Business Friendships
1 Único
Notas iniciais
Era mais uma sexta-feira de ocupação empresarial obrigatória; ao invés de estar em casa, Thorin estava praticamente sozinho no prédio principal de Erebor e ainda trabalhava em alguns documentos randômicos, enquanto devia fixar-se nos detalhes finais de um evento de grande porte que aconteceria dali a dois dias, em torno da grandeza de sua mineradora. Era uma perda de tempo, de dinheiro e paciência, mas Balin, seu amigo e secretário oficial, lhe instruíra a coletar “amizades comerciais” para o bem futuro.
Incluso nessas “amizades”, estava o famoso socialite Thranduil, que não perdia uma chance para alfinetá-lo em qualquer que fosse a situação. O monarca da família Greenleaf era um “bilionário metido a besta que parecia emanar riqueza de todos os poros” e lhe tirava do sério. Aquele evento maldito necessitava da presença de um dos maiores compradores de jóias da face da Terra para promover o produto de Thorin e sua empresa, Erebor.
Thranduil havia chegado de supetão em sua sala, porque ele quis e pôde, na pacífica – ou não – sexta-feira; interrompeu Thorin numa ligação internacional que ele julgou não ser importante. O loiro trajava um blazer azul marinho, tão profundo quanto a vontade de Thorin a esganá-lo. Thorin ainda segurava o celular à orelha e respondia monossilabicamente ao ser do outro da linha quando Thranduil sentava-se, invasivo, à cadeira posta na frente da grande mesa do minerador. Ele detinha aquele maldito sorrisinho nos lábios finos e bem desenhados, enquanto suas pernas cruzavam-se uma acima da outra; ele esperou muito pacientemente.
Thorin franziu o cenho enquanto falava. Um grunhido de insatisfação foi ouvido quando ele deslizou a ligação e largou o aparelho em cima da mesa sem cuidado algum.
— Seus dias parecem cada vez melhores, Thorin. – Thranduil por poucos não gargalhou. – O que você vai fazer agora; carimbar uns papeis?
— Sim, inicialmente eu pensei nisso. Mas ainda há relatórios de desenvolvimento e desempenho para ler e avaliar. – Ele suspirou pesadamente – Eu até pediria a sua ajuda; se você não fosse um bastardo egoísta que não faz ideia de onde o próprio dinheiro vem. – Thorin pareceria muito raivoso, se ele não estivesse tão cansado.
Isso pareceu atiçar a atenção de Thranduil para chegar onde ele queria.
— Ah, óbvio que sim. – Ele balançou as pernas e a cadeira giratória fez meia-lua e voltou – do que adianta trabalhar e não poder gastar o dinheiro?
— Mas que pensamento brilhante.
Thranduil anuiu minimamente com a cabeça, fechando os olhos de leve. Ele ainda sorria; Thorin passou a encarar o teto, quando foi alfinetado novamente. Dessa vez, de tom malicioso e soturno, ele começou a murmurar:
— Há tantas modelos patéticas querendo uma chance naquele hotel que você, Thorin, alugou para elas. – Sua voz baixou uma oitava — Por que não vai visitá-las?
Thorin não respondeu. O outro percebeu que ele realmente havia começado a analisar os relatórios de desenvolvimento e desempenho da empresa. Deu um gole no café fumegante que descansava, preto, numa caneca branca simples.
— Qual o problema? – Ele continuou, voltando a exibir seu sorriso superior – Impotência?
O moreno tirou os olhos dos papeis. Encarou profundamente, talvez se perguntando o porquê daquela conversa estranha que tinha se voltado para sexo e garotas de uma hora para outra. Com certeza pensava em várias formas de expulsá-lo dali num peteleco, ou como responderia essa pergunta sem elevar o estresse, como estava... Quase acontecendo. O moreno levantou, levando sua caneca junto – e deu mais um gole -, e ficou a observar a carranca maliciosa quase natural que o loiro mostrava para si. De repente, o café não parecia tão interessante e a caneca fora deixava encima da mesa. Ele respirou fundo e lambeu os lábios.
— Vamos lá, Thorin. Não tema a essa pergunta tão ridícula. O que há em respond-
Se houvesse um modo exato para descrever aquele momento, não seria um terráqueo a fazê-lo. Os dois tinham passado dos limites; Thorin não guardou seu estresse e Thranduil, com certeza, se arrependeria por ser tão...
