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24 Capítulo 24
Notas iniciais
Ps: Cap em homenagem as duas
Estou na sala, vendo uma série de Tv, senão me engano, chama-se Dexter e é bem legal mesmo.
Naomi e Leo conversam sussurrando, Alek manda mensagens e Adam está totalmente viajando, porém o Nathan não apareceu aqui embaixo hoje. Estranho.
- Querem fazer o quê?- puxo assunto com todos.
- Acho melhor você não fazer nada e ficar quieta sentada nesse sofá. – Naomi me adverte.
- Ei, eu faço o que eu quiser. – resmungo.
Naomi revira os olhos e volta a conversar com o Leo.
- Vou procurar o Nathan. – levanto do sofá.
Eles não omitem nenhuma objeção alguma, continuo caminhando até a escada e começo a subi-la vagarosamente até o andar de cima. O mesmo se encontra silencioso e sem sinal algum do Nathan.
- Nathan?- paro no meio do corredor.
Escuto um barulho no andar a cima de mim, talvez o sótão? Caminho até o final do corredor e vejo uma porta, abro-a e vejo uma pequena escada, sem hesitar começo a subir degrau por degrau, com muito cuidado.
O andar de cima não tem muitas janelas, porém possui uma grande, vários equipamentos de medicina e uma maca bem no centro.
- O que é isso?- murmuro.
Ele para e larga as coisas que estava mexendo.
- É tipo uma ala médica. – ele diz sem me encarar- Meu pai dizia que são importantes para situações de emergências ou até mesmo para evitar que nós frequentemos um hospital.
- Para evitar que vocês fiquem expostos. – deduzo.
- Sim. – ele termina de arrumar as coisas e me encara.
- Sabe, você tem a ala médica completa, mas falta um médico. – sorrio de canto.
- Ah, isso não falta- ele ri- a Naomi fez medicina e o Adam tem conhecimento.
Preciso me informar mais sobre as pessoas daqui.
- Esse local já foi usado?- aproximo-me dele.
- Não. – ele diz baixo- E pretendo não usa-lo muito cedo.
- Por quê?- encaro-o.
- Isso significa que eu garanto a segurança para as pessoas que me cercam e elas não precisam de meus socorros médicos.
- Talvez, mas se usar isso aqui, também irá mostrar a mesma ideia. – sorrio.
Ele concorda lentamente e encara a minha barriga.
- Como será o nome?
Dou de ombros.
- Por que você pergunta? É você que vive a desmerecendo.
- Tudo precisa de um nome. – ele rebate.
- O quê você tem contra o bebê?- encaro-o.
- Eu sei tá, simplesmente não gosto dessa ideia de ser pai, eu já não sou uma boa pessoa, imagine um pai. – seus olhos brilham opacos- Eu não quero.
- Como sabe se nunca tentou?- falo paciente.
- Porque não vai adiantar nada eu tentando ou não, eu não tenho vocação para isso.
Balanço a cabeça negativamente.
- Devia ser mais positivo com você mesmo. – murmuro.
- E você devia parar de tentar me mudar. – ele rebate.
Como assim? Eu só estou tentando ajuda-lo e ele fala que eu quero muda-lo? Quem ele pensa que é?
- Mudar você?- indago- Eu não quero mudar você, estou tentando ajudar você.
- Então pare de me fazer gostar dessa coisa, eu não vou gostar dela assim. – ele pragueja.
- Abaixe o tom Nathan, não quero brigar com você. – falo alto.
- Ótimo. – ele saí andando.
- Pensa que vai aonde?- grito.
Ele não responde.
- Nathan!- grito mais alto e ele para.
- Qual o seu problema? Até agora pouco você estava todo preocupado comigo e com o bebê, e de repente ficou louco. – continuo.
- Você tem que entender uma coisa- ele me encara-, eu não gosto do bebê, eu gosto de você, essa coisa já estaria bem longe daqui se fosse por mim.
Então ele fez tudo isso apenas por mim? Como ele consegue ignorar a própria filha? Como ele consegue ser tão Nathan?
Continuo na sala parada perto da porta enquanto o Sr. Ignorância desceu. Espero que ele pense muito bem no que ele disse ou vai se arrepender.
**
Já faz quase duas horas que o acidente aconteceu.
Estou em sala escura e úmida, sendo encarada por um senhor de óculos com uma prancheta. O Nathan conseguiu escapar com os outros, mas foi por milésimos de segundos, senão todos estariam aqui comigo.
Não acredito que estou sendo tratada assim, afinal eu não sou assassina ou bandida, estou apenas grávida. Igor veio me ajudar a sair daqui.
- Você vai falar ou não?- o senhor diz calmo.
- Olha, eu que fui a sequestrada, não sei de nada.
- Sabe para onde ele foi?
- Não. – falo sincera.
- Posso fazer uma pergunta senhorita Bertolazzo?- ele me encara calmo.
- Sim. – me ajeito na cadeira.
- Você sente algo pelo seu sequestrador?- ele encara a minha barriga.
