As lagrimas saem sem cessar, o soluço fica mais forte e eu desabo.

Já estou tão cansada de me sufocar e o Nathan serviu para mostrar isso. Se eu não tivesse falado isso, eu estaria me matando por dentro, segurando algo que pode crescer a cada minuto que eu fico com ele. Então essa foi a melhor forma, dolorida, mas a melhor forma.

- Cassandra abre a porta!- Nathan grita nervoso do outro lado.

- Vai embora!- grito com a voz meio embriagada.

- Se não abrir, eu não vou embora!

- Arrombe então.

Ele fica em silêncio e depois escuto um barulho forte na porta e esse mesmo barulho se repete até que a maçaneta sai junto uma lasca da madeira. Paro de chorar e encaro a porta.

- Você tem problema?- indago.

- Sim, te ver chorar é meu problema. – ele abre a porta.

- Não chegue perto de mim. – falo recuando para o fundo do banheiro.

- Não fale assim. – ele diz com a voz baixa.

- Quer que eu fale o que?- fungo- Ah, Nathan muito obrigado por entrar na minha vida desse jeito e bagunçar tudo?

- Não me fale pra ficar longe de você, por que eu não consigo. – seus olhos brilham sinceros- Na primeira vez que dormi com você, fiquei horas de te vendo dormir e te admirando, gosto de brigar com você por que sei que depois vamos conversar normalmente, gosto quando me desafia por que isso me lembra que eu não mando em todos a minha volta.

- Isso são apenas palavras jogadas no vento Nathan, não prova nada. – murmuro enxugando as lagrimas- Daqui a pouco já vai esquecer o que falou e vai começar tudo de novo, mas o pior é que eu vou sofrer mais que você.

- Não é verdade, acha que eu arrombaria uma porta se não estivesse sofrendo? A pior coisa do mundo e ver você triste ou chorar, isso acaba comigo Cassandra. – ele se aproxima de mim.

- Se acaba tanto, por que continua cometendo os mesmos erros?

- Por que eu não sei como agir nessa situação, eu não fui criado com amor, então não sei proporcionar isso para as pessoas a minha volta. Mas pra você eu tento, eu tento ser o melhor que posso.

Estou com medo, e se isso forem apenas palavras, o sentimento do momento e se ele estiver me iludindo.

- Podem ser palavras, eu sei disso. Mas eu posso provar para você, como na vez que quebrei seu dedo, eu chamei um medico ou quando te pegaram no hotel, eu fui atrás de você e fiquei aliviado quando você estava bem, por que eu me culparia a vida inteira se ele tivesse atirado em você.

Minha palpitação aumenta, não sei mais em que acreditar e se devo acreditar.

Mas se eu estiver cometendo o erro de muitas mulheres, desistir sem ao menos tentar? Abrir mão se eu nem tive oportunidade de tê-lo. Isso é muito confuso.

Ele deve sofrer do mesmo mal que eu, sufocar a si próprio.

Escuto seus passos se aproximarem de mim, não tenho reação sem objeção aos seus movimentos.

Respiro fundo e consigo sentir seu cheiro novamente.

Estou entorpecida, não sei mais como agir, pareço ter perdido a facilidade de argumentar com ele.

- Fale alguma coisa. – ele sussurra.

- Não sei o que falar. – abaixo a cabeça.

- Pode ser qualquer coisa. – ele diz sincero.

- Não sei se tenho raiva ou... – o que eu posso falar?

- Ou... ?

- Eu não sei. – ergo o olhar para o dele.

Ele ri e acabo rindo junto.

- Não me faz rir, estou brava com você. – resmungo.

Ele segura o meu queixo e ergue minha cabeça, cruzando nossos olhares novamente. Os olhos azuis queimam os castanhos.

Inclino-me para frente e o beijo. Ele abre um pouco a boca, dando passagem a língua, levo minhas mãos ao seu pescoço e o abraço. Ele solta o meu queixo e prendo os dedos em meu cabelo, me impedindo de fazer qualquer movimento. O beijo era como se fosse algo necessitado das duas partes e urgente. Sua língua dominava a minha, ele me pressiona contra a parede do banheiro e eu perco o controle, deixando-o no comando.

