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10 Capítulo 10
A areia está grudando nos meus pés, causando coceira. Algumas pessoas da praia me olham torto, talvez pelo ocorrido no deque ou porque estou sem blusa.
O que o Nathan falou ainda me fere até a alma e continuo a pensar se ele tinha razão em fazer um aborto. Essa criança já passa por muita coisa sendo um pontinho, imagine quando já estiver no mundo.
- Cassandra!- escuto a voz do Nathan de longe.
Paro e cerro o punho, ele não passa de um idiota frio.
Começo a correr, tropeçando nos meus próprios pés e afundar os meus pés na areia.
- Vá embora!- grito de volta.
Ele não responde, olho para trás por cima dos ombros e vejo que ele também está correndo, aumento o esforço da corrida e a respiração começa a ficar pesada de novo.
- Cassandra!- ele grita de novo.
Suspiro e tento correr mais rápido, meu pé afunda em um buraco e eu caio, rolando na areia.
Nathan chega mais perto e toca em meu braço gentilmente.
- Não toque em mim. – praguejo- Não!
Ele arregala os olhos e se afasta.
- Você não merece nada de mim. – levanto e retiro a areia do meu corpo.
- Cassandra eu não pensei no que eu estava falando. – ele começa a se explicar.
- Não se explique!- grito- Nem um animal desmerece o filho igual você faz.
Ele passa a mão no cabelo e olha em volta.
- Se você tem raiva, desconte em mim e não em um ser que nem ser formou ainda.
- Você já viu o exemplo de pai que eu tive?- ele pragueja.
Franzo o cenho.
- Você já viu como o meu pai é, já viu como a minha infância foi, como quer que eu reaja com isso?- ele me encara.
- Nathan, isso é diferente. – abaixo o tom de voz.
- Não!- ele fala mais alto- Eu vejo nessa criança o que eu vivi, o que eu sofri, o que eu sou agora. – seus olhos brilham.
Ah, eu tinha me esquecido disso.
Em parte ele tem razão, o medo que ele tem de ser igual o pai dele, o que ele vivenciou na infância e os traumas que ganhou pode sim acontecer com o meu bebê.
- Mas você não é igual o seu pai. – me aproximo dele.
- Você não o conhece para julgar, apenas me tem como exemplo. – ele rebate.
Encaro-o com compaixão.
De fato ele realmente tem medo de se tornar o pai e isso pode realmente causar certo problemas.
- Sabe- murmuro-, se continuar assim, ficará pior aqui. – coloco a mão em seu cabelo- Você tem que se libertar disso Nathan, quanto mais pensar nisso, pior você ficará.
Ele arregala os olhos.
- Eu gosto de você pelo o que você era, mas agora você está caindo pra mim, está me deixando com medo e deixando eu me afastar de você.
Seu rosto fica desfigurado, ele fica tenso e silencioso.
- Não fale que goste de mim. – murmura ele.
Dou um soco no peito dele.
- Dá pra parar com isso, merda?- praguejo.
Ele franze o cenho.
- Tudo bem, eu fugi de você, foi um momento de fraqueza, loucura, eu estava com medo de você me deixar e arranjei um jeito de me enganar. – explodo- Mas mesmo você me ameaçando e quase me agredindo, eu voltei pra você Nathan, voltei porque eu a... Gosto de você. – encaro-o.
- Quando você sumiu, eu pensei que nunca veria você. – ele afaga o meu rosto- E quando eu te achei, tinha essa... Essa criança junto, eu entrei em pânico. – seus olhos entristecem.
Mordo o lábio inferior.
O motivo do comportamento dele era apenas medo? Medo de ser igual o pai, medo do filho dele crescer igual ele e medo de me perder.
- Agora começamos de novo. – sorrio.
Ele ri.
- Não dá mais pra começar do começo. – ele encara a minha barriga e seus olhos parecem um pouco mais felizes.
- Isso é apenas negócio a parte. – pisco pra ele.
Ele ri.
Voltamos para o porto, um pouco mais calmos. Creio que agora eu o entendi, eu sei de uma coisa; quem não entende um simples olhar, tampouco entenderá uma longa explicação. São os olhos azuis a explicação de todo e não o comportamento do Nathan, a dor que os olhos azuis carregam são o motivo de todo isso.
Ah, Nathan...
**
Já estamos na mansão, Nathan se trancou no escritório com o Lucas. Alex está na cozinha conversando com Leo. Por que com ela o Leo tem o maior papo?
A Tv está o maior tedio, não acho um canal que preste agora e não tenho ninguém para conversar comigo.
- E ai gatinha. — escuto uma voz familiar.
Olho para o encosto do sofá e vejo o Alek.
- Oi. – sorrio.
- Por que está tão emburrada?- ele franze o cenho.
- Não estou.
Na verdade, só estou meio confusa em relação ao caso chamado Nathan Frost.
