- Você é um ogro. – resmungo.

- Obrigado. – ele sorri.

- Agora me dá a pomada. – ergo uma mão.

Ele respira fundo e me entrega o tubo de pomada.

- Obrigada. – forço um sorriso nos lábios.

Entro no banheiro e tomo um banho rápido, logo que termino passo a pomada nos vermelhões e nos machucados. Quando a pomada seca, coloco o meu pijama e saio.

**

Nathan me deixou ir ver a Vic hoje, faz um tempo que eu não a vejo e pelo o que o Lucas falou, ainda está internada.

O hospital não está muito lotado hoje igual aquele dia, mal se vê médicos e enfermeiras no corredor, há alguns pacientes nas salas de esperas e na ala de enfermagem.

- Vá ao quarto dela, vou fazer o registro. – Nathan em encara.

- Tudo bem. – murmuro e começo a caminhar.

Vou quase que correndo pelos corredores até o elevador, subo até a ala de internato e corro nos corredores, procurando pelo numero do quarto dela.

Abro a porta e entro no quarto entusiasmada, até que olho na cama e vejo um senhor de idade.

Meu deus.

- Desculpe, mas aqui é o quarto da minha amiga. – encaro-o.

Ele sorri.

- Acho que errou de quarto, filha. – ele me encara com compaixão.

Por que todos os idosos tendem a me chamar de “filha”?

- Não, minha amiga estava internada aqui. – insisto.

Ele ri.

- Talvez ela já tenha recebido alta. – ele deduz.

Arregalo os olhos e saem correndo pra fora do quarto, sem antes agradecer ao senhor. Na esquina do corredor, trombo com alguém e caio sentada.

Ergo o olhar pra cima e vejo a estatura do Nathan, ele me encara divertido, embora não esteja sorrindo.

- Ela não está no quarto. – falo exasperada.

- Eu sei. – ele diz convicto- Eu vim te avisar, ela teve alta ontem e saio com um senhor.

Senhor? A Vic não tem nenhum avô vivo, apenas tios e eles são jovens.

- Não é verdade. – encaro-o.

- Como não?- ele cruza os braços.

- A Vic não tem nenhum parente idoso na família, eu mesma fui ao enterro do avô dela ano passado. – falo convicta.

Nathan franze o cenho e não diz nada.

Isso é impossível, eles devem ter errado. Ela não sairia com ninguém que não conhecesse daqui e outra, a mãe seria avisada da alta. Mas que senhor foi esse que ela saiu?

Olho para o corredor extenso e vejo uma pequena câmera preta. Isso!

- O hospital tem câmeras. – encaro-o.

- E... ?

- E que podemos ver quem a levou embora. – faço uma careta.

Voltamos para a recepção e tentamos de todo o jeito convencer a mulher a nos levar na sala da segurança.

- Eu não tenho permissão para tal. – ela diz com uma voz nasal.

- Que parte do; ela não tem nenhum parente idoso você não entendeu?- rosno.

- Garanto que ela saiu sorridente e tranquila daqui. – a mulher me encara através dos óculos.

- Ela podia estar fingindo!- grito.

A mulher arregala os olhos e pego o interfone. Não entendo o que ela fala, no entanto sei que fala com a segurança.

Não demora muito para dois seguranças enormes e morenos aparecem lá, parecem não estar muito contente comigo.

- A senhora pode se retirar?- ele aponta para a porta.

- Me obrigue. – encosto no balcão.

O homem pega em meu ombro e me puxa, quase me fazendo cair de joelhos. Nathan segura à mão dele e o encaro.

- Eu não tocaria nela se fosse você. – ele diz sério.

- O senhor terá que sair também. – ele ignora o Nathan.

- Já disse que não vou sair!- rosno e me afasto dele.

- Não quero ser obrigado a chamar a policia.

Passo a mão no rosto e volto a encarar a mulher.

- A senhora pode, por favor, chamar o seu supervisor. – tento ser calma.

- Desculpe, minhas ordens são de chamar a segurança.

Meu deus, será que ela ainda não se ligou que a Vic pode estar em perigo? Vai lá saber quem é esse cara que a levou e eu tenho o direito de ver a porra da filmagem.

- Eu vou chamar a policia. – encaro o segurança- E não vai ser bom pra vocês, porque ninguém libera uma pessoa com um estranho.

- Ele não era estranho. – a mulher diz convicta.

- Cala a merda da sua boca!- grito e bato no balcão.

Ela leva um susto e me encara.

- Quero as filmagens. – falo entre dentes.

Ela olha em volta, sei que tem muitas pessoas olhando o espetáculo e com certeza isso não é bom pra eles.

- Siga-nos. – o segurança diz baixo.

Sorrio triunfante para a mulher e começo a caminhar atrás do homem, seguida por Nathan.

Descemos muitos lances de escada, até chegar em um pequena sala com muitas Tvs e computadores.

- Aqui está à filmagem de ontem. – o homem aponta para um monitor- Colocarei para rodar e você vê se conhecesse esse senhor.

Concordo e encaro a pequena tela. A filmagem começa rápido, vejo muitas pessoas passarem, só que não são a Vic. Então vejo uma moça de cabelo preto e uma roupa conhecida passar seguida de um senhor.

- Pare!- falo alto.

O homem para a filmagem em um ângulo ótimo.

- Aproxime um pouco. – estreito os olhos e encaro o monitor.

A moça realmente é a Vic, ela usa uma roupa familiar, acho que eu mesma que dei a ela. O senhor ao lado dela é familiar, muito familiar. Muller? Não! Não pode ser.

- Nathan eu... – me afasto do monitor e quase caio sentada.

Ele me segura e encara o homem.

- Conhecemos o senhor, muito obrigado. – ele me retira da sala.

Meu coração bate acelerado e minha respiração está ruidosa.

- Nathan era o Muller. – ofego.

- Sim. – ele continua me segurando.

- O que ele quer com ela?- encaro-o.

- Eu não sei. – ele me encara.

Seus olhos azuis estão sinceros e igualmente preocupados.

- E se ele for mata-la?- ofego novamente.

- Cassandra, tenha calma. – ele para de andar- Está muito exaltada.

O calor sobe em meu corpo e parece suar frio, mal consigo entender o que ele fala.

- Cassandra. – ele segura minha cabeça entre as mãos- Respira.

Puxo o ar com força e quase me engasgo com o mesmo, minhas vias pulmonares ardem e meu corpo parece pegar fogo.

- Temos que acha-la. – falo quase sem ar.

- É isso que eu farei. – ele afaga o meu rosto com o polegar.

Onde a Vic estava com a cabeça de sair com o Muller daqui? Quanto tempo eles ficaram conversando antes dela sair ou oque ele falou pra ela?

Ela é muito inteligente, não correria perigo por qualquer coisa, tem algo estranho nessa historia.

- Se fosse sequestro, ele já teria ligado, não?- encaro-o.

- Sim e cobrado um preço absurdo. – Nathan ri.

Tudo bem. Então a pior das hipóteses ela deve estar morta. Ah, Meu deus!

Tenho vontade de chorar, embora eu não consiga nem respirar direito. Minha amiga pode estar em perigo e a culpa em parte é minha.

- Cassandra. – Nathan diz baixo- Eu disse que vou acha-la.

- Eu sei. – sorrio- Eu acredito em você.

E agora eu realmente confio na palavra dele.

Encaro os olhos azuis claros como água de piscina e tento relaxar. Vamos acha-la, o Nathan consegue achar qualquer pessoa, nem que ela esteja no inferno. Vamos conseguir...