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48 Capítulo 9
- O que acha que está fazendo?- ele diz sério.
Engulo seco.
- Aprendendo a me defender no seu mundo. – rebato.
Ele fecha os olhos.
- Eu mandei você fazer isso?- ele tenta manter a calma.
Respiro fundo.
- Não, mas mesmo se pedisse ou não, eu ia fazer isso. – rebato mais uma vez, mas dessa vez sem intenção.
- Você não sabe como isso me deixa louco. – ele diz ríspido.
- Eu quem deveria estar louca vivendo com você.
Ele cerra o maxilar e abre os olhos, os mesmo estão mais frios.
Mordo o lábio inferior e solto assim que sinto uma dor aguda no local.
- Cassandra eu acho que você não sabe escutar ou não presta atenção no que falam pra você. – ele diz baixo.
- Eu não presto a atenção?- falo pasma- Eu faço o que eu acho certo pra mim mesma, o que eu sei que vai me deixar mais segura. – falo ríspida.
- Não é o que parece.
- Pois é né, porque eu ainda continuo voltando com você. – as palavras saem com o fluxo, sem eu ao menos projeta-las em meu cérebro.
Ele arregala os olhos e fica tenso, mas logo sua feição muda e ele fica irritado.
- Voltou por que quis, pois eu não te obriguei a nada. – ele diz grosso.
Sinto-me fraca e pequena perto dele, isso doeu, quer dizer que ele não se importa com a minha presença?
- Então você prefere a presença de uma vagabunda como a Melissa, que te mata por um melhor a mim?- falo indignada e segurando as lagrimas.
- Pelo menos as vagabundas me obedecem. – ele retruca frio.
Sinto como se alguém tivesse atracado uma faca em meu peito e estivesse girando-a bem devagar, causando uma dor imensa.
- Ah, é isso que importa? O seu poder sobre as pessoas, o sentimento de dominação. – fala amargurada.
- Por isso eu sou assim. – ele sorri triunfante- Por isso as mulheres gostam de mim.
Cerro os dentes e as lagrimas escorrem.
Me sinto apenas mais uma pra ele, apenas mais uma que caiu sobre suas graças.
Retiro o meu sapato e jogo nele, acertando em cheio o seu peito. Levanto devagar e caminho para a escada, ignorando sua feição de espanto, assim que saio, encontro Naomi na sala, que me encara confusa.
- Sabe, eu preferiria ter levado uma facada sua a escutar o que eu escutei agora. – comento baixo e enxugo as lagrimas.
Ela continua parada me encarando, com pose ereta e impecável. Invejo a Naomi, gostaria de poder ficar assim como ela, reservar meus pensamentos, sentimentos e atitudes apenas para mim, mas não, eu tenho que mostrar isso ao mundo, tipo para o Nathan, logo ele.
As palavras dele ainda estão em minha mente, a dor em saber que ele prefere a Melissa, que ele prefere uma mulher que o mate, mas o obedeça a uma que o ama e o respeita pelo o que ele é e não pelo o que possui.
Entro no quarto e taco a porta, com tal violência que acho que os vidros das janelas irão quebrar.
Estou com vontade de matar o Nathan mil vezes seguidas ou tomar uma surra da Naomi de novo e de novo, apenas para ver se eu caio na real. Devo ser a maior trouxa que ele já ficou. Da onde eu tirei a ideia de que Nathan gostaria de mim.
A porta abre de novo.
- Se entrar aqui, é capaz de eu te matar, fazendo-o atravessar a janela. – praguejo ainda de costas.
A porta fecha devagar.
- Você escutou?- pergunto ríspida e viro, encarando seus olhos azuis.
- Sim. – ele diz breve- Mas não vou obedecer.
Cruzo os braços e o fuzilo com o olhar.
- Viu, é assim que você me deixa, louco. – ele sorri.
- Não sorria!- grito- Estou a ponto de entrar em colapso. Sabe como eu estou me sentindo?
Ele fecha os olhos.
- Estava nervoso e acabei falando coisa sem pensar. – ele passa a mão no cabelo.
Ele não usa mais boné?
- Então eu posso atirar em uma pessoa e falar que eu estava nervosa. – rebato.
Ele ri.
- Talvez...
- Cala a boca!- grito- Some da minha frente, eu não quero olhar pra você, estou me sentindo usada, massacrada, humilhada e fraca. – falo sentindo as lagrimas escorrerem.
Ele respira fundo.
- Eu sinto muito, eu não...
- Não sinta!- interrompo-o- Não quero nada vindo de seus sentimentos.
