Notas iniciais
quero agradecer a linda da Mariana por recomendar a fic e esse cap vai em homenagem a ela.

Subo as escadas com o coração na mão, se é que eu ainda tenho um.

Caminho lentamente pelo corredor até chegar à porta do meu quarto, solto Percy e caminho a minha cama, onde literalmente me jogo.

Nunca achei que fosse tão difícil ignorar uma pessoa ou ter uma decepção. Mas o pior é que a imagem daquele dia não sai da minha mente, me atormentando e me mostrando o quão idiota eu fui, mostrando quem realmente é o Nathan.

Não sei no que eu estava pensando quando achei que ele pode amar alguém, ele nem ao menos me dá o respeito que mereço por viver com ele ou mérito aos amigos dele por arriscarem a vida por ele. Eu não sem coração, ele que não tem, pois se tivesse se arrependeria de seus atos e pensaria duas vezes antes de cometê-los.

- Cassandra?

Eu sei que é ele, por isso não respondo.

- Posso entrar?

- O quarto é seu. – murmuro.

Escuto seus passos cautelosos pelo cômodo.

- Não quero conversar. – corto-o antes mesmo dele começar.

- Pode olhar pra mim?- murmura ele.

- Pra que?- pergunto cautelosa.

Ele não responde e então eu o encaro.

- Usar o boné que eu te dei não vai me fazer mudar de ideia. – murmuro.

- Eu gosto desse boné.

Reviro os olhos.

- Por que está me evitando?- murmura ele.

- Ainda pergunta?- pergunto irônica.

- O que aconteceu no hotel...

- Não quero mais saber o que aconteceu lá, por que não importa. – corto-o.

- Então por que ainda me trata assim?

- Por que eu achei que poderia ser normal e gostar de alguém!- explodo.

Ele fica mudo.

- Mas eu me enganei como sempre faço. – falo um pouco mais controlada- Por que você não é normal.

Ele morde o lábio inferior e encara a janela, deito na cama de novo e encaro o teto.

- É que jurei não cometer o mesmo erro. – ele diz em um tom baixo.

- Mesmo erro?- pergunto cautelosa.

Ele respira fundo.

- Minha mãe me tirou do internato quando eu tinha 12 anos. Fui morar com ela e o meu pai.

- E isso não é bom?

- Não. Isso que eu tenho hoje é a herança que o meu pai me deixou, ele me deixou a vida miserável que ele tinha, ele me transformou nele mesmo. – ele diz amargurado.

- Quando me olho no espelho, tenho nojo de mim mesmo, tenho nojo de saber que o meu pai me deixou assim e quando morreu, me deixou essa merda. – ele levanta da cama exaltado.

Levo um susto e sento na cama.

- Meu pai me mostrou que o que importa é o dinheiro e o negocio que amar era para trouxas e o pior, eu acreditei e segui exatamente o que ele me mandou fazer e olhe onde eu estou agora. – ele vira e me encara.

- Olha a merda que eu fiz minha vida virar!- ele fala irritado.

- Nathan foi o seu pai, você não deve se culpar. – tento acalma-lo.

- Não! É culpa minha também Cassandra, por que eu aceitei ser igual ele, eu o admirei e olhe o que eu virei e eu não posso fazer mais nada para mudar. – ele diz em lamento.

- Pode. Claro que pode. É só você querer. – falo exasperada.

Agora eu fiquei confusa.

Ele é assim por que o pai dele o fez assim, então esse era o motivo mais importante. O pai dele o fez seguir seus próprios passos e ele seguiu até se transformar no que é agora.

- Não dá, eu já tentei. – ele fala baixo.

Engulo seco e mais uma vez sinto pena dele.

- Eu só tenho medo de cometer o mesmo erro que a minha mãe. – ele me encara. Está transtornado.

- Como assim?

- Tenho medo que você cometa o mesmo erro que ela. Se apaixone por um cara como eu e depois se arrependa, e sofra uma vida inteira.

Inclino a cabeça e o encaro.

- Meus pais viviam brigando, minha mão não apoiava o meu pai nos seus negócios, ela tinha pavor no que ele fazia e não queria me deixar participar disso e meu pai se defendia falando que estava me ensinando a virar a homem.

Encaro-o atenta e absorvo cada informação que ele cede.

