Ele se afasta de mim bem devagar, tento manter minhas pernas firmes, mas parece impossível.

- Eu tenho que sair. – ele pega o celular e vai até a porta.

- Se quiser sair, chame os meninos- continua ele.

Aquiesço novamente. Não tenho fala.

Vou até o banheiro e troco de roupa, coloco um vestido que comprei hoje no shopping e uma sandália. Aqui faz mais calor do que no Brasil.

**

Estou sentada no bar do hotel, acompanhado dos meninos, que bebem descontraídos. Não vi o Nathan depois do que ocorreu no quarto, agradeço por isso.

Há uma confusão na minha mente por causa disso, me fazendo se perder na imensidão de minha cabeça.

Estou segurando uma taça de champanhe, que ainda nem dei um gole.

O cassino já está aberto e pelo jeito lotado, mas a outras atrações aqui. Tipo a danceteria ou o restaurante alagarte.

- Não vai beber?- Leo me desperta.

- Hum... Sim. – sorrio.

- Se deixar esquentar vai ficar ruim. – Lucas me avisa.

- Eu vou beber. – falo em um tom alto e firme.

Eles voltam a conversar sobre as mulheres que estão aqui no bar e de jogos de futebol.

Meus pensamentos ainda flutuam no ocorrido do quarto, gostaria de poder voltar no tempo e reviver aquilo mais mil vezes, só para poder sentir seus lábios nos meus e seu toque.

Tomo um gole do champanhe que Alek me ofereceu. O liquido desce gelado pelo minha garganta, seu gosto é suave e delicada.

- Qual o nome?- murmuro para Alek.

- Hum... Acho que é Krug, Clos Du Mesnil.

- Nome estranho. – encaro a taça.

- Ele é um champanhe de luxo, uma garrafa dele custa em média 750 reais.

- Credo, não pagaria isso por uma garrafa de bebida. – falo perplexa.

Alek ri.

- Bem- vinda, mais uma vez, ao mundo mafioso.

- E ganancioso, por que nunca vi pessoas matarem pessoas por comercialização armas, drogas ou mulheres.

- Mas já viu matar por dinheiro. – ele rebate.

- Ah claro. – concordo.

Fico encarando a taça de champanhe.

- Acha que vou poder voltar pra casa?- murmuro.

- Na situação que está, não. – Alek diz sincero.

- Situação?- arqueio uma sobrancelha.

- Sim, está mais encrencada do que todos nós juntos. – ele ri.

- Não entendo. – balbucio, confusa.

- Nem olhe pra mim, isso é assunto do Nathan.

Tudo aqui é assunto do Nathan! Que merda, ele nunca vai me contar a verdade, e eu odeio isso nele, fale de mim, mas faz pior.

- Cassandra. – Alek me chama.

- Sim. – ergo o olhar pra ele.

- O que acha daquela menina ali?- ele aponta discreto para uma menina de cabelos negros chanel, tem um corpo curvilíneo, olhos mel e pele bem clara.

- Hum... Ela é bonita, por quê?- volto a encara-lo.

- Estava pensando em ficar com ela.

- Não estamos em uma balada para você ficar com todas.

- Não preciso estar em uma balada para ficar com todas, gata. – ele lança mais um de seus sorrisos encantadores e sai andando.

Observo seus movimentos até ele se aproximar da menina e depois volto minha atenção para o balcão.

A noite vai chegando rápido e o bar vai enchendo com isso. Sinto-me uma estranha no meio dessas pessoas, todos vestindo roupas formais, mulheres com joias, vestidos longos, sapatos altos exuberantes e penteados diversificados. E eu aqui, com um vestido tomara que caia roxo e uma sandália, estou literalmente patética.

- Meninos, eu vou para o quarto. – levanto do banco.

- Já?- Leo me encara.

- Estou cansada. – finjo um bocejo.

- Tudo bem, boa noite. – Lucas diz sorridente.

- Não exagerem na bebida e fiquem de olho do Alek. – sorrio e saio andando.

