By Chance
1 Capítulo 1
Notas iniciais
And satisfaction feels
like a distant memory
Era uma vez...
Era uma vez porra nenhuma!
Eu pensei em vários jeitos e maneiras diferentes de começar tudo isso, mas é melhor soltar a verdade de uma vez.
Bom...Se você, meu caro leitor, espera uma história onde eu seria o garoto popular do colégio, capitão do time, pegador e ela a garota nerd e desengonçada, e por alguma coincidência do destino ela tivesse que me ajudar a passar de ano por que eu era péssimo em alguma matéria e tivéssemos que nos aproximar e no final das contas eu me apaixonaria por ela...Então você esta no lugar errado.
A verdade é que eu sou um garoto comum, assim como você (a não ser que seja uma garota, mas isso não vem ao caso, a questão é: Eu sou comum), sou tão normal quanto qualquer outro adolescente (se é que adolescentes podem ser considerados “normais”), tão normal quanto você, não acredita? Pois bem...Eu, assim como você, também sou viciado em vídeo games, e também não tenho dinheiro para comprar todos os jogos que gostaria de comprar; eu, assim como você, vivo reclamando do catalogo da netflix; assim como você eu também crio vários e vários e-mails por ter esquecido a senha do meu próprio; também odeio a matéria de química e nunca faço educação física; assim como você, eu também tenho medo de nunca conseguir arranjar um emprego legal com um bom salário, também fico confuso quando me perguntam sobre que faculdade eu gostaria de cursar, afinal, tomar uma decisão que definira todo (ou quase todo) o seu futuro aos dezessete anos não é uma tarefa fácil. Ainda não está satisfeito? Pois bem, eu também tenho preguiça de ir comprar pão e tem dias que não tomo banho pelo simples fato de não ter suado (e não me orgulho disso, assim como você), eu também tenho dois pares de tênis que não são lavados a sabe-se lá quanto tempo, esta vendo? Perfeitamente normal.
Sabe a única diferença entre nós dois? Eu tenho namorada.
Como eu sei que você não tem uma namorada? Bem... Você esta em um site de Fanfics lendo uma fanfic chamada By Chance, você definitivamente não tem namorada!
Aliás, acabei de me lembrar, pode parar de se sentir tão mal assim, eu tinha uma namorada, ela me deu um belo de um pé na bunda à três dias atrás -O motivo? Eu também gostaria de saber, mas parei de tentar entender as mulheres já faz um bom tempo...-
Ok, eu sei o motivo, e também sei que tenho parte da culpa porém você não tem o direito de me julgar (mas eu sei que vai fazê-lo).
Bom, tudo começou na segunda feira passada...
Estava frio, mas não tão frio, era uma tarde de outono, o clima estava naquele estado perfeito em que não da pra se reclamar nem de frio e nem de calor. Rachel estava sentada sobre a minha cama, os lindos cabelos ruivos se emaranhando por conta do vento que vinha da janela, ela estava sentada com as pernas em formato de índio usando um shorts pequeno que deixava suas belas pernas a mostra, em suas mãos ela carregava um caderninho aonde rabiscava freneticamente um de seus desenhos perfeitos, estava usando uma de minhas camisetas -que por sinal ficava extremamente larga nela-, Ela estava linda como em todas as vezes que eu já a tinha visto e eu tentava controlar minha imensa vontade de deslizar por todo o seu corpo com os dedos...
Pare de me julgar eu sou um ser humano tão propicio a tentações como você caceta!
Ela ergueu os olhos para mim e um sorriso sacana brincou nos seus lábios, andei até ela e me sentei na beirada da cama, subi meus dedos pelas suas cochas com uma imensa vontade de beija-la.
—Percy...—Ela falou baixinho—Seus pais estão em casa!
Rachel tentava empurrar minha mão mas eu sabia que ela queria aquilo tanto quanto eu, sua respiração já estava acelerada e eu ainda estava apenas massageando suas cochas, dei um sorrisinho.
—E dai?—Puxei sua cintura sorrindo ainda mais—Eles não precisam saber de nada!
