Bushido

1 Nosso Bushido


Notas iniciais
Heeey! Primeira fanfic na categoria! Que emoção. :')
Já quero avisar de início que eu ainda não estou acompanhando o mangá. Na verdade, terminei o anime faz pouco tempo. Agr estou relendo os dois últimos arcos do anime no mangá para só então começar a colocar em dia. fjkgfjkdsg'
Então, já estou ciente que isso meio que já aconteceu, mas de forma diferente, no mangá. Foi apenas uma cena que me surgiu enquanto eu ia pra faculdade hoje de manhã (ouvindo a OST do Shoyo, que aliás utilizei p escrever a história toda. Caso queiram ouvir enquanto leem, ajuda bastante a entrar no ritmo da cena. :3 https://www.youtube.com/watch?v=XIvK23MczdU).

Espero que gostem! Fiz com muito carinho, por meu mundo pertence a esses três. ♥

Se algum adjetivo pudesse descrever a cena que se seguia no fim daquele penhasco corriqueiro e inabitado, esse seria, no mínimo, curioso. Não por ser algo pelo que todo e qualquer indivíduo sentiria curiosidade, mas por ser algo inusitado e que nem mesmo os próprios protagonistas da cena haviam imaginado que aconteceria.

A batalha havia se encerrado há alguns minutos e os participantes dessa se encontravam jogados pelo terreno árido. Uns tinham seus ferimentos profundos tratados pelos menos feridos; outros apenas conversavam entre si, comentando sobre o que havia acontecido ou apenas falando sobre banalidades, tentando diminuir a tensão que havia se instalados horas antes no local e que agora se encerrava; a atenção de alguns, entretanto, era voltada para os três samurais à beira do precipício.

Eles estavam lado a lado, sendo que dois deles permaneciam de pé, enquanto o outro se encontrava sentado, com o braço apoiado na perna direita flexionada. Desde o momento em que se direcionaram para o lugar onde agora apreciavam a vista alta e repleta de montanhas longínquas, o silêncio reinara. E embora aquilo pudesse parecer monótono ou até constrangedor para outras pessoas, naquele momento, era o que os três mais apreciavam.

Na verdade, depois de tanto barulho, a melhor escolha era, sem dúvida alguma, o silêncio. Principalmente por se tratar de uma espécie de reencontro que há muito esperavam, mesmo que não tivessem sequer percebido isso.

O silêncio, contudo, foi cortado de forma suave.

— O que pretende fazer agora, já que desistiu de destruir o mundo? – o tom despreocupado, levemente irônico, e característico era presente no questionamento.

— Não faço ideia. – a voz grave entoou em meio a um suspiro, que poderia significar até mesmo tédio.

— Pode juntar-se a mim na luta contra a constante corrupção humana e pela igualdade e bom-convívio entre humanos e amantos, Shinsuke. Seremos imbatíveis, como nos velhos tempos. – convidou, cruzando os braços, de forma pomposa.

— Oe, oe. O que é isso, Zura? Vai se candidatar pra algum papel de representante político? – zombou o Yorozuya.

— Não é Zura, é Katsura! – corrigiu como de costume. — E estou preocupado em, agora que toda essa luta contra o Tendoshu chegou ao fim, manter a paz em Edo. – confirmou sua própria afirmação com um meneio de cabeça.

— Pra mim, você vai continuar sendo um inútil. Mesmo que tente se candidatar à Xogum. – repetiu seu pensamento, enfiando o mindinho em uma de suas narinas, conseguindo fazer com que uma veia saltasse na testa do outro.

— Não diga besteiras, Gintoki. – o terceiro voltou a se pronunciar. — Os únicos inúteis aqui somos eu e você. – concluiu, ascendendo seu kiseru.

— Errado. O único inútil perdido na vida aqui é você. – apontou descaradamente para o menor. — Sou um respeitável cidadão que possui um negócio próprio, onde recebo por prestar serviços ao distrito onde vivo. – retrucou, com pompa.