- Soube o que aconteceu com a Vic?- encaro-o.
Sou feição se fecha.
- Sim. – ele pula o encosto e senta ao meu lado- Tenho certeza que vamos acha-la.
- Muito confiante. – resmungo.
- Talvez. – ele ri.
O Alek é muito de bem com vida, ele levou uma surra, está todo quebrado e ainda tem animo de sorrir?
- Você e o Nathan não vão bem, né?- murmura ele.
- Não. – confesso.
- Acho que uma criança fará bem a ele. – Alek ri.
Encaro-o irônica.
- Ou não. – ele disfarça.
Levanto do sofá.
- Vou tomar banho. – murmuro.
- Tudo bem. – ele pega o controle remoto.
Subo para o quarto e tomo um banho demorado e bem quente, tive agitação demais para uma gravida.
Encaro o meu braço e vejo a tatuagem, lembro-me de minha mãe. Com certeza ela seria ótima em seus conselhos em momentos como esse.
Termino o meu banho e coloco uma roupa de frio, desço as escadas em silêncio e não vejo ninguém na sala, devem estar no quintal da casa. Escuto uma conversação no escritório do Nathan, mas ele não fala com homens.
Alex...
Caminho lentamente até a porta e coloco o ouvido nela, consigo escutar um pouco abafado.
- Não creio nisso.
- Alex, eu gosto da Cassandra.
- Mentira.
- Olha, eu vou ter um filho com ela, eu ainda estou com ela, o que isso quer dizer?
- Você tem dó de deixa-la.
Dó?! Quem ela é para tirar essas conclusões?
Estou ardendo de raiva.
A porta abre e eu me afasto, e é justo ela que saí de lá.
- Falando da criatura. – resmunga ela.
- Olha aqui. – falo séria.
- Olha aqui você!- ela me interrompe- O Nathan não gosta de você.
- Ah, que dó da loira abandonada. – falo cínica- Só que eu não tenho dó de piranha.
Ela bufa.
- Já me livrei de muitas igual você e com você não vai ser diferente. – bato de leve no rosto dela e saio andando.
Menina despeitosa, se continuar assim, loiras vão naufragar por aí...
Vou para a área da piscina e encontro os meninos dentro da piscina, me aproximo devagar.
- Acha que vai ficar quanto tempo lá?- Alek encara o Lucas.
- Não sei, parece meio complicado. – Lucas diz baixo.
- Nada que você não consiga. – interrompe o Leo.
Do que eles estão falando.
- Oi. – sento em uma cadeira perto da piscina.
- Frio?- Lucas me encara.
Olho para o céu azul e limpo, sorrio amarelo.
- Dentro da casa está frio. –acho uma desculpa.
- Não acho certo o Nathan envia-lo. – Alek continua o assunto.
- Eu quero ter experiência, então é justo. – Lucas protesta.
- A Naomi vai com você?- Leo encara o Lucas.
- O Nathan falou que vou sozinha. – Lucas diz convicto.
- Vai dar merda e eu não vou lá pra Espanha salvar você. – Alek diz irritado.
- Eu não sou igual você. – Lucas rebate.
Alek fecha a cara e saí da piscina.
- Então que se foda. – ele saí andando.
Leo mergulha e saí do outro lado da piscina, deixando eu e o Lucas sozinhos.
- Qual o motivo da discussão?- murmuro.
- O Nathan me deu uma missão importante e perigosa. – ele sorri orgulhoso- Só que o Alek acha que eu não vou conseguir realiza-la.
- Por quê?
- Porque ela é meio complexa mesmo e eu não sou muito experiente. – ele sorri torto.
- É com erros que se aprende. – sorrio.
- Mas eu não gostaria de errar com o Nathan. – ele ri.
Concordo.
- O Alek que diz isso. – rio.
Ficamos em silêncio, um pouco desconfortável.
- Você está bem?- murmura ele.
- Sim, por quê?- encaro-o.
- Sei lá, esses dias você ficou meio quieta no seu canto, eu quase não via você. – ele diz baixo.
Suspiro.
- Estava apenas pensando. – encaro a piscina.
- Você é muito centrada. – ele sorri.
- Isso é bom?- sorrio.
- Depende da situação.
Concordo e volto a encara-lo.
- Quando vai embora?
- Daqui três dias.
Aproximo minha cadeira da dele.
O Lucas é a pessoa mais normal entre eles e a única que eu consigo conversar de verdade, se ele for embora será muito triste.
- Não gosto disso. – murmuro- Queria que ficasse.
Ele sorri.
- Você tem o Nathan. – ele me encara.
- Não é a mesma coisa. – digo baixo- Vocês são diferentes e eu gosto de conversar com você.
- Tem três dias pra isso. – ele ri.
- Colocaremos fofocas em dia. – rio.
Ele suspira.
Encosto minha cabeça no ombro dele e ficamos em silêncio.
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