- Está armada?- a voz é mais grave.

- Se eu tivesse, já teria atirado em você. – rebato.

Mãos fortes pegam minhas mãos e colocam nas costas e amarram com alguma forte, depois sou puxada para o fundo da garagem. Olho em volta a procura de Lucas, mas nem sinal dele.

Quanto mais para fundo caminhamos, menos carros encontro e a iluminação vai caindo. Meu coração está saindo pela boca e mal consigo respirar.

Paramos em um canto escuro da garagem, eles me fazem ajoelhar no chão frio.

Será que o Nathan foi pego primeiro que nós? Ele deve ter abandonado a missão assim que soube que fomos presos e o Lucas, será que ainda está vivo?

Estou cercada de três homens fortemente armados, usando um terno preto uniforme, possuem um corte militar.

- Acharam o segundo?- um deles fala no radio.

Segundos depois dois homens entram com o Lucas amarrado e o colocam ao meu lado.

- Duas crianças. – um deles zomba e os outros riem.

Lucas está com a cabeça baixo e totalmente mudo, mal consigo escutar sua respiração.

- Para quem você trabalha?- o homem dirige a palavra a mim.

Encaro o Lucas de relance, que faz um sinal negativo com a cabeça. Tá, não é pra falar.

- As pessoas compram meu serviço. – murmuro.

- Quem comprou a morte do Fred?- a voz grave volta.

- Confidencial. – contraio os lábios.

O homem me encara nervoso e logo em seguida deferi um tapa forte em meu rosto. Mas ardido do que o da Fabiana.

- Quero nomes. – diz ríspido.

- É confidencial. – falo entre dentes.

- Senhor, ela está com uma escuta. – um dos homens avisa.

O homem se aproxima de mim e arranca a escuta de meu ouvido, quase arrancando o mesmo junto.

Arrependo-me profundamente de ter aceitado vir para essa bosta, mas o pior é que fui obrigada a vir. Estou com tanta raiva do Nathan e desses homens, que seu fosse uma bomba já teria explodido o mundo.

- Não passa de uma vagabunda contratada. – ele pisa no fone de ouvido.

Foi desse nome que eu xinguei a Fabiana e não admito ser rotulada assim.

- Quanto estão pagando para você?- ele me encara.

- Muito. – falo firme.

- Quem está te pagando?

- Um cliente meu. – sorrio irônica.

O homem contrai os lábios e mais uma vez acerta meu rosto com um tapa. Só que esse é muito mais forte que o primeiro, quase me derrubando para o lado, meu rosto lateja e arde, a dor percorre meu corpo todo. Lucas se mexe ao meu lado.

- Bater nela não vai adiantar nada. – Lucas diz com os dentes cerrados.

- Ninguém pediu sua opinião. – o homem o corta.

- São covardes. – murmuro.

- O que disse?- o homem me encara.

- Covardes, pois quando eu estava com uma arma, não ousaram a se aproximar. Agora que estou de mãos atadas e sem defesa estão me espancando.

- Mulheres como você não merecem respeito. – rebate ele.

- E homens como você merecem a morte. – retruco.

Agora ele me dá um tapa, com a mão fechada, arrancando sangue de minha boca.

- Se continuar assim, vou quebrar seu dedo de novo.

Estremeço e sinto minha boca latejar. Lucas está inquieto ao meu lado.

Agora sei que vamos morrer, se Nathan não apareceu até agora, não vai mais aparecer.

- O que o senhor vai fazer?- um dos homens se aproxima.

- Vamos nos livrar do garoto.

- Mas e a menina?

- Ela pode ser útil mais tarde. – não deixo de notar a malicia em seu olhar, é de revirar o estomago.

Talvez Nathan tenha razão de matar esses caras, é isso que eles merecem a morte.

- Não será bom matar o garoto aqui, não acha melhor ir para o terraço?­- o homem opina.

- Dane-se.

Encaro Lucas de relance. Meu coração está na minha boca e minha respiração ruidosa.

- Onde está o Nathan?- murmuro para ele.

- Relaxa, ele deve estar chegando. – murmura de volta.

- Está tudo bem?- murmuro.

- Sim e você?- ele me encara.

Aquiesço. Embora meu rosto esteja dolorido e minha boca sangrando, estou bem.

- Estou com medo. – confesso.

- É normal ter medo. – ele lança um sorriso tranquilizador.

- Não quero ver você morto. – murmuro.

