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72 Capítulo 33
Notas iniciais
Aproximo-me devagar do portão e aperto a mão da Vic com força. Meu coração está na boca e meus passos hesitantes.
- Cassie, não acha melhor a gente voltar para o carro?- Vic murmura.
- Shh.
Olho para os lados e parece estar tudo limpo, caminho pelo grande quintal, até a porta da sala.
Pela grande janela de vidro da sala consigo ver o ambiente do lado de dentro, tem bastante movimento, mas não consigo ver ninguém conhecido.
- Vic, fique aqui fora. – encaro-a.
- Não!- ela fala exaltada- Me leve com você.
- Não posso, fique aqui fora que é mais seguro. – solto a mão dela.
Ela me encara meio chorona, fico firme e entro. Ela corre para os fundos da casa.
Agacho e vou gatinhando até a cozinha, assim que chego, começo a procurar uma arma qualquer por lá. Reviro armários e gavetas, sempre em alerta com tiros e correria na casa.
Escuto passos na cozinha, ergo o olhar e vejo um homem negro, alto, com uma cicatriz que passa pelo olho esquerdo, o mesmo tem uma tonalidade azul opaca. Carrega uma arma e a mesma está apontada pra mim.
Meu coração para e não consigo respirar direito, apenas encaro a arma.
Um barulho forte, quase me deixando surda, ecoa pela cozinha. O homem a minha frente larga a arma com uma expressão, encaro o chão com pingos de sangue e ergo o olhar para a mão do homem, que tem um buraco médio que atravessa a palma da mesma, é possível ver os tecidos e músculos dela, tenho vontade de vomitar.
Nathan aparece perto do homem e atira novamente, dessa vez na cabeça, a bala atravessa o crânio do homem com a maior facilidade. Fico presa no chão.
- O que você está fazendo aqui?- ele diz sério.
Dou de ombros.
Ele se aproxima de mim e me ajuda a levantar.
- Cadê a Vic?- ele me encara.
- Lá fora. – murmuro com dificuldade.
Ele respira fundo.
Vai até o armário em cima do micro-ondas e pega um revolver, destrava, carrega e me entrega.
Seguro a arma com firmeza.
- Procure a Naomi. – ele diz breve e saí andando.
Olho para os lados. Nunca havia percebido como essa casa é grande e assustadora. Só de pensar que têm caras querendo matar todo mundo aqui e eu sozinha.
Sinto um calafrio.
Começo a andar para fora da cozinha a procura da Naomi. A casa fica silenciosa por um momento e eu fico com o coração na mão. Esqueço a ideia de subir e vou pro lado de fora, procurar a Vic.
A mesma se encontra perto do canil, encolhida e parece estar chorando.
- Vic. – chamo-a baixo.
Ela me encara com os olhos vermelhos por causa do choro.
- Estou com medo. – murmura ela.
Mordo o lábio.
- Venha. – estico a mão pra ela- Vou tirar a gente daqui.
Ela arregala os olhos e paralisa. Tenho receio de olhar pra trás. Merda...
Preparo o meu dedo no gatilho e respiro fundo. Viro e ergo a arma, sem pensar duas vezes atiro. E para a minha sorte, era um dos invasores da casa.
Meu corpo está tênue e minhas mãos estão suando frio, Vic levanta tremula e fica ao meu lado.
- Vamos para o carro. – começo a caminhar.
Ela aquiesce.
Enquanto caminho, olho para todos os lados e verifico que a passagem está sempre limpa e segura.
- Cassandra. – alguém grita o meu nome.
Olho para trás e vejo a Vic, ela está cercado por uns três homens grandes como o homem da cozinha.
Volto correndo atirando, por incrível que parece, consigo acertar um. Naomi aparece da porta da cozinha e ataca um homem, com seu estilo único. Ela chute a barriga do cara e o jogo contra a parede, ele ergue a mão e ela pega a sua faca e então acerta a faca na palma da mão do cara, a faca atravessa e prende na parede. O homem fica imóvel com a mão estendida, se eu fosse ele, eu não mexeria aquela mão...