Thorin acabara de ouvir um gemido. Um som íntimo demais para parecer doloroso, fraco demais para ser ouvido por alguém que não fosse o próprio, ou alguém que não estivesse... Tão... Perto.
O loiro fora puxado do seu estado de conforto para uma parede qualquer e gemeu aos ouvidos de Thorin. Este, embasbacado ainda com a reação inesperada do outro, afastou-se, mas não por muito tempo. O moreno agarrou o próprio colarinho com certa agonia, o calor da aproximação queimando-lhe a cabeça e o baixo ventre. Ele pôde perceber, antes de tomar os lábios alheios de uma vez, o rosto de Thranduil ficar lívido de um prazer mais excitante que as próprias pernas entrelaçadas roçando-se no meio delas.
Muitas das vezes em que irritou Thorin não levaram a nada; em algumas delas podia-se perceber a expressão fraca de derrota que se instalava instantaneamente no rosto de Thranduil; ela transformava-se em raiva e logo após, mais planos para... Sucumbi-lo. Porém, como nunca havia acontecido antes, o loiro ficara receoso da brincadeira quando começou a caçoá-lo; era a primeira vez que ele revidava fisicamente. E psicologicamente. Algo o disse para parar antes que se arrependesse mais tarde.
Thorin buscou sua atenção mordendo-lhe o lábio inferior avermelhado; Deus, ele estava morrendo cozido dentro daquela roupa.
Desespero seria a palavra certa para descrever aquele contato nos lábios. Ali, tão colados como estavam, esqueceram-se de suas desavenças; ou não. Aquela brasa que ardia de ódio acendia-se conforme sugavam os lábios e apertavam os pescoços, quando puxavam os cabelos e seguravam as cinturas. Seus olhos ficavam perdidos e quando voltavam, fechavam-se por não conseguirem se manter abertos por muito tempo. Respiravam pesadamente em seus beijos, não paravam para tomar fôlego direito e conseguiam, ainda, murmurar o que seriam xingamentos um para o outro. Saiam em forma de resmungo, rejeição, mas terminavam arfando e arqueando as costas.
O mais alto entregou seu pescoço sem pensar muito bem o porquê de ter feito isso; suas mãos pediam por mais enquanto puxavam os sedosos cabelos de Thorin, e este correspondeu ao chamado, tentando em meio à confusão de cabelos loiros, desabotoar os primeiros botões do blazer. Concentrado em várias coisas ao mesmo tempo, ele se perdeu facilmente. O cheiro era inebriante, o daquele pescoço pálido. Era doce, disso ele tinha certeza, mas não poderia dizer que era artificial. Era doce, mas não enjoava, não tinha toque de guloseima; na verdade, lhe lembrava mais luxúria. Poderia ser facilmente um perfume caro, mas algo o fazia pensar o contrário.
— E-eu sei que quer isso tanto quanto eu, mas- oh! – Thranduil começou a dizer, repensando o que acabara de fazer – o que não foi muito – e se arrependeu logo após. Thorin não quis ouvir; mordeu o pescoço alvo e ouviu e sentiu o outro se sobressaltar. Suas mãos pousaram no peito de Thorin e sua expressão mostrava rejeição, e ele olhava para o lado, de repente com vergonha. Mas Thorin sabia qual era a sua real intenção. Apesar de querer sair dali, ele também queria ficar muito mais.
Era o paradoxo de suas vidas.
Eles se separaram por três segundos. Com a visão nublada, não foi muito fácil focar nitidamente o que queriam: os próprios olhos. Seus cabelos, os loiros, foram para frente quando ele se jogou contra o outro para melhor avaliar seus orbes. Ele fazia aquela expressão estupefata, grave, que era sempre presente enquanto brigavam. Thorin sorriu, fechou os olhos, e deu uma risadinha sarcástica; apertou a cintura de Thranduil e não fez esforço para que as pernas deste subissem graciosamente em cada lado do seu corpo.
Thranduil estava com os braços jogados ao lado do corpo antes que aquilo acontecesse, compenetrado demais em fitar aqueles olhos extremamente claros, que eram os de Thorin. Depois de ser suspenso (ou ele achava que tinha, não sabia dizer ao certo), sentiu a necessidade de ter suas mãos apoiadas em algum lugar – e este eram os ombros do moreno que, concentrado o bastante para seguir um caminho que Thranduil não conhecia, andou; mas disperso o suficiente para beijá-lo intensa e rapidamente enquanto andava.
