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37 Capítulo 37
Nathan está dormindo todo largado na cama, parecendo uma criança e eu rolando de um lado para o outro. Saio da cama e vou para a sala.
A Tv da sala está ligado, vou confiante achando que Alek, Lucas ou o Leo está na sala, mas o lugar está escuro, silencioso e a Tv está no mudo.
Reviro os olhos e pego o controle da Tv, desligando-a. Caminho com cuidado até a cozinha e vasculho a geladeira. Estou com muita fome.
Relances da festa de hoje passam em minha mente, me fazendo rir em lembrar da loira se afogando e das mulheres com cara de espanto ao meu lado, de como agi com o Nathan. Parecemos um casal de adolescente imaturos, que vivem brigando e se matando por ai.
Volto para a sala e a Tv está ligada em ums tela azul novamente. Congelo.
Do jeito que eu sou medrosa, estou quase tento um ataque cardíaco agora, principalmente em lembrar do filme que a Vic me arrastou para assistir, como é mesmo o nome? Paranorman? Parada? Atividade paranormal! Isso!
Vou com o coração na mão até a Tv de novo e tiro-a da tomada, se ela ligar de novo, eu tenho um treco aqui mesmo.
Escuto um vidro quebrando no fundo da casa. Mas pera... Só tem a gente aqui, não era isso?
- Nathan!- grito com medo.
Vejo um vulto a poucos metros de mim e meus pés grudam no chão.
- Nathan!- grito mais alto.
Escuto os passos lá em cima e deduzo que ele acordou com os gritos.
O vulto ficou mais perto de mim e recuo um pouco, procurando por um interruptor.
- Cassandra?- escuto a voz de Nathan.
- Estou aqui.
- Onde?
Não consigo vê-lo, não consigo achar um interruptor e meu coração parece estar em minha cabeça.
- Ascenda a luz. – falo quase gaguejando.
- Estamos sem luz. – ele diz cauteloso- Faça barulho.
Olho em volta e meus olhos começam a se acostumar com a escuridão, bato em uma cadeira ao meu lado.
- Bata de novo. – ele repete.
Bato mais umas três vezes na cadeira até alguém pegar em meu braço.
Grito.
- Calma baby. – é a voz do Nathan e relaxo.
- O que está acontecendo?- murmuro.
- Eu que te pergunto. – ele ri.
- Tem alguém aqui. – olho em volta parecendo ter paranoia.
- Como assim?
- Primeiro um vidro lá de trás quebrou, depois em vi um vulto estranho passar perto e depois ficar mais perto, ai comecei a gritar o seu nome.
Nathan aperta a minha mão com força e começa a me guiar pela escuridão. Paramos em um lugar que não consigo reconhecer, Nathan mexe em algo e me entrega algo de metal gelado.
- O que isso?- murmuro.
- Uma arma. – ele diz obvio.
- Ah. – como eu não descobri isso antes?
- Se ver algo, atire. – ele avisa.
- Mas e se for algum dos meninos?- pergunto cautelosa.
- Eles foram a uma balada na cidade, não estão em casa, pelo menos não tão cedo. – ele avisa.
Foram para a balada e nem em chamaram, safados.
- Vamos até os geradores. – ele começa a caminhar de novo.
Andamos de cima a baixo, procurando coisas que eu desconheço, não vi mais um vulto, mas consigo escutar os barulhos que ele faz.
Nathan para do nada e eu bato em suas costas fortes, aperto a sua mão e olho em volta.
- O que foi?- balbucio.
Olho na mesma direção que ele, vejo o vulto, bem perto de nós, é uma silhueta semelhante a alguém que conheço, embora em não me lembre. O vulto bem correndo em nossa direção, Nathan solta a minha mão e me joga para o lado, trombo com a parede e o vulto passa em seco por mim.
Agora não sei mais quem é o vulto e quem é o Nathan, olho para os lados procurando alguém, mas estou sozinha.
