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11 Capítulo 11
Notas iniciais
Também quero agradecer o Daniel Victor pela recomendação, obrigada mesmo! Cap em sua homenagem.
Não sei por quanto tempo eu fiquei sentada ali, porém sei que foi o Nathan que me tirou de lá.
Estou sentada na sala, encarando-o possesso brigar comigo, o motivo? Eu não sei, já parei de escutar na terceira palavra que ele emitiu, estou mentalmente e fisicamente esgotada com tudo isso. Acho que eu que preciso de um bom tratamento medico aqui.
O Nathan vem me cansando cada dia mais, e pareço ficar mais cansada por causa da gravidez e do estresse.
- Tudo bem Nathan. – falo calma.
Ele para e me encara.
- Eu me rendo. – ergo as mãos na defensiva- Você ganhou. – faço reverencia.
Nathan arregala os olhos e recua.
- Já me cansou tudo isso, pode fazer o que quiser comigo, não me importo mais. – murmuro- Mas para de me torturar.
- Para de me matar mentalmente, se for caso, atire em mim como faz sempre, isso irá me ajudar muito. – encaro-o em piedade- Já que você não é mais aquele garoto dos olhos azuis de quem eu me apaixonei um dia.
- Não fale assim. – ele abaixa o tom de voz.
- Você quer que eu fale como?- minha voz saiu chorosa- Estou me sentindo sozinha, abandonada e você sempre consegue me colocar pra baixo e agora não tenho força para me erguer.
Sinto-me como um fantasma da Cassandra que já esteve aqui, me sinto pequena diante de tudo isso, não consigo mais lutar, meu exercito bateu em retirada. Estou entregue, sem forçar para lutar contra uma objeção dele ou qualquer motivo que encadeei uma briga como normalmente acontece.
- Você quer distancia?- encaro-o.
- Não. – ele diz exaltado.
- Então para de fazer isso comigo. – começo a chorar- Pare de me crucificar por motivos banais, pelo seu filho.
- Por favor, pare. – suplico.
Ele continuar me encarando, sem falar qualquer silaba, sem omitir qualquer som, sem ser o Nathan rebatedor.
- Me desculpe. – murmura ele.
Não responde, não sei se devo perdoa-lo sempre.
Dou as costas e caminho até a escada, subo os degraus bem devagar, enxugando as lagrimas que escorrem pelo o meu rosto.
Eu literalmente já me esgotei de tudo isso, preciso ficar sozinha.
Tranco a porta do quarto e vou direto pra cama, me escondendo debaixo dos lençóis como uma tartaruga se esconde do perigo.
Tenho morrido todos os dias ao lado dele, isso é mais doloroso do que sentir um tiro atravessar a sua carne ou levar uma surra. Como ama-lo se eu sei que sempre irei cair no fim de tudo?
Passo a mão no lençol macio e fecho os olhos, talvez eu já tenha chego a meu limite de paciência com o Nathan e eu não gostaria que isso tivesse acontecido.
As lagrimas escorrem, manchando a fronha de meu travesseiro, os pensamentos escapam de mim como aves que voam no céu límpido de outono, as atitudes me faltam e o cansaço me vence.
**
A noite chegou bem rápido, eu não saí do quarto depois do acontecimento na sala, minha mente continua exausta diante de tudo isso. O meu bebê e eu precisamos de um tempo longe do Nathan.
Escuto batidas na porta, ergo a cabeça e encaro-o, lembrando-me que havia a trancado depois que eu entrei.
Saio da cama e caminho até a porta vagarosamente, deixando as batidas ecoarem em minha mente e por meu corpo inteiro. Destranco a porta e vou me afastando como se recuasse. Ela abre aos poucos, revelando a silhueta do Nathan.
- O que foi?- murmuro.
- Queria saber como estava. – ele adentra no quarto.
- Isso responde?- faço um gesto com as mãos que mostram meu corpo inteiro.
- Talvez. – murmura ele.
Ele encara a minha barriga e depois fita meus olhos castanhos, seus olhos tem um brilho opaco, um brilho triste e arrependido. Gostaria que ele também estivesse assim.
- Nathan... – sussurro, sem saber como continuar.
- Não fale nada, só ficarei pior.
