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7 Capítulo 7
- Você é um ogro. – resmungo.
- Obrigado. – ele sorri.
- Agora me dá a pomada. – ergo uma mão.
Ele respira fundo e me entrega o tubo de pomada.
- Obrigada. – forço um sorriso nos lábios.
Entro no banheiro e tomo um banho rápido, logo que termino passo a pomada nos vermelhões e nos machucados. Quando a pomada seca, coloco o meu pijama e saio.
**
Nathan me deixou ir ver a Vic hoje, faz um tempo que eu não a vejo e pelo o que o Lucas falou, ainda está internada.
O hospital não está muito lotado hoje igual aquele dia, mal se vê médicos e enfermeiras no corredor, há alguns pacientes nas salas de esperas e na ala de enfermagem.
- Vá ao quarto dela, vou fazer o registro. – Nathan em encara.
- Tudo bem. – murmuro e começo a caminhar.
Vou quase que correndo pelos corredores até o elevador, subo até a ala de internato e corro nos corredores, procurando pelo numero do quarto dela.
Abro a porta e entro no quarto entusiasmada, até que olho na cama e vejo um senhor de idade.
Meu deus.
- Desculpe, mas aqui é o quarto da minha amiga. – encaro-o.
Ele sorri.
- Acho que errou de quarto, filha. – ele me encara com compaixão.
Por que todos os idosos tendem a me chamar de “filha”?
- Não, minha amiga estava internada aqui. – insisto.
Ele ri.
- Talvez ela já tenha recebido alta. – ele deduz.
Arregalo os olhos e saem correndo pra fora do quarto, sem antes agradecer ao senhor. Na esquina do corredor, trombo com alguém e caio sentada.
Ergo o olhar pra cima e vejo a estatura do Nathan, ele me encara divertido, embora não esteja sorrindo.
- Ela não está no quarto. – falo exasperada.
- Eu sei. – ele diz convicto- Eu vim te avisar, ela teve alta ontem e saio com um senhor.
Senhor? A Vic não tem nenhum avô vivo, apenas tios e eles são jovens.
- Não é verdade. – encaro-o.
- Como não?- ele cruza os braços.
- A Vic não tem nenhum parente idoso na família, eu mesma fui ao enterro do avô dela ano passado. – falo convicta.
Nathan franze o cenho e não diz nada.
Isso é impossível, eles devem ter errado. Ela não sairia com ninguém que não conhecesse daqui e outra, a mãe seria avisada da alta. Mas que senhor foi esse que ela saiu?
Olho para o corredor extenso e vejo uma pequena câmera preta. Isso!
- O hospital tem câmeras. – encaro-o.
- E... ?
- E que podemos ver quem a levou embora. – faço uma careta.
Voltamos para a recepção e tentamos de todo o jeito convencer a mulher a nos levar na sala da segurança.
- Eu não tenho permissão para tal. – ela diz com uma voz nasal.
- Que parte do; ela não tem nenhum parente idoso você não entendeu?- rosno.
- Garanto que ela saiu sorridente e tranquila daqui. – a mulher me encara através dos óculos.
- Ela podia estar fingindo!- grito.
A mulher arregala os olhos e pego o interfone. Não entendo o que ela fala, no entanto sei que fala com a segurança.
Não demora muito para dois seguranças enormes e morenos aparecem lá, parecem não estar muito contente comigo.
- A senhora pode se retirar?- ele aponta para a porta.
- Me obrigue. – encosto no balcão.
O homem pega em meu ombro e me puxa, quase me fazendo cair de joelhos. Nathan segura à mão dele e o encaro.
- Eu não tocaria nela se fosse você. – ele diz sério.
- O senhor terá que sair também. – ele ignora o Nathan.
- Já disse que não vou sair!- rosno e me afasto dele.
- Não quero ser obrigado a chamar a policia.
Passo a mão no rosto e volto a encarar a mulher.
- A senhora pode, por favor, chamar o seu supervisor. – tento ser calma.
- Desculpe, minhas ordens são de chamar a segurança.
Meu deus, será que ela ainda não se ligou que a Vic pode estar em perigo? Vai lá saber quem é esse cara que a levou e eu tenho o direito de ver a porra da filmagem.
- Eu vou chamar a policia. – encaro o segurança- E não vai ser bom pra vocês, porque ninguém libera uma pessoa com um estranho.
- Ele não era estranho. – a mulher diz convicta.
- Cala a merda da sua boca!- grito e bato no balcão.
Ela leva um susto e me encara.
- Quero as filmagens. – falo entre dentes.
Ela olha em volta, sei que tem muitas pessoas olhando o espetáculo e com certeza isso não é bom pra eles.
- Siga-nos. – o segurança diz baixo.
Sorrio triunfante para a mulher e começo a caminhar atrás do homem, seguida por Nathan.
Descemos muitos lances de escada, até chegar em um pequena sala com muitas Tvs e computadores.
- Aqui está à filmagem de ontem. – o homem aponta para um monitor- Colocarei para rodar e você vê se conhecesse esse senhor.
Concordo e encaro a pequena tela. A filmagem começa rápido, vejo muitas pessoas passarem, só que não são a Vic. Então vejo uma moça de cabelo preto e uma roupa conhecida passar seguida de um senhor.
- Pare!- falo alto.
O homem para a filmagem em um ângulo ótimo.
- Aproxime um pouco. – estreito os olhos e encaro o monitor.
A moça realmente é a Vic, ela usa uma roupa familiar, acho que eu mesma que dei a ela. O senhor ao lado dela é familiar, muito familiar. Muller? Não! Não pode ser.
- Nathan eu... – me afasto do monitor e quase caio sentada.
Ele me segura e encara o homem.
- Conhecemos o senhor, muito obrigado. – ele me retira da sala.
Meu coração bate acelerado e minha respiração está ruidosa.
- Nathan era o Muller. – ofego.
- Sim. – ele continua me segurando.
- O que ele quer com ela?- encaro-o.
- Eu não sei. – ele me encara.
Seus olhos azuis estão sinceros e igualmente preocupados.
- E se ele for mata-la?- ofego novamente.
- Cassandra, tenha calma. – ele para de andar- Está muito exaltada.
O calor sobe em meu corpo e parece suar frio, mal consigo entender o que ele fala.
- Cassandra. – ele segura minha cabeça entre as mãos- Respira.
Puxo o ar com força e quase me engasgo com o mesmo, minhas vias pulmonares ardem e meu corpo parece pegar fogo.
- Temos que acha-la. – falo quase sem ar.
- É isso que eu farei. – ele afaga o meu rosto com o polegar.
Onde a Vic estava com a cabeça de sair com o Muller daqui? Quanto tempo eles ficaram conversando antes dela sair ou oque ele falou pra ela?
Ela é muito inteligente, não correria perigo por qualquer coisa, tem algo estranho nessa historia.
- Se fosse sequestro, ele já teria ligado, não?- encaro-o.
- Sim e cobrado um preço absurdo. – Nathan ri.
Tudo bem. Então a pior das hipóteses ela deve estar morta. Ah, Meu deus!
Tenho vontade de chorar, embora eu não consiga nem respirar direito. Minha amiga pode estar em perigo e a culpa em parte é minha.
- Cassandra. – Nathan diz baixo- Eu disse que vou acha-la.
- Eu sei. – sorrio- Eu acredito em você.
E agora eu realmente confio na palavra dele.
Encaro os olhos azuis claros como água de piscina e tento relaxar. Vamos acha-la, o Nathan consegue achar qualquer pessoa, nem que ela esteja no inferno. Vamos conseguir...
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