By The Chance
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Desde que Coulson recebeu a notícia, Melinda e Natasha tomaram controle da situação. Melinda foi buscar a bebê no Serviço Social enquanto Natasha tomava as demais providências para organizar o funeral.
—Melinda, preciso que leve Coulson para casa — Natasha pediu assim que a chinesa carregou a criança chorando para dentro do escritório, mesmo depois de todos os esforços para acalma-la — Phil está em choque, ele não se mexe. Apenas está sentado na sala do mesmo jeito que o deixamos há quase uma hora atrás.
Melinda assentiu e seguiu para a sala posterior. Encontrou o homem que sempre a recebia com um sorriso encantador apenas encarando para um ponto fixo na parede, sem expressão. O brilho que existia em seu olhar estava apagado, como se apenas o corpo dele estivesse presente e a mente em outro lugar de forma que nem o som da filha, chorando a plenos pulmões, tirou Phil do transe.
—Phil, precisamos levar Skye para casa — Melinda se aproximou devagar. Coulson piscou algumas vezes antes de voltar sua cabeça para a mulher com a neném no colo.
Sem emitir nenhum som, ele estendeu os braços em direção a filha. May a passou para o colo dele, que a abraçou e começou a embalar seu corpinho de um lado para o outro. A cena partiu o coração de Melinda de formas que ela não julgava que seriam possíveis.
—Provavelmente é melhor levá-la para casa — ele sussurrou, após um tempo.
—Sim, seria melhor — Melinda disse, suavemente -Eu dirijo.
Eles desceram para o estacionamento, e ela assumiu a direção enquanto ele sentou-se no banco de trás, prendendo Skye na cadeirinha adaptada ao carro. Quando todos estavam acomodados e seguros, a chinesa ligou o GPS para guia-los até a casa do seu chefe. O endereço conhecido surgiu na tela e ela se surpreendeu. Eles moravam na mesma rua, algumas quadras de distância. Melinda guiou o veículo pelas ruas de Nova York com máxima atenção no trânsito e não na voz dele cantando cantigas de ninar para a filha.
A situação era um desafio emocional para Melinda, que fugia de qualquer sentimento mais forte que o frio ou a embriaguez. Ela não sabia quais palavras dizer para confortar alguém. Então, mantinha-se calada.
O carro foi deixado na entrada, enquanto Coulson retirava a cadeirinha e a carregava para a casa. Não era uma mansão, apesar da boa colocação dele na empresa. Era uma casa simples, com uma pequena varanda depois de um grande jardim na frente. Melinda saiu, trancando o carro e seu celular tocou logo em seguida.
—Conseguiu levá-lo para casa? — Nat perguntou.
—Sim. Vou levá-lo para dentro e depois ir para casa. Foi um dia complicado — ela suspirou.
—Okay. Funeral é pela manhã. Acho que vai precisar ajudá-lo -Natasha desligou e Melinda se voltou para Coulson, que esperava na porta:
—Eu vou ir para minha casa. Fica a poucas quadras daqui — ela avisou e acenou um tchau.
Assim que ela se virou, Phil a chamou.
—Melinda. Eu sei que o dia foi longo -ele ressaltou com a voz baixa — Mas você pode passar a noite aqui? Ou pelo menos ficar até Skye dormir?
May ponderou alguns minutos, alternando olhares entre o chefe e a bebê, que estava entretida com um brinquedo colorido que ela colocava repetidamente na boca. Como foi idiota! Coulson mal conseguiria cuidar de si mesmo, não ia conseguir cuidar de uma criança também.
—Eu vou para casa, buscar algumas roupas e tomar um banho. Volto em uma hora — ele assentiu e fechou a porta.
Melinda foi para seu apartamento as pressas e fez tudo que ela lembrou que era necessário no pouco tempo: tomou banho, se alimentou, preparou sua bolsa para noite e o dia seguinte e correu para a casa do chefe.
Coulson estava sentado no sofá, enquanto Skye engatinhava no tapete da sala. Quando ela abriu a porta, ele a recebeu com um meio sorriso cansado.
—Skye está bem, mas ela parece exausta. Eu vou tomar um banho, você dá uma olhada nela pra mim? — May confirmou e o homem subiu as escadas.
E ela não o viu mais aquela noite. Porém, do quarto de hóspedes onde ela estava cuidando da criança, conseguia escutar o choro dele, ruidoso e desesperado.
Ambos se levantaram cedo, resultado de não terem dormido durante toda noite. Melinda vestiu a única peça elegante negra que achara no seu guarda-roupa e pegara um vestidinho escuro para Skye. Phil trajava um terno escuro quando desceu as escadas e deu um beijo na filha.
—Café? — Melinda ofereceu e ele confirmou -Vamos para lá às nove — completou a mulher, dando comida para a neném e pensando o quão era bom Skye ser tão pequena e estar alheia ao que estava acontecendo.
—Tudo bem, eu liguei para Natasha ontem à noite — Coulson respondeu, virando a último gole xícara de café — Ela já me informou do horário. Eu gostaria que vocês não mudassem seu comportamento por minha causa.
Dessa vez ele insistiu em dirigir, então ela sentou-se no banco traseiro junto a cadeirinha. Muitas pessoas tentaram confortar Coulson assim que ele chegou ao funeral. Pessoas que sorriam e diziam palavras gentis, como se fossem minimizar a dor no momento. May se limitou a levar a menina para dentro e cuidar para que ela estivesse confortável.
Skye não demorou muito a dormir novamente. Melinda já perdera a conta de quantas vezes cruzara e descruzara as pernas na última hora. Ela se inclinou mais uma vez para que pudesse ver se Skye continuava confortável no carrinho de bebê, que estava estacionado em frente à sua cadeira. Ela sentia-se deslocada ali, e de certa forma, até se sentia meio culpada. Pensou nas diversas vezes que desejara que a mulher não existisse quando via Coulson sorrindo para ela nas visitas ao escritório ou na inveja que sentia em como ele sorria para Rosalind.
Nem mesmo chegara perto do caixão, mas observava o que acontecia na capela de onde estava sentada. Podia ver Coulson sentado ao lado do corpo da esposa e todos que velavam a mulher. May ansiou que as horas passassem mais rapidamente para que esse pequeno pesadelo acabasse.
—Mel, por favor leve a nénem para casa? — Natasha pediu, após algumas horas. Skye, agora acordada e sentada no colo de Melinda, brincava com as pontas do cabelo da mulher enquanto essa a embalava para ambos os lados inconsciente -Coulson pediu. Vamos daqui para o enterro. Não acho que ela precisa de estar aqui.
May pendurou a bolsa e prendeu a bebê no carrinho. Se era possível, se sentiu feliz por estar livre daquele lugar imerso em energias ruins. Acomodou a bebê na cadeirinha e ajustou o retrovisor para que conseguisse vê-la.
—Agora somos só nós duas Skye! — a bebê a olhou e bateu palmas para a chinesa.
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