Businesses Will Part
29 Capítulo 29
Notas iniciais
Já passam das oito e o Nathan não apareceu.
Estou me achando uma garota ridícula que vai ao um encontro e acaba levando um toco do cara, o que ele faz que é mais importante do que eu? Tá legal, não serei egoísta, ele tem o trabalho dele e eu tenho que respeitar isso.
Ver as coisas de ponta cabeça era uma coisa divertida de minha infância, eu me achava em outro mundo e outra eu, passava um tempo de cabeça pra baixo no sofá só imaginando, até que minha mãe vinha me levantar e avisar que eu não podia fazer isso.
Ainda peço para um dia voltar ao meu passado, nem que fosse por um segundo. Apenas para poder tocar em minha mãe de novo ou encarar os olhos castanhos lindos de meu pai e depois sorrir, voltar a ser criança e sai da vida adulta e responsável. Voltar no dia do acidente deles e impedi-los de partir.
A campainha toca me tirando da nostalgia, vou até a porta e abro. Nathan está radiante como sempre e abre um largo sorriso.
- Oi. – murmuro.
- Que cara é essa?- ele entra.
- Cara de quem cansou de te esperar. – rebato.
Ele revira os olhos e senta no sofá.
- Não vai se arrumar?- ele me encara.
- Arrumar para que?
- Pra gente sair.
Opa!
- Você não falou que a gente ia sair. – estreito os olhos.
- Imprevistos. – ele sorri.
Volto para o quarto e começo a procurar algo, pego uma blusa branca transparente e uma saia rosa, dou um jeito básico no meu cabelo e na maquiagem. Pronto.
- Vamos. – falo assim que saio do quarto.
Nathan me olha por um instante e depois sorri.
- Vamos. – concorda.
Descemos na portaria e não deixo de notar o magnifico lamborghini aventador preto bem em frente ao portão do prédio, as pessoas que passam não deixem de fazer um esforço para observar o carro e não adivinho que seja no Nathan.
- Posso dirigir?- encaro-o.
- Não, esse é o meu carro preferido. – ele me encara de relance- Quem sabe de dia.
- Gostei. – sorrio.
Ele destrava o carro e abre a porta pra mim, me ajeito no banco de couro e não me surpreendo com o interior do carro, é tipo de outro mundo.
Eu posso morar em São Paulo a anos, mas sinceramente não conheço muito por aqui, talvez pelo fato de minha vidar ter sido, casa- escola- casa- escola, então não tive a oportunidade de explorar a cidade.
Nathan dirige tranquilamente pelas ruas não muito movimentadas da cidade e para em frente a um restaurante chamado Shin Zuchi.
Minha sorte é que eu gosto de comida japonesa.
Ele me guia até a entrada, é um lugar pequeno, porém bem agradável, os moveis são todos de madeira, as paredes brancas, uma bancada onde você pode comer e apreciar a arte de fazer um sushi. Temos uma mesa reservada.
- Espero que goste de sushi. – Nathan ri torto.
- Relaxa. – sorrio.
Sentamos na mesa e encaro o cardápio.
- Quer o que?- ele pega elegantemente o cardápio.
- O que você for comer. – falo direta.
- Tudo bem. – ele sem concentra no cardápio.
DEPOIS do pedido, ficamos conversando como se fossemos velhos amigos.
- O que acha daqueles?- Nathan encara um casal discretamente.
- Bem, deve ser o segundo encontro. O primeiro foi horrível, mas ela vai dar uma nova chance e parece que não está funcionando. – deduzo.
- Ele é estranho.
- E você não é o que se considera um menino normal. – sorrio petulante.
Os sushis chegam e nos ocupamos em saborear.
**
Nathan está concentrado na rua e eu estou cantarolando e dançando animadamente ao seu lado a musica My Favorite Girl- P9.
Quando chega ao refrão começo a cantar mais alto, como quem canta debaixo do chuveiro. Ele me encara de relance e consigo vê-lo ri.
- Canto mal?- encaro-o.
- Um pouco desafina. – ele ri.
- Então vou desistir de ser cantora. – rio.
- Seria melhor sendo medica mesmo.
Nossa, ele ainda lembra disso...
Olho pelo retrovisor e noto um BMW m6 prata atrás de nós e mais uma fila de carros atrás, o pessoal resolveu sair de casa.
Meus pés estão doendo muito, talvez por que usei salto ontem e hoje, retiro-os e estico os pés.
- Que horas são?- murmuro.
- Hora de criança estar na cama. – ele responde.
- Ih, então você já passou da sua hora. – rebato.
- Sempre com respostas na ponta da língua. – ele me encara de relance.
- Logico, com você tudo tem que estar na ponta da língua.
Nathan ri e paro um pouco para pensar, reparando que minha frase possui dois sentidos.
- Hum... Esquece. – murmuro.
- Quem era aquele menino que você conversou ontem?
- Qual?- foram tantos...
- Um bem no começo, pareciam se conhecer.
- Ah, o Igor. É meu amigo de infância.
Ele não responde nada e levo isso como uma resposta esclarecida.
Nathan olha para o retrovisor repetitivas vezes.
- Merda!- resmunga e acelera.
- O que foi?- balbucio.
- O BMW atrás da gente está nos seguindo.
Por que diabos alguém seguiria o Nathan?
- E o que vai fazer?- pergunto debilmente.
- Dar um jeito. – ele acelera mais.
Minha palpitação aumente e minha respiração me falta. O carro desliza no asfalto e reage a cada movimento leve na direção que Nathan dá. O BMW também acelera e ai percebo que Nathan está certo.
Entramos em uma avenida, está mais movimentada que a rua que estávamos, não tem problema, começamos a fazer zig-zag entre os carros com graça, meu coração vem na boca.
- Nathan vai mais devagar. – murmuro.
- Relaxa. – diz ele simplesmente.
Como ele quer que eu relaxe? Ele está em uma velocidade alta no meio de uma avenida com cruzamentos e movimento constante de carro, tem um carro seguindo a gente e eu não sei o motivo nem quem está dentro.
Ele faz um retorno rápido, virando bruscamente o carro e fazendo o mesmo cantar pneu. Não perde tempo e já retoma a velocidade anterior, seguindo para a marginal ali perto.
- Vai mais devagar Nathan, você não está levantando voo!- repreendo-o.
Ele não responde, está concentrado demais no carro, na pista e nos caminhos. Entramos na marginal onde ele aumenta ainda mais a velocidade, consigo ver o velocímetro marcam cento e oitenta quilômetros por hora.
Continuamos com a mesma velocidade, desviando dos carros que parecem em câmera lenta ao nosso lado e mudando de uma faixa para a outra, mas o pior é que o BMW consegue nos acompanhar sem muito esforço.
Nathan entra em um retorno para voltar para o centro, fazendo mais uma vez o carro cantar pneu e quando volta a acelerar, o pequeno tranco indicando o aumento da velocidade, nos faz encostar mais ao banco de couro.
De repente, não sei dá onde, uma van preta aparece na nossa frente e para de atravessada na rua, bloqueando a passagem, o BMW continua atrás de nós e Nathan não diminui, estamos chegando muito perto da van!
- Nathan diminui!- repreendo-o.
Ele dá de ombro e não me obedece, continuando com a velocidade constante e chegando cada vez mais perto da van.
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