Businesses Will Part
55 Capítulo 16
Vou até a cozinha e pego a cartela de anticoncepcional, já faz três dias que eu não tomo. Pego os comprimidos de hoje e o de ontem, um copo da água e tomo-os.
- Está pronta?- Nathan parece na cozinha.
- Pra quê?- franzo o cenho.
- Vamos fazer tatuagens. – ele se aproxima de mim.
Respiro fundo.
- Não quero fazer tatuagem. – resmungo.
Ele sorri.
- Já era.
Passo a mão no cabelo e volto para o quarto, abro o meu armário e pego um shorts jeans e uma regata rendada azul. Faço minha higiene matinal e me troco.
Saio do banheiro e não acho o Nathan, ando pelo apartamento procurando-o igual se tivéssemos brincando de esconde-esconde.
- O que está fazendo?- ele parece do nada.
- Procurando você. – falo sem graça.
- Eu desci pegar minha roupa no carro. – ele sorri e anda até o banheiro.
Encosto na parede e fico olhando para o chão de madeira.
A Vic não sai da minha cabeça, o que vai ser do relacionamento dela agora? O que será que a mãe dela falou?
- Vamos?- Nathan fica em frente a porta.
- Espera um pouco. – caminho até a cozinha.
Coloco a comida do Percy no chão e volto para a sala, seguindo Nathan até o elevador.
- Por que não usa mais boné?- encaro-o.
Ele se encara no espelho do elevador.
- Não sei, mas eu uso sim. – ele me encara de relance- Mas como você fala que gosta de mim sem o boné, perto de você eu não uso boné.
Sorrio.
O elevador para no térreo e seguimos para a portaria, entramos no carro dele e ele desperta o motor com um ronco.
ESTAMOS na Led’s Tattoo, é uma das melhoras tatuadoras do Brasil. Estou esperando na sala superior pelo Nathan, que já foi fazer a sua tatuagem. A sala é bem confortável, tem um grande aquário, é cercada por refletores pequenos e alguns quadros.
Ele sai da sala sorridente com o braço esquerdo com alguns curativos.
- O que você fez?- levanto da cadeira.
Ele encara o braço.
- Algumas tatuagens. – ele sorri.
- Algumas?!- arregalo os olhos.
- Relaxa, você pode fazer só uma. – ele pisca pra mim.
Reviro os olhos e caminho até a sala.
Sento em uma cadeira, parece aquela de dentista, azul. A sala é toda branca e tem um espelho.
Encaro o tatuador meio desconfortável.
- Onde quer fazer a tatuagem?- ele me encara.
- Hum... No braço direito. – murmuro.
- Sabe o que quer fazer?
Fecho os olhos e penso um pouco.
- O que eu posso fazer?
Ele fica em silêncio.
- Qualquer coisa, é só escolher. – ele sorri.
- Tudo bem. – respiro fundo- Quero fazer algo grande.
Ele examina o meu braço.
Em um relance, lembro do meu pai. Ele possuía uma tatuagem de dragão no braço direito.
Explico corretamente como quero a tatuagem em meu braço. Deito na cadeira e tento relaxar.
A dor não é muito forte, é apenas um desconforto, que mesmo assim faz lagrimas se formarem em meus olhos. Aperto um pouco a cadeira com a mão esquerda.
- Prontinho moça. – o rapaz fala calmo.
Abro os olhos e encara o teto branco.
- Já acabou?- balbucio.
- Sim. – ele sorri.
Levanto da cadeira e fico de frente para o espelho. Fico exatamente como eu queria, ele vem desde meu bíceps até o meu punho. O dragão tem uma cor prateada e é cercado de flores, estrelas coloridas e chamativas.
Saio da sala sorridente e encaro o Nathan.
- Olhe. – ergo o meu braço.
Ele fico me encarando surpreso.
- Nossa, ficou muito legal. – ele sorri.
- Eu sei. – sorrio.
Ele paga as tatuagens e saímos da loja, torço para que possamos voltar pra casa.
- Agora vamos ao Soho. – ele sorri destravando o carro.
Reviro os olhos e entro.
Como sempre, ele me leva a um lugar chique. Estou pintando novamente meu cabelo, deixando-o acobreado novamente. Nathan está cortando o cabelo e é impossível não notar como as mulheres reagem ao encara-lo.
Termino de fazer o cabelo e o espero do lado de fora. O clima lá dentro está muito meloso, as mulheres só faltam derreter ao encara-lo. Gente estupida.
- Vamos?- Nathan para ao meu lado.
- Ah sim, por favor. – tento ser o menos irônica possível.
- Nervosa?- ele ergue uma sobrancelha.
- Possivelmente.
Entramos no carro e até que enfim, voltamos para casa.
- Temos uma festa para ir hoje. – ele me encara de relance.
- Festa do que?
- Da minha empresa. – ele sorri torto.
- Do que é sua empresa?
- Bioquímica. – ele sorri.
- Hum... – encaro a paisagem do lado de fora.
Literalmente, eu não me surpreendo com mais nada do Nathan.
