- O que você vai querer fazer?- murmuro colocando o copo de lado.

Ele para e me encara.

- Alguma sugestão?

Mordo o lábio. Se eu descobrisse que tenho uma irmã, eu ia conversar com ela e não manda-la embora.

- Bem, você devia falar com ela. – opino.

- E se eu não quiser?

Reviro os olhos.

- Larga a mão de ser teimoso Nathan, o que você fez, não se faz nem com um vira-lata, deve pedir desculpa e conversar direito com ela. – digo firme- Ela é sua irmã.

- Não existe provas disso. – ele retruca.

Ô meu deus, ele é teimoso!

- Faça um exame de DNA, então porra. – explodo.

Ele sorri.

- Calma, não precisa se estressar. – ele ri.

- Ah que não precisa o que! Você parece um idiota se estressando, se ela for sua irmã, ótimo, se não, ótimo também.

Levanto do banco e caminho até o quarto. O Nathan se preocupa demais com coisas tão simples, estamos no século 21, exista tanta coisa para ele tirar a prova se ela é a irmã dele mesmo e outra, eu gostei dela, ela também não gosta da ideia dele ser mafioso e quer tirar ele dessa droga.

Entro no banheiro e começo a tirar meus sapatos, que já estão apertando os meus pés. Solto o meu cabelo e busco o zíper em minhas costas. Gostaria de ser a mulher elástica e conseguir alcançar as minhas costas. Mãos grandes e frias tocam em meu corpo e o zíper desliza pelas minhas costas, abrindo o vestido.

Olho para o espelho e vejo os olhos azuis encarem os castanhos, seus olhos estão ardentes.

Mordo o lábio inferior. O vestido desliza pelo meu corpo e para em meus calcanhares, dou um passo para o lado me livrando dele. Nathan me abraça e descansa a cabeça em meu pescoço.

- Não fica brava comigo. – murmura ele.

- Não estou. – estremeço.

- Então por que saiu andando?

- Eu queria tomar banho. – me mantenho firme.

- Hum...

- Você está atrapalhando. – sorrio.

- Seja uma pessoa paciente. – ele sussurra.

- Nathan... – murmuro quase sem ar.

Ele sorri contra a pele sensível do meu pescoço e logo em seguida morde. Sinto um calafrio passar pelo o meu corpo, aonde ele quer chegar com isso?

- Sabe de uma coisa. – ele diz me encarando pelo espelho- Não acho que precise por silicone.

- Eu acho que é melhor, depois eles vão ficar caídos. – contraio o lábio.

Nathan ri.

- Você pensa muito no futuro. – diz ele simplesmente- Viva mais no presente.

- Então o meu presente é ir tomar banho sem você me atrapalhar.- rebato.

Ele me solta e ergue as palmas das mãos na defensiva.

- Sem pressão. – ele sorri.

- É bom mesmo. – vou até o chuveiro e abro-o, terminando de retirar minhas roupas.

Assim que termino o banho e me troco, vou procurar por Nathan no apartamento, encontro-o na sacada falando ao telefone meio alterado. Acho que está falando com a Naomi sobre a mulher que me atacou no bar e ela parece ser mais importante do que o pai dele.

- Então faz o seguinte, ache o Muller e me dê às coordenadas, vamos acabar logo com ele. – ele diz sério como sempre.

- Obrigada Naomi. – ele desliga e me encara.

- Quem é o Muller?- encaro-o inclinando a cabeça.

- Um mafioso que trabalha para o meu pai. – ele diz calmo.

- E qual o motivo do nervoso?

- Ele invadiu minha chácara e colocou fogo em minhas mercadorias.

Assobio.

- Poxa e isso é muito ruim?

- E como é! Assim irei atrasar os pedidos dos clientes. – ele diz exaltado- Merda.

- A Naomi vai resolver. – falo confiante.

- Eu vou resolver isso, vou arrancar o mal pela raiz. – ele diz nervoso- Se meu pai quer guerra mesmo, terá.

Estremeço.

- Vai mata-lo?- balbucio.

Ele confirma com a cabeça.

- Mas ainda tenho que dar um fim no Muller.

Respiro fundo. E vai começar a matança, já estava até que demorando a entrada do Nathan nisso.

- Como vai pegar o seu pai?- murmuro.

- Não sei ainda, mas achando o Muller, acho o meu pai. – ele diz confiante.

- Ok, vou ver Tv. – volto para a sala.

Sento no sofá e nem ligo a Tv. A questão do namoro volta a minha mente , sinto arrepios. Só de vê-lo daquele jeito, todo preocupado em matar pessoas o mais rápido possível, sendo frio e calculista. Será que isso vai dar mesmo certo?

Ele continua na sacada, acho que está com mais medo do que preocupado com as armas que foram destruídas. Agora eu percebi que a Mariana falava a verdade, o tal de Ícaro é muito mais forte do que eu esperava, talvez nem a Naomi esperasse por isso. Estou com medo que aconteça alguma coisa com o meu menino de olhos azuis, se ao menos ele escutasse a irmã, seria muito mais fácil.

Deito no sofá e encaro o teto, o apartamento está em completo silêncio, Nathan não se manifestou em nada ainda, gostaria que ele se abrisse mais comigo.

- Nathan. – chamo-o.

Ele demora um pouco para se mexer.

- Sim?- ele aparece na porta da sacada.

- Pode me falar o que está te atormentando?

Ele engole seco e fica tenso, empalidece e parece que vai cair sentada.

- É meio complicado, acho melhor não. – ele tenta desconversar.

- Eu entendo, sou uma menina inteligente. – sorrio presunçosa.

Ele fecha os olhos e respira fundo.

Pro um instante acho que ele não vai dizer nada e mudar de assunto. Mas então ele abre a boca.

- Se eu falar, você promete não ficar estressa? Começar a gritar etc?

O negócio é tão ruim assim?

-Prometo. – contraio os lábios.

- O Muller é um dos motivos do seu sequestro. – ele diz rápido.

Fico imóvel, não consigo me mexer e mal respiro.

Como assim esse cara que eu nunca vi na vida tem a haver com o meu sequestro? O que eu fiz pra ele saber de minha existência? E então tenho um devaneio e lembro-me da Melissa, bem antes de eu atirar nela, pronunciar nitidamente: Revise seu passado com outros olhos.

Congelo.