Rachel tentou se esquivar mas eu a segurei e rocei meus lábios no seu pescoço de leve, sua respiração fraquejou e eu sorri, gostava do efeito que eu conseguia provocar nela, subi meus lábios para seu rosto e observei –a, ela era uma das garotas mais bonitas que eu já conhecera, os lábios se contorciam enquanto ela tentava não sorrir, beijei-a antes que ela pudesse ter a chance de tentar me empurrar de volta, subi as mãos massageando o cabelo de Rachel, apertei suas cochas com força o suficiente para faze-la arfar, mordi seu lábio sentindo um calor imenso dominar todo o meu corpo, sem pensar duas vezes arranquei minha camisa e a joguei em algum canto, desci os lábios para o pescoço de Rachel para permitir que ela respirasse, mordi seu pescoço tendo certeza que ela teria que usar maquiagem extra no dia seguinte para tapar o pequeno estrago que eu havia feito ali, Rachel desceu as mãos e arranhou meu peito nu, me fazendo arfar com a sensação, empurrei ela até que ficasse deitada e subi por cima beijando-a ainda mais, já estava sentindo meu sangue ferver com a adrenalina quando algo interrompeu nossa “brincadeira”
Pliririri
Pliririri
Meu telefone, bufei e sai de cima de Rachel para atender aquela joça dos inferno, quando meus olhos pararam sobre a tela do celular vendo quem estava me ligando, toda a minha raiva se dissipou, era Annabeth.
Bom...Vamos para as explicações. Annebeth Chase era minha melhor amiga, para dizer bem a verdade, ela era minha melhor amiga desde que eu, bem...nasci. Veja bem, nossos pais se conheceram na faculdade, se formaram juntos, se casaram em datas próximas e nos deram a luz em datas próximas também. Desde que nascemos nossos pais simplesmente decidiram que seriamos melhores amigos, nós usávamos roupas combinando quando pequenos e frequentamos as mesmas escolas desde sempre, eu e Annabeth tomávamos banho juntos (calma, não da forma como estão pensando, eram apenas banhos mesmo seus pervertidos) e tínhamos uma série de fotos de nós dois bebes exibindo nossos traseiros branquelos e murchos, crescemos juntos, e isso implicava que de certa forma nossa amizade se tornara quase uma relação fraternal. Tinhamos vários pontos em comum, como o bom gosto pra musica e as mesmas séries favoritas, Annabeth foi a pessoa que me ensinou a andar de bicicleta e que sempre me ajudava quando eu tinha dificuldade em alguma matéria. Ela era inteligente, para ser sincero ela era o ser humano mais CDF que eu já havia conhecido, a mina sabia desde mitologia grega até cálculos matemáticos que ninguém da a mínima, mas não se deixe enganar, apesar do seu cérebro de duas toneladas, Annabeth era muito mais que uma típica nerd do Ensino Médio, e para te provar isso, vou citar um fato interessante sobre Annabeth, ela faz muay thai.
Sim, a mesma Annabeth inteligente que eu citara faz muay thai, não apenas faz, Annabeth Chase era faixa preta no esporte, ela entrara na academia aos nove anos de idade, treinava cerca de três horas por dia e poderia quebrar meu braço em dois com um soco se quisesse. Outro fato interessante: Ela era uma péssima cozinheira, sabia disso por conta das inúmeras vezes em que tentamos reproduzir receitas de vídeos da internet, e em todas as vezes Annabeth conseguia estragar a receita de alguma forma, uma vez ela botou fogo em um guardanapo tentando fazer nescau, isso mesmo, nescau –a receita mais simples e fácil do mundo-. Annabeth é também (junto com Rachel) uma das garotas mais bonitas que eu já havia visto, o cabelo ondulado cor de sol caía perfeitamente sobre seus ombros, a pele pouco bronzeada destacava os olhos mais incomuns que eu já tinha visto –cinzas, como uma tempestade furiosa-, Rachel tinha uma certa antipatia por ela, já que o fato de sermos muitos próximos deixava minha namorada insegura, e eu tentava de todas as formas nunca fazer com que ela se sentisse mal, porém jamais deixaria de manter minha amizade com Annabeth, ela era basicamente uma das mulheres mais importantes para mim em todo o mundo.
—Alô—Abri um sorriso ao imaginar ela toda descabelada do outro lado da linha
Rachel me olhava atentamente, as bochechas coradas e o pescoço roxo.
—Alô...—A voz de Annabeth saiu extremamente baixa, meu sorriso murchou
Ela estava... Chorando?
—Percy...—Do outro lado da linha pude ouvir um soluço
Senti um nó se formando em minha garganta, em dezessete anos de amizade, eu nunca, em momento algum, havia visto Annabeth chorar.
—O que aconteceu?—Minha voz saiu mais desesperada do que gostaria
—O luke...—Outro soluço—Ele terminou comigo
Bom... Para contextualizar, Luke Castellan era o namorado de Annabeth, eles eram o típico casal perfeito do ensino médio, onde um tava o outro tava também, e para ser bastante sincero, eu não gostava nem um pouco dele, mas isso não vem ao caso agora. Eles se conheceram quando Annabeth estava na sétima série, Luke se mudou pra Nova York e como era dois anos mais velho ele estava na nona, porém isso não impediu que ela ficasse gamadinha por ele, os dois se aproximaram de verdade quando ela já estava no primeiro ano do ensino médio, depois que começaram a sair Annabeth se afastou bastante de mim e de todos os seus amigos na verdade, já os vi discutindo várias vezes, mas sempre apareciam juntos novamente.
