu telefone vibrava em cima da mesinha de cabeceira.
—O que foi Nat? — ela resmungou, se arrastando para fora da cama. Seus braços doíam levemente pelo dia anterior passado carregando Skye.
—Bom dia senhora Melinda May! — a chinesa rolou os olhos, mesmo sabendo que Natasha não podia ver. Antes que ela respondesse, a outra continuou. -Preciso saber que horas você chega, para retomar meu treino com os garotos. Não podemos deixar o escritório vazio.
Melinda tirou o telefone do ouvido, verificando a tela. Já eram quase seis e meia da manhã. Ela gemeu de tristeza.
—Até às sete e meia estou aí — a amiga fez um barulho de confirmação do outro lado da linha.
May desligou o telefone, pousando-o na bancada do banheiro. Tirou a única peça que vestia -uma blusa — e enfiou-se debaixo do chuveiro, tentando organizar uma pequena lista de afazeres da empresa.
Fora do banheiro, ela secou o cabelo e abriu a porta do seu guarda-roupa, percebendo que não possuía nada que passasse a imagem de "séria e eficiente". Acabou escolhendo uma calça preta social, combinada com uma blusa azul clara de cetim. Encarou por um longo tempo um peep toe preto e seu tênis mais confortável. Acabou optando pelo saltos, que a deixavam um pouco mais alta e talvez mais elegante. Confiante, entrou no seu carro e o guiou para SHIELD.
Na portaria, todos acenaram para ela até que estacionasse e contornasse para o elevador disponível no estacionamento. Quando chegou no escritório, Natasha estava acomodada com os pés em cima da mesa, assistindo alguma coisa no computador enquanto comia um salgadinho com o cheiro engraçado.
—Nat — a ruiva se assustou com May a chamando e quase perdeu o equilíbrio -Não é porque o chefe não está que você pode fazer o que quer... Vai que entra alguém aqui e...
—Melinda — ela voltou a colocar os pés na mesa — Ninguém vai chegar aqui. A não ser que você queira me despedir, já que agora é a chefe é tudo mais... — Nat a desafiou, com um olhar divertido.
Melinda suspirou e foi para sua mesa, pegando coisas suas sobre a mesa da colega, que ela emprestara e nunca foram devolvidas. Quando se sentou, olhou rapidamente para a sala de Coulson, seu coração apertando ao lembrar que ele não chegaria hoje. Ela ignorou o sentimento e ficou no trabalho.
A papelada acumulada nem era tanta, a maioria precisaria da assinatura de Phil. Melinda fez uma pequena nota mental de levar os documentos para ele quando voltasse para casa a noite. Natasha saiu da sala assim que terminou o vídeo que assistia e lambeu todos os dedos do tempero do salgadinho. Ela invejou a amiga um pouco, por ficar com toda a ação enquanto ela ficava com a burocracia.
Até a hora do almoço, ela já tinha finalizado. Depois de atender alguns telefonemas e fazer alguns, Natasha subiu, assumindo seu lugar no escritório. Essa foi a deixa para que ela saísse para comer e voltasse vinte minutos depois.
—Não pensei que você ia ir tão rápido — Nat disse, assim que desligou a ligação que fazia.
—Não como tanto, não há porque demorar — ela retomou o trabalho. Durante a tarde, desceu para os primeiros andares, para conversar com os funcionários. A maioria dos homens a olhavam de forma especulativa quando interrompeu o treinamento para ter a palavra.
—Boa tarde — eles responderam em um tom baixo, algo indecifrável — Meu nome é Melinda May, e no momento, eu sou CEO interina da empresa — Alguns passaram do olhar de curiosidade para de descrença -Eu queria avisar que tudo vai continuar funcionando do jeito que Coulson gostaria — ela começou a andar entre os funcionários — Disciplina, respeito é claro, e que vocês aprendam a lutar direito -
Um dos funcionários soltou uma risada ao final da frase da mulher. Melinda o encarou com o olhar fulminante e aproximou-se dele lentamente, absorvendo sua raiva.
—Qual o nome do senhor? — ela perguntou, sentindo o clima tenso na sala.
—Andrew — ele respondeu, tentando esconder o riso.
—Andrew, qual é a graça?- calmamente ela se dirigiu a ele.
—Uma mulher tão baixinha quanto você e com um sapato que mal dá para andar querer falar sobre "aprender a lutar" — respondeu em um tom petulante.
—Você poderia ficar na primeira posição de luta? — todos começaram a se afastar dos dois e o homem posicionou-se, separando os pés e colocando ambas as mãos em punho na frente do rosto.
Melinda assumiu uma posição semelhante e assentiu para o homem. Ele avançou, tentando atingir o rosto dela com o punho direito, ela o bloqueou. Tentou novamente, dessa vez com o punho esquerdo, ela o bloqueou novamente. Quando ele tentou a acertar no estômago, ela sorriu, pegando o braço de ataque de Andrew e o cruzando nas costas. Mais alguns movimentos e ele estava no chão, de bruços.