Seus olhos entristecem e os meus desabam em lagrimas.
- Eu esperaria qualquer coisa de você. – falo chorando- Menos isso, você prefere uma vagabunda, uma prostituta que te ama pelo seu dinheiro a mim, logo eu que aprendi a gostar de você pelo Nathan arrependido, perdido e com medo. Não pelo Nathan mafioso e assassino, e é esse Nathan que me machuca e você não percebe isso. – enxugo as lagrimas.
- Agora me leve pra casa, eu tenho aula amanhã. – passo por ele sem dirigir o olhar para seus olhos azuis tenebrosos.
ESTAMOS em frente à portaria do meu prédio, estou respirando fundo. Nathan não disse nada o caminho inteiro e eu também não, principalmente eu estando vendada e não podendo encara-lo.
As palavras dele ainda pesam em minha mente, assim como as dores pesam em meu corpo. Abro a porta do carro e encaro Nathan, esperando ser a ultima vez.
- Quero que faça um favor pra mim. – murmuro.
- Hum...
- Quero que me deixe em paz e nunca mais volte aqui, nunca mais me procure. Entendeu?- encaro-o por cima de meu ombro.
Ele fica tenso e seus olhos se arregalam, parece processar o que eu falei.
- Entendi. – ele diz tão baixo que mal consigo escuta-lo.
- Ótimo. – falo ríspida e saio do carro.
Caminho sem olhar pra trás. Isso foi o fim da picada, o jeito como ele me tratou, me olhou e falou, como me desmereceu e não se importou com isso. E agradeço por ter feito isso, pois até que eu fim eu acordei do meu sonho de fadas. Onde eu estava com a cabeça de amar um mafioso como ele? Pessoas como ele tem que ser presos ou mortos, eliminados da existência.
Entro no meu apartamento e Percy vem me encontrar todo alegre. Pego-o no colo e o aperto junto ao peito, realmente, ele é o único que me ama. Vou na cozinha e sirvo a comida dele, sento no balcão de mármore e encaro a porta da sacada, fui ali que tudo começou.
Respiro fundo.
**
A semana passou muito rápido, a faculdade está me esgotando, não sei fazer outra coisa a não ser estudar e estudar. Vic sempre faz minha rotina mudar, me levando a restaurante ou a shoppings fazer compras. Tenho visto o Alek com frequência, mas não troco muita palavra com ele, apenas o necessário do necessário, ele é a Vic estão progredindo no relacionamento e eu, bem, nunca mais ouvi falar no Nathan.
Hoje eu vou encontrar o Igor, meu melhor amigo. Ele mora em outra cidade e conseguiu pegar esse fim de semana para vir me ver.
— O Alek não atende. – Vic resmunga.
- Deixa ele em paz, você ligou pra ele umas cinco vezes seguidas. – encaro-a do sofá.
Ela revira os olhos e continua mexendo no celular. Volto minha para a Tv, onde está passando um noticiário sobre a morte de quatro traficantes. Penso em Nathan e nos meninos, mas é impossível, eles têm a Naomi.
Sorrio em pensar isso.
A campainha toca e meu coração acelera de animação, o Igor deve ter chego.
Abro a porta e dou de cara com um menino alto, meio bronzeado, o cabelo em um tom de loiro queimado pelo sol, olhos mel brilhantes e um sorriso perfeito.
- Igor!- sorrio assim que o vejo.
- Cassie! – ele sorri.
Abraço-o e rio.
- Estava com saudades de você. – me afasto dele.
- Eu também, faz dois anos que a gente não se vê. – ele sorri sem jeito.
Concordo.
- Entra. – dou passagem.
Ele passa por mim bem devagar e entra, fica no meio da sala. Encaro-o de relance e vejo o Nathan, congelo.
- Você está bem?- ele me encara.
- Ah, estou sim. – sorrio tímida e vou para a cozinha.
- Dá pra largar o celular?- trombo com a Vic de proposito- Temos que sair agora.
- Ah claro. – ela coloca o celular no bolso- Aonde vamos?
- Bem, eu ia pedir pra você escolher. – esfrego o meu braço.
- Ok, vamos a um barzinho. – ela sorri.
Faço uma careta, não me dou bem com bebidas.
- Relaxa, é um barzinho chique, tem porções de comida e se você quiser beber algo, você bebe. – ela pisca pra mim e sai andando para a sala.
Passo a mão no cabelo.
- Oi Igor. – escuto-a cumprimenta-lo.
- Oi. – ele diz baixo.
Sinto um peso na consciência como se estivesse fazendo algo errado, porém não sei o que é...
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