Businesses Will Part
22 Capítulo 22
Desço a escada bem rápido e já estou na cozinha. Os meninos, ou como diz o Nathan: marmanjos, estão na cozinha.
- Preciso da ajuda de vocês. – debruço no balcão.
Eles me encaram interrogativos.
- Quero me ensinem a usar uma arma. – vou direto ao ponto.
- Não. – Alek sorri.
- Por que não?- franzo o cenho.
- Por que você não foi feita para usar uma arma. – ele rebate.
- Machista.
- Não sou machista, apenas realista. – ele retruca.
Ignoro-o e encaro Leo, que pelo jeito é o melhor em armas do que todos aqui.
- Você me ensina Leo?- sorrio debilmente.
Ele respira fundo.
- Pra que quer saber usar uma arma?
Bem, digamos que o Nathan é protetor com todos aqui, tentando passar um exemplo- coisa que ele não teve na infância, mas ele não vai conseguir cuidar de todos a sua volta e eu preciso garantir uma segurança para mim mesma.
- Para minha própria segurança.
Ele me analisa sério e tento me manter em postura firme.
- Tá, eu posso te mostrar como se atira decentemente. – ele levanta.
Comemoro mentalmente e o sigo.
Ele entra na porta ao lado do escritório do Nathan, onde eu entrei a uma semana atrás e o lugar não mudou muita coisa.
Descemos a escada de madeira e paramos em frente aos alvos em forma de corpo humano, estão meio velhos.
- Prestem a atenção. – Leo para ao lado do boneco.
- Pode falar.
- Esse boneco está representando uma pessoa e é isso que você tem que por na cabeça: tem coragem de matar alguém?
Eu tenho? Realmente tenho coragem de puxar o gatilho de uma arma e tirar a vida de uma pessoa? Sim! Eu tenho coragem de matar uma pessoa.
- Mas se lembre que você não é o Nathan- ele avisa.
- Como assim?- pergunto cautelosa.
- O Nathan é um cara... – ele parece buscar a palavra certa- Que mata sem piedade, mata a sangue frio e você não vai fazer isso.
Sinto uma pressão no peito e me lembro do que o Nathan disse. Ele é assim por causa do pai dele.
- Então vou fazer o que?- pergunto debilmente.
- Atirar só em que te ameaça. – ele me entrega o fuzil.
Minhas mãos congelam e meu coração acelera, terei mesmo coragem de atirar?
Eu terei, por que estou fazendo isso pelo Nathan, ele não pode se preocupar comigo como se eu fosse uma criança indefesa e ironicamente, ele é a criança em apuros e eu sou quem o protege.
- segure a arma direito. – Leo ordena.
Obedeço mais que de imediato e seguro a arma altura de meu busto, apontando direto para o alvo.
- Preste a atenção. – ele aponta para o alvo e então percebo que ele tem círculos e números dentro, não sei o que significam.
- Está vendo o “x5”, isso significa que um ponto vital. – continua Leo- A partir do “x4” já um ponto vital e onde você tem que atirar. – ele se afasta.
Entro em pânico.
- Antes de atirar, focalize o local alvo e respire fundo. – Leo avisa.
Focalizo o x5 perto das costelas, a arma treme em minhas mãos, tento relaxar e respiro fundo.
Isso pode me ajudar a viver aqui, se eu soubesse fazer isso no dia do hotel, aqueles homens não teriam pegado a gente e o Nathan não ia precisar se preocupar comigo, mas como não sabia deu merda.
- Quando quiser. – Leo diz petulante.
Respiro fundo mais uma vez.
- Segure mais forte!- Leo diz alto e me assusta, dou um tiro acidental que se lança no ar com uma explosão, o fuzil volta na minha cara e eu caio no chão.
Estou zonza, não sei o que eu acabei de fazer, mas sei que o medo passou e agora é adrenalina que passa pelo meu corpo.
- Cassandra. – Leo está na minha frente- Se machucou?