— Um respeitável cidadão que gasta tudo o que não tem em apostas, vive bêbado pelas ruas do distrito onde mora e não presta nem mesmo para pagar o aluguel e o salário dos garotos que trabalham de escravos pra você. – corrigiu, tragando. — Continua sendo um inútil pra mim. – repetiu o que antes o outro havia dito para o joui.

— Eim?! Como é que é, seu imprestável?! – irritou-se, várias veias saltando a pele. — O que você, um inútil que queria destruir o mundo até nos últimos capítulos do mangá, pode falar de mim?! Eim?! – questionou, avançando no moreno, conseguindo puxar mais uma briga.

— Oe, oe! Por que diabos já estão brigando de novo? – reclamou o de cabelos compridos, tentando apartar a porradaria que se seguia entre os antigos companheiros de guerra. — Paz! Nós precisamos de mais paz no mundo! Katsura, Takasugi e Gintoki, lutando pela paz mundial! Juntos pela paz! – exclamava aleatoriamente, o que acabou retornando em forma de punhos para si.

— Cala a boca, idiota! – gritaram assim que pararam de se atracar para esmurrar o outro.

Os três já se encontravam jogados no chão, novamente em silêncio – para completa descrença dos que observavam tudo com o suor escorrendo em suas cabeças –, quando esse fora quebrado mais uma vez.

— Não sei se agora já encontrou seu bushido, mas é melhor não me obrigar a te parar novamente, Takasugi. Garanto que na próxima você não sai vivo. – alertou, embora em um tom curiosamente tranquilo; os braços sob a cabeça voltada para o céu azul de poucas nuvens.

— Como se você fosse capaz de me matar. – debochou, voltando a se sentar, dando mais uma tragada.

— Oe, oe. Será que podemos parar com as ameaças? – novamente reclamou o mais sensato, ou não, do trio.

Por uma terceira vez então, o silêncio reinou e logo depois fora cortado pelo timbre grave.

— Você encontrou o que procurava, Gintoki? Ou continua a ser um bom-em-nada como éramos naquele tempo? – o olhar se perdendo em meio à imensidão da vista à sua frente.

— Não faço ideia. – respondeu, enquanto seu olhar acompanhava os pequenos pássaros acima.

— Devo me intrometer dizendo que acho que de todos nós, desde aquela época, você sempre foi o único a saber o tipo de samurai que gostaria de ser, Gintoki. – Katsura afirmou, também se sentando. ― Desde aqueles tempos você sempre foi o único que já sabia o bushido que queria carregar. – completou. ― E você sabe que estou certo. – sorriu levemente, passando também a observar as cadeias montanhosas.

― Não fale como se você fosse diferente, idiota. – reclamou o líder do Kiheitai.

― E sou. – afirmou novamente. ― Sinceramente... a partir do momento em que conheci o sensei, percebi que não era diferente de você, Takasugi. Acho que a visão de nós três sobre ser ou não um samurai foi completamente modificada por ele. – refletiu, observando um dos pássaros do bando acima pousar sobre uma solitária árvore que havia por ali. ― Assim como acredito que provavelmente, sempre invejamos o Gintoki. Mesmo que inconscientemente... Por mais que caminhássemos inspirados no nosso mestre, por mais que sempre tentássemos alcançá-lo, ser como ele, nunca conseguimos. – sorriu novamente, em meio às lembranças nostálgicas. ― Você foi o único a quem o sensei confiou tudo, Gintoki, exatamente por vocês serem iguais. – concluiu, ainda observando o pássaro, que agora alçava voo mais uma vez. Quando se virou para encarar o yorozuya, entretanto, uma veia saltou em sua têmpora.

O fato era que Gintoki sequer escutava o que o companheiro dizia. Havia entrado em estado de sono profundo há alguns minutos, na verdade.