Concordo e respiro fundo.
- Gostaria de poder te entender. – murmuro olhando para o chão.
Ele ri baixo.
- Gostaria que não fizesse isso. – ele dá um passo pra frente.
- Por quê?- ergo a cabeça e dou de cara com ele.
- Eu não sou uma pessoa feita para ser entendida. – ele coloca uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
Ah, Nathan.
Encarando-o desse jeito, as minhas duvidas parecem sumir por um passe de magica.
- Você é bipolar. – resmungo.
Ele sorri.
- Só tenho ciúmes de você. – ele afaga o meu rosto.
- Todo o dia?- franzo o cenho.
- Às vezes, embora às vezes você me tire do serio. – ele sorri torto.
- Idem de você. – murmuro.
- Não ligue para a Alex, eu não sinto nada por ela.
Meu coração bate acelerado e eu tento ignorar a dúvida que surge.
- E você sente algo por mim?- balbucio.
Ele me encara terno.
O silêncio está quase me matando e eu tenho raiva de mim por ter perguntado isso, é tão infantil.
- Sim. – ele diz depois de um longo tempo.
Suspiro aliviada.
- Então por que faz isso?- murmuro.
- Porque eu não gosto de dividir nada que é meu e agora terei que te dividir com o bebê.
- Você parece uma criança que não aceita o irmão. – sorrio.
- Sim, eu sou muito infantil em relação a você.
Sorrio e olho pra baixo.
Tenho que me acostumar com esse poder dele, sempre quando estou nervosa, ele vem todo meigo e acaba fazendo-me esquecer de tudo. Embora que eu sei que ele não sente o mesmo que eu sinto por ele, ele já falou que me ama, mas tudo que vem do Nathan são apenas palavras.
- A policial me deu o seu recado. – ele comenta.
Coro e olho pra baixo.
- Como não foi preso?
- Tenho licença para portar arma e não fui eu que comecei o tiroteio. – ele diz triunfante.
Sempre com um truque na manga.
- Nossa, que herói. – falo irônica.
Ele ri.
- Não acho que tenho sido tão heroico esses dias com quem precisa.
Aquiesço.
- Ainda bem que você sabe. – murmuro.
Ele concorda.
Ficamos em silêncio, apenas trocando olhares sinceros e receosos. O meu príncipe desencantado parece estar sendo ele mesmo como sempre e isso me mostra que sempre tive impressões erradas dele, eu não o conheço bem.
Mordo o lábio inferior com força e sinto o gosto de sangue na minha boca.
- Pensei que você ia morrer hoje. – balbucia ele.
- Foi quase.
Ele fica em silêncio.
- Eu não sei e prefiro evitar isso. – murmura ele.
- Não parece.
Ele me encara com a cabeça inclinada.
Não creio que essa conversa seja pra valer mesmo, ele sempre vai fazer merda depois de um tempo e se vangloriar por isso como se ele fosse o certo da historia, e eu, vou continuar sofrendo.
- Temos que entrar em um acordo. – balbucio.
- Hein?
- Você não quer o bebê, então me deixe ir embora e viver sozinha. – encaro-o.
Ele arregala os olhos e parece espantado.
- Não!- fala exaltado- Não vou deixar você ir embora de novo.
- Eu tenho a minha avó que já deve ter tido um infarto longe de mim, tenho uma vida longe de você.
- Mas eu não quero você longe de mim Cassandra. – ele segura minha cabeça entre suas mãos- Eu gosto de você e não do bebê, sou capaz de suportar isso por você.
Como antes, acho que a distancia é o melhor pra gente.
O que adianta eu estar dizendo isso? Eu sei que não consigo ficar longe dele muito tempo, sei que isso não faz bem pra mim, no entanto ficar perto dele também não me faz bem, mas eu... Eu... Eu amo ele?
Expiro forte.
- Mas esse bebê não vai ficar dentro de mim pra sempre, e quando ele nascer? O que vai fazer?- falo desgostosa.
Ele inspira devagar.
- Vou tentar. – murmura ele.
- Como posso acreditar?
O silêncio paira no local, ele parece buscar as palavras certas.
- Eu não sei. – ele diz baixo.
Balanço a cabeça negativamente.