- Eu via minha mãe morrer a cada briga que tinham, eu a via chorar no quarto e via meu pai com as prostitutas. Não me conformava, ele tinha a mulher mais linda nas mãos e a tratava daquele jeito, como se ela não fosse nada. – seus olhos ficam mareados- Ele já chegou a bater na minha mãe e eu via tudo de camarote, sem poder defendê-la nem protestar, eu tinha que ficar calado.

Sinto meu coração apertar, será por isso que ele tem pesadelos? Ele se lembra das brigas dos pais?

- Me sentia pequeno demais para fazer alguma coisa e foi isso que me fez ser mafioso, foi o ódio que eu adquiri quando pequeno e a visão do mundo que eu tive. – continua ele.

Sinto-me inútil diante dessa revelação, ele é mais forte que muitos que conheço. Tudo bem, ele tem suas fraquezas, por exemplo seguir o pai, mas ele aguentou coisas que eu não aguento nem escutar.

- Você pode criar outra visão. – tento conforta-lo.

- Não.

Seus olhos expressão dor, não posso ler seus pensamentos, mas sei exatamente como ele se sente.

- Só tenho medo disso, que eu te trate igual meu pai tratou minha mãe, que eu te faça sofrer com ele fez. Nunca pensei nisso, mas e se um dia e for agressivo com você e te machucar?- ele diz sentido- Eu nunca me perdoaria. Por isso eu não mereço amor, eu não mereço você na minha vida e eu não mereço sua piedade por saber do meu passado, continue com ódio de mim, que você ganha mais.

Expiro forte. Nossa, dessa vez ele colocou tudo pra fora mesmo. Sinto até vontade de chorar, ele é mais traumatizado que eu pensava. Ver o que o pai fazia não devia ser fácil e ainda por cima ver a mãe sofrer por causa disso.

- Meus pais também não foram um casal perfeito. – confesso- Lembro até de uma briga que eles tiveram que os vizinhos chamaram a policia, minha mãe estava ao ponto de matar o meu pai. Mas eu não me deixei levar por causa disso, eu construí minha vida de acordo com as minhas vontades.

- Mas meu caso é diferente Cassandra, essa é uma parte do meu passado que você descobriu e não vá tirando conclusões tão cedo, nem na metade da historia você chegou. – ele confessa, mas parecendo um lamento.

Mordo o lábio inferior com força. Agora me sinto uma idiota de ter feito isso com ele, era apenas proteção, tudo que ele faz é proteção para mim, é a proteção que ele não pode proporcionar para a mãe dele. Ah Nathan, você é mais confuso do que eu pensava.

Levanto da cama e fico de frente com ele.

- Desculpa, eu devia ter ouvido você. – murmuro.

- Não te culpo, eu que te sequestrei e ainda quero que me entenda. – ele dá um sorriso torto.

- Você só tem que ser um pouco menos complicado. – sorrio.

- Mas agora você me entende? Entendeu por que eu fiquei com aquela menina?- ele me encara.

- Mais ou menos.

- Por que eu percebi o quão atormentada você estava ficando ao meu lado, eu vi o tanto que estava sofrendo por causa de mim e aquilo só foi um jeito de acabar com o assunto. – ele coloca uma mecha do meu cabelo pra trás.

- Mas machucou. – confesso.

- Eu sei, mas foi o único jeito pratico de te deixar longe de mim.

- E funcionou mais do que o esperado. – encaro-o.

Ele ri.

- Mas ainda estou brava com você. – contraio os lábios.

- Como quiser. – ele levanta as mãos na defensiva.

- Você é o menino mais problemático que já conheci.

Ele ri.

- Novidades?- pergunta irônico.

Reviro os olhos.

- Os meninos estão aonde?- encaro-o.

- Meninos?- ele ergue uma sobrancelha.

- O Lucas, Alek e o Leo. – falo obvia.

- Eles não são meninos, são marmanjos. – ele sorri.

- É mais fácil falar meninos. – sorrio petulante.

- Sim, por quê?

- Quero pedir um favor a eles.

- Posso saber que tipo de favor é?- ele inclina a cabeça e me encara.

- Não.

Saio do quarto sem dar mais nenhuma palavra, ele fica no mesmo lugar encarando o chão.

Agora o assunto vai ficar sério de verdade, Nathan está fazendo de tudo para me dar segurança, embora muitas vezes não pareça. Ele faz as coisas do jeito dele e agora é minha vez de fazer as coisas com a determinação feminina chamada “Cassandra”.