Busca no Tempo

7 Capítulo 7: Decisão tomada


Notas iniciais
A primeira parte do texto possui referências aos episódios 192, 193 e 194 da Saga do Cell. O restante do texto agora é original e segue em realidade alternativa, como se finalmente Trunks fosse libertado de suas obrigações passadas e seguisse em frente, tentando buscar outros meios para reaver as pessoas que ele ama. Boa leitura

BUSCA NO TEMPO

Capítulo 7: Decisão tomada

De repente fiquei consciente. Abri os olhos e percebi que estava no Templo de Kami-sama. A primeira pessoa que vi foi Gohan que me estendeu as mãos para eu ficar em pé. Senti um alívio. Depois olhei para o céu e vi Shen-Long. Eu tinha sido revivido por ele. Eu me aproximei de Piccolo com Gohan.

– Será que não adianta mesmo? – perguntou ele. – Dende acabou de refazê-las. As Dragon Balls e Shen-long são novos, então pensei em procurar o Ki de Goku. Mas não consegui senti-lo. Ele não voltou.

– Entendi. – disse Tenshihan.

– Façam outro desejo. – pediu Shen-long. – Digam o segundo desejo.

– Goku... Goku – falou Yamcha. – Não pode ressuscitá-lo de alguma forma? Queremos que o ressuscite de qualquer jeito!

– Goku já foi ressuscitado antes. Isso é impossível. – disse Shen-long. – Façam outro desejo.

– É impossível mesmo. – Yamcha se virou pra gente.

– Não, deve ter algum método. – disse Piccolo não se dando por vencido. – Pensem.

– O quê acham disso? – perguntou Kuririn. – Voltar no tempo até antes de Goku morrer.

– É, vamos fazer isso. – concordou Yamcha.

– Se fizermos isso, Cell também vai se recuperar antes da explosão. – explicou Piccolo. – Não tem outro jeito?

– É mesmo. – falou Kuririn.

– Já sei. – gritou de repente Dende. – Podemos pedir para o Porunga de Namek.

– Entendi. – disse Piccolo. – Shen-long não pode reviver as pessoas mais de uma vez, mas Porunga pode.

– É mesmo. – disse Tenshinhan. — Chaos e Kuririn reviveram por causa dele.

– Então, é só alguém ir para Namek... – disse Kuririn.

– Então vamos fazer disso o segundo desejo? – perguntou Yamcha.

– Pessoal, esperem um pouco! – uma voz ecoou por todo o Templo. Olhamos pra cima, mas não havia nada. – Sou eu, Goku!.

– Goku? – Kuririn perguntou incerto.

– Pai! – disse Gohan.

– Estou falando do outro mundo, mas escutem... É uma coisa que a Bulma me disse há muito tempo. Parece que eu atraio os caras maus. Pensei um pouco e vi que era isso mesmo.

– É, pode ser isso. – falou Tenshinhan.

– Aquela Bulma... – disse Yamcha. – Que desnecessário.

– Por causa disso, se eu não estiver aí, a Terra deve ficar em paz. Kaio-sama também acha isso. Não estou me sacrificando. Como eu salvei a Terra, Kaio-sama vai me dar um tratamento especial. As pessoas normais e os maus, como Cell, ficam só com a alma, mas eu vou continuar com o corpo. E eu não posso envelhecer. E os mestres de artes marciais do passado também estão aqui. Deve ser bem divertido.

– Os mestres de artes marciais do passado? – perguntou Piccolo sorrindo.

– Kaio-sama ia ser ressuscitado pelo poder do Shen-long, mas ele quis ficar comigo. Então, sei que não vai ser bom para o Gohan e para a Chi-chi, mas não precisam me ressuscitar. O Gohan já me superou.

– Não diga isso, pai. – pediu Gohan.

– É isso! Até! Quando vocês morrerem, vamos nos encontrar de novo! Tchau!

– Goku... – disse Kuririn.

O pedido de Goku ainda ecoava pela minha mente.

– Ele não tem mania de parecer pessimista. – disse Kuririn. – Não estava muito triste.

– É – disse Yamcha – Ele sempre foi assim desde pirralho. Bem, é assim...

– É – concordou Tenshinhan – Ele sempre estava cuidando de nós.

– Ele é assim mesmo. – disse Piccolo. – Eu queria mata-lo e ele me deu uma Senzu, e ainda por cima rejeitou a oferta para virar Kami.

