Me apoio nos cotovelos e encaro, não consigo falar absolutamente nada.

– Como assim?- sopro as palavras pra fora.

Ele massageia a têmpora, mas não responde.

– Nathan!- praguejo- Como assim?

Ele senta na poltrona, está suando frio e fica pálido.

– Eu não sou só mafioso Cassandra. – ele diz tão baixo, que quase não escuto- Sou traficante, sou empresário, sou agricultor e também sou... – ele para.

Meu coração está acelerado e meus nervos estão a flor da pele, mas eu prometi que não ia brigar.

– Anda!- falo entre dentes.

– Sou assassino particular. – ele diz rápido.

Fico tensa. Esse tempo todo eu estava vivendo ao lado de um assassino e não de um mafioso, bom saber...

– E o que tem haver com o meu sequestro?- falo mantendo a calma.

– Um mês antes, o Muller me ligou e pediu para eu fazer um trabalho pra ele, foi quando eu descobri que era um sequestro, só que eu não trabalho com sequestro. Mas ele queria que te sequestrasse, depois de conseguir a sua herança, era para eu matar você. Com esse serviço, eu ia ganhar metade da sua herança, que sei que não é pouco.

Respiro com dificuldade, era para eu estar morta.

– Por que você não me matou?- balbucio.

Ele umedece os lábios e respira fundo.

– No começo eu ia te matar, não estava nem ligando, mas depois... Depois eu não conseguia mais fazer isso, eu não podia fazer isso, você era tão diferente das mulheres que já vi, você me mostrou coisas que eu sempre ignorei, você me tirou em parte da máfia e eu não consegui mais fazer o que eu devia. – ele diz abaixando a cabeça.

Respiro aliviada.

– Ele sabe que eu estou viva?- pergunto cautelosa.

– Não!- ele diz exasperado- Eu falei que havia te matado e logo em seguida forjei o casamento com a “Isabela”, que é você em parte. Ele nem sonha que você ainda está viva. – ele me encara de novo.

– E o dinheiro, como você fez?- aperto minhas próprias mãos.

– Eu ganho a mesma quantia que a sua herança por semana, não foi difícil tapeá-lo. – ele sorri torto.

Nunca achei que ficaria tão feliz por causa de uma atitude errada do Nathan, nem sei o que eu sinto de verdade, mas agradeço por ele não ter feito o trabalho direito.

– Então, você tem que se disfarçar mais. – ele diz sem jeito.

– Eu faço qualquer coisa. – digo exasperada- Ainda tenho a lente de contato, é só pintar o cabelo de novo e tá tudo certo. – sorrio.

– Mas você precisa fazer mais alguma coisa, tipo uma tatuagem?

– Vou ver o que eu posso fazer... – murmuro.

Então quer dizer que eu era para estar enterrada no jardim do Nathan, fazendo parte de seu cemitério particular. Nunca esperaria essa reação do Nathan, pra mim ele iria me matar e tudo certo, mas não, ele não fez isso. Agora só quero saber da onde esse cara me conhece...

Levanto do sofá e caminho até ele, bem cautelosa. Encarando os olhos azuis culpados. Sento em seu colo e o abraço, ele fica sem reação.

– Ainda não sei por que não estou nervosa com você, mas obrigada por não me matar e me dar uma segunda chance. – murmuro perto do ouvido dele.

Ele me abraça forte e encaixa a cabeça em meu pescoço.

– Você não sabe o que eu passei Cassandra e se eu fizesse isso com você, eu... – ele para de falar.

Aperto-o forte e não sei por que, mas começo a chorar. O choro é um alivio, um grito que não saí, a voz que não cala, o sentimento que te faz sofrer.

Nathan me aperta contra o seu corpo.

– Não chore. – murmura ele.

– Eu não consigo parar. – falo entre o choro.

Ele sorri contra o meu pescoço.

Sabe, agora não tenho mais duvidas. O Nathan pode ser o que for, mas ele é meu namorado. Essa atitude muda completamente a nossa relação.

– Eu aceito. – enxugo as lagrimas.

– Aceita o que?- ele se afasta de mim.

– Eu aceito namorar com você. – falo sem jeito.

Ele fica tenso e me encara sem reação.

– Nathan?- encaro-o inclinando a cabeça.

– Você está falando sério?

Confirmo com a cabeça, ainda enxugando as lagrimas.

Ele segura minha cabeça entre suas mãos e enxuga minhas lagrimas com o polegar.

– Mesmo?- ele diz ainda não acreditando.

– Sim, eu estou falando sério. – sorrio.

Ele ri nervoso e rio com ele.

Nathan aproxima o rosto do meu e me beija carinhoso e calmo. Embora por dentro eu esteja entrando em combustão.

Depois do beijo, me afasto delicadamente e vou até a cozinha, pego uma barra de chocolate e começo a comer descontroladamente.

– O que você está fazendo?­- Nathan aparece na cozinha.

– Chocolate acalma meus ânimos. – sorrio- Estou muito nervosa.

– Ah... – ele se aproxima de mim- Está nervosa comigo, né?

– Por mais incrível que pareça, não. – como mais um pouco do chocolate.

– Então por que está assim?

– Só queria saber da onde esse Muller me conhece. – contrai os lábios.

– Não me pergunta, essa duvida eu realmente não sei, eu só faço o serviço e não peço justificativa. – ele sorri irônico.

Respiro fundo.

– Que engraçadinho.

A barra de chocolate está quase no fim e ainda estou nervosa, ainda não sei por quê.

– Uma perguntinha... – encaro o Nathan- Se esse cara souber que eu ainda estou viva, o que acontece?

Ele para e parece pensar um pouco.

– Ele mesmo vai fazer o serviço. – diz ele simplesmente.

Engasgo.

– Nossa. – exclamo ainda engasgada.

– Bem-vinda ao meu mundo. – ele diz abrindo os braços.

– Que mundo...

Rá! Agora eu faço parte dos mafiosos, mas antes eu nem poderia sonhar com isso.