Ele levou uma das mãos que apertavam a coxa do loiro para a maçaneta de uma porta ligeiramente escondida dentro do seu escritório. Num segundo, as poucas conversas baixas que eram possíveis ouvir naquele outro cômodo foram substituídas por silêncio. Thranduil não se preocupou em virar para saber que ali era onde Thorin passava as noites às vezes; talvez por trabalhar até tarde e não querer voltar para casa, ou por apenas querer um pouco de silêncio. Em meio a esses pensamentos ele escutou a porta bater – Thorin tinha chutado ela – e percebeu que o quarto só recebia iluminação da cidade. A partir daí ele não deve ter pensado em mais nada coerente; Thorin o jogou sobre a cama e tratou logo de não ver mais sua própria camisa e nem a do outro.
Thranduil estava ofegante, mas não deixou de soltar um comentário que fez Thorin repensar em muita coisa:
— Se me queria assim antes, por que não fez o favor de avisar? – Aproximou-se devagar, apoiando-se nos cotovelos antes de avançar para, então, mordiscar seu queixo, o lábio inferior, desviar para o lóbulo da orelha e se demorar deliciosamente no pescoço bronzeado de um Thorin, agora, sem palavras. Este estava murmurando algo indecifrável quando Thranduil levou uma mão livre até a barra de sua calça, os dedos brincando ali tão perversos quanto o próprio homem. Desceram devagar pelo zíper e pela costura do tecido, até que pararam num ponto crítico e Thorin quis acelerar logo as coisas.
Não disposto a deixar Thorin tomar conta da situação novamente, segurou as madeixas e ouviu um grunhido mal-humorado. Riu em deboche e mordeu descaradamente o próprio lábio. Thorin suspirou, estava exasperado – e necessitado. Thranduil fez um pouco de esforço para deixar Thorin na sua posição, ficando por cima deste, adorando a expressão enviesada do moreno para com essa nova situação. Depois de negar diversas vezes aos pedidos que vieram em movimentos cadenciados estrategicamente posicionados em seu quadril, que o loiro completava, descaradamente, a umas mordidas aqui e ali, Thorin finalmente deitou sua cabeça no colchão, esperando ansiosamente para algo que nem veio tão atrasadamente assim.
Thranduil sorriu maroto para o homem deitado abaixo de si; como ele sempre imaginou. Uma vontade alucinante de levantar sua mão tomou a mente, e ele, sem pensar muito bem (ou pensando tão bem que lhe trazia tonturas), estapeou a bochecha de Thorin. O moreno sobressaltou-se mais pelo susto que pela dor, e ficou sem reação por tempo suficiente para Thranduil gargalhar forte, inclinando-se para frente. Seus cabelos caíram como uma cascata clara ao redor do seu rosto e do de Thorin, e ele aproveitou a deixa para unir seus lábios mais uma vez. Um beijo morno, que parecia ter sido levado ao fogão para esquentar até evaporar, eles trocaram, e Thranduil empertigou-se a mordiscar-lhe o lábio inferior. Quando se separaram, Thorin indagou, a voz rouca e com uma pontada de indignação:
— Por que fez aquilo?
Thranduil abaixou-se novamente, mas dessa vez demorou a olhar de novo para Thorin. Seus lábios quiseram provar da pele do pescoço novamente, porém, desceram faceiros ao peito, o abdômen que subia e descia desregular, e enfim ao destino final. Aí ele olhou, sem levantar o rosto, no entanto, para Thorin, que quis de repente sair correndo. Ainda esperava por uma resposta – mas de um jeito ou de outro soube que esta não viria tão cedo.
As mãos de Thranduil trabalhavam rápido, quando ele queria. Esse não era o momento. Ele abriu, como que despretensiosamente, um espaço entre o tecido da calça e o da cueca preta de Thorin com uma das mãos; com a outra, quis arrancar o resto da peça fora. Precisou de um tempo para processar a ideia de que não estava afetivamente ligado àquele homem e que nada daquilo valeria no outro dia. Sorriu venenosamente como melhor sabia fazer, pois de repente vieram-lhe resmungos de reprovação por parte dum teimoso que era agora seu amante.
