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43 Epílogo
Notas iniciais
Ps: cap em homenagem a vocês!
4 anos depois...
Já estou quase no final da faculdade, isso é muito bom. Genevive está crescendo normalmente, tento não deixa-la ficar muito perto do trabalho do pai dela, mas nada o impede de ficar perto dela. Fiquei de férias da faculdade e viemos passar uns dias na fazenda da minha avó, assim a Genevive descansa um pouco e eu também.
O que eu posso fazer para uma criança de quatro anos comer?
Escuto o grito da Genevive vindo do celeiro, meu coração para.
Saio de casa voando e desço o barranco quase que rolando.
- Genevive!- grito.
- Mamãe!- escuto-o a gritar de volta.
Acelero mais a corrida e finalmente chego ao celeiro, que está em completo silencio.
- Genevive?- procuro-a pelo local.
Escuto um grito abafada vindo da dispensa do local, olho para cima e vejo-a sendo calada por uma mão, uma mão feminina.
- Quem está ai?- encaro-a.
Genevive está em completo choque, seus olhos arregalados e parece está pálida.
A mulher dá as caras e eu quase faleço ali mesmo. Vic?!
- Saudades de mim?- ela sorri.
- Solte minha filha. – praguejo.
Ela ri sarcástica e começa a descer a escada vagarosamente, sem soltar Genevive.
- Ainda não acredito que você se casou com ele. – ela caminha até mim- E ainda não morreu.
Estreito os olhos para ela.
- O que você quer?- cruzo os braços.
- Você morta. – ela diz devagar e mortalmente.
Genevive fica lívida e eu quase caio no chão.
- Como?- sussurro- Como você pode fazer isso? Você era a minha melhor amiga.
Ela solta a Genevive e a mesma respira fundo.
- Eu te ajudei no momento em que você mais sofreu, te mostrei como a vida é melhor quando se esquece o que passou e fiquei ao seu lado em tudo, mas você retribuiu?
Encaro-a sem entender. Eu sempre dei valor em minha amizade com ela, eu sempre me preocupei com o bem estar dela ou em qualquer coisa que a afetasse em algum momento.
- Lógico! Eu te ajudei a entrar em medicina, te ajudei a pagar o seu apartamento, eu ajudei sua mão com o negócio dela, e isso não é retribuir?!- falo pasma.
- Não!- ela grita e me assusta- Você apenas me deixou mais para baixo, me mostrando a quão rica e melhor você é em relação a mim e quão bonita você sempre foi.
Isso tudo, a entrada dela na máfia e vingança por minha morte não passa da mais pura inveja!
- Eu tenho nojo de você. – encaro-a – Nojo da sua atitude.
Ela fecha a cara.
- Claro, a princesa sempre se enoja com os pobres plebeus, mas eu vim mudar isso. E o principal assunto é o Nathan.
Engasgo.
- O que ele tem haver com isso?
- Pelo simples fato dele amar você, de você sempre conseguir o melhor e ser a melhor, de ter tudo perfeito nas mãos, por isso você vai sofrer como eu sofri quando eu perdi o meu bebê, quando descobri que o Alek me traiu, como eu sofri de crescer na sua sombra. – ela diz amargurada.
Meu deus, onde está a minha amiga? O que aconteceu com ela?
- Mamãe. – Genevive diz baixo e com voz de choro.
Eu não vou permitir que a pura insanidade de uma pessoa me priva de tudo, não permitir que minha filha veja isso, que cresça com isso igual o Nathan cresceu, não vou permitir que a Vic destrua minha vida como destruiu a sua própria.
- Não criança, eu serei a sua nova mãe. – Vic acaricia seu cabelo negro.
- Não toque nela!- avanço sobre Vic.
Empurro Genevive para o lado e ela cai no chão, pego uma pá no chão e me aproximo da Vic, encaro seus olhos com puro ódio e nojo.
- Sua mãe deu a vida para lhe proteger da máfia. – ela comenta.
- Ela não é minha mãe! Minha mãe foi a mulher que me criou!
Vic ri.
- Então Genevive irá se acostumar rápido com isso. – ela a encara por cima dos meus ombros.
- Minha filha. – praguejo e a acerto com a pá.
Vejo a arma cair do bolso, então ela pretendia me matar mesmo, meu estomago dá voltar e eu chuto a arma para vem longe.
- Sai daqui. – encaro Genevive.
Ela levanta e sai correndo para fora, Vic agarra o meu pé e me leva ao chão e logo em seguida me acerta com um soco, minha visão fica turva e meu maxilar range. Vejo-a levantar e ir atrás da Genevive.
Levanto zonza e corro atrás dela com dificuldade, meu coração está vindo em minha cabeça e sinto tanto medo.
- Fique longe dela. – grito e acerto com a pá em suas pernas.
Vic perde velocidade e vira, tentando me acertar novamente, desvio antes que isso aconteça e a acerto com um soco no estomago. Ela cai no chão arfante.
Corro atrás da Genevive e a pego no colo, corro de volta para a casa.
