Nathan arrasta Lucas do corredor para o seu escritório. Com a curiosidade que estou, vou até a porta e tento escutar a conversa.

- O que era uma armadilha?- Nathan fala baixo.

- A encomenda. – Lucas ofega.

- Cadê o Alek?

- Ele foi fazer a entrega, mas na verdade quem fez o pedido foi o Fred e ele pegou meu irmão. – Lucas diz em pânico.

Nathan fica em silêncio.

- Nathan, eles vão matar o Alek! – Lucas está em pleno pânico.

Fico estática perto da porta, isso ainda não acabou. Bem que o Nathan havia comentado que esse cara sabe jogar melhor que eles, talvez pela experiência de vida. O Alek está em plena vida e morte, e eu aqui, discutindo com o Nathan sobre minha segurança se o Alek que usa uma arma não soube escapar, imagine eu. Com certeza não nasci para esse mundo.

- Você pode falar o que ele quer?- Nathan fala mais baixo ainda.

- Ele aceita fazer uma troca. – a tensão na voz de Lucas e notada de longe.

- Troca?- Nathan pergunta meio débil, igual eu.

- Ele diz que solta o Alek se você entregar a Cassandra.

Puta que pariu, o que eu tenho haver com a historia deles?

- O que ele sabe da Cassandra?- Lucas pragueja.

- Nada, ele só a viu aquele dia no hotel. – Nathan murmura.

- E agora, o que você vai fazer?- Lucas não parece muito contente e muito menos aquele menino doce que eu conheci.

- Eu não sei... Não posso entregar a Cassandra, mas também não posso matar o Alek.

- Se ao menos você falasse o que a Cassandra tem de tão especial... – Lucas diz baixo.

Nathan fica em silêncio mais uma vez.

Então ele não contou para ninguém sobre o motivo de eu estar aqui, mas como o Alek disse que eu estou mais encrencada que todos aqui? Será que apenas o Alek sabe o motivo?

A porta abre e eu caio pra frente, ficando de quatro. Ergo o olhar e vejo Nathan me encarar severo, estremeço e levanto desajeitada.

- Desculpa, não tive como não escutar. – murmuro.

- É melhor se decidir. – Lucas sai da sala.

- Chame o Leo. – Nathan grita.

Não escuto o Lucas responder e continuo parada diante da porta.

- Mas que merda!- Nathan soca a mesa de madeira.

- O que foi?- pergunto com a voz rouca.

- Você sabe muito bem. – ele me encara.

- Me chamou?- Leo aparece na porta.

- Eles pegaram o Alek. – Nathan encara Leo.

- O que pretende fazer?- Leo parece a autoridade aqui.

- O que me sugeri?

- Eles sugeriam troca?- Leo se aproxima e me encara de relance.

- A Cassandra pelo Alek. – Nathan diz cauteloso.

- Então faça a troca ou mate todos. – Leo é direto.

Nathan apoia a cabeça nas mãos e fica em silêncio. Meu coração fica a mil, será que ele vai mesmo fazer a troca?

- Arrume as armas. –ele levanta da cadeira, me assustando.

- Mas sabe o que pode acontecer?- Leo parece espantado.

- Não vou fazer a troca, entendeu?- Nathan toma o controle de novo.

- Sim, vou arrumar as armas. – ele sai do cômodo.

- Você não vai conseguir matar todos. – falo em meio ao meu raciocínio.

- Baby, eu sou Nathan Frost. – ele diz se gabando.

- Ninguém é de ferro. – murmuro.

- Eu tenho mais de 20 mil pessoas que trabalham para mim, não lutarei sozinho. – ele sorri.

Cacete, 20 mil pessoas trabalhando apenas para um homem de 19 anos.

- É muito gente. – confesso.

- Então não tem com que se preocupar e eu sou mestre no que faço. – ele se aproxima de mim.

- Mas ele não quer você, ele quer a mim. – balbucio, com medo.

-Você é minha. – ele sussurra, sem maldade.

Sinto um arrepio passar por minha espinha, mas não me deixo levar.

- Não contaria com isso se fosse você. – me mantenho firme.

Ele me analisa.

- Fica bonita morena. – ele muda o rumo da conversa.

Pego uma mecha do meu cabelo e percebo que as mexas estão descolorindo.

- Não mude assunto. – corto-o.

- Quer falar do que?- ele inclina a cabeça.

- Da idiotice que está fazendo!- praguejo.

- Idiotice seria se eu aceitasse a troca. – ele rebate.

- Mas... – começo argumentar e ele me silencia colocando seu indicar entre meus lábios

- Eu sei o que estou fazendo. – ele diz confiante.

