Notas iniciais
Gente mil perdões mesmo, mas esse fim de semana eu tive visita e nem deu para postar. Mas tai um cap e espero que gostem.
Antes que eu me esqueça, quero agradecer LUKA MEGURINI por recomendar a fic e esse cap é em sua homenagem, obrigada flor.

Já passam das oito e o Nathan não apareceu.

Estou me achando uma garota ridícula que vai ao um encontro e acaba levando um toco do cara, o que ele faz que é mais importante do que eu? Tá legal, não serei egoísta, ele tem o trabalho dele e eu tenho que respeitar isso.

Ver as coisas de ponta cabeça era uma coisa divertida de minha infância, eu me achava em outro mundo e outra eu, passava um tempo de cabeça pra baixo no sofá só imaginando, até que minha mãe vinha me levantar e avisar que eu não podia fazer isso.

Ainda peço para um dia voltar ao meu passado, nem que fosse por um segundo. Apenas para poder tocar em minha mãe de novo ou encarar os olhos castanhos lindos de meu pai e depois sorrir, voltar a ser criança e sai da vida adulta e responsável. Voltar no dia do acidente deles e impedi-los de partir.

A campainha toca me tirando da nostalgia, vou até a porta e abro. Nathan está radiante como sempre e abre um largo sorriso.

- Oi. – murmuro.

- Que cara é essa?- ele entra.

- Cara de quem cansou de te esperar. – rebato.

Ele revira os olhos e senta no sofá.

- Não vai se arrumar?- ele me encara.

- Arrumar para que?

- Pra gente sair.

Opa!

- Você não falou que a gente ia sair. – estreito os olhos.

- Imprevistos. – ele sorri.

Volto para o quarto e começo a procurar algo, pego uma blusa branca transparente e uma saia rosa, dou um jeito básico no meu cabelo e na maquiagem. Pronto.

- Vamos. – falo assim que saio do quarto.

Nathan me olha por um instante e depois sorri.

- Vamos. – concorda.

Descemos na portaria e não deixo de notar o magnifico lamborghini aventador preto bem em frente ao portão do prédio, as pessoas que passam não deixem de fazer um esforço para observar o carro e não adivinho que seja no Nathan.

- Posso dirigir?- encaro-o.

- Não, esse é o meu carro preferido. – ele me encara de relance- Quem sabe de dia.

- Gostei. – sorrio.

Ele destrava o carro e abre a porta pra mim, me ajeito no banco de couro e não me surpreendo com o interior do carro, é tipo de outro mundo.

Eu posso morar em São Paulo a anos, mas sinceramente não conheço muito por aqui, talvez pelo fato de minha vidar ter sido, casa- escola- casa- escola, então não tive a oportunidade de explorar a cidade.

Nathan dirige tranquilamente pelas ruas não muito movimentadas da cidade e para em frente a um restaurante chamado Shin Zuchi.

Minha sorte é que eu gosto de comida japonesa.

Ele me guia até a entrada, é um lugar pequeno, porém bem agradável, os moveis são todos de madeira, as paredes brancas, uma bancada onde você pode comer e apreciar a arte de fazer um sushi. Temos uma mesa reservada.

- Espero que goste de sushi. – Nathan ri torto.

- Relaxa. – sorrio.

Sentamos na mesa e encaro o cardápio.

- Quer o que?­- ele pega elegantemente o cardápio.

- O que você for comer. – falo direta.

- Tudo bem. – ele sem concentra no cardápio.

DEPOIS do pedido, ficamos conversando como se fossemos velhos amigos.

- O que acha daqueles?- Nathan encara um casal discretamente.

- Bem, deve ser o segundo encontro. O primeiro foi horrível, mas ela vai dar uma nova chance e parece que não está funcionando. – deduzo.

- Ele é estranho.

- E você não é o que se considera um menino normal. – sorrio petulante.

Os sushis chegam e nos ocupamos em saborear.

**

Nathan está concentrado na rua e eu estou cantarolando e dançando animadamente ao seu lado a musica My Favorite Girl- P9.

Quando chega ao refrão começo a cantar mais alto, como quem canta debaixo do chuveiro. Ele me encara de relance e consigo vê-lo ri.

- Canto mal?- encaro-o.

- Um pouco desafina. – ele ri.

- Então vou desistir de ser cantora. – rio.

- Seria melhor sendo medica mesmo.

Nossa, ele ainda lembra disso...

Olho pelo retrovisor e noto um BMW m6 prata atrás de nós e mais uma fila de carros atrás, o pessoal resolveu sair de casa.

Meus pés estão doendo muito, talvez por que usei salto ontem e hoje, retiro-os e estico os pés.

- Que horas são?­- murmuro.

- Hora de criança estar na cama. – ele responde.

- Ih, então você já passou da sua hora. – rebato.

- Sempre com respostas na ponta da língua. – ele me encara de relance.

