Notas iniciais
Quero dedicar esse cap para a minha amiga Victória, ela está doente e gostaria de desejar minhas sinceras melhoras.

O passeio de barco não demorou muito, ancoramos perto de uma ilha sozinha no meio do oceano. Não tenho muitas duvidas que ali seja o castelo do príncipe desencantado.

- Quer ajuda?- Nathan me encara.

Ainda estou nervosa com ele, não sei por que, mas estou.

Dou de ombros e desço do barco.

A ilha é particular, com uma grande casa de vidro e madeira no fundo, uma piscina com queda da água e varias árvores cercando o lugar, creio que só chegando bem perto você note que tem uma casa aqui.

Caminho pela trilha de areia até porta da casa e paro, encarando a imensa porta de madeira piovante.

- Está aberta. – alguém fala atrás de mim.

Empurro a porta e entro com cautela. É mais linda por dentro.

A sala tem apenas paredes de vidro, um grande sofá na cor creme em U, uma mesa de centro em vidro e uma grande Tv led, algumas paredes tem revestimento de madeira e o piso é de mármore.

- Vai ficar parada na porta?- Nathan passa por mim.

- Conhecendo o ambiente. – vou para a sala.

Alek entra discutindo sobre videogame com o Lucas e Leo passa reto de nós.

Ele não parece muito contente, está com uma feição triste e mais assustador que antes, deve ser por causa da vaca da Melissa. Vou atrás dele.

Ele foi para a traseira da casa, onde se encontra um lindo jardim silvestre. Está sentado em uma pedra, apoiando- se nos joelhos e encarando o mar verde que nos rodeia.

Me aproximo devagar, como um gato, em completo silêncio e observando tudo.

- Oi. – murmuro perto da pedra.

Ele me encara de relance e vai mais para o lado, me dando espaço para sentar.

- Pensei que não ia voltar. – murmura ele.

- Eu também pensava isso. – contraio os lábios.

- A Melissa foi atrás de você de novo?- ele diz um pouco sentido.

- Sim, ela precisa de tratamento medico.

Ele ri contido.

- Ela era legal quando chegou sorridente e divertida, eu gostei desse jeito meigo dela e não do que ela se tornou. – ele lamenta no final.

- O sucesso sobe na cabeça das pessoas. – murmuro.

Ele contrai os lábios e fica mudo.

Sinto pena do Leo, já senti o que ele sente agora, só que ele a amava e eu apenas gostava.

- Se fosse para eu amar alguém a vida inteira, eu a amaria, mas e ela?- ele me encara.

Engulo seco. Eu sei muito bem quem ela amaria, o mesmo homem que eu odeio agora. Ô ironia...

- Sabe Leo, minha avó me falava que o amor é cego, mas as pessoas não e isso acaba machucando muito quem está vendo-o e sentindo-o. – comento lembrando-me das brigas que tenho com o Nathan.

- Ela é sabia. – ele sorri.

- Sim, muito. – sorrio concordando.

Ficamos sentados na pedra em total silêncio, encarando o mar.

**

Passei a tarde conhecendo o resto da casa, que não é nada pequena. Não vi o Nathan depois que descemos do barco e não pretendo vê-lo tão cedo.

- Sra. Frost?- uma voz meiga me chama.

- Sim. – viro devagar e vejo Anita, ela é tipo a Sue daqui.

- O Sr. Frost está a sua espera na suíte. – ela sorri.

Falando em assombração. Acento e subo a escada principal da casa. Entro no quarto, que é muito grande, o que mais me chama a atenção é que a cama de casal fica no meio dele e bem enfrente a uma grande janela de vidro.

Procuro por um espelho, preciso ver como eu estou, mas não tem nenhum aqui. Vou até a porta do banheiro e abro.

Quase faleço em ver Nathan tomando banho, fecho a porta logo em seguido e meu pulso está acelerado.

NÃO DEMOROU muito para Nathan sair do banheiro com uma cueca box preta. Sinto o sangue em minhas bochechas, dá ultima vez que ele ficou assim foi quando eu estava bêbada.

- Não sabe bater?- ele me encara.

- E você não sabe trancar a porta?- sorrio irônica.

Ele ri e me encara de cima a baixo.

- Desculpa por não ter ti falado do casamento falso. – murmura ele.

- Eu não deveria te perdoar, mas eu sou muito legal. – sorrio arrogante.

Ele dá de ombros.

- Por que não me deixou em casa?- encaro-o.

- Não quero minha esposa sozinha. – ele pisca pra mim.

Reviro os olhos.

- Não somos casados da verdade, então pode tirar seu cavalinho da chuva. – cruzo os braços.

Ele ri alto.

Um vácuo repentino passa pelo meu corpo. Será que esse casamento tem alguma haver com dinheiro? Ou apenas para encobrir algo maior?

- Por que forjou o casamento?- digo séria.

- Que?- ele franze o cenho.

- Qual foi o proposito?- sigo mais séria ainda.

Ele respira fundo e parece buscar as palavras.

- Quando te perguntei de sua herança, você não respondeu e nem ia, então com o casamento seria mais fácil saber disso e de mais coisas sobre você. – diz ele simplesmente.

Como eu não pensei nisso logo de cara, ele casou pela minha herança, era apenas um jeito mais fácil de rouba-la.

- Eu não acredito nisso!- praguejo- Você me roubou usando o casamento!

- Cassandra eu... – ele começa a se explicar.

- Você acha que eu sou o que? Acha que pode invadir minha privacidade, a minha conta e ainda achar que está certo?- cerro o maxilar.

- Eu não mexi na sua herança. – ele diz sério.

- Então por que mexeu na minha conta?- grito.

Ele respira fundo.

- Estou tão nervosa com você agora, que estou a ponto de te estrangular. – rosno.

Como ele teve a cara de pau de fazer isso? Pesquisar sobre a minha vida e invadir a minha conta pra saber da minha herança? Agora tem todas as informações sobre mim e o pior é que ele sabe o valor de minha herança.

Ele anda pelo quarto e senta cama, encarando o chão. Vou até o banheiro e apoio-me na pia.

O ódio que estou sentindo é mortal, se eu tivesse uma arma não duvido muito que eu atiraria nele, devo estar na TPM não é possível.

Ainda estou perplexa com isso, ele nem me consultou melhor- bem mais não ia adiantar muita coisa. Ele literalmente acha que eu sou um brinquedo e que ele pode fazer tudo o que quiser comigo, assim como faz com os outros daqui, mas felizmente eu não sou eles e sei lidar com o Nathan.

Meu cabelo está horrível, acho que pelo passeio de barco. Pego uma escova e começo a escova-lo pacientemente, tentando me entreter com algo mais útil do que o Nathan. É quase impossível fazer isso.

Saio do banheiro segurando a escova, ele ainda está sentado na cama encarando o chão. Atiro a escova que pega em cheio em seu antebraço direito, saio do quarto batendo a porta, mas não antes de ver sua expressão de espanto pelo ato que cometi.

Desço a escada pisando duro e vejo os meninos na sala rindo de algo. Eles param e me encaram analisadores, dou de ombros e vou para fora da casa, onde tem a piscina melhor dizendo. Sento com os dois pés dentro dela e a água está convidativa.

Sem muito hesitar, entro nela devagar, até afundar.

Estou tão sentimental agora, que qualquer coisa idiota que ele fizer já vai ser motivo para uma briga, mas o pior que essa nossa briga não teve nenhum motivo idiota e sim muito sério. Nathan tem que saber se controlar nesse jeito persuasivo dele, senão eu não vou saber me controlar.