Tirando a ardência e a do que sinto no meu maxilar e em minha bochecha, estou bem.
- Quero de novo. – levanto.
- Por que está fazendo isso mesmo?
Respiro fundo.
Por que estou fazendo isso mesmo? Para provar para o Nathan que ele pode confiar em mim e não se preocupar com minha segurança, e para minha defesa ou apenas para a minha defesa, afinal eu moro com assassinos.
- Eu não sei. – falo firme.
Leo ri.
- Se você não tiver um proposito, nunca vai conseguir atirar. – alguém fala, mas sei que não é o Leo.
Olho para o lado e vejo Nathan me analisando.
- Eu consigo. – tento convencer a mim mesma.
- Não, você pensa demais pra fazer as coisas e isso serve como bloqueio quando está com uma arma na mão. – ele diz paciente.
- Mas eu atirei. – murmuro.
- E não acertou o alvo e ainda por cima, caiu no chão.
- Então quer que eu faça o que? – encaro-o.
- Como assim? – ele inclina a cabeça.
- Estou morando com quatro mafiosos assassinos e não tenho como me defender.
- Não precisa de defender de ninguém.
- Esqueceu do Fred?- fecho a cara.
Ele solta um som de desaprovação, acho que por lembrar.
- Aquilo não foi esperado. – murmura ele.
- Por isso que tenho que saber usar uma arma, para esperar o inesperado. – tento convencê-lo.
- Não quero você mexendo com armas. – ele retira o fuzil da minha mão.
Bufo e cruzo os braços.
- É só para minha segurança. – resmungo.
- Eu cuido da sua segurança. – ele rebate.
- Nossa, cuida muito. – digo irônica.
- Quando eu achar que está na hora de você saber usar uma arma, você vai saber usar.
Mordo o lábio inferior com força e seguro as objeções que tenho.
- Tá legal. – forço um sorriso.
- Obrigado Leo. – ele dirige a palavra para Leo. Tinha até esquecido dele.
Ele acena com a cabeça e começa a arrumar algumas coisas dali.
- Até parece que sou uma criança. – resmungo e começo a andar.
- Mas você é uma criança. – ele caminha atrás de mim.
- Não enche!
Nem adiantou o esforço eu ter levado uma bancada na cara, Nathan não tem confiança em mim com uma arma e muito menos em mim mesma, como ele quer que eu confie nele?
- Por que queria aprender a atirar?- murmura ele.
- Por que não quero ser um zero a esquerda aqui, quero me sentir bem e se eu soubesse atirar...
- Atirar não te traz segurança Cassandra. – ele me corta- A arma que você usa para sua defesa pode ser a mesma que te mata pelas costas.
Paro bruscamente no corredor, ele está se referindo ao pai?
- Como quer me dar segurança aqui se eu nem sei segurar uma arma?- viro e encaro-o.
- Eu cuido da sua segurança aqui. – ele dá de ombros.
- Por que não confia em mim?- pergunto meio débil.
- Eu confio. – ele para e franze o cenho – Só não posso perder, não de novo.
Como assim perder de novo? Ele já perdeu alguém por causa de uma arma? É isso?
Ah! O Nathan me confunde muito.
Tento me conformar e fico calada, encarando-o.
- Olha você é uma menina incrível, deve se prender a algo mais importante do que saber atirar.
- Então atirar é importante?- falo petulante.
-Não, pois se fosse, você já nasceria sabendo atirar. – ele rebate.
- Isso não vem ao caso. – resmungo.
- Relaxe Baby, vou te ensinar tudo o que eu acho importante. – ele sorri lascivo e sai andando.
- Vai nessa. – reviro os olhos.
Fico parada no corredor, vendo-o passar elegante ao meu lado. Ele está como sempre, uma calça jeans escura caída no quadril, uma camisa branca e o boné que eu dei pra ele.
- Nathan!- escuto a voz exasperada de Lucas- Era uma armadilha!
Gelo. O que era uma armadilha?
Fale com o autor