― Quer mesmo comparar nosso mestre a esse inútil? – debochou o terceiro, fazendo o outro bufar irritado.

Um sorriso lateral, entretanto, surgiu nos lábios de ambos logo em seguida. Não precisavam de palavras para afirmar a concordância com o que Katsura havia dito antes.

O líder joui então voltou seus olhos para trás de si, onde Kagura e Shinpachi discutiam alguma coisa banal, como de costume.

― Talvez nós pudéssemos realmente aderir ao bushido dele, não acha? – questionou, enquanto permanecia observando os dois participando da discussão que agora era composta por parte do Shinsegume e de outros moradores do distrito Kabuki. ― Parece ser o caminho que eu gostaria de continuar seguindo. – afirmou, voltando a encarar Shinsuke.

A resposta desse, no entanto, não veio.

Katsura então baixou seus olhos, observando o imprestável dormir, somente para depois retornar seu olhar para as montanhas.

― Acho que nunca dissemos isso, mas... Obrigada por ser tão inútil, Gintoki. Ninguém nunca realmente foi ou será tão idêntico ao nosso mestre. – agradeceu, após alguns instantes, mesmo que o ouvinte não estivesse ouvindo. E por mais que o outro moreno não abrisse a boca para isso, sabia que em seu íntimo também agradecia.

O silêncio voltara a reinar por mais alguns instantes e, novamente, fora interrompido. A interrupção, dessa vez, veio por meio das fezes de um pássaro, onde o que antes estava dormindo agarrou Takasugi pelo braço e o colocou a frente de si, fazendo com que o moreno recebesse os dejetos em sua cabeça.

― O que pensa que fez, seu desgraçado?! – gritou, irado, voltando a se atracar com o maior.

― Eu me protegi de uma bomba nuclear! – retornou o grito, defendendo-se dos golpes desferidos contra si.

O Kotarou observou a cena de forma surpresa, mas logo abriu seus lábios em um sorriso novamente. Talvez ele estivesse errado. Os três já haviam descoberto e defendido seus bushido desde quando resolveram seguir aquele homem...

Somente após alguns segundos imerso nesse pensamento, foi que percebeu algo que o fez voltar a se irritar.

― Você estava ouvindo tudo esse tempo todo?! – gritou. ― Gintoki! – entrou no meio da confusão dos outros dois.

― Oe! Dois contra um não vale! – exasperou-se o demônio branco, tentando defender-se dos murros e chutes dos companheiros, embora os três se esmurrassem aleatoriamente.

― Sinceramente... Eles são sempre assim? – questionou o otaku, um pouco mais longe, observando a cena com uma gota de suor escorrendo pela lateral da testa.

― Jamais mudaram! – exclamou Sakamoto, rindo de sua forma característica.

― Gin-chan! Estou indo te salvar, Gin-chan! – avisou a yato, já correndo em direção à confusão.

― China! Eu posso te prender por briga de rua!

― Kagura-chan! Você irá se machucar! – exclamou a Shimura mais velha, também indo na mesma direção.

― Otae-chan! Eu te protejo!

― ... Desde quando isso se tornou uma briga a nível de distrito? – perguntou retoricamente o de óculos, enquanto assistia todos os que antes estavam alheios à cena se juntarem à pancadaria, quando um sapato saiu voando em sua direção, o acertando no rosto. ― Quem fez isso?! – indignou-se, já correndo para se juntar aos outros.

Agora eram poucos os que apenas observavam de longe. Otose estava entre eles e, em meio a um suspiro, ascendeu seu cigarro.

― Hunf. Eu nem mesmo te conheço. – começou, tragando, para logo continuar em meio a um sorriso pequeno. ― Mas acho que confiou seus tesouros à pessoa certa. Shoyo.

Notas finais
E então? O que me dizem? Críticas construtivas são sempre bem-vindas! *u*
Até mais. ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!