Ele deslizou as mesmas mãos pela extensão do abdômen de Thorin e, com os dentes, puxou a barra da cueca para baixo. Logo, essas mãos vieram ao seu auxílio; ele expulsou aquele tecido da vista alheia e quis prestar mais atenção na parte do corpo que se encaixava perfeitamente à toda a imponência e brutalidade que eram compostos importantes de Thorin – parecia até uma piada. Uma piada maliciosa e perigosa. Que por sua vez, encaixavam-se perfeitamente a Thranduil. Então, subitamente, Thorin pôde apreciar quase dolorosamente a sensação de ter aquele paraíso tornando sua noite mais agradável.
Um paraíso comumente chamado de “língua”, que se mexia demoniacamente ao redor da glande avermelhada, que se levava por toda a extensão do outro homem, e que se deliciava fazendo barulhos para ele. Thranduil arfava e, quando o fazia, gostava que fosse bem próximo de onde sua língua trabalhava, para que Thorin sentisse o frio que faria se ele não estivesse ali. Geralmente afiada para discussões, intimidadora e quebradora de argumentos, aquela bendita língua servia para muito mais além do alcance da mente do atacado. Ele sorria maleficamente, e a luz ainda desbotada do quarto não possibilitaria isso daquela distância, mas se o outro visse, preferiria realmente não ter aberto os olhos.
Atordoado, Thorin gemia tão languidamente como nunca fez antes, enquanto suas pálpebras tremiam em dissonância a lentidão que era completada aquela tarefa. Thranduil ainda brincava de ser o próprio demônio quando sentiu a necessidade de se livrar do resto das suas próprias roupas. E, contrastado à sua velocidade mínima e enlouquecedora para controlar Thorin – que estava dividido entre querer voltar ao seu devido lugar ou continuar a perder sua sanidade naquele joguinho -, lá estava Thranduil: levando o moreno a um orgasmo; um dos que prometia para ele. Thorin, sem querer, levou suas mãos aos cabelos loiros, que estava tentando evitar todo aquele tempo, e gemeu, protestante, a seu nome. Thranduil riu mais uma vez de sua situação, como de praxe. Thorin estava extremamente ofegante e suado. Não obstante, o loiro quis lambuzar todo o membro – o outro arqueou as costas e murmurou algo indecifrável — visando seu próprio prazer, que preferia que não viesse tão tarde.
Mas não eram esses os planos de Thorin para seu... Adorável companheiro de noite. Nem um pouco recuperado da sensação de veludo e, extremamente entorpecido, Thorin permitiu-se tentar sair daquela exposição constante a Thranduil. Este ajudou-o, ficou de joelhos e fez deslizar a calça escura junto da cueca, jogando-as para longe. Assim mesmo o moreno fez com a sua e, naquela vez, parou para prestar um pouco de atenção às sinuosas curvas daquele corpo que, profundamente repreendido em sua mente, desejava fazia um bom tempo. Era alvo, mas não pálido, dono de masculinidade e leveza, concomitantemente.
Thorin avançou porque, mesmo que não quisesse admitir, sentiu saudades dos lábios finos e bem desenhados daquele que estava parado. Murmurou sobre eles porque provou do próprio sabor e seu intuito não era esse, mas continuou a beijá-lo no calor da melhor discussão que já tiveram. Thorin concordou que já era hora de esquecer certas preliminares quando Thranduil pressionou seu quadril contra o dele, e ronronava, despertando-o para o momento, pois tinha se perdido no beijo.
O loiro arfou mediante a uma mão boba que esticou-se e apertou, não tão levemente assim, sua nádega. Não houve tempo o suficiente para ralhar com Thorin porque este, mesmo que soubesse da grande negação que viria por parte do outro, ergueu-o e o forçou a agarrar seus ombros como apoio; Thranduil mordeu aquela região por birra e antecipação.
Nunca uma noite em Nova York fora tão quente como dentro daquele quarto; apesar da paisagem noturna nublada lá fora, a sensação térmica era tão enlouquecedora quanto o próprio fato daquele contato corporal tão desejado, mas tão desconhecido para ambos. Thorin ficou a observar quietamente enquanto o outro movia-se para melhor posicionar suas próprias mãos — uma delas buscou apoio no ombro de Thorin, a outra navegou pelos lençóis até achar seu blazer largado, e Thorin preferiu ignorar o fato de que ele levava um pequeno tubo de lubrificante nas vestimentas, além de proteção. Um sininho tocou em sua cabeça, então, mas não pretendia fazer nada em relação àquilo; pelo menos não agora.