-Não morrer tão cedo, ainda tenho que ver você e o Nathan juntos. – ele ri.

Reviro os olhos. Estou certa que isso nunca vai acontecer.

Escuto uma arma ser carregada e passos virem em nossa direção.

- Mudei de ideia, agora serão os dois. Começando por você. – ele aponta a arma pra mim.

Arregalo os olhos e respiro fundo.

- Será um pecado matar uma moça tão bela. – ele murmura.

- Prefiro a morte a você. – rebato.

Ele range os dentes e destrava a arma.

Consigo escutar as batidas de meu coração, não penso em nada. Tenho um branco forte e o pânico desaparece, estou fraca.

Chamo mentalmente pelo Nathan, não sei por que, mas talvez isso me deixe mais tranquila, igual nos filmes onde existe uma donzela em perigo e o cavalheiro a salva. Mas acho que já passou do tempo de eu ser salva.

Abaixo a cabeça e espero pela morte certa, a minha única saída do momento.

De repente o corpo pesado do homem cai em cima de mim, me derrubando no chão com força, estou sendo esmagada e pressionada contra o chão gelado.

Noto que o homem está inconsciente e sinto um liquido escorrer em meu pescoço e seguir para meu busto. Quando vou ver é sangue. Grito e tento me afastar, mas ele é muito pesado.

Escuto dois disparos, Lucas ainda ao meu lado, parece feliz com algo.

Continuo imóvel debaixo do homem, até que seu corpo é tirado de cima de mim e encontro os olhos azuis que tanto tenho medo.

Sorrio abertamente em ver Nathan, nunca estive tão feliz em vê-lo. Ele me levanta e corta algo em minhas mãos libertando-as.

- Você está bem?- ele passa a mão no meu rosto e me analisa.

- Sim. Estou tão feliz em ver você.

- O que fez na boca?- ele passa o polegar em meu lábio inferior.

- Cai de cara – murmuro.

Seus olhos parecem rir, mas ele está com raiva de algo.

- Desculpa, é culpa minha. – ele me abraça repentinamente- Eles te fizeram alguma coisa?

- Não. – murmuro- Pensei que tivesse isso embora.

- Eu falei que ia te proteger, não falei?

Uma luz se ascende dentro de mim.

- Pensei que só se importasse com suas meninas.

Ele ri.

- Também me importo com você.

Encosto a cabeça em seu peito e consigo escutar as batidas aceleradas de seu coração.

- Conseguiram pegar o Fred?- murmuro.

- Não, ele fugiu.

Aquiesço e respiro fundo, inalando seu cheiro. Tem cheiro de sabonete, roupa lavada, perfume e Nathan, um cheiro afrodisíaco.

- Vamos passar essa noite aqui, tudo bem?- murmura ele.

- Por quê?- ergo o olhar para ele.

- Fred sabe que eu armei isso, se sairmos podemos ser pegos em alguma armadilha ou emboscada, então achei melhor ir amanhã de manhã para casa. — ele me aperta mais contra seu peito.

- Tá.

Tenho a vontade de ficar ali pra sempre, como se seus braços fossem muralhas invencíveis quem em protegessem.

Ele se afasta de mim, pega em minha mão e começa a caminhar para o elevador, onde encontro Alek, Leo e Lucas falando de algo.

- Gostei da sua careta. – comenta Alek.

Rio ao lembrar disso.

-Obrigada.

- Vamos, temos que reservar os quartos. – Lucas aperta o botão do elevador.

- Nossa, caiu de boca?- Leo me encara.

- Não. – Lucas responde por mim.

Gelo, ele tem que calar a boca.

Faço um sinal negativo com a cabeça e ele para.

- Como não?- Nathan me encara- Você falou que tinha caído.

- Na verdade... – Lucas começa a falar de novo.

Abaixo a cabeça, tentei evitar que Nathan não se sentisse mal pelo o que ocorreu e o idiota do Lucas abre essa maldita boca.

- Os caras perguntaram para quem ela trabalhava, ela não quis falar e eles bateram nela e também porque ela tem sempre que argumentar algo.

Respiro fundo, agora que o Nathan vai ficar puto comigo.

O Lucas tem que estragar tudo.

O elevador chega, entramos e ficamos em silêncio, encosto-me a um dos quantos e observo os quatro marmanjos lindos a minha frente.

Nathan não parece estar muito feliz com a revelação de Lucas e eu praguejo mentalmente por não ter falado a verdade.