- Você é um caso perdido Nathan Frost. – sorrio.
Ele sorri sem jeito.
- Até parece minha mãe falando assim. – ele comenta triste.
Sinto um aperto no peito.
Meu pequeno menino traumatizado...
Aproximo-me dele e o abraço forte como se ele fosse escapar de mim. Já perdi tanta coisa na minha vida e sinceramente, o Nathan pode ter tudo de ruim possível, pode ser quem for, mas ele é o meu menino, meu príncipe desencantado e eu aprendi com a vida que não existem pessoas perfeitas, nós que as transformamos em perfeita ao nosso ponto de vista, sei que posso tentar arriscar isso com o Nathan... Afinal, foi disso que gerou o nosso filho.
E sim, eu amo ele.
- Não me deixe falar essas coisas. – murmuro.
- Tudo bem, você tem razão. – ele admiti.
- Na verdade, nenhum dos dois tem razão. – sorrio torto, embora ele não esteja vendo- Somos dois idiotas.
Ele ri.
O cheiro dele é o melhor aroma do mundo, cheiro de Nathan e de roupa lavada me deixam literalmente bêbada.
Encaro os olhos azuis novamente e uma vontade louca de beija-lo domina o meu corpo, fazendo-me ansiar pelos seus lábios, acabo esquecendo o motivo do meu choro.
Fico na ponta dos pés e alcanço o local desejado, tomando seus lábios para mim. Permito a entrada da sua língua e exploro sua boca, denominando-a como meu território, só meu.
Agarro a barra da sua camisa e o puxo para mais perto de mim, embora meus lábios ardem pelo contato e eu consigo sentir o gosto do sangue, continuo beijando-o, eu preciso disso. Suas mãos passam pelo meu corpo inteiro, causando arrepios.
ACORDO na cama, meu corpo está dolorido e pesado.
Nathan está jogado em cima de mim, seu corpo é quente e pesado, talvez esse seja o motivo da dor em meu corpo.
Mexo-me na cama e percebo minhas roupas no chão, meu coração dispara. Calma Cassandra.
Não! Eu não acredito que eu dormi com ele! Argh! Isso não podia acontecer.
Nathan se mexe ao meu lado e alivia um pouco o peso do meu corpo, respiro com mais facilidade. Tento sentar na cama, mas ele ainda está com o corpo em cima do meu, atrapalhando a minha proeza, empurro-o delicadamente para o lado e solto o ar.
Ele é pesado...
Fico encarando a janela a minha frente. Minha vida realmente nunca foi normal, não? Cresci quase que órfã, minha mãe nunca foi minha mãe, meu tutor foi o pior cara do mundo e prefiro não lembrar-me disso, fui sequestrada por um mafioso com problemas sério, me apaixonei por ele, terei um filho dele, minha amiga sumiu e eu quase não me lembro disso quando estou ao lado dele.
Nathan se mexe mais na cama, parece desconfortável. Apoio-me nos cotovelos e encaro-o, ele não para quieto e sua feição está franzida.
- Cassandra, não me deixe. – ele suplica baixo.
Franzo o cenho. Ele está sonhando comigo....
- Não!- ele fala em um tom mais alto, me assustando.
Ah merda! Tinha esquecido dos pesadelos dele.
- Nathan!- chacoalho devagar.
Ele continua com a feição franzida e resmunga algo que não entendo.
- Nathan!- grito e balança-o, quase o derrubando da cama.
Ele abre os olhos azuis no susto e me encara, respirando aliviado.
- Você está bem?- encaro-o.
Ele aquiesce.
Está muito quieto...
- O que sonhou?- inclino a cabeça, parecendo a coisa mais normal do mundo.
Ele me abraça forte.
- Sonhei que você estava me trocando por outro cara. – ele diz contra a minha pele da clavícula, causando calafrio.
Sorrio.
Nathan é tipo uma fachada, onde a capa não tem nada haver com o conteúdo dele. Ele tem esse jeito mal e frio de ser, mas no fundo não passa de uma criança abandonada.
- Mas eu estou aqui e sempre vou estar. – tento acalma-lo.
Ele me abraça mais forte e fica em silêncio. Será que depois de tudo isso, ele voltará a ser o meu menino de olhos azuis?
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