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24 Capítulo 24
Notas iniciais
Meu estomago está embrulhado, estou tendo náuseas e estou tonta. Acho que é muita adrenalina para uma pessoa que não comeu nada hoje. Gabi me puxa para um quarto e tranca a porta, sento na cama.
– Cassandra?- ela me encara assustada.
– O que foi?- estreito os olhos tentando enxerga-la.
– Esta branca. – ela arregala os olhos.
– Acho que vou vomitar. – corro para o banheiro.
A pior sensação do mundo é você querer colocar uma coisa pra fora e não consegue, estou encarando o vaso como uma doente mental ou uma menina anorexia.
– Cassandra, posso te fazer uma pergunta?- Gabi aparece na porta.
– Sim. – ergo o olhar para ela.
– Você já dormiu com o Nathan?- ela me encara séria.
– Não estou gravida!- entendo o sentido da pergunta- Só é muita coisa para digerir, estou nervosa.
– Não responde minha pergunta. – ela sorri provocante.
– E não, eu dormi e nem pretende dormir com ele. – resmungo.
– É a primeira menina que eu escuto falar isso. – ela me encara.
– As outras deveriam ter problema. – passo por ela- E esse papo é muito intimo em uma situação como essa.
– Mas você ainda é virgem?- ela me ignora.
– Agora está intimo demais.
– Desculpa. – ela vai até a porta.
Escutamos passos no corredor e logo em seguida um tiro, meu corpo inteiro fica tenso. Não demora nem um minuto para se escutar mais dois.
– Acho que são mais do que esperávamos. – murmura Gabi.
– Isso é ruim?- pergunto receosa.
Ela aquiesce.
Tem como esse dia ficar melhor? De fato tem muitas possibilidades dele ficar pior, mas iriei focar no presente e na arma que eu carrego.
– Vamos sair. – Gabi faz um gesto com a mão.
E agora me dá vontade de vomitar, mas serei forte e vou até o fim nessa merda.
– Irei abrir a porta e se tiver alguém do lado de fora, você atira. Ok?- ela me encara.
Aquiesço e seguro fortemente a arma em minha mão, mas o gesso atrapalha um pouco.
– Agora!- Gabi gesticula com os lábios sem omitir som e abre a porta.
Não tem ninguém do lado de fora, e agradeço por isso. Gabi sai primeiro que eu, mas nem pensar que vou ficar pra trás.
– Vamos descer. – ela avisa.
Então as palavras de Nathan me atormentam; A mesma arma que você usa para a sua defesa, pode ser a mesma arma que te mata pelas costas.
Sinto algo passar cortante em minha face e sinto a mesma esquentar, olho de relance para trás e vejo Melissa ainda com a arma apontada para mim. Foi ela que atirou?
– Rapazes, ela está aqui. – ela avisa para alguém.
E de um quarto no fundo do corredor, saem três caras e com certeza eles não merecem o apelido de meninos e sim de marmanjos.
– Como vai ser? Viva ou morta?- Melissa diz sorrindo.
– De qualquer jeito. – um dos homens sorri.
Antes mesmo deles pensaram em atirar em mim, pulo para a escada e rolo uma lance inteiro, escuto os passos deles virem em minha direção e então disparo para a cozinha, me escondendo atrás do balcão.
Minha respiração está ruidosa demais e não sei se meu esconderijo vai durar para sempre.
Fecho os olhos e lembro de Leo me explicando, respiro fundo e levanto com calma e dou de cara com um dos homens.
Ele também está armado, meu coração para e então atiro, o projetil sai com facilidade mínima e acerta o homem. Sinto a mesma coisa que senti quando vi o doutor morrer na minha frente, mas agora é pior, por que eu que puxei o gatilho.
Mas esse cara ia me matar, então penso positivo, eu salvei minha vida e dessa vez não foi o Nathan.
– Isso!- comemoro.
Não é hora para comemoração, eu ainda tenho que fugir de mais alguns caras e da Melissa, olho para a porta da cozinha e acho melhor eu me esconder no quintal.
Vou engatinhando até ela e abro, assim que não vejo ninguém do lado de fora, disparo para a traseira da casa, mas com a cautela e medo de sempre.
Bom é fácil atirar, o difícil é tirar o peso da consciência de que você matou alguém.
Quando vira na lateral da casa, dou de cara com mais três caras, que quase me fuzilam. Volto correndo para a porta da cozinha e entro em casa exaltada.