- Por que está nervosa?
- Você sabe muito bem. – resmungo.
- É por causa das meninas do salão?
- Ah, viu como você sabe.
- Cassandra, eu não tenho nada com elas, apenas foi levar você cortar o cabelo.
- E recebeu um corte de cabelo de graça. – praguejo.
Ele ri.
- Isso é ciúmes?- ele me encara.
- Não, só raiva. – desço do carro.
Caminho até a portaria e entro primeiro que ele. Pego o elevador e corro para o meu apartamento.
Não sei por que estou assim, mas estou com raiva do comportamento dele com elas.
- Cassandra. – ele entra no apartamento- Pode me explicar o que está acontecendo?
- Estou com raiva de como você tratou elas, todo meigo, sorridente, o príncipe encantado. – estreito os olhos- Mas comigo você parece um... Um... Um ogro.
Ele ri.
- Ogro?- me encarando segurando o riso.
- É, um ogro. – falo mais firme.
Ele se aproxima de mim, com aquele jeito sedutor que me deixa desarmada contra ele.
- Não. – paro-o segurando em seu peito.
Ele me encara com a cabeça inclinada.
- Você sabe que ganha quando faz isso. – resmungo.
- Ganho, é?- ele se faz de desentendido.
- Sim, mas hoje isso não vai acontecer. – falo confiante.
- Isso é por causa de ciúmes?- ele sorri.
- Não!- rosno- Mais que saco, eu não tenho ciúmes de você!
Ele me encara não crendo muito.
A campainha toca. Graças a deus.
Me solto dele e caminho até a porta, abro-a, esperando ser a Vic, mas não, é o Igor.
- Oi!- sorrio.
- Oi Cassie, está ocupada?- ele me encara.
- Não, pode entrar. – dou passagem.
Ele entra e Nathan o encara sério.
- Nathan esse é o meu amigo Igor. – apresento-o a Nathan- E Igor esse é o meu namorado Nathan.
Eles se cumprimentam com um movimento rápido de cabeça. Coisa de homem...
- Sente. – aponto o sofá para o Igor- O que te trouxe aqui?
- Você pintou o cabelo?- ele me encara.
Rio sem graça.
- Faz tempo, só dei uma retocada. – pego uma mecha do meu cabelo.
- Nossa!- ele pega em meu braço- Que tatuagem louca, quando você fez?
- Hoje. – murmuro.
- Hum... Eu tenho uma nas costas, mas nunca esperei a Cassandra fazer uma. – ele ri.
- Por quê?- me faço de ofendida.
- Oras, você é toda certinha. – ele sorri.
Encaro o Nathan de relance. Ele está encostado no balcão me encarando de um jeito frio e dominador. Tome do próprio veneno Frost...
- Então. – Igor volta a ficar sério- Eu passei aqui para ficar um tempo com você, aquele dia nem deu para eu ficar.
- É verdade, o que houve?- encaro-o inclinando a cabeça.
- A minha está no hospital, então eu tive que ficar com ela.
- Nossa, eu não sabia disso. – murmuro.
- Relaxa, foi só um tombo besta. – ele sorri- Aquela sua amiga me dá medo.
Rio.
- É o jeito dela.
- Mas ela é bem bonita.
- Isso eu tenho que concordar com você. – sorrio- Ela está passando por um momento difícil, talvez por isso não passasse uma boa impressão.
- Ah claro, mulheres e seus enigmas.
Encaro Nathan mais uma vez.
- Nathan, venha aqui com a gente. – chamo-o delicada.
- Não obrigada, estou bem aqui. – ele diz sério.
Igor me encara.
- Seu namorado é sério assim mesmo?- murmura ele.
- Às vezes. – rio- Mas ele é bem legal.
- Deve ser mesmo, você não é de ficar namorando.
Reviro os olhos.
- Nem começa com esses assuntos do passado Igor. – resmungo.
Ele ri.
- Não vou, só comentei.
- Quer beber alguma coisa?- mudo de assunto.
Ele balança a cabeça negativamente.
- Bom, eu quero beber água. – levanto do sofá e caminho até a cozinha, onde sou barrada pelo Nathan.
- Qual é o joguinho Cassandra?- ele diz sério.
- Não tem nenhum jogo. – digo séria também.
- Só por que ficou com ciúmes de mim, vai querer fazer igual?
- Por quê? Está funcionando?- rebato.
Ele contrai os lábios e fica muda.
Sorrio.
- Viu, foi assim que eu me senti no salão. – falo mais calma.
Ele respira fundo.
- Estamos parecendo crianças. – murmura ele.
- Sim, estamos.
- Vamos parar com isso para não dar briga.
- Tudo bem. – concordo- Mas agora me deixe passar.
Ele abre caminho e eu passo rápido perto dele.
Posso concordar que tive ciúmes dele com aquelas mulheres, e talvez fizesse um pouco de ciúmes com o Igor. Mas ele tem que entender que o que ele faz, eu consigo fazer sem nenhum esforço também.
Fale com o autor