- Nathan?- murmuro.
Escuto passos atrás de mim, viro rápido e com certeza essa silhueta não é a do Nathan, o vulto chega mais perto e eu não consigo destravar a arma e então sou mais pratica, bato com a arma no vulto e saio correndo.
Corro me guiando pelas paredes e vidros, sempre atenta a qualquer barulho. Agora que não consigo ver, minha audição parece estar mais aguçada e sensível, me fazendo perceber um passo a um quilometro de mim. Subo e desço escadas, não sei mais onde estou.
A pior coisa do mundo é fugir de alguém e agora eu estou fugindo de alguém que nem consigo ver.
Luzes de emergência ascende no corredor que estou e percebo que estou no segundo andar, perto da suíte onde eu fico com o Nathan, acho que ele achou o gerador. Escuto um disparo, não muito longe de mim e congelo.
Corre até a escada e desço bem devagar, olhando em volta. As luzes não são muito fortes, mas consigo ter a noção das coisas a minha volta e de onde eu estou mais claramente. Procuro por Nathan ou pela pessoa que está aqui.
Alguém passa pelo pé da escada, mas não sou rápido o suficiente para ver a pessoa, desço mais três degraus e continuo em cautela. Algo agarra o meu pé e me faz rolar os degraus restantes da escada.
Estou atordoada, deitada perto da escada, minha arma está meio afastada de mim e consigo ver uma pessoa me encara, não sei quem.
- Então você casou com ele. – a voz está em repulsa.
Eu conheço essa voz.
- Quem diria que a ovelha na verdade era o lobo. – a voz continua.
- Nathan... – sussurro.
- Ele não pode te salvar agora. – a pessoa sorri.
Então o baque passa por minha mente. Melissa!
- Desgraçada!- murmuro me levantando- O que você faz aqui?
- Eu vim a trabalho. – ela sorri- E meu trabalho aqui é te matar logo de uma vez.
Minha boca fica seca.
- Não vou embora tão cedo. – sorrio petulante e olho em volta.
Algo aqui tem que me ajudar a derruba-la.
- Melissa, vamos conversar com calma. – digo paciente.
- Não!- ela grita- Já cansei de ter calma com você e ai, quando te deixo em paz, você quase com o meu Nathan!- ela não parece bem, está com aquele olhar psicopata louco, será que usa drogas.
- Querida, eu não o peguei, na verdade era para você estar casada com ele, mas você sumiu, era apenas um treino para ele te pedir em casamento. – tento enrola-la.
- Sério?- seus olhos brilham em compaixão.
Não! Ele é MEU sua vadia psicopata!
- Claro que sim. – sorrio fingida- Agora abaixe a arma. – faço um sinal devagar e amistoso para ela.
- Não!- ela grita e eu levo um susto- Eu não acredito em você, você o roubou de mim!
- Não é verdade. – tento esconder o medo.
- Sim! E se ele não é meu...
Ah, eu conheço essa frase.
- Melissa, ele é seu!- tento garantir.
- Não!- ela grita e destrava a arma.
Meu coração meu na cabeça e eu congelo mais uma vez. Seu me mexer, já era...
- Melissa... – sussurro.
- Não!- alguém grita e me assusta, escuto o disparo e fecho os olhos.
Busco a dor em meu corpo, qualquer coisa que denuncie o disparo, mas não sinto nada. Abro os olhos e vejo a Melissa branca e Nathan perto dele.
Ele está com a mão no abdômen e com os olhos cheios de lagrimas, ajoelhado. O tiro não foi em mim, foi nele.
Corro em sua direção e não consigo pensar em nada. Ajoelho de frente pra ele e meus olhos enchem de lagrimas.
Pego em seus ombros e o deito no chão de madeira, retiro suas mãos do abdômen e vejo o sangramento, está muito profundo.
Retiro minha camisa e coloco em cima do tiro, estancando o sangue.
