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71 Capítulo 32
Notas iniciais
Fico parada na sala, escutando a briga dos dois no andar de cima. Nathan não dá a mínima para a briga nem para o que aconteceu com a irmã dele. Simplesmente saí andando para a cozinha.
- Eu tenho que fazer o pré-natal. – caminho até ele.
- Você tem ginecologista? – ele me encara.
Rolo os olhos de um lado para o outro.
- Não. – murmuro.
Ele franze o cenho.
- Por quê?-ele me encara.
- Sei lá. – dou de ombros- Nunca fui de ficar indo no ginecologista.
- E como tomava anticoncepcional?
Ele entende muito coisa...
- Por conta própria, hoje em dia vende nas farmácias. – rebato- E você não entende muito disso?
Ele ri.
- Sim, eu vivo com mulheres aqui. – ele sorri petulante.
Reviro os olhos.
- Não sabia que prostitutas iam ao ginecologista e usavam anticoncepcionais. – retruco.
- Você é uma menina muito inteligente, porém é mente fechada. – ele sorri triunfante.
Estreito os olhos.
- Mente pequena é você. – resmungo.
- Não estamos no século 19, linda.
Linda?
- Sua sorte, porque senão você estaria cheio de filhos. – falo petulante.
Ele ri.
- Não sou um coelho. – ele caminha para a geladeira.
Rio.
Ele volta com um copo de suco e coloca no balcão, de frente pra mim.
- Não quero suco. – sorrio.
- Mas vai ter que beber.
- Quem você pensa que é para mandar em mim?
- Sou o pai do seu filho, seu namorado e seu marido de mentira.
Reviro os olhos.
Escuto um barulho forte vindo do andar de cima.
- Vou resolver uma briga de casal. – sorrio e saio andando.
Subo a escada o mais rápido que consigo e caminho até o quarto que vem a gritaria, passando pelo quarto das prostitutas.
- Estão sabendo da nova noticia?- uma delas murmura.
Paro perto da porta.
- Não.
- A Cassandra vai ter um filho do Nathan!- ela diz pasma.
- Nossa! Essa teve sorte, qualquer daria tudo para ter um filho dele. – uma delas comenta.
Depois eu que tenho mente pequena.
Reviro os olhos e continuo andando. O coitado do meu bebê nem se formou direito e já invejado por ai...
Paro na porta do quarto e vejo uma cena nada típica; Vic jogando a primeira coisa que tem em Alek e o mesmo está encolhido na cama.
- Vamos parar?- entro no quarto.
Eles param a discussão e se voltam pra mim.
- Eu vou matar ele!- Vic rosna.
Massageio minhas têmporas.
- Minha mãe dizia que um casal tem que ter harmonia para viver bem. – encaro-os – Então, a Vic tem o direito de trair também.
- Mas hein?!- Alek arregala os olhos.
Ergo as mãos em defesa.
- Isso mesmo. – Vic faz uma careta e cruza os braços.
Alek resmunga algo e levanta da cama.
- Só não fique com qualquer um. – ele sai andando.
Vic bufa e joga algo nas costas dele.
- Ele vai me deixar com câncer de tanto nervoso. – ela resmunga.
Sorrio torto e me aproximo dela, abraçando-a.
- O Alek gosta de você. – murmuro.
- Gosta nada. – ela diz chateada- Ele me traiu.
- Ele transou com a Mari?- encaro-a.
- Ah, acha que eu parei pra perguntar?- ela diz irônica.
Dou de ombros.
- É mais preferível ele te trair e contar, do que esconder e continuar traindo.
Ela concorda.
- Por que eu não tenho sorte com homens?- ela me encara chorona.
Respiro fundo.
- Somos duas. – sorrio- Pode me ajudar em uma coisinha?
- No quê?
- Me ajuda a achar algum lugar para eu ir fazer o pré-natal?
Ela aquiesce.
- Vai me distrair. – ela sorri.
Concordo.
**
Depois de muito procurar, achamos um lugar, marcamos a consulta e o Nathan vai com a gente.
A Vic ainda está meio chateada com o que aconteceu com o Alek e eles não andam se falando muito, evitam estar no mesmo local da casa e comer na mesma hora.
Chegamos à pequena clinica, entramos. É um local bem aconchegante, paredes de arenito branco, uma pequena fonte na parede e alguns sofás, o balcão da recepção e o corredor com as salas.
Havia algumas gravidas, com barrigas gigantes. Encaro de relance a minha, ainda nem pode se julgar que estou gravida.
Nathan vai até o balcão.
- Nervosa?- Vic me encara.
- Não muito. – sorrio.
- Eu já fiz isso, é tranquilo. – ela sorri- Ela só vai pedir exames.
Menos mal.
Nathan volta e senta ao meu lado, encarando de relance as gravidas perto da gente.
- Sua barriga vai ficar desse tamanho?- murmura ele.
- Nunca viu uma gravida?- encaro-o.
Ele dá de ombros.
- É o esperado. – murmuro.
Depois de alguns minutos, a obstetra chama o meu nome. Nathan fica na sala de espera e Vic me acompanha.
- Olá. – ela senta da cadeira de frente com a gente.
- Oi. – murmuro.
Vic apenas sorri.
Sentamos e apertamos as mãos.
- Sou Lea Gouveia, sua obstetra. Eu que serei a responsável pela sua gestação inteira. – ela sorri.
Sorrio de volta.
- Bom, vamos lá... – ela começa a falar e não para mais.
Não memorizo nem metade do que ela fala, mas sei que ela marcou alguns exames; HIV, Glicemia, Hemograma, Urina, VDRL, Triglicerides, Tipagem Sanguinea, Colesterol e uns outros que não lembro.
Nos despedimos e marcamos a próxima consulta, saio da sala carregando as receitas dos exames e encontro com o Nathan na sala de espera. Em uma cena muito estranha, pra ele logico. Ele está segurando um bebê muito lindo e gordo.
- Vamos?- me aproximo dele.
- Ah, claro. – ele me encara com vergonha- Só espere a mãe dele voltar.
Sorrio.
Uma moça loira volta e pega o bebê, agradece e vai embora.
Encaro-o irônica.
- O quê?- ele me encara- A mãe dele que pediu...
- Sei... – caminho para fora da clinica.
EM MINHA perspectiva já estamos chegando, usar essa venda é meio desconfortável.
- Já chegamos?- murmuro.
- Não. – ele diz sério.
Ajeito-me no banco e respiro fundo.
- Merda!- Nathan murmura e para o carro repentinamente.
Meu corpo vai pra frente, o cinto me enforca.
- O que aconteceu?- retiro a venda.
Encaro o grande portal de metal preto da casa, está arrebentado e tem um movimento estranho dentro da casa. Escuto o que parece ser tiros...
- Nathan, o que está acontecendo?- murmuro com medo.
- Fiquem no carro. – ele sai e saca a arma, caminhando cauteloso para a casa.
- Cassie. – Vic murmura no banco de trás- Eu não quero morrer.
- Não vamos morrer. – tento passar confiança.
Meu coração vem na boca e minha respiração fica pesada.
- Vamos ficar paradas aqui?- Vic diz baixo, com medo.
- Não. – abro a porta do carro.
- Eu acho melhor... – Vic tenta argumentar.
- Se ficarmos aqui, é capaz de ter menos segurança do que lá dentro. – falo firme.
Ela aquiesce e desce do carro.
- O que vai fazer?- ela fica ao meu lado.
- Vamos entrar. – pego na mão dela e começamos a caminhar para dentro da casa.
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