- Mamãe eu tenho medo dela. – ela diz baixo.
- Vai ficar tudo bem, ligue para o seu pai. – entro o celular para ela- Mande ele vir pra cá.
Ela aquiesce.
Coloco-a dentro do guarda-roupa e fecho a porta com cuidado, volto para a sala e encontro a Vic.
- Me lembro da ultima vez que estive aqui. – ela sorri.
Franzo o cenho.
- O jeito como a sua vó te encobriu, mas eu sabia que ela estava te protegendo e então tive que resolver o assunto. – ela passa a mão na parede.
Ah meu deus! Ela matou a minha avó!
Desgraçada.
Corro em sua direção e ela me joga para o lado, bato no armário de louças de minha avó, a porta abre e os pratos caem em cima de mim, consigo sentir o vidro atravessando minha perna e fincando em minha carne.
- Eu tenho que ter o meu momento Cassandra, eu tenho que mostrar que sou melhor que você, por isso casei com o Muller e herdei a máfia depois de sua morte e agora só me falta a grande herdeira. – ela sorri sobre mim.
- Você nunca será superior. – murmuro.
Meu corpo dói, não consigo levantar. A cada respiração sinto os cortes abrirem.
Ela me acerta um chute perto do abdômen, tenho vontade de vomitar. Ergo a cabeça e a encaro, não em admiração, não em reverencia e sim mortalmente.
Pego um pedaço de um prato e finco em sua perna, ela grita e recua. Levanto com cuidado e retiro os cacos maiores do meu corpo.
Caminho até ela com a cabeça erguida, vitoriosa sem ao menos ter chance de vencer, forte e por dentro fraca, porém continuei em frente.
- Vadia. – ofega ela.
Chuto sua perna onde se encontra o caco de vidro e ela grita mais alto.
- Você nunca será superior, pelo contrario, será o mais baixa possível. – falo entre dentes.
Ela dá um soco forte em meu joelho, o mesmo vai pra trás e estrala, uma dor terrível para lisa minha perna, caio no chão.
- Quem é superior agora?- ela arranca o pedaço de vidro da perna e mexe em algo em suas costas, de lá retira uma faca.
- Meu tempo com o Muller serviu para alguma coisa. – continua ela- Sou mais eficiente, tenho sangue frio agora.
- Grande merda. – sorrio triunfante.
Ela suspira.
- Mamãe!- Genevive grita.
Vic olha para o corredor e a encontra bem no final dele, ela nos encara com medo. Tenho vergonha de minha filha estar vendo isso e medo do que isso pode lhe causar.
- Calma. – Vic caminha até ela- Vim aqui te proteger.
- Eu não gosto de você. – ela sai correndo e para ao meu lado.
Levanto com cuidado e a coloco atrás de mim, se acontecer alguma coisa será comigo.
Vic me encara mortalmente e depois sorri, caminha até mim novamente e fica parada de frente comigo. Nossos olhos se encaram fixos, controlo minha respira e meus movimentos cardíacos. Ela avança sobre mim, minha primeira reação e segurar a mão que carrega a faca, mantendo-a bem afastada de mim, vou para o lado e encostamos na parede.
- Vou acabar com você. – ela diz entre dentes.
- Talvez isso seja um pouco difícil. – sorrio.
Sua mão escorrega da minha e passa rente de minha barriga, fazendo um pequeno corte. Trinco o rosto e respiro fundo, Genevive está vendo isso.
Um vácuo passa pelo meu corpo e lembro de Nathan, ele viu a mão morrer e hoje é assim, a mesma coisa pode acontecer hoje e como ficará Genevive? Não! Isso não vai acontecer!
Nathan, cadê você?
Empurro-a para o lado e prendo a faca na parede, em seguida acerto um soco na cara dela. Ela se recupera mais rápido que eu esperava e me ataca de surpresa, retomando a faca.
- Já chega de brincadeira. – pragueja ela.
- Não!- escuto Genevive gritar.
Espero-a chegar, mas ela simplesmente não chega, um liquido respinga em meu rosto e corpo, Vic cai no chão e depois de sua queda consigo ver Nathan na porta.
Caio no chão, escorregando pela parede. Ela está morta, mas consideramos que ela morreu antes mesmo da morte considerada, a inveja a corroeu antes. Só tenho a lamentar, ela era uma boa pessoa.
Um estalo vem em minha mente e lembro de Genevive, que agora permanece mais calma.
- Filha. – rastejo até ela- Está tudo bem, tá?
- Estou bem mamãe. – ela sorri- Papai falou que pessoas ruins vão embora e ele falou que o trabalho dele é mandar elas embora.
Sorrio e olho para o Nathan na porta.
Agradeço por ainda ter um inocente em meio a tanto sengue, e que ela permaneça assim. Talvez isso seja algo impossível de acontecer, é meio que impossível ser inocente dentro da máfia, ela é como uma droga que te consome aos poucos e quando você vê já faz parte dela. Espero que a máfia demore um pouco para dominar Genevive, assim não será uma inocência perdida, não em pouco tempo.
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