Melinda levantou, colocou sua roupa de volta ao lugar e arrumou o cabelo.
—Como eu disse: aprendam a lutar — ela virou-se para o elevador e saiu, recebendo uma salva de palmas dos demais homens.
Melinda voltou para o escritório, sendo recebida por uma colega curiosa.
—Como foi? — a russa perguntou.
—Como sempre, me julgaram pela minha altura — ela girou os olhos -Mas aí eu chutei a bunda de um, todos bateram palmas depois- ao final da frase, Natasha também bateu as mãos.
—Sempre fazem isso na minha primeira lição... Por isso escolho treinar grupos pequenos e pessoas que se importam, pra não perder meu tempo.
—Eu vou levar esses documentos para Phil assinar, e dar uma olhadinha em Skye. Você segura as pontas o resto do dia? — Natasha afirmou, então Melinda pegou a pasta, sua bolsa e foi rumo ao estacionamento.
Dirigindo de volta à sua rua, tentou imaginar como Coulson estaria lidando com a criança. Ela parou o carro na entrada e andou rapidamente o curto caminho até a porta.
Se surpreendeu com a cena que encontrou. Phil atendeu a porta com uma expressão cansada, com Skye em um braço e uma toalhinha no outro. As suas roupas estavam amarrotadas e havia uma mancha branca -talvez leite? — na blusa. Ele sorriu levemente a ver May na entrada.
—Olá, Mel — ele disse, abrindo espaço para que ela entrasse e a convidou com um gesto silencioso.
—Olá Phil — ela sorriu, tentando melhorar o clima -Olá Skye — ela brincou com a neném que sorriu de volta pra ela — Eu trouxe alguns documentos que precisam da sua assinatura.
Ele assentiu, e insinuou pegar o envelope, mas ambas as mãos estavam ocupadas. Melinda tirou os saltos e estendeu a mão para o bebê.
—Me dá ela aqui -Skye inclinou seu corpo para Melinda que a pegou dos braços de Coulson, enquanto ele resgatava os papéis — Vou ficar um pouquinho com Skye, você resolve esses papéis... E talvez consiga descansar um pouco.
—Vou aproveitar e tomar um banho ou deitar um pouco. Minha cabeça está explodindo.
—Bem, não tenho mais nenhum compromisso essa noite. Pode descansar um pouco – Ela o incentivou. Ele foi em direção à cozinha, mas logo voltou a olhar a chinesa.
– Obrigada Mel — Ela sorriu e foi para o centro da sala, onde sentou Skye no tapete cheio de brinquedos.
Da cozinha, onde Phil assinava os contratos, ele conseguia observar as duas: Melinda sentada em posição de buda brincando com Skye e seu elefantinho colorido onde se podiam encaixar peças. A cada peça encaixada e a musiquinha que tocava para estimular o bebê, a mulher batia palmas, o que arrancava uma gargalhada de Skye e a deixava ansiosa para tentar a próxima peça.
Depois de rubricar os contratos e ler por cima o que estavam neles, Coulson se levantou, subindo a escada para o segundo pavimento. Melinda o observava e perdeu quando Skye acertou mais uma pecinha, sem fazer festa para ela. Ela resmungou um pouco e logo perdeu o interesse, partindo para a próxima peça.
Skye permaneceu quieta por quase uma hora, apenas entretida com os brinquedos mas logo pediu colo. Melinda raciocinou que ela provavelmente estaria com fome, então a pegou no colo e foi em direção a cozinha. Skye deitou a cabeça sobre seu peito, o que fez a mulher suspirar. Provalvelmente, ela já sentia falta da mãe.
Quando Coulson desceu a neném já sugava a mamadeira por reflexo, com os olhos fechados. May percebeu a presença do homem, que sinalizou para que ela a passasse para ele. Ela negou, apoiando a criança no ombro para que ela arrotasse.
Melinda subiu, deixando Skye no berço e quase saiu flutuando para fora do quarto evitando acorda-la. Por reflexo, olhou para seu pulso, onde ficava seu relógio, e viu que já era um pouco tarde. Desceu as escadas, Coulson estava enterrado no sofá, olhando para o nada. Demorou o tempo para que ela calçasse novamente os saltos para ele nota-la ali.
— Eu devo ir – ela disse, quando ele a olhou. Phil se levantou, e a acompanhou até a porta .
—Você leva muito jeito com a Skye, Mel – ele disse, girando a chave na maçaneta – Já cuidou de alguma?
Melinda tomou um choque. Ela percebeu que realmente nunca tivera um contato tão grande com uma criança. Normalmente, ela fugia delas quando estava em um mesmo ambiente e negava veementemente quando alguém queria que ela segurasse alguma dessas criturinhas em festas de família. Porém, com Skye as coisas vinham naturalmente.
—Não, nunca cuidei de crianças, não tenho filhos ou sobrinhos próximos – ela atravessou a porta – Adeus Phil.
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