- Cassandra. – alguém sussurra em meu ouvido.

Tento ignorar.

- Vamos. – sussurra de novo.

- Não. – gemo.

Alguém ri.

- Eu tenho que sair.

Abro o olho com um susto e olho para o lado. Nathan está me encarando.

- Aonde você vai?- estico o meu braço e me espreguiço.

- O meu pai chegou. – murmura ele.

Arregalo os olhos.

- Hein?- indago.

- Vou ver se consigo negociar com ele antes de acontecer algo pior. – ele diz baixo.

- Posso ir com você?- deito de frente com ele.

Ele esfrega os olhos e respira fundo.

- Gostaria que não fosse. – ele volta a me encarar.

- Por favor. – faço biquinho.

- Eu não acho uma boa ideia. – ele me encara.

Faço um som de desagrado.

- Por favor. – me aproximo mais dele.

- Não. – ele continua firme.

- Nathan... – digo meiga.

- Não.

Fico bem perto dele, a ponto de escutar sua respiração.

- Por favor. – murmuro perto do ouvido dele.

- Cassandra. – ele repreende.

- Não quero ficar aqui em casa sozinha. – franzo o cenho.

- É mais seguro.

Reviro os olhos.

- Tem certeza que não quer minha companhia?- mordo o maxilar dele.

Ele suspira e fica arrepiado.

- Quase certeza. – murmura ele.

- Então me leva com você. – volto a insistir.

- Você é teimosa. – ele sorri.

Sorrio petulante.

- Eu sei disso.

- Não tenho muito tempo, os meninos estão me esperando. – ele segura minha cintura, me impedindo de chegar mais perto.

- Ah, falando em meninos... – me lembro da conversa com o Leo- Não sei se o Leo confundiu com alguém, mas ele falou que o Lucas é irmão do Alek.

Nathan estreita os olhos.

- Ele falou?- ele parece não acreditar.

- Sim. – concordo comigo mesma.

- Então, não é o Alex e sim a Alex, ela é irmã dele. – ele sorri torto.

Franzo o cenho.

- Cadê ela?

- Ela não tem uma relação legal com eles, por isso. Pra falar a verdade, eu nunca a conheci, mas o Alek já me falou dela.

- Hum... – mordo o lábio inferior, ainda bem que não tenho concorrência.

- Bem, eu tenho que ir agora. – ele levanta da cama e caminha até o banheiro.

- E eu vou junto. – sorrio e vou atrás dele.

ESTOU NA sala, esperando o Nathan sair do escritório, Naomi está de frente comigo e realmente, eu tenho muito medo dela.

- Você também vai?- murmuro desconfortável.

Ela acena com a cabeça, mas não diz nada.

Seu olhar é gelado e ela é quieta, o que dá mais medo.

Nathan sai do escritório e passa reto, segui-o. Ele vai para o lado de fora da casa e entra no carro, eu e Naomi fazemos o mesmo.

- Tome. – ele me entrega a venda.

Faço uma careta e coloco-a, ficando no escuro.

**

Acredito eu que estamos em São Paulo na Av. Marquês. É de madrugada é a pouco movimento por aqui. Estamos dentro do carro e Nathan não para de atender o celular.

- Onde vocês estão?- ele diz alterado- Não... Eu já cheguei... Mas que porra Alek, vem logo pra cá.

Mordo o lábio inferior, o Nathan está de mal humor agora.

Ficamos no carro durante uns 15 minutos, até um camaro preto parar ao lado do nosso carro, o vidro do veiculo está aberto e consigo ver o Alek e o Leo. Nathan desce do carro e debruça na janela do carro, saio do carro.

- Acho melhor você ficar dentro do carro. – Naomi desce logo em seguida.

- Não tem ninguém aqui. – encaro-a.

- Ainda não. – ela diz firme.

- Mas... – tento argumentar.

- Entra no carro. – ela diz ríspida.

Obedeço sem muito cerimonia, ela é meio amedrontadora. Naomi caminha na frente do carro e segue para o lado do Nathan, consigo perceber que ela está levando algo na cintura e creio que não são armas.

No final da Avenida, enxergo dois pontos de luz, que vem em nossa direção em alta velocidade, até que de ponto viram um vulto iluminado e de vulto viram um carro esportivo.

Nathan dá um salto quando vê o carro, Leo e Alek descem do carro em segundos e Naomi fica tensa, mas firme. O carro para enfrente a eles e de lá sai seis homens de preto, fortemente armados e parecem ser muito mais velhos que nós.

Fico estática sentada, apenas observando, mal consigo respirar.

Eu não o que eles falam, mas a conversar é longa e ninguém parece feliz com ela, até que um cara aponta a arma para o Nathan e outros fazem a mesma coisa, Naomi pega algo em sua cintura e se afasta devagar deles, passando por trás do carro e chegando na lateral, ao lado da minha janela. Vejo um objeto de metal cruzar o ar e atravessar o crânio de uma dos homens. Arregalo os olhos e meu coração para, olho em reflexo para a Naomi e vejo que o objeto não passa de uma faca.