—Que?— Foi a única coisa que consegui dizer
—
Dei três batidas na porta do quarto de Annabeth, eu havia saído de casa assim que ouvi ela dizer que luke e ela haviam terminado, Rachel havia ficado um pouco chateada como sempre fica quando o assunto em questão envolve Annabeth, mas a verdade é que eu não podia abandonar a Annie naquele momento, não quando ela mais precisava de mim. Nenhuma resposta, a mãe de Annabeth, Atena, havia me dito que ela não abrira a porta desde cedo, não tinha comido nada e nem sequer havia deixado que ela entrasse, mas eu sabia que ela não fecharia a porta para mim- Ou pelo menos torcia por isso -
—Hey, Annabeth—Chamei baixinho— É o Percy...
Que besteira, e claro que ela sabia que era eu.
—Posso entrar?
Não aconteceu nada, a porta continuava trancada, silêncio total.
—Annabeth— Aumentei meu tom de voz— Me deixa entrar
Girei a maçaneta sem sucesso, de repente, ouvi o barulho das trancas se abrindo e a maçaneta girou, de trás da porta, Annabeth estava em pé, as costas curvadas com o cansaço, os olhos inchados e vermelhos por conta do choro, o cabelo desgrenhado feito um ninho de pomba, ela usava um pijama de donuts largo demais para seu tamanho e parecia que um elefante de duas toneladas havia dançado a Macarena em cima dela, se tivesse visto ela assim em outras circunstancias, provavelmente explodiria em uma gargalhada, mas naquele momento eu não tinha nenhuma vontade de rir. Annabeth torceu os lábios tentando segurar as lagrimas que insistiam em molhar seu rosto, senti meu coração pesar como chumbo e então eu a abracei com toda a minha força, de inicio ela se assustou, mas logo retribuiu o abraço, se tem uma coisa que eu aprendi, foi que as vezes nem mesmo as palavras tem o poder de consolação que um abraço tem, e naquele momento, tudo o que eu queria era que ela ficasse bem.
—Você ta legal?— Assim que as palavras saíram de minha boca eu tive vontade de recolhe-las, era obvio que ela não estava legal
—Eu...—A voz de Annabeth saiu meio embargada por conta do choro— Vou ficar
Levantei meus dedos até sua nuca e acariciei seu cabelo levemente, podia sentir o coração de Annabeth bater acelerado.
—Quer me contar o que aconteceu?— Eu me afastei um pouco dela
Annabeth me olhou por alguns segundos como se estivesse pensando se isso seria uma boa idéia.
—Tudo bem— Ela baixou o rosto
Annabeth se afastou de mim e caminhou a passos desanimados pelo seu quarto, eu a acompanhei depois de fechar a porta atrás de nós, ela se sentou na beirada da cama fazendo o colchão se afundar levemente no local onde ela estava, Annabeth passava os dedos sobre o rosto para afastar os fios que caiam sobre seu rosto e enxugar as lagrimas que teimavam em descer pelos seus olhos, meu coração pesava como chumbo. Me sentei ao seu lado tentando parecer emocionalmente estável, peguei sua mão fazendo ela olhar para mim.
—Por que o Luke terminou com você?— acariciei seu cabelo afastando os fios que se emaranhavam em seus olhos
Annabeth não falou nada, seu silêncio as vezes me assustava, quando ela abriu a boca para dizer algo mais lagrimas escorreram e tudo que saiu foi um soluço, fiquei com medo de que se ela continuasse a chorar em poucos minutos eu estaria chorando junto com ela. De repente eu ouvi algo vibrar no bolso de minha jaqueta, peguei o celular me sentindo grato por não ter que encarar uma Annabeth chorona as 10 horas da noite e culpado por me sentir grato de não ter que encarar uma Annabeth chorona as 10 horas da noite, levei o aparelho até a orelha.
—Alô?
—Alô— Era Rachel— Percy...
Ouvi um soluço, calma... Ela estava chorando? Mais uma? Por acaso aquele era o dia internacional do choro feminino?
—Ta tudo acabado.
E desligou na minha cara. Annabeth me encarava com a boca semiaberta, meu cérebro ainda estava processando o ocorrido e mesmo assim eu não conseguia ter nenhum tipo de reação. Logo a surpresa de Annabeth foi dando lugar a tristeza e ela voltou a chorar e soluçar.
E bom, foi assim meus amigos que eu levei um pé na bunda e passei a noite consolando minha melhor amiga pelo termino dela com seu namorado e pelo meu termino também. Tudo no mesmo dia, que sorte não?
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