Como ele consegue ser tão teimoso e depois fala de mim! Ele pode bolar um plano legal, onde a troca em parta, mas no final sai tudo em pizza, por que quer ir pelo lado mais difícil e sangrento?

- Por que precisa matar?- murmuro entre seu dedo.

- Por que preciso acabar com aquela máfia. – ele diz como se fosse o mocinho da historia.

Sinto uma pontada no peito e medo, ainda não sei do que tenho medo, talvez de perdê-lo?

Eu sei que ele não quer ser bom, apenas que o comercio que o Fred tem e enriquecer com isso, acho que por isso ele optou pela força bruta.

- Vai ficar tudo bem. – ele garante.

- Você deveria ter um plano B. – murmuro.

- Nessas situações não tem plano B. – ele dá as costas e caminha até a sala, onde Lucas e Leo o esperam.

- Mas Nathan, você pode criar um plano igual fez antes. – caminho atrás dele.

- Não. Lembra no que deu aquele plano?- ele me encara.

E por relance lembro dos homens, de minhas mãos amarradas, das agressões.

- Mas esse pode ser melhor. – digo teimosa.

Hum... Por isso ele me chama de teimosa.

- Sue!- ele grita a mulher loira.

Sem muita demora, ela aparece na sala.

- Cuide das meninas, qualquer coisa. Tem armas lá embaixo. – ele diz em seu jeito autoritário.

Ah! Elas podem usar armas! . Praguejo mentalmente.

- Nathan... – vou até ele.

- Conversamos quando eu voltar. – ele me corta.

- E se você não voltar?- digo com um aperto no peito só de pensar nisso.

Ele se aproxima de mim e me dá um selinho carinhoso, todos a nossa volta ficam paralisados.

- Leve isso como uma despedida. – ele sussurra em meu ouvido.

- Não goste de despedidas. – sussurro de volta.

Ele me beija de novo e depois me encara.

- Paciência. – ele se afasta de mim e sai.

Vou até a janela e observo ele sair com um carro e Lucas e Leo o seguir em outro.

- Não se preocupe Cassandra, ele já fez isso muitas vezes. – Sue diz em consolo.

Mas agora é diferente, se acontecer alguma coisa com ele... Irei me culpar, era para eu estar indo lá. Dessa vez pode ser diferente e ele pode não voltar mais.

Encosto a cabeça no vidro e encaro o porta, já fechado. Até que noto um movimento suspeito do lado de fora.

- Sue, tem alguém lá fora. – aviso me afastando do vidro.

Sue se aproxima rápido e encara o portão.

Consigo ver um carro e algumas pessoas, não sei quem são nem como são. Mas o movimento não é normal, principalmente tão longe da cidade.

- Saia da janela. – ela segura o meu braço- Irei avisar as meninas que temos companhia.

Meu coração para. Companhia, como assim?

AS MENINAS já estão na sala, todas sentadas no sofá encarando a autoridade que agora é a Sue.

- Bem, já sabemos como agir diante disso. – Sue diz séria.

Elas concordam.

- Eles não vão demorar para entrar, então vamos nos preparar. – Sue vai até as janelas e começa a baixar as cortinar.

As meninas se espalham pela casa, parece um cenário de guerra.

- O que eu falo?- murmuro para Sue.

Ela vem até mim e me entrega um revolver.

- Mate-os. – diz séria e um frio passa pelo meu corpo.

Justo no dia que o Nathan fala que vai cuidar de mim, ele some. Justo quando tenho vontade de atirar, sou proibida. Justo quando tudo parecia estar resolvido, Fred da as caras novamente. Só que agora Nathan não está aqui para me proteger nem os meninos, então agora está tudo por minha conta, tenho que provar que consigo ou não.

- Pronto!- as meninas aparecem na sala novamente.

Sue entrega armas para elas e ordena que todas se espalhem pela casa.

- Não devem ser muitos, mas nosso foco é a Cassandra. – Sue avisa.

- Por quê?- Melissa indaga.

- Por que Fred está atrás dela. – Como a Sue sabe disso?

- O resto deve estar com o Fred, mas mesmo assim não poupem os que estão aqui, pois eles não iram poupar você.

Sue deve ter sido do exercito, não é possível. O jeito dela comandar, falar do suposto inimigo e saber como mandar em situações criticas.

A janela de vidro da sala despenca, cacos de vidros se espalham e caem de todos os lados e ai que percebo que foi um tiro. Sue nos leva para o andar de cima. Consigo escutar os cães latindo e procuro por Percy.

- Relaxa, eu o tranquei no escritório do Nathan. – Gabi me encara e percebe minha preocupação.

Relaxo um pouco, mas mesmo assim estou a ponto de ter um ataque cardíaco aqui.