- Logico, com você tudo tem que estar na ponta da língua.

Nathan ri e paro um pouco para pensar, reparando que minha frase possui dois sentidos.

- Hum... Esquece. – murmuro.

- Quem era aquele menino que você conversou ontem?

- Qual?­- foram tantos...

- Um bem no começo, pareciam se conhecer.

- Ah, o Igor. É meu amigo de infância.

Ele não responde nada e levo isso como uma resposta esclarecida.

Nathan olha para o retrovisor repetitivas vezes.

- Merda!- resmunga e acelera.

- O que foi?- balbucio.

- O BMW atrás da gente está nos seguindo.

Por que diabos alguém seguiria o Nathan?

- E o que vai fazer?- pergunto debilmente.

- Dar um jeito. – ele acelera mais.

Minha palpitação aumente e minha respiração me falta. O carro desliza no asfalto e reage a cada movimento leve na direção que Nathan dá. O BMW também acelera e ai percebo que Nathan está certo.

Entramos em uma avenida, está mais movimentada que a rua que estávamos, não tem problema, começamos a fazer zig-zag entre os carros com graça, meu coração vem na boca.

- Nathan vai mais devagar. – murmuro.

- Relaxa. – diz ele simplesmente.

Como ele quer que eu relaxe? Ele está em uma velocidade alta no meio de uma avenida com cruzamentos e movimento constante de carro, tem um carro seguindo a gente e eu não sei o motivo nem quem está dentro.

Ele faz um retorno rápido, virando bruscamente o carro e fazendo o mesmo cantar pneu. Não perde tempo e já retoma a velocidade anterior, seguindo para a marginal ali perto.

- Vai mais devagar Nathan, você não está levantando voo!- repreendo-o.

Ele não responde, está concentrado demais no carro, na pista e nos caminhos. Entramos na marginal onde ele aumenta ainda mais a velocidade, consigo ver o velocímetro marcam cento e oitenta quilômetros por hora.

Continuamos com a mesma velocidade, desviando dos carros que parecem em câmera lenta ao nosso lado e mudando de uma faixa para a outra, mas o pior é que o BMW consegue nos acompanhar sem muito esforço.

Nathan entra em um retorno para voltar para o centro, fazendo mais uma vez o carro cantar pneu e quando volta a acelerar, o pequeno tranco indicando o aumento da velocidade, nos faz encostar mais ao banco de couro.

De repente, não sei dá onde, uma van preta aparece na nossa frente e para de atravessada na rua, bloqueando a passagem, o BMW continua atrás de nós e Nathan não diminui, estamos chegando muito perto da van!

- Nathan diminui!- repreendo-o.

Ele dá de ombro e não me obedece, continuando com a velocidade constante e chegando cada vez mais perto da van.

Capítulo 30-

Ele breca o carro bruscamente, jogando nossos corpos para frente e logo em seguida engata a marcha ré, passando em seco pelo BMW que seguia a gente. Nathan vira o carro voltando ao normal e seguindo para a marginal novamente.

Respiro aliviada, embora eu queira mata-lo por me fazer passar nervoso.

- Quase tive um ataque cardíaco. – dou um soco no ombro dele.

Ele segura o riso e me encara de relance.

- Adrenalina. – sorri.

Reviro os olhos.

- Adrenalina ou ver sua vida passar diante de seus olhos?- rebato.

Ele ri.

Como ele pode rir disso? Ou ele está rindo da minha cara?

Encosto no banco de couro e fico encarando a paisagem do lado de fora do carro e ficamos em silêncio absoluto.

ELE PARA o carro em frente ao meu condomínio. Já entendi que isso é uma despedida.

Ele continua em silêncio, encarando a rua e eu encaro os meus dedos.

- Bom, já vou indo. – murmuro.

Nathan aquiesce e não dirige sem sequer um olhar pra mim.

Mordo o lábio inferior. Eu não quero ir embora, não quero que ele vá embora de novo. Podemos nunca mais nos ver depois que eu sair desse carro e ele seguir em frente, gostaria tanto que ele me impedisse de sair agora.

Abro a porta com um receio horrível e coloco o primeiro pé pra fora, nunca fiz movimentos tão lentos em minha vida.

- Vai voltar?- sussurro, encarando-o por cima dos ombros.

- Não. – murmura ele.

- Então isso é um ‘até logo’ ou ‘adeus’?- murmuro.

Ele dá de ombros gentilmente.

Respiro fundo buscando consolo em ter que sair do carro.

Busco força em meus músculos e em minha mente para continuar em frente, esquecer essa fase de minha vida e abrir portas para novas oportunidades, voltar a sorrir sem precisar ter o Nathan ao meu lado ou me sentir segura sem precisar de seu jeito precautelo.

- Até nunca mais, talvez. – murmuro saindo do carro.

- Tchau Cassandra. – murmura ele.

Sinto uma dor no peito, por que deixa-lo dói tanto?