– Meu pai sempre foi gentil – disse Goku – E sempre me deu forças. Pai, obrigado.

Sim, e Gohan tinha confiado em mim quando eu disse que tinha vindo do futuro. Nunca duvidou das minhas palavras e fez o que eu pedi desde o princípio. Tenho certeza que se eu precisasse dele no futuro, com certeza ele teria me ajudado.

– Bem... – pediu Shen-long. – estou esperando pelo segundo desejo. Há muito tempo... Bem, qual o problema? Digam o segundo desejo. Não importa o desejo, eu vou realiza-lo.

– O que vamos fazer? – perguntou Kuririn.

– Eu não sei. – disse Yamcha.

– Se não decidirmos logo, Shen-long vai desaparecer. – advertiu Piccolo.

– Não tem outro desejo? – Shen-long insistiu.

– A garota que eu estou namorando agora... quer um colar que é muito caro... Será que pode? – Yamcha perguntou. – Que coisa...

– Bem, o quê eu faço? – perguntou mais uma vez Shen-long. – Já está bom?

– Shen-long... você pode fazer os androides Número 17 e Número 18 voltarem a ser humanos? – pediu enfim Kuririn.

– Não posso fazer isso. – Shen-long falou. – Os androides estão além do meu poder. Não podem voltar a ser humanos.

– Não adianta mesmo. – se queixou Kuririn.

– Kuririn, por que o Número 17 também? – perguntou Yamcha. – Ele não foi destruído?

– Não, todas as pessoas que foram mortas por Cell foram ressuscitadas pelo primeiro desejo. – explicou Piccolo. – Não vai ser estranho se o Número 17 tiver voltado.

– Então é isso? – falou Yamcha. – Mas...

– Então, poderia ao menos tirar a bomba que está dentro deles? – perguntou Kuririn ao dragão.

– Isso eu posso realizar. – disse Shen-long.

– Conseguimos! – vibrou Kuririn.

– Retirei as bombas. – falou Shen-long. – Então... adeus. – O dragão ficou brilhante por alguns segundos, voltou a ser Dragon Balls que se espalharam novamente pelo mundo. O céu voltou a ser da cor normal.

– Kuririn, por que desejou isso? – eu perguntei.

– É que... coitado deles. Tinham uma bomba dentro do corpo. – disse Kuririn.

– O Kuririn é gentil, não é? – Gohan observou.

– Yamcha, desculpe. – pediu Kuririn. – Eu agi por conta própria e você não pode dar o colar para a sua namorada.

– Não fale assim! – falou Yamcha. – Eu estava brincando... Não é para usar Shen-long para uma coisa fútil dessa.

Todos começaram a rir junto de Yamcha.

– Mas Kuririn, por que também tirou a bomba do Número 17? – perguntou Tenshinhan.

– Eu gostava mesmo da Número 18, — confessou Kuririn — mas ela tem o Número 17. São um belo casal. – falou Kuririn. — Então...

– Ele não tem jeito. – disse Yamcha.

Todos riram.

– Como ele está apaixonado. Não o entendo. – observou Piccolo.

Barulhos de passos fizeram-se presente. Quando olhamos para a direção, vimos se tratar da androide Número 18.

– Idiota – ela gritou – Número 17 é meu irmão gêmeo.

– Irmão gêmeo? – se surpreendeu Kuririn.

– Ah como são irmãos não podem ser um casal! – falou Yamcha.

– É. – concordou Kuririn.

– Não se empolgue. – disse Número 18. – Não estou grata pelo que fez sobre a bomba! Seu mala! Até. – ela correu e voou, tomando sua direção.

– Ei, ei, Kuririn. – falou Yamcha. – ela falou “Até.” Será que não começou a sentir alguma coisa?

– Sério? – Kuririn começou a ficar mais animado.

– Acalme-se Kuririn. – pediu Yamcha. – Entre nós, eu sou o mais experiente no amor. Mas Kuririn, apesar dela ter um rosto bonito, é um monstro, é melhor não fazer nada estranho. As chances de dar certo são muito altas.

Gohan e Yamcha riram.

– Não consigo entender – disse Piccolo.

– O amor para você é meio impossível, não é? – perguntou Yamcha a Piccolo.

– Estou feliz, mas não completamente. – confessou Kuririn. – Sem Goku aqui é muito triste.

