Notas iniciais
desculpe se tiver erros de portugues.

Nos misturamos em meio aos casais na pista de dança. Nathan segura gentilmente minha cintura e eu seus ombros. Encaro seus olhos azuis e tento decifrar o que ele está pensando.

- Vamos voltar no fim da semana. – murmura ele.

- Voltar?

- Pro Brasil. – ele ri.

- Ah claro.

Em relance, nossa briga no banheiro passa por minha mente, junto com as palavras de Nathan e sei que quando voltarmos, ele irá mudar e vai começar tudo de novo.

- Quando voltarmos, vou poder ir pra casa?- murmuro.

Ele franze o cenho.

- Não. – diz ele simplesmente.

- Vou morar com você a vida inteira?- balbucio.

Ele sorri, mas não responde. Em vez disso começa a me guiar pela pista de dança, nossos pés se movimentam em perfeita sintonia e não me lembro de dançar tão bem.

- Quem te ensinou a dançar?- encaro-o.

- Não lembro.

- Não lembra ou não quer me contar?- pergunto meio obvia.

- Um pouco dos dois. – ele sorri.

Continuamos a dançar suavemente e delicadamente pela pista de dança, deixei de encarar seus olhos azuis e comecei a prestar a atenção nas pessoas a minha volta.

— Por que não faz mais reflexos?- Nathan chama minha atenção.

- Quero ficar morena de novo. – sou curta e grossa.

Nunca tive essa vontade, voltar a ser morena. Mas acho que é por causa das meninas na casa dele, todas loiras ou ruivas.

- Por que está agindo assim?- ele fala, com a voz rouca.

- Agindo como?

- Não dando respostas completas.

- Aprendi com você. – rebato.

Ele para brusco, quase me fazendo cair sentada. Me solta e sai andando no meio da multidão. O que eu falei de errado?

- Nathan!- chamo-o.

Ele me ignora, com se não me conhecesse e segue para fora do salão.

- Nathan!- chamo-o mais alto.

Ele não para então resolvo ir atrás dele.

ESTOU NO saguão do hotel, não consegui achar o Nathan e também já pedi a paciência de brincar de esconde- esconde.

Resolvo ir para o quarto, já que não tem nada pra fazer. Hum... Eu não estou com a chave.

- Cassandra?- alguém me chama.

Olho pra trás e vejo Jake. Respiro fundo.

- Sim. – paro.

- Eu vi o Nathan. – ele sorri.

- Sério?- sorrio.

- Sim, eu te levo até ele. – ele faz um sinal com a mão.

Pego certa distancia do Jake, sigo-o até um saguão. E igual a área de visitas, só que em vez da Tv tem um grande piano. Passamos pelo piano de cauda preto e entramos em uma sala privada.

Fico estática a porta quando vejo Nathan, tem uma menina sentada em seu colo, ela é loira e lembra um pouco a Fabiana. Sinto um vácuo passar por todo o meu corpo e não tenho reação. Apenas viro e saio do local.

Escuto-o me chamar, mas ignoro igual ele fez comigo no salão. Ignoro-o como se ele fosse um lixo, um zero a esquerda na minha vida.

Agora minhas duvidas foram tiradas, tudo aquilo que ele me disse, tudo o que tentou demonstrar era apenas um teatro, e eu a trouxa cai certinho. Isso era ilusão e não sei como eu não percebi logo de cara, onde eu estava com a cabeça em pensar em gostar do Nathan? Um mafioso, um garoto frio, um garoto problemático e assassino?

Sigo para o quarto dos meninos e torço para que tenha alguém lá. Bato na porta.

Leo abre com uma cara de sono e se espanta a me ver.

- Desculpa. – murmuro.

- Que nada, quer entrar?- ele abre mais a porta.

Aquiesço e entro no quarto. É igual ao meu só que tem cama de solteiro.

- Você está sozinho?- encaro-o.

- Não, o Lucas está tomando banho e o Alek vendo Tv. – ele passa a mão no cabelo- Aconteceu alguma coisa?

Contraio os lábios e a cena de Nathan com aquela garota volta em minha mente. Não consigo conter as lagrimas.

Sento na beirada da cama e começo a chorar descontrolada. Acho que essa deve ser minha primeira desilusão amorosa e tinha que ser justo com ele.

- Cassandra?- escuto a voz do Alek.

- Que é?

- Quer conversar? – ele me encara meigo.

- Não. – fungo- Quero a minha mãe, só isso.

Ah mãe, por que você foi me deixar tão cedo? Não poderia ter esperado um pouco? Apenas para me explicar como agir e passar por isso que estou sentindo agora.

É como se alguém tivesse arrancado meu coração fora e jogado no lixo. Isso dói muito.

- É o Nathan?­- murmura Alek.

- Por que ele tem que ser assim?- falo alto- Por que ele é tão estranho, frio e fechado?

- Todos nós gostaríamos de saber, mas você é a única que conversa com ele.

- Não mais, nunca mais vou olhar pra ele. – resmungo.

Se eu vê-lo na minha frente, sou capaz de mata-lo junto com aquela vadia.

**

Já faz uma semana que estamos em Las Vegas. Mas como o prometido, voltamos para o Brasil, minha relação com o Nathan não mudou muito, desde o incidente no hotel, não falei nem olhei mais pra ele, complicando ainda mais a nossa relação instável.

Agora, literalmente, eu o odeio.

Estou sentindo falta da minha vida, de sair com amigos, ir ao shopping, andar no meu carro novo, bagunçar e arrumar meu apartamento e das cartas da minha avó.

Percy está ao meu lado, estamos do lado de fora da mansão, no jardim- deitados no gramado e observando o céu azul.

Os muros que cercam a casa devem ter uns três metros e meio, me sinto em uma prisão. O jardim é grande e espaçoso, com árvores e algumas flores.

- Como vamos sair daqui?- murmuro para Percy. – Se é que vamos.

Escuto latinos. Hum... Pera ai... Latidos?

Pego Percy no colo e caminho na direção dos latidos, é mais para o fundo do quintal. Chegando à parte traseira da casa, acho quatros canis de cachorros. Aproximo-me mais e se meu conhecimento com cães não me engana, são dois pastores alemães e acho que dois pit bulls. Afasto-me indo um pouco mais pra frente, onde eu acho uma piscina gigante.

- Vou fazer um mapa dessa casa. – murmuro para mim mesma.

Volto para a mansão e noto que todos estão almoçando, até o Nathan.

- Quer almoçar Cassandra?- Fabiana me encara.

- Não estou com fome. – encaro Nathan- Estou no quarto.

Passo pela mesa em passos largos e me aproximo da escada, encaro a mesa por cima do ombro, avisto Nathan levantar da mesa.

- Não chegue perto de mim!- aviso antes de subir a escada.

Ele para.

- É melhor assim, para nós dois. – começo a subir a escada.