Thranduil estava tão focado em melar os dedos com a substância e posicioná-los atrás de si, que não percebeu que fincava as unhas no ombro de Thorin, ou que este o encarava de forma corrosiva, estranhamente encantado ao ver os longos dedos de Thranduil abrindo-o lentamente. O homem arfava de leve, contido até, suspirando vez ou outra, e quando seu rosto se contorceu e ele soltou um gemido rouco, quebrado, Thorin soube que ele havia tocado a próstata. Por um momento se sentiu invasivo ao observá-lo tão atentamente — pelo menos até o momento em que Thranduil sacudiu os cabelos para longe do rosto suado e encarou Thorin nos olhos. Ele poderia ter gozado de novo só por isso, tinha certeza. Thranduil continuou seus movimentos lentos e cadenciados, vez ou outra encostando seu próprio membro ao de Thorin, que resolveu tomar os dois entre uma mão e manuseá-los. Ele grunhiu baixo, olhando o rosto de Thranduil se contrair mais uma vez, e aproximou-se dele para juntar os lábios, para beijá-lo porque em algum momento durante o tempo em que se separaram, o desejo o corroeu por dentro. Estava claro, no entanto, que Thranduil não pretendia satisfazer suas mais urgentes necessidades, pois franziu o cenho e projetou-se para trás, três dígitos dentro de si, contorcendo-os até que estivesse minimamente preparado. Thorin grunhiu à cena, mas nada disse — ao contrário, calou-se e esperou, definitivamente mais incomodado que jamais esteve. Thranduil subiu a mão que se apoiava firmemente ao ombro de Thorin para sua nuca, inconscientemente puxando os fios de cabelo ali num arquejo súbito, rapidamente desmontando sua íntima e limitada mostra — ele respirava pesadamente, mas Thorin o beijou. Arranjou os dois corpos, Thranduil pôs suas pernas dobradas mais acima, sentando-se no colo de Thorin por completo, a pele quente e suada brilhando fracamente à luz ruça. Ele estava de olhos semi-cerrados quando o moreno diminuiu o ritmo do beijo mas não se separou por completo, arfando no espaço entre os rostos. Thranduil grunhiu, seu corpo caindo pesado ao sentir Thorin ajustando seu membro ao meio das coxas, e ele passou a dedicar um milésimo de tempo para distribuir pequenos selos molhados pela extensão do pescoço do homem.
Thorin suspirou. Thranduil fechou os olhos, revirou-os, quando Thorin enfim empurrou-o para baixo; uma de suas mãos, que já conheciam tão bem aqueles cabelos, tirou-os da testa suada, fê-lo abrir os olhos para encontrar os seus e pediu permissão. Permissão essa que não fora dada; o de olhos extremamente azuis foi de encontro ao quadril de Thorin sem preparo; arfou, franziu o cenho, mas beijou-o apressadamente, reclamou e forçou os dentes contra os lábios alheios, enquanto continuava a unir-se ao moreno. Este passou a assisti-lo, como a um programa de TV, pois sua expressão era o que se diferenciava muito do polimento natural daquela criatura, e ele queria ver muito mais daquilo ao longo da noite.
Seus gemidos eram tão dissonantes quanto a própria vida, as escolhas, o trabalho fora dali; o moreno procurava persuadi-lo a deitar, a deixar que tomasse conta da situação de uma vez por todas, seus lábios deixavam marcas no pescoço completamente dado a si. Seria estranho pensar que talvez ele quisesse marcá-lo para um motivo que não fosse apenas parte do momento? Outro fator a atraí-lo era aquele perfume enigmático; e todo aquele mistério o fazia querer tudo ao mesmo tempo. Quis gritar. Thranduil ia e vinha tão profundamente que o moreno temeu não conseguir pensar direito; sua cabeça fervilhava em pensamentos que só se voltavam para o loiro, movia-se conforme aquele; deitou-o, enfim, sem fazer muito estardalhaço e seu beijo pareceu cálido demais para alguém que nutria tanto ódio – foi correspondido de forma semelhante e estranha para alguém que também compartilhava de mesmo sentimento. Thorin sentia os músculos cada vez mais rígidos, à medida que ia intensificando aquela dança que começou tão sem rumo e agora ia, contrastante e ao mesmo tempo combinante, chegando a um ponto de insanidade. Thorin ainda mordia, lambia e sugava aquele pescoço que era doce e traiçoeiro, assim como aquela pessoa com quem fora se meter.