Retomo a realidade do momento e percebo que Vic está do meu lado, a mesma se encontra pálida e soa frio.
Pego em sua mão e começamos a correr para fora da casa, Naomi nos segue, mas seu ritmo não tão acelerado quanto o nosso. Seguro com firmeza a arma e sempre caminho com cautela. Alguns carros já sumiram da entrada da casa, vejo Nathan no lado de dentro da casa, não sei o que está fazendo.
Continuo andando, escuto um disparo, um tanto perto da gente. O corpo da Vic fica um pouco pesado e nós duas vamos para o chão.
Olho em volta e vejo Alek com a mão na cabeça e com cara de pânico. Ele está pálido nos encarando, olho para o lado e vejo Vic meio encolhida, abaixo um pouco o olhar e vejo uma mancha de sangue em sua blusa.
- Vic, olhe pra mim. – falo exaltada.
- Eu estou bem. – ela diz com dificuldade.
Respiro fundo.
Fui o Alek que atirou?
- Vic!- ele vem correndo até nós.
Levanto.
- Quem atirou?- encaro-o.
Ele fica branco.
- Quem atirou?- grito.
- Fui eu, mas não era para acertar ela. – ele diz quase gaguejando.
Ele atirou, ele atirou na própria namorada, na minha amiga e ainda diz que não teve intenção.
Avanço sobre ele, caímos no chão.
- Você atirou nela!- grito nervosa.
- Não tive a intenção de acertar ela. – ele me encara.
Minha amiga, ela levou um tiro por minha culpa, um tiro vindo da arma do namorado dela.
Dou um soco na cara dele.
- Você atirou nela. – falo com lagrimas nos olhos.
Ele não diz nada.
Acerto outro soco nele.
A culpa começa a recair sobre meus ombros, minha consciência fica pesada e pareço estar desmoronando.
- Eu vou matar você Alek!- levanto e procuro por minha arma.
Vic se contorce de dor no chão, Naomi está ao lado dela examinando o possível estrago.
Acho minha arma e destravo, erguendo-a para o Alek.
Não me acho em meu próprio corpo, pareço estar sendo dominada pelo ódio em completo, não consigo pensar em nada a não ser em atirar.
Mãos fortes os meus braços e derrubam a arma no chão.
- Me solta!- me debato.
Olho por cima dos ombros e vejo Leo.
- Me solta!- grito de novo.
Alek se aproxima de Vic e a pega no colo, correndo para um carro próximo.
- Me solta!- grito entre lagrimas.
Meu coração bate tão fraco em comparação ao desespero que domina o meu corpo, me sinto fraca e culpada pela dor que a Vic está passando agora, me sinto uma assassina.
Eu devia ter ficado no carro, eu devia ter me escondido na mata ao lado, eu devia ter protegido ela.
Leo me solta e caio de joelhos no chão, as lagrimas escorrem pelo meu pescoço e meu corpo está mole, a única coisa que eu consigo fazer é chorar.
Nathan se aproxima de mim assustado e ajoelha ao meu lado.
- Calma. – ele me abraça.
- Eu matei ela Nathan. – falo entre lagrimas- Eu causei dor nela.
Ele me aperta mais contra o seu corpo e beija o topo da minha cabeça.
- Você não teve culpa.
Começo a soluçar e meu corpo fica tremulo, as lagrimas escorrem até a ponta do meu nariz e pingam no gramado. Meu coração palpita devagar e dolorosamente, a imagem do sangue na blusa dela não sai da minha mente.
- Ela está em choque. – Nathan sussurra.
Os olhos verdes me encarando culpados, a vontade que eu tive de atirar, a dor que eu sinto. Eu sou a culpada disso...
- Vic me perdoe... – suplico baixo- Me perdoe, por favor.
A culpa foi minha, ela está assim por minha culpa.
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