Vamos nos separamos aos poucos, a procura de ar.

- Tínhamos prometido que isso não mais acontecer. – ofego.

- Então eu não prometo mais. – ele encosta a testa na minha e respira fundo.

- Então eu também não prometo mais nada. – sorrio.

- Gosto do seu sorriso. – murmura ele.

- Não precisa ser tão gentil. – falo persuasiva.

- É sério. – ele ri.

Aquiesço e rio.

- Não quero você perto do Jake. – ele diz, meio que ordenando.

- Por que não?

- Por que ele é um idiota. –

- Relaxe, eu sei disso. Logo que me conheceu já falou que era dono do hotel. – reviro os olhos.

- Ainda que você é uma menina esperta, baby. – ele sorri.

- Eu gosto de outro tipo de menino. – sorrio.

Ele ergue uma sobrancelha.

Mordo o lábio e pego o boné dele, coloco na minha cabeça e saio andando. Deixando-o pensativo no banheiro.

**

Estamos no jantar de gala do hotel. Sentados na mesma mesa que John e Jake. Nathan conversa de negócios com o John, tento evitar Jake e os meninos discutem sobre jogo de futebol.

- O que você fez hoje?- Lucas me encara.

- Fiquei no quarto. – minto.

- Por quê?- Alek se interessa na conversa.

- Por que eu não queria jogar videogame, nem participar de reuniões.

- Ah. – Lucas exclama e depois sorri.

- E ai, vai ficou com menina?- encaro Alek.

- Não. – ele diz baixo.

- Por quê?- ergo uma sobrancelha.

- Ela ainda era virgem e queria algo sério.

Finjo que não escutei isso.

Observo as pessoas que estão no salão. Não duvido muito que sejam ricas, pois esnobam em roupas, sapatos e acessórios e mais uma vez me sinto inapropriada com o meu vestido curto em shantung com forro de tule, tomara que caia com bordado em cristal no busto.

- O que foi?- Alek me encara.

- Sei lá, só me sinto estranha no meio desse pessoal. – murmuro.

- Por quê?- ele sorri.

- As mulheres usam vestidos longos, joias e esnobam todos e olha como eu estou. – encaro-o.

- Prefiro muito mais você, seu vestido e seu jeito do que os delas. – ele sorri lascivo.

- Queria pensar igual você.

- Você pode pensar igual a mim, é só querer. – ele pisca pra mim.

Olho de relance para o Nathan e acho que ele não notou.

- Bom rapazes, eu já vou. – Alek levanta.

- Aonde?- arqueio uma sobrancelha.

- Achar alguma menina bonita. – ele ri e sai andando- Vem!- ele puxa o Lucas pelo braço.

- Eu não quero ver você xavecar ninguém. – resmunga Lucas.

- Cala a boca que eu vou te ensinar a pegar mulheres. – Alek o arrasta.

Rio.

- Nathan, eu tenho que fazer um telefone para o Brasil, já volto. – Leo levanta.

Nathan concorda e Leo some no meio da multidão.

- Pra quem ele vai ligar?- murmuro curiosa.

- Pra namorada dele.

Nossa! O Leo tem namorada, eu certamente estou surpresa por isso, pensei que ele ficasse com as meninas da casa.

- Mas ele não fica com as meninas da casa?- encaro Nathan.

- Mas a namorada dele é a Melissa.

Ah.

Alguns casais estão indo até a pista de dança, que no momento toca uma musica lenta e boa para os ouvidos.

- Quer dançar?- Nathan está de pé ao meu lado.

Sorrio abertamente.

- Claro.

Ele estende a mão pra mim e me ajuda a levantar. Caminhamos lentamente até a pista de dança e não deixo de notar os olhares da senhoras e das mulheres dali. Agora não sei se é por causa do meu vestido ou por que estou sendo acompanhada pelo Nathan.