– Eu já vou embora. – disse Tenshinhan. – Chaos deve estar preocupado.

– Já vai embora? – perguntou Yamcha.

– Acho que não tem mais nada para vocês fazerem também. – falou ele. – Todos vocês, cuidem-se.

– Você também. – falou Yamcha.

– Adeus. Cumprimente Chaos por mim. – pediu Gohan.

– Sim Gohan. Não se esqueça de Goku de forma alguma. – pediu Tenshinhan. – Valorize a sua mãe, também. Trunks, com o poder que você tem agora, deve poder destruir os androides do futuro facilmente. Faça seu melhor. – eu confirmei.

– Muito obrigado por tudo. – Então ele saiu voando seguindo seu próprio caminho.

– Bem, vamos embora também. – falou Yamcha.

– Trunks, quando você vai voltar para o futuro? – perguntou Gohan.

– Estou pensando em dormir bastante hoje à noite e ir amanhã. – eu falei.

– Certo. – disse Kuririn. – Então vou me despedir amanhã.

– E você Piccolo, vai viver aqui? – perguntou Gohan.

– É, pretendo fazer isso. – falou Piccolo.

– Posso vir aqui de vez em quando? – pediu Gohan.

– Claro. – sorriu Piccolo.

– Pessoal, muito obrigado pelo que fizeram. – falou Dende.

– Até, Dende. – falou Gohan.

– Venha de novo. – Dende pediu a Gohan.

– Até, Popo. – disse Gohan. – Certo, vamos para um novo amanhã. – vibrou Gohan.

Então, saímos voando.

– Então, nos vemos amanhã na “Capsule Corporation.” – falou Gohan. Nos despedimos e saímos cada um por uma direção.

Enquanto eu voava, Yamcha me contou que meu pai ficou muito nervoso quando eu fui morto.

– Ele lutou com Cell sem se importar com nada – observou Yamcha.

– É mesmo? – eu me surpreendi. – O meu pai...

Então quer dizer que meu pai sentia algo por mim. Aquilo me fez ficar muito feliz. Me despedi de Yamcha e segui para a empresa.

Quando cheguei, fui recebido pelos meus avós. Perguntei pela minha mãe e eles disseram que ela tinha ido para a casa do Mestre Kame. Devido ao meu estado, eles falaram para eu descansar. Me levaram para um quarto de hospede e eu dormi imediatamente.

Depois de algumas horas, fui acordado por batidas na porta do quarto onde estava. Quando abri os olhos, vi se tratar de Bulma que foi se aproximando de onde eu estava deitado, sem se importar se eu estava sendo incomodado. Na verdade, eu queria muito vê-la outra vez. Apesar de ser a minha mãe do passado, muito mais nova, ela ainda era a minha mãe e ficar perto dela sempre me trazia conforto, uma espécie de proteção materna.

– Te acordei, me desculpe. – ela já estava pronta para sair do quarto quando pedi que ela ficasse.

– Espere, pode ficar. – eu senti minhas bochechas se queimarem. Provavelmente eu estava corando por tê-la tão perto de mim.

– Eu estava querendo te ver. – ela confessou. – Depois do que tudo que aconteceu. Me certificar que você está bem, que não aconteceu nada com você. Apesar de você não sentir, eu ainda sou sua mãe.

– Eu sei, você é a minha mãe... a única coisa é que você está mais jovem. – eu sorri. Ela concordou comigo, se aproximando de mim, pegando em meus cabelos.

– Eles novamente cresceram...

– Sim, foi devido ao novo treinamento que eu fiz na Sala do Tempo.

– Eu irei cortá-lo amanhã, tudo bem? – eu concordei com o rosto. – Agora que tudo terminou, você pode ir embora.

– Sim. Eu disse para todos que eu irei partir amanhã. – seu rosto murchou, ela estava triste, eu reconhecia sua fisionomia desenhada em seu rosto.

– Tão cedo? – Ela reclamou.

– É preciso, — eu disse, me desviando do seu olhar. – Todos estão me esperando. Apesar de eu ter impedido que acontecesse alguma coisa de ruim, nesse tempo, no meu mundo, ainda há guerra. Eu tenho que voltar e destruir os androides.

– Eu sei, mas pensei que você pudesse demorar mais um pouco, ficar mais um pouco conosco. – ela disse. – Mas se é para o seu bem.