Distribuiu então seus beijos ao maxilar até chegar à boca, e ali ficou até movimentar-se tão rápido e determinado a atingir um ponto específico – Thranduil pôs-se a ficar de boca aberta, depois de cravar as unhas nas costas e os dentes no ombro do moreno, murmurando em voz baixa e falha o quanto ele o odiava e era maravilhoso – que, não pretendendo no momento, fez o loiro resmungão desfazer-se no próprio abdômen, tremendo quando um arrepio específico correu por suas costas. Gemeu muito alto, quase um urro, e seu ímpeto fora abraçar o corpo suado de um Thorin, de repente pasmo, sobre ele. Mas não conseguiu prestar atenção nisso. Ele atrapalhou-se nas suas palavras quando Thorin não pôde aguentar mais e, ainda dentro dele, preencheu-o com seu sêmen, o rosto enterrado nos cabelos claros contorceu-se e a boca mordeu-lhe forte o ombro. Thranduil ralhou sobre essa última decisão e, tirando força de um lugar desconhecido, bateu as costas da mão no pescoço de Thorin.
Eram tão competitivos, mas naquele momento não puderam ou quiseram calcular quem mais suava, quem mais estava ofegante, cansado, ou arrependido. Ou sonolento. Thorin, quase que literalmente, despencou ao lado do loiro quase adormecido; mas no processo fez o favor de ficar por cima dos bastantes cabelos de Thranduil, que abriu os olhos de súbito e quis virar-se de repente. Virou-se. O moreno já lhe esperava uma bronca então, assim que avistou aqueles olhos azuis, raivosos, lânguidos e cansados, não pôde conter a vontade de encará-los. Assim como seus lábios não quiseram conter-se a tocar nos outros novamente, suas mãos quiseram moldar o rosto esbelto com a palma.
Thranduil, cansado de manter os olhos abertos, fechou-os; cansado de lutar contra os lábios, cedeu-os; e seu rosto estava entregue. Cerrou vagarosamente os olhos sem ouvir muito bem o que Thorin dizia, mas este murmurou o seguinte:
— Continuaremos a nos odiar na manhã seguinte. Mas antes, — ele colocou seu braço em volta da figura etérea que quase dormia entre seus lençóis – permita-me dizer uma coisa: você é muito bom nisso. – Ele não esperou uma resposta, mas ela veio, meio atrasada, depois de uns resmungos mal-humorados:
— Faça o – ele bocejou e pôs-se a deitar com a barriga para baixo – favor de... Calar a boca. – A voz ficou abafada pelas próprias mãos. No fundo, no fundo, não tinha forças o suficiente para estar arrependido.
Ԅ Ԅ Ԅ
— Sinceros aplausos à Thorin, presidente do verdadeiro império de mineradoras, convocado a esta... Reunião – os risos, gritos e bater de palmas foram fortes; Thorin esperou-os acabar para então levantar uma mão e ver, com sucesso, que todos voltaram as suas normais ações. Ele tomou o microfone da mão de Balin, que lhe sorriu e dirigiu-se para fora do palco, e praguejou, antes de realmente começar a falar o que queria:
— Caramba, isso aqui encheu muito rápido – ouviu umas gargalhadas em conjunto antes de tudo se silenciar novamente, a não ser por uma melodia baixa que tocava nas caixas de som – Hm, primeiramente, bem-vindos. Nesta noite iremos, não só apresentar-vos, mas surpreendê-los com a quantidade e a qualidade de peças preciosas que, sendo o âmbito da empresa, oras, conseguimos em seu máximo. A extração dessas pedras pode não ser muito do interesse geral desses senhores, senhoras e senhoritas que me ouvem nesse momento – ele afastou o microfone nos lábios, sorriu com a quantidade de respostas positivas que ouviu, e continuou -, porém, seu resultado final é de extrema apreciação por todos. Visando nosso orgulho e sua apreciação, criamos uma totalmente nova linha de todos os tipos de jóias, masculinas e femininas, que temos certeza de sua aprovação. – Ouviu palmas. Muitas delas. E quando não mais pôde achar possível, aumentaram de volume, quando entrou a primeira modelo, de várias contratadas, no palco. Ele deu lugar a elas.