Minha mente parece desligar e eu viajo no tempo, desde quando o Nathan me levou para a mansão até os dias de hoje.
- Começou com puro ódio sabe, eu não podia olhar na cara dele que queria mata-lo, com o tempo eu fui entendendo-o e criando um pouco mais de carinho e compreensão por ele, e ele por mim, as brigas nunca pararam, vire e mexe sempre estávamos discutindo e quase se matando por conta de nada. – sorrio ao lembrar de nossas brigas- Então, quando eu vi, já estava totalmente envolvida com ele, mas ele nunca demonstrou nada, uma vez falou que me amava, mas é como se fosse apenas palavras como se ele quisesse me iludir mais uma vez, continuamos depois disso e nunca mais ele foi o mesmo, ficou mais na dele e distante, me sentia abandonada ali, embora em conversasse com os outros, mas é como se eu dependesse da atenção dele e do carinho.
Isso foi realmente assustador, nunca imaginei que falaria isso com tanta espontaneidade, me sinto livre e leve, como se um peso fosse tirado de mim.
O senhor anota algo na prancheta e depois me encara vitorioso.
- Parece que eu sei o que a senhorita tem. – ele sorri.
Franze o cenho.
Como assim o que eu tenho?
- Já ouvi falar de muitos casos iguais o seu, é quase que normal para quem passa tanto tempo com pessoas assim. – ele diz convicto- Você está sofrendo da síndrome de Estocolmo.
Eu não sou doente!
- O quê é isso?- inclino a cabeça.
- É quando o sequestrado sente compaixão ou até amor pelo seu sequestrador, isso tudo não passa de um jogo mental da pessoa.
Então tudo isso que eu passei não passa de uma ilusão feita por mim mesma? Não consigo acreditar, isso é tão surreal, eu podia jurar que eu o amava como amei meus namorados antigos ou até mais, que tudo aquilo era verdadeiro e concreto, que pude realmente me apaixonar e viver minha paixão. Mas na verdade não passa de uma ilusão mental, onde eu achava que o amava e que eu podia conviver com ele.
- Não precise ficar assim. – o senhor diz terno- Já vi muitas mulheres sofrerem disso em outros casos, com o tempo você vai parar de pensar nele e conseguir viver normalmente, enquanto isso não acontece, terá que fazer sessões em um psicólogo ou terapeuta.
Continuo em silêncio.
O que eu vou fazer com essa criança? Agora quem não gosta dela sou eu, não conviver com uma criança que não passou de uma síndrome idiota, onde não existe amor ou amizade, onde tudo era superficial. Não vou conseguir olhar pra ela sem lembrar do que passei, não vou conseguir conviver com ela.
- E por que ele não me matou?- murmuro.
- Sabe, existe outra síndrome também, chamada síndrome de Lima, onde o sequestrador sente compaixão pelo sequestrado, pode ter acontecido os dois casos com você, é bem comum. – ele sorri.
Passo a mão na cabeça.
- Eu posso alegar que foi estupro, assim você poderá fazer um aborto. – ele parece ler pensamentos.
- Já estou de seis meses. – murmuro- Não tenho mais coragem, eu acho.
- O bebê já está formado, creio que eles não vão deixar. – o senhor anota algo na prancheta- Pode me falar algo do seu sequestrador?
Respiro fundo.
- Ele tinha olhos azuis. – sinto lagrimas de acumularem em meus olhos- Os olhos azuis mais lindos que eu já vi.
Algumas malditas lagrimas escapam, escorrendo pelo meu rosto inteiro e parando rente ao queixo, os gosto delas é salgado e desgostoso. Me sinto uma idiota, completamente idiota, eu só poderia estar no mundo da lua quando achei que poderia mesmo amar uma pessoa igual o Nathan, o próprio pai dele me deu a dica e eu fui tão surda, que não escutei.
Então aquela vez que fugi dele, aquela vez insana da minha mente, foi como se o meu cérebro tivesse acordado como se fosse um alerta vermelho e mais uma vez, eu não escutei.
O senhor levanta e abre a porta, caminho atrás dele sem dar uma palavra, vamos até a sala do delegado onde ele explica o caso junto com o meu suposto advogado ainda não formado, Igor e então posso ser livre e sair daqui.
- Aqui está o cartão do meu amigo, ligue para ele. – o senhor me encara.
- Obrigada. – murmuro.
Igor me encara em lamento e se despede do delegado.
- Vamos. – murmura ele.
Abaixo a cabeça. Sinto vergonha de mim mesma, o que as pessoas devem pensar de mim? Que eu não passo de uma trouxa, puta ou qualquer outra coisa, eu estou grávida e nem sequer uma vez amei o pai da minha filhe e ele também.
Igor permanece em silêncio ao meu lado, até que saímos da delegacia.
- Para onde vamos?- murmuro antes de entrar no carro.
- Para a fazenda da sua avó, ela precisa muito te ver.
Concordo.
Eu preciso voltar ao normal...
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