A recepção, área de espera e o hall do hotel, estão literalmente vazios. Acho que todos estão nos bares, cassinos ou na danceteria, mas hoje não estou em clima de festa.

Subo até o quarto e entro, Nathan não está lá. Pego uns dos pijamas que comprei e vou tomar banho.

Tomo uma ducha rápida e relaxante. Saio do banheiro e encaro o quarto vazio e escuro, sinto falta do Percy. Se ele estivesse aqui, eu ia deitar na cama com ele ao meu lado e afaga-lo até pegar no sono.

Aproximo-me hesitante da cama e deito, não me importo em ficar sem cobertor- afinal está muito calor aqui, encaro o teto com grandes estancas de gesso.

Por que estou pensando em Nathan? Por que seus olhos azuis não saem de minha mente? Será que ele também está assim ou só estou com esse problema?

Talvez a resposta disso seja por causa do beijo inusitado de hoje e também de tanta convivência, afundo minha cabeça no travesseiro.

**

Acordo com um sobressalto. Olho em volta e vejo a luz do banheiro acesa e o chuveiro está ligado, acho que por isso eu acordei.

Esfrego os meus olhos por tempo, tentando acordar de vez, sento na cama e observo o escuro do quarto. Olho para o relógio no criado mudo ao meu lado e são exatamente duas e meia da manhã.

Encaro a luz do banheiro e imagino que seja o Nathan. E acabei de lembrar que não comi nada hoje.

Nathan sai do banheiro enxugando o cabelo, estão com uma calça moletom caída no quadril e usa uma regata, deixando seus músculos bem nítidos.

- Nossa que susto Cassandra. – ofega ele.

- Sou tão feia assim?- sorrio.

- Não, é que quando eu entrei você estava dormindo e agora está sentada na cama me encarando. – ele sorri.

- Poderia fechar a porta do banheiro, iria evitar que eu acordasse. – falo petulante.

Ele revira os olhos.

- Tenho mania de ficar sozinho no quarto, por isso me esqueci de fechar a porta.

- Ah, mas da próxima vez já sabe.

- Sabe onde está o Alek?- ele vem até a cama.

- Dormindo com uma menina. –balbucio.

Nathan ergue uma sobrancelha.

- É melhor falar com ele depois. – contraio os lábios.

- Tudo bem...

Ele deita ao meu lado, me encolho e vou para o lado, ficando bem afastada dele.

Ficamos em silêncio profundo, a única coisa que agora me atormenta é as palavras de Alek: você está mais encrencada do que todos nós juntos. O que ele sabe que eu não posso saber?

- Nathan, o Alek me disse uma coisa no bar hoje e agora você me lembrou. – comento baixo.

- O que?- sou voz é rouca.

- Ele disse que eu estou mais encrencada que todos vocês juntos, mas não explicou por que e falou que eu tenho falar isso com você, pois ele não sabe de nada.

Nathan arregala os olhos e fica tenso.

- Vou matar o Alek. – ele murmura para ele mesmo, mas consigo escutar pela proximidade.

- Vai me falar o que?- minha voz sai rouca.

Ele morde o lábio inferior e fecha os olhos.

- Sua herança está em um banco fora ou dentro do Brasil?- ele faz a mesma pergunta de dias atrás.

- Por que quer saber?- indago.

- Porque está envolvido com a sua vida. – ele é curto e grosso.

O que minha herança tem haver com a minha vida?

Mordo o lábio inferior e hesito.

- Por favor, Cassandra, você tem que me falar isso. – ele senta na cama.

- Me explique o por que. – falo firme.

- Eu tenho medo de explicar e você fugir, e isso vai ser a pior coisa. – ele diz em um tom baixo, como se tivesse medo.

- Então não vou falar. – cruzo os braços.

Ele fecha os olhos e respira fundo.

- Também acho melhor não falar. – concorda.

Ergo uma sobrancelha, ele está me deixando confusa com essas mudanças de estado repentinas.

- Onde você estava?- mudo de assunto.

- Em uma reunião com o John.

- Hum... – do que será que era a reunião?