Acordo com uma dor de cabeça horrível, um calor infernal e o medo de que Nathan não esteja aqui. Pisco algumas vezes com a maior preguiça de abrir os olhos.

Assim que abro os olhos, noto que as roupas do Nathan estão aqui, então ele também está aqui. Viro para o lado e ele está deitado de costas para mim, encaro suas costas largas e fortes, não deixo de notar algumas cicatrizes e sinto calafrios, devem ser das brigas ou até mesmo tiros.

Entristece-me saber que a hora que ele acordar ele vai embora e eu vou ficar daquele jeito novamente, fazia e apaga do mundo.

Ele devia perceber que eu sinto algo por ele e que as tentativas dele de me proteger, apenas me machucam mais.

Acaricio suas costas bem devagar, fecho os olhos e começo a memorizar cada parte, cada musculo... Ah se você não fosse quem você é.

- O que está fazendo?- sua voz rouca me faz abrir os olhos.

- Nada. – ruborizo- Por que ficou?

Ele vira e seus olhos azuis fitam os meus.

- Por que você pediu para eu ficar. – ele dá um sorriso torto.

Arregalo os olhos, certamente eu não posso beber.

- Obrigada por atender meu pedido. – murmuro.

Ele dá um sorriso tímido.

- O que estava fazendo na festa?- arqueio uma sobrancelha.

Ele respira fundo.

- Eu fui convidado por causa do meu pai. – murmura ele.

- Hein?

- Meu pai é, de certa forma, rico e todas aquelas pessoas são filhos de gente da alta sociedade, é só um jeito de juntar pessoas da mesma classe social e fazê-las se divertirem e ficaram com pessoas da mesma classe.

Foi bom ele ter ido e eu também, embora eu tivesse esperança que ele foi atrás de mim.

- Mas o seu pai não tinha morrido?- pergunto cautelosa.

- Sei lá o que aconteceu com o meu pai.

- Como assim não sabe?- ergo uma sobrancelha.

- Meu pai sempre foi envolvido com a policia, mudava de nome e identidade a cada duas semanas, nunca soube o seu verdadeiro nome. – murmura ele- Quando ele me considerou um homem, me deixou seus negócios e simplesmente foi embora, depois disso nunca mais soube dele e nem quero saber.

Puxa, o Nathan não tem um pai de verdade, um pai nunca deixaria um filho ou até mesmo o envolveria em coisas mafiosas, pais normais querem que seus filhos passem longe disso.

- Ele sempre me aconselhou e a ficar longe de mulheres, por que elas são a máfia mais perigosa. – ele sorri irônico- Acho que eu não o obedeci.

Sorrio.

- Por que não me roubou ou me fez ficar como aquelas meninas da sua casa?- pergunto cautelosa assim que me lembro de sua carta.

- Meu objetivo era apenas te sequestrar, mas aconteceram uns imprevistos e eu tive que te aturar. – ele ri.

- Que tipo de imprevistos?- pergunto hesitante.

- Imprevistos que qualquer coisa que façamos tem.

Argh! Odeio quando ele fala e acaba não falando nada.

- Você vai embora?­- encho os pulmões de ar disfarçando a tristeza.

- Eu tenho que ir. – murmura ele.

- E seu te pedir para ficar mais um pouco?

- Dessa vez eu não vou poder ouvir. – ele lamenta.

- Por favor. – faço biquinho.

- Não. – ele senta na beirada da cama e passa a mão no cabelo- Dessa vez não dá.

Trinco a mandíbula para não fazer cena.

- Se eu não tivesse na festa, ficaria com alguma menina?­- essa pergunta me atormenta.

- Talvez.

- Como assim talvez?- indago.

- Quando você entrou, não sabia que era você e então eu pretendia ficar com você. – escuto seu sorriso.

- Acho bom mesmo. – murmuro.

Ele ri.

- Nathan... – sussurro sem nome sem saber o porquê.

Ele fica de lado na cama e fico admirando o contorno dele.

- Fale. – ele me encara com os olhos azuis brilhantes.

Ficamos nos encarando e eu esqueço completamente o que eu ia falar.

- É melhor você ir.

Ele aquiesce e levanta da cama e começa a se trocar.

Fico como plateia na cama, vendo-o se mexer pelo quarto com graça e elegância. Levanto e vou até o banheiro e faço minha higiene matinal, pego um roupão e saio.

Nathan não está mais no quarto, meu coração para e a tristeza volta. Vou para a sala e ele está na cozinha. Respiro aliviada.

- Já estou indo. – ele para de frente.

- Até logo. – sussurro triste.

Ele afaga meu rosto carinhosamente e depois inclina a cabeça, faço o mesmo e toco seus lábios com os meus.

Abraço seu pescoço e abro um pouco mais a boca dando passagem para a sua língua, seus dedos fincam em meu cabelo. Sua língua explora minha boca, persuadindo a minha. O beijo é urgente, desejado e necessitado das duas partes. Enquanto nos separamos, mordo gentilmente seu lábio inferior e ele suspira.

- Eu tenho que ir embora. – sussurra ele com os olhos fechados.

- Não estou te impedindo de ir. – embora eu quisesse fazer isso.

Ele respira fundo e abre os olhos.

- Eu volto a noite. – murmura ele.

Meu coração dispara.

- Sério que você volta?- falo animada.

- Sim. – ele sorri.

Estou radiante.

- Se comporte até lá. – ele sussurra em meu ouvido.

- Senão... ?- desafio-o.

Ele ri.

- Veremos depois. – ele passa os dentes em meu maxilar- Se comporte. – ordena e depois dá uma palmada em minha bunda.

- Ai!- exclamo e dou um leve pulo- Nathan!- repreendo-o.

- Até mais tarde baby. – ele sorri e sai.

Hum... Até mais tarde.

Esfrego minha bunda. Puxa, ele tem uma mão pesada.

Volto para o banheiro e me encaro no espelho, cabelo castanho caído sobre meus seios, rosto corada, olhos brilhando... Ah o efeito Nathan é milagroso.

Seus olhos azuis ainda estão em minha mente e nunca fiquei tão feliz em reconhecê-los no meio de tantos. Meu pequeno menininho abandonado...