– Sim, é importante eu ir o mais rápido possível. Existem pessoas importantes me esperando. – ela concordou.

– Existe alguma coisa que eu possa fazer? – ela perguntou pra mim. Eu senti os dedos dela em meu rosto. Eu virei e encarei seus olhos, eu sorri pra ela em agradecimento.

– Não, você já fez tudo por mim. Ah, espere, apesar de Gohan ter me dito que eu fico bem de cabelos cumpridos, quero que você corte pra mim, como você falou.

– Irei fazer isso. – Sorrimos. Ela me abraçou e me desejou boa noite, mas antes que ela saísse no quarto eu me lembrei de contar pra ela:

– Mãe, — ela parou e se virou pra mim.

– O quê? – ela perguntou.

– Quando eu fui morto, Yamcha me disse que meu pai ficou nervoso e começou a lutar com Cell, sem se importar com nada. – Ela ficou surpresa, depois um sorriso foi visto em seus lábios.

– Seu pai, apesar de ser fechado, muitas vezes arrogante, te ama. Eu sei disso... Ele ficou distante, durante a minha gestação, na verdade, eu não queria que ele se aproximasse, mas ele sempre se mostrou interessado por você, sempre perguntou por você, mesmo que eventualmente. – ela disse.

– Não, eu acho que alguma coisa mudou. Eu tenho certeza que ele irá ser um pai presente a partir de agora. Agora que ele ficou mais perto de mim, me conheceu, lutou perto de mim, ele irá dar uma chance ao bebê Trunks.

– Você quer dizer quê...

– No meu tempo, minha mãe disse que ele simplesmente a abandonou. Eu nunca duvidei dos seus sentimos para comigo, mas agora que ele me conhece, que lutou e conviveu quase um ano comigo na Sala do Tempo, ele com certeza irá tentar uma reaproximação com o bebê e consequentemente com você que é a mãe.

– Eu não tenho tanta certeza assim, Trunks. Vegeta é um homem orgulhoso. Ele pode amar um filho, mas seu orgulho de príncipe é o suficiente para impedi-lo de conviver com uma simples “terráquea” que nem eu. – Ela me desejou boa noite e saiu do meu quarto.

Eu só esperava que o quê ela tinha dito fosse uma conclusão precipitada dos fatos porque eu com certeza queria ver a minha mãe bem, com o filho e vivendo com o seu marido. Eu dormi imaginando como seria a vida do Trunks, com uma família estruturada, como a de Goku e Chi-chi são. Tudo seria tão diferente...

No dia seguinte, de manhã bem cedo, como combinado Bulma cortou os meus cabelos. Pensei que ela tivesse ficado magoada com o quê eu disse na noite passada, mas se realmente ficou não demonstrou. Eu agradeci a ela pela corte e ela me deu um beijo na testa. Eu não deixei de agradecê-la de novo.

Estava se aproximando a hora da despedida. Saímos para o jardim da empresa, eu acionei a máquina do tempo que estava guardada dentro da capsula. Enquanto eu esperava Kuririn e Gohan chegarem, eu vi Vegeta se aproximando do local. Eu me surpreendi e corri até ele. Bulma também se surpreendeu, mas não se aproximou dele, nos deixando a sós.

– Olá, Vegeta. – Eu o cumprimentei.

– Olá, Gohan me contou ontem que você irá partir. – ele observava a máquina do tempo.

– Isso mesmo. Obrigado por ter vindo.

– Não agradeça. – ele disse, sem demonstrar nada em seu semblante ou timbre de voz. – Eu só vim porque Gohan disse que seria importante... você sabe como é. Você nos ajudou a vencer os androides, ajudou a salvar nossas vidas e nosso futuro.

– Eu fiz isso também por minha causa. – eu confessei a ele. – Eu também posso ser um pouco egoísta. Eu gostaria de ter vivido em um mundo pacífico e com certeza o meu eu desse mundo irá me agradecer bastante. Ele irá ter uma nova chance, uma chance única de viver em um mundo cercado de seus amigos e viver junto de seu pai. – Ele me olhou pela primeira vez, de um modo estranho... não consegui decifrar muito bem o quê havia na face de Vegeta. Ficamos em silêncio por algum tempo até que vi Gohan se aproximar e fui ao seu encontro. Voltei os meus olhos, mais uma vez para o meu pai e