- Nathan olhe pra mim. – falo em pânico.
Sinto uma pressão no peito e uma dor profunda, sinto como se minha vida dependesse dele.
— Nathan!- grito e as lagrimas começam a escorrer.
- Eu estou olhando pra você. – ele diz baixo, quase inaudível.
- Vai ficar tudo bem. – eu acho que isso está sendo mais pra mim do que pra ele.
- Eu sei que vai. – ele sorri torto.
As lagrimas começam a escorrer até meu queixo e eu perco as forças, minha camisa já está encharcada de sangue e não para mais de sair esse liquido quente e vermelho, minhas mãos estão machadas disso e eu sinto como se eu também sangrasse.
- Cassandra... – ele sussurra o meu nome.
- O que?- encaro seus olhos azuis, que tem um brilho fraco, mas ainda único.
- Promete não sair do meu lado?- sua voz está rouca e fraca.
- Prometo, claro prometo. – minha voz sai mais chorona do que de uma criança berrando.
- Não suje suas mãos. – murmura ele.
- Pare de falar, relaxe. – enxugo minhas lagrimas com o ombro.
Ele está morrendo na minha frente e eu não sei o que fazer, pra quem pedir socorro ou pra onde ir.
- Vou achar o resgate. – levanto e procuro um telefone.
- Não!- sua voz sai um pouco mais alta- Fique comigo.
Pego o telefone e volto até seu lado, ele pega o aparelho e digita um número e depois me entrega.
- É o número do Lucas. – ele sussurra.
- Alô?- a voz de Lucas me desperta.
- Lucas!- falo em pânico.
- Sim, Cassandra?- ele fala alto por conta do som.
- Lucas, o Nathan levou um tiro e não sei se ele vai aguentar muito tempo. – falo chorando de novo.
- Como?
- Chama o resgate e vem pra casa!- ignoro a pergunta dele.
- Como ele levou o tiro?
- Chama o resgate e vem pra cá porra!- grito.
- Ok. – ele desliga.
- Nathan... – sussurro e o encaro.
- Não sei o que dói mais, o tiro ou perder você. – ele sorri.
- Você não vai me perder, eu estou aqui. – aperto a sua mão.
Ele prende a respiração e fica tenso.
As lagrimas escorrem sem controle pelo meu rosto e a dor é mais forte que antes.
- Nathan eu te amo, eu não posso te perder assim, não desse jeito. – como a chorar em pânico.
A dor diminui, finalmente consigo colocar tudo o que eu sinto por ele pra fora, não estou mais me sufocando.
Ele afaga meu rosto com cuidado e depois sorri, embora seus olhos brilhem com tristeza.
- Eu achei que não era de capaz de amar uma pessoa como eu.
- Todos têm direito de ser amados, Nathan. – fungo.
- Você deveria me odiar. – murmura ele.
- Mas eu não odeio. – sorrio torto.
Seus olhos perdem a cor azul nítida, estão fracos e focos, sem vida.
- Ah Cassandra... – ele suspira.
Começo a chorar de novo, não sei o que fazer. Eu estou o perdendo, estou vendo ele ir embora e não posso fazer nada para impedir isso!
- Nathan não me deixe. – imploro.
Ele respira fundo.
- Eu não vou te deixar. – ele pisca pesadamente.
Soluço de tanto chorar.
Abraço sua mão com força, como isso adiantasse algo.
- Eu também te amo. – ele sussurra.
Congelo, as lagrimas escorrem ainda mais. Não sei se fico alegre ou triste por isso. Ele confessou que me ama, ele me ama! Só a mim!
- Então não me deixe!- soluço.
- Nunca. – ele sussurra.
Inclino o meu corpo e beijo delicadamente seus lábios.
Seus olhos azuis perdem a cor e sua mão fica pesada.
- Nathan!- grito.
Ele não responde, seu pulso está fraco e seu sangramento ainda não parou.
- Nathan!- grito chorando mais.
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