Encontro Gabi novamente e ela me encara assustada.
– Onde se meteu? – murmura ela.
– É a Melissa que arrumou tudo isso. – falo exaltada.
– Tô sabendo. – ela meio que lamenta.
– Estão vindo mais três aqui. – aviso.
Antes mesmo de eles entrarem na cozinha, Gabi atira sem piedade alguma e aparecem mais dois atrás do balcão, então é minha vez atirar.
Corremos para a sala e escutamos mais disparos no andar de cima e no quintal, não estou mais vendo a Melissa, nem a Sue e muita menos algumas das meninas. Gabi para no meio da sala e puxa o tapete dela.
– O que está fazendo?- indago.
Ela abre um fundo falso no piso e de lá retira duas metralhadoras, mas não conheço elas, devem ser os modelos antigos ou eu que não conheço arma.
– Agora, qualquer homem de preto ou mesmo a Melissa seram mortos, entendido?- Gabi me encara.
Aquiesço e seguro a arma com firmeza, espero que ela não bata na minha cara.
– Eu atiro em quem tiver na sua traseira. – Gabi fica de frente comigo.
– Idem. – fico de frente com ela.
Escuto mais alguns disparos, mas eles não veem de dentro da casa, respiro fundo e encaro a porta da cozinha com determinação, e o enjoo volta.
Sue aparece na escada e me dá um leve susto, quase que atiro nela.
– Os militares chegaram. – ela vem até nós.
– Isso é bom?- falo totalmente confusa.
– Sim, vai nos dar mais apoio. – ela sorri gentil.
– Sue, foi a Melissa que armou tudo isso. – Gabi vira e encara a mulher.
Sue fica estática nos encarando e ao mesmo tempo parece abalada com a informação.
– Devem estar confundindo. – ela balbucia.
– Não. – passa a mão no rosto- Ela está com os homens, foi ela que atirou em mim.
Sue encara o meu rosto e fica desolada.
Um cara com uniforme militar entra na casa e também quase me mata do coração.
– Abaixe a arma. – ele ordena.
Sem hesitar, faço o que ele manda.
– Conseguimos pegar alguns homens e outros fugiram. – ele dirige a palavra para Sue- Tiveram sorte que eles estavam em poucos.
Respiro aliviada.
Vejo alguém de cabelo vermelho passar correndo pela porta da cozinha e sei que é a Melissa. Sem que ninguém perceba, caminho até a porta, mas não acho ninguém lá.
Escuto o estralo de uma arma sendo destrava e viro lentamente. Dou de cara com a Melissa.
– E aqui está o premeio. – ela diz irônica.
– Por que está fazendo isso? – tento manter a calma e não fazer um movimento brusco, atiçando-a a atirar em mim.
– Porque alguém precisava acabar com o seu reinado, princesa. – ela diz devagar.
– Está enganada, eu não reino aqui. – falo com paciência.
– Reina, nenhuma menina nunca foi tratada igual você é. Tudo aqui gira em volta de você. – ela diz cerrando os dentes.
– Não é verdade. – franzo o cenho.
– Cala a boca!- ela grita- Eu estava tão perto de subir no trono, mas então ele sequestrou você e me esqueceu. – ela me fuzila com o olhar.
– O que? O Nathan não gosta de você, ele respeita o seu namoro com o Leo. – falo indignada.
– Ah o Leo é um idiota, só estava me ajudando a ganhar importância aqui. – ela diz com desdém.
– Você é ridícula.
– Mas a ridícula aqui é que vai ganhar o jogo. – ela sorri.
Contraio o lábio.
– Fred está me pagando muito para eu matar uma garota insignificante como você e achei, sinceramente, que seria mais fácil fazer isso.
– Está traindo o Nathan?- indago.
– Fazer o que se o Fred é um partido melhor.
Cerro os dentes, Melissa é uma garota muito idiota e não percebe o sério erro que está cometendo. Não tenho coragem de argumentar, realmente esse negocio subiu na cabeça dela.
– Até mais, Baby. – ela sorri e então consigo escutar o barulho do tiro e uma dor forte em minha cintura.
Sem forças, caminho para trás e acabo caindo dentro da piscina. A água está gelada e eu afundo sem cerimonia, a dor continua em minha cintura e não consigo voltar para a superfície. Consigo ver a silhueta de Melissa se afastar depois minha vista falha.
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