Mas antes que pudesse descer o primeiro degrau da diminuta escada que o fazia transitar entre o palco e a plateia, quis desviar seu olhar para onde tinha acabado de sair. Com um misto de estupefação, surpresa e adoração, ele estagnou no meio da escada. Não ficou boquiaberto porque ainda podia controlar uma parte de seu corpo; o que foi imprescindível, extremamente, para segurá-lo no lugar com aquela imagem.
Thranduil Greenleaf não só estava exuberante em vestimenta, em que parecia ter acabado de sair de um filme onde ele era o rei do Universo, como também as jóias – provavelmente escolhidas por ele mesmo -, que cintilavam felizes por estar sendo usadas em criatura quase celestial. Sua expressão ditava arrogância, prepotência e malícia. Até que ele desviasse seus olhos para um ser parado no meio da escadinha e toda aquela pose quase desmoronasse.
Foi por pouco tempo, já que o de cabelos claros era tão mestre em fazer isso que era até normal vê-lo fazendo; ele sorriu, o olhar cortante pairou sobre Thorin e os lábios formaram uma única palavra:
— Suba.
Thorin franziu o cenho, de repente com todos os pensamentos do mundo na mente; aqueles flashes o incomodavam, o olhar de todos sobre suas costas, as notícias no dia seguinte. Mas nada mais catastrófico era comparado à súbita sede de tê-lo nos braços novamente e, se possível, mais intensamente. Todavia não ali, não naquele precioso momento.
Thranduil não se preocupava em olhar para nenhuma das lentes que o fixavam, pois sabia muito bem que sua face completava com gosto a beleza daquelas gemas, e era tudo o que os fotógrafos precisavam naquele minuto. Ele ainda fitava Thorin, persuasivo. Este hesitava por pouca coisa.
Então, como um choque, lembrou-se do que Balin lhe propusera um dia desses. Uma “amizade” fria, calculista, voltada para negócios e reconhecimento... Mas subiu ao palco por outro motivo.
Queria olhar de perto aquele quem já descobrira coisas que não seriam nada aceitas no meio de toda aquela gente, e não pôde conter uma risadinha de escárnio ao vê-lo todo polido, com um cachecol que desafiadoramente cobria-lhe o pescoço cheio de marcas. Suas marcas. Era cômico e perigoso sentir vontade de puxar aquele tecido e colocá-lo fora do alcance do loiro, mas Thorin segurou aquelas mãos, no entanto. Apertou-as e, num aceno muito mais cortez que toda a postura de Thranduil, o moreno inclinou um pouco a cabeça, como que saudando-o de forma impessoal e completamente neutra. Foi a vez de Thranduil não conter o sorriso de escárnio.
Logo as outras modelos, constrangidas e apressadas, romperam a passarela, uma a uma, e os dois se viram no momento de sair. Ao invés da escada – esta que viraria notícia nas matérias, juntamente com a petrificação de Thorin, o chamado Oakenshield, na apresentação de seu próprio produto -, saíram por uma passagem paralela à de entrada das moças, e se viram na sala de som. Com a porta fechada, ela bloqueava o som da festa a sua volta e lhes dava um pouco de privacidade, se falassem baixo; havia uns três ou quatro técnicos naquela sala que não era tão grande. Não fazia problema, pensou Thorin, não iam se demorar tanto.
A primeira coisa que fez foi deixar que sua mão se guiasse sozinha e fosse de encontro ao cachecol vermelho escuro que rondava o pescoço do loiro. Desenrolou-o, com um sorriso besta e sacana no rosto, ouvindo um furioso resmungo sair dos lábios de Thranduil, que puxou o tecido de volta. Mas não estava enraivecido. Ele inclinou a cabeça e olhou, sem desviar, para Thorin, quando sibilou:
— Acha que eu sou patético o bastante para não perceber esse seu jogo, Oakenshield? – Thorin acenou negativamente com a cabeça, mas deixou que o outro pensasse o que quisesse – Em troca desse pequeno favor... Amigo, peço que venha comigo – Ele passou a sussurrar em sua voz melodiosa – Eu sou realmente bom naquilo.
