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28 Capítulo 28
Acordo com uma dor de cabeça horrível, um calor infernal e o medo de que Nathan não esteja aqui. Pisco algumas vezes com a maior preguiça de abrir os olhos.
Assim que abro os olhos, noto que as roupas do Nathan estão aqui, então ele também está aqui. Viro para o lado e ele está deitado de costas para mim, encaro suas costas largas e fortes, não deixo de notar algumas cicatrizes e sinto calafrios, devem ser das brigas ou até mesmo tiros.
Entristece-me saber que a hora que ele acordar ele vai embora e eu vou ficar daquele jeito novamente, fazia e apaga do mundo.
Ele devia perceber que eu sinto algo por ele e que as tentativas dele de me proteger, apenas me machucam mais.
Acaricio suas costas bem devagar, fecho os olhos e começo a memorizar cada parte, cada musculo... Ah se você não fosse quem você é.
- O que está fazendo?- sua voz rouca me faz abrir os olhos.
- Nada. – ruborizo- Por que ficou?
Ele vira e seus olhos azuis fitam os meus.
- Por que você pediu para eu ficar. – ele dá um sorriso torto.
Arregalo os olhos, certamente eu não posso beber.
- Obrigada por atender meu pedido. – murmuro.
Ele dá um sorriso tímido.
- O que estava fazendo na festa?- arqueio uma sobrancelha.
Ele respira fundo.
- Eu fui convidado por causa do meu pai. – murmura ele.
- Hein?
- Meu pai é, de certa forma, rico e todas aquelas pessoas são filhos de gente da alta sociedade, é só um jeito de juntar pessoas da mesma classe social e fazê-las se divertirem e ficaram com pessoas da mesma classe.
Foi bom ele ter ido e eu também, embora eu tivesse esperança que ele foi atrás de mim.
- Mas o seu pai não tinha morrido?- pergunto cautelosa.
- Sei lá o que aconteceu com o meu pai.
- Como assim não sabe?- ergo uma sobrancelha.
- Meu pai sempre foi envolvido com a policia, mudava de nome e identidade a cada duas semanas, nunca soube o seu verdadeiro nome. – murmura ele- Quando ele me considerou um homem, me deixou seus negócios e simplesmente foi embora, depois disso nunca mais soube dele e nem quero saber.
Puxa, o Nathan não tem um pai de verdade, um pai nunca deixaria um filho ou até mesmo o envolveria em coisas mafiosas, pais normais querem que seus filhos passem longe disso.
- Ele sempre me aconselhou e a ficar longe de mulheres, por que elas são a máfia mais perigosa. – ele sorri irônico- Acho que eu não o obedeci.
Sorrio.
- Por que não me roubou ou me fez ficar como aquelas meninas da sua casa?- pergunto cautelosa assim que me lembro de sua carta.
- Meu objetivo era apenas te sequestrar, mas aconteceram uns imprevistos e eu tive que te aturar. – ele ri.
- Que tipo de imprevistos?- pergunto hesitante.
- Imprevistos que qualquer coisa que façamos tem.
Argh! Odeio quando ele fala e acaba não falando nada.
- Você vai embora?- encho os pulmões de ar disfarçando a tristeza.
- Eu tenho que ir. – murmura ele.
- E seu te pedir para ficar mais um pouco?
- Dessa vez eu não vou poder ouvir. – ele lamenta.
- Por favor. – faço biquinho.
- Não. – ele senta na beirada da cama e passa a mão no cabelo- Dessa vez não dá.
Trinco a mandíbula para não fazer cena.
- Se eu não tivesse na festa, ficaria com alguma menina?- essa pergunta me atormenta.
- Talvez.
- Como assim talvez?- indago.
- Quando você entrou, não sabia que era você e então eu pretendia ficar com você. – escuto seu sorriso.
- Acho bom mesmo. – murmuro.
Ele ri.
- Nathan... – sussurro sem nome sem saber o porquê.
Ele fica de lado na cama e fico admirando o contorno dele.
- Fale. – ele me encara com os olhos azuis brilhantes.
Ficamos nos encarando e eu esqueço completamente o que eu ia falar.
- É melhor você ir.
Ele aquiesce e levanta da cama e começa a se trocar.
Fico como plateia na cama, vendo-o se mexer pelo quarto com graça e elegância. Levanto e vou até o banheiro e faço minha higiene matinal, pego um roupão e saio.
Nathan não está mais no quarto, meu coração para e a tristeza volta. Vou para a sala e ele está na cozinha. Respiro aliviada.
- Já estou indo. – ele para de frente.
- Até logo. – sussurro triste.
Ele afaga meu rosto carinhosamente e depois inclina a cabeça, faço o mesmo e toco seus lábios com os meus.
Abraço seu pescoço e abro um pouco mais a boca dando passagem para a sua língua, seus dedos fincam em meu cabelo. Sua língua explora minha boca, persuadindo a minha. O beijo é urgente, desejado e necessitado das duas partes. Enquanto nos separamos, mordo gentilmente seu lábio inferior e ele suspira.
- Eu tenho que ir embora. – sussurra ele com os olhos fechados.
- Não estou te impedindo de ir. – embora eu quisesse fazer isso.
Ele respira fundo e abre os olhos.
- Eu volto a noite. – murmura ele.
Meu coração dispara.
- Sério que você volta?- falo animada.
- Sim. – ele sorri.
Estou radiante.
- Se comporte até lá. – ele sussurra em meu ouvido.
- Senão... ?- desafio-o.
Ele ri.
- Veremos depois. – ele passa os dentes em meu maxilar- Se comporte. – ordena e depois dá uma palmada em minha bunda.
- Ai!- exclamo e dou um leve pulo- Nathan!- repreendo-o.
- Até mais tarde baby. – ele sorri e sai.
Hum... Até mais tarde.
Esfrego minha bunda. Puxa, ele tem uma mão pesada.
Volto para o banheiro e me encaro no espelho, cabelo castanho caído sobre meus seios, rosto corada, olhos brilhando... Ah o efeito Nathan é milagroso.
Seus olhos azuis ainda estão em minha mente e nunca fiquei tão feliz em reconhecê-los no meio de tantos. Meu pequeno menininho abandonado...
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