Aperto a lateral do banco de couro e respiro fundo, quero sair correndo do carro, mas fui obrigada a ficar aqui dentro... Ou não.

Procuro por uma arma dentro do carro, é impossível eu não achar algo mortal aqui dentro. Minha astucia é ótima, acho um revolver no porta-luvas do carro, está carregado e é automático. Olho em volta e Naomi não está mais ao meu lado, Leo está “protegendo” o Nathan, enquanto Alek e Naomi massacram os homens que saem do carro e que estão do lado de fora.

Deslizo para fora do carro e engatinho pela lateral do carro, até a traseira do mesmo. Levanto devagar e olho pelo vidro de trás até o vidro da frente, podendo ver a Naomi agir com graça e sabedoria, fazendo as laminas de suas facas, atravessarem o tecido humano como se fossem folhas de papel, Alek quase nem tinha utilidade e foi ai que percebi por que ela trabalha para o Nathan.

Pensando nele, procuro-o no meio da movimentação e do sangue, até que o acho com Leo perto do carro, mas tem muito homens em cima do Leo e dele, os que cheguem pela frente não executados facilmente pelo Leo, mas um chega por trás e não é notado por nenhum dos dois.

Fico atrás do homem e ergo minha arma, minha palpitação pode ser sentida em minha cabeça e minhas mãos estão tremula, embora essa não seja a primeira vez que eu faça isso. Meu dedo treme no gatilho, até que disparo, meu coração para e minha garganta fica seca, o homem cai de joelhos e ai consigo ver os olhos azuis confusos me encararem.

Meus braços ficam estendidos e pesados em meu corpo, encaro os olhos azuis sem qualquer explicação. O carro vai embora e Leo se afasta do Nathan.

- Você está bem?- Nathan se aproxima de mim.

- Sim. – sorrio torto- E você?

Ele concorda.

- Quem eram aqueles?- murmuro.

- Os ajudantes do meu pai. – ele sorri torto.

- Nossa. – contraio os lábios, realmente o pai dele quer ver ele morto.

Nathan vai falar com o Alek e eu me aproximo de Naomi, que está entretida em recolher as facas e limpa-las com um lenço preto.

- Por que não as deixa ai?- encaro-a.

Ela me olha de relance.

- Simplesmente para a polícia não saber quem matou. – ela levanta com uma faca na mão- E outra, essas facas não são fabricadas aqui.

- Hum... – ela é bem profissional mesmo- Você sabe como usa-las.

- Eu as uso desde que tenho 15 anos. – ela diz sem a maior importância.

- E seus pais sabem?- encaro-a inclinando a cabeça.

- Tem coisas que os pais não precisam saber. – ela é breve e continua recolhendo suas facas preciosas.

Sinto um calafrio repentino.

- Acha que eles voltam?- murmuro.

Ela levanta e encara o fim da Avenida e depois me encara.

- Eu já vi o que o pai do Nathan é capz de fazer... – ela mexe na faca em sua mão- Creio que voltaram mais cedo que gostaríamos.

Fico arrepiada.

- Isso foi apenas um teste, só para saber como está a sua defesa e bem... – ela olha em volta- Não estamos em desvantagem.

- Porque temos você.

Ela sorri sem mostrar os dentes.

- Também pelo fato dos meninos serem bem armados e treinados.

- É... Também tem isso. – não deixo de concordar com ela.

- Olha Cassandra, acho melhor você tentar entender menos a máfia, com isso irá ter as resposta que procura. – diz ela simplesmente.

Arregalo os olhos. Meu deus, ela lê pensamentos?

- Ai caralho. – alguém pragueja.

Olho em volta e vejo Alek sentado, cercado pelo Leo e pelo Lucas e pelo Nathan.

- Ai, Ai!- ele diz nervoso.

- Acho melhor levar ele no hospital. – murmura Leo.

Aproximo-me devagar e vejo o rosto do Alek todo ensanguentado.

- Puta que pariu Alek. – Nathan diz irritado- O que você fez?

- Um tiro de raspão?- ele pergunta irônico.

O corte é grande e está sangrando bastante, mas ele pode falar que caiu de algum lugar.

- Relaxem. – entro no meio deles- Dá para mentir. – sorrio para o Alek- É só falar que você caiu...

Eles me encaram e concordam.

ESTAMOS EM casa, já está amanhecendo, estou vendo um noticiaria falando do ocorrido agora pouco e a policia não faz ideia de quem foi... Menos mal.

Naomi subiu para o quarto, Nathan está no escritório, Lucas e Alek no hospital, Leo sumiu- como sempre. Desligo a Tv e vou até o escritório do Nathan.

- Sim?- ele me encara.

- Eu vou dormir, você vêm?

Ele me encara e depois levanta.

- Sim. – ele se aproxima de mim.

Sorrio e dou passagem pra ele.