Troca de favores que Thorin achou exorbitante e generosa, o fez olhar para os lados e dizer:
— Não passava de um jogo, está certo. Mas você resolveu apelar... – Ele riu, sem querer chamando a atenção de um dos homens, mas este olhou sem interesse e voltou a verificar alguns cabos coloridos.
— Que estranha a sua forma de conseguir apoio externo, Thorin. Da próxima vez, tente não atacar o patrocinador de forma tão... Como posso dizer sem inflar seu ego-
— Não tocaremos em assuntos de egos facilmente infláveis, senhor Rei.
Thranduil atingiu-o com um olhar agudo antes de revirar os orbes; passou a observar que o que Thorin fazia, nada mais era que misturar seus pensamentos num bolo, brincar com eles e depois devolvê-los ao lugar de origem para avaliar o que acontecia depois.
Não seria tão maluco pensar que Thorin achava e quase dizia em voz alta do mesmo jeito, acusando-o de burlar sua paz com aqueles olhos ferozes. Após uns breves minutos encarando um ao outro, mas concentrados em seu próprio mundo, Thranduil agiu de modo automático assim que alguém adentrou, sem bater, ao espaço destinado a regulagem de som.
— Oh, posso ver que seguiram meu conselho, caros amigos. – Thorin sentiu sua mão ser puxada, antes que o velho viesse falar-lhes, e soube que era para retribuir o aperto ou teria muito a explicar. Focou seus olhos nos de Thranduil, mesmo que ainda pensasse ser uma loucura fazer isso quando não sozinhos, e fingiu o término de uma frase:
— ...e, consequentemente, o lucro mútuo. Está certo assim, Sr. Greenleaf? – Este apenas calculou um aceno mínimo de cabeça, como que cínico pela proposta, e desvencilhou-se da mão áspera de Thorin. Olhou de soslaio para o velho e, sem se despedir de nenhum dos dois, foi-se.
— Thorin, você percebeu que seus sobrinhos não compareceram a...
Enquanto Thranduil andava, a conversa trivial ficava cada vez mais abafada e ininteligível. Saiu pela outra porta da sala de som, esta que dava para os fundos do evento e, depois de um longo corredor, no estacionamento interno, onde ele acharia seu carro. Visou-o sem dificuldades. As chaves tilintaram ao sair do bolso, a trava do alarme fez um barulho excepcionalmente alto, mas sua atenção estava totalmente voltada há dois dias, quando no quarto oculto do escritório de Thorin Oakenshield.
Paralelo àquele silêncio do estacionamento estava Thorin, no meio de uma festa que quis evitar a todo custo; rodeado de pessoas influentes, mas que também evitaria a todo custo; ouvindo conversas que lhe eram importantes, mas ele não dava a mínima. Sua rejeição toda não estava cravada num motivo, e sim em vários que vieram se juntando e acumulando para, no fim, um só explodi-lo para todos os lados.
Não era muito sano ficar pensando em formas de, a partir do meio conturbado do evento, sair dali o mais rápido possível para perder a cabeça em outro lugar. Falando dessa forma poder-se-ia pensar em várias calúnias sobre a vida pessoal agitada ilicitamente de um poderoso presidente de empresa; todavia, não era para esse lado que as coisas iam.
Incontestavelmente era plausível aceitar que Thranduil comparava-se aos piores e mais irresistíveis estimulantes conhecidos, mas não era ilícito – só um pouco proibido, visto em que situações sociais se encontravam.
Alguém cutucou Thorin e começou a falar, jorrar palavras para seus ouvidos, mas ele não conseguiu processar nada. O que ele fazia ali, perdendo tempo com quem não conseguiria formas de promover seu esforço e orgulho?, pensou divertido. Sorriu e chamou um pouco da atenção para si. Ao invés de atento e resoluto quando fosse despedir-se, fugiu. Pela porta da frente, com todos os olhares em si; mas aquilo era caracterizado como uma fuga não-secreta, em virtude de sua empresa, seu futuro, e sua indomável avidez por contatos extra pessoais com a garantia de que estaria seguindo os conselhos de Balin...
...E os seus próprios, mesmo que abafados por uma insanidade cada vez maior.
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