Abaixo a cabeça e começo a caminhar para a portaria, sem olhar para trás.

Suplico mentalmente por todos os santos possíveis para me ajudarem agora, para fazerem Nathan não ir embora e sumir de vez.

Paro em frente ao portão e aguardo a boa vontade do porteiro em abrir e me tirar desse sofrimento. Escuto o barulho do portão destravando e puxo, o metal gelado do portão vem direto em encontro com o meu rosto. Vi estrelas...

Ah merda! Eu e meu jeito desastrado.

Coloco a mão no nariz e olho de relance para trás, o carro de Nathan não está mais lá.

Sinto uma vontade de chorar, não sei se é pela dor ou por saber que ele realmente foi embora.

Entro em passos rápidos e paro em frente ao elevador, aperto o botão varias vezes seguidas apenas para ver se o elevador chega mais rápido.

A porta abre e eu entro na caixa de metal, aperto o meu andar e aguardo impaciente.

Já estou cansada de ser feita de idiota, se Nathan gostasse mesmo de mim igual ele mostra, não iria embora, porque ele sabe muito bem que isso me machuca muito, mas não! Ele continua indo e vindo, saindo e entrando da minha vida como se eu fosse alguém como ele, frio e fechado.

Chego a frente ao meu apartamento e a porta está encostada, não me lembro de ter deixado aberta.

Empurro a porta para dentro e olho o apartamento, está escuro e nada está fora do normal.

Ascendo à luz em congelo ao ver Melissa debruçada no balcão da cozinha, me encarando. Os cabelos ruivos presos, os olhos verdes brilhando psicopatas e usa uma roupa de couro.

- A menina é mais forte do que eu me lembrava. – ela sorri.

- Eu tinha que viver para ver a sua queda diante de meus pés. – rebato.

Ela ri alto e orgulhosa.

- A única que irá cair aqui, será você. – ela diz devagar.

Engulo em seco e tento controlar a adrenalina que corre em minhas veias agora.

- Prove. – sussurro.

Ela arregala os olhos e depois sorri.

- Você trará a queda da máfia do Nathan, você é o que ele mais protege e se você cair diante dele. – ela me encara com os olhos brilhando- Ele também cai.

- Como vai me fazer cair?- inclino a cabeça.

Pelos os meus conhecimentos, nunca é bom demonstrar medo ou ficar desesperada diante de pessoas assim, é meio difícil se controlar, mas prefiro me acalmar agora do que dentro de um caixão. Respiro fundo e fecho a porta.

Ela ri.

- Acha mesmo que sou trouxa?- ela arqueia uma sobrancelha.

- Quer mesmo que eu responda?- sou irônica.

Ela revira os olhos.

- Apenas faça o que eu mandar. – ela me encara.

- Acha mesmo que eu vou fazer isso?- contraio os lábios.

- Não por boa vontade. – ela coloca um revolver em cima do balcão.

Minha palpitação aumente e minha respiração falta.

- Agora sente no sofá e fique em silêncio. – ela ordena.

Contraio os lábios em contra gosto, embora eu faça o que ela manda.

Agora, estou absolutamente encrencada, sozinha mais uma vez com ela e da ultima vez que isso aconteceu, eu acabei dentro de uma piscina baleada na beira da morte.

Só de pensar nisso, um frio corre minha espinha e eu fico arrepiada. Tenho que sair dessa.

Olho em volta e não tenho nada que me ajude agora, a não ser se eu sair correndo pra fora e pedir socorro para um dos vizinhos ou posso ficar mesmo contando os segundos para a minha morte.

Mexo-me desconfortável com a situação, continuo encarando o revolver em cima do balcão, parece carregado e pronto para disparar quando necessário e as frase de Nathan vem em minha mente. “a arma que você usa para sua defesa, pode ser a mesma arma que te mata pelas costas”.

Nunca pensei que em poucas palavras, ele explicasse tudo, ou quase tudo...

Melissa recebe um telefone e se afasta um pouco, a conversa parece ser sussurrada e então meu olhar volta para a arma em cima do balcão.

Meu pulso aumenta, me fazendo escutar apenas ele, a adrenalina em meu sangue está me sufocando e meu corpo tem espasmos de movimentos involuntários.

Levanto em um salto do sofá e corro para o balcão, me jogando em cima dele e agarrando a arma. Melissa percebe meu movimento e corre em direção do balcão.

- Tarde demais. – ergo a arma.

Ele estala a língua e do bolso de trás da calça retira uma arma.

- Ou não. – ela sorri arrogante.

Destravo a arma e ela faz a mesma coisa.

Olhos verdes fuzilam olhos castanhos, ódio e rancor batem de frente, ironia e arrogância estão frente a frente, a adrenalina paira no ar, respirações ruidosas e palpitação acelerada.

Meu dedo está inquieto perto do gatilho, mas minha mente diz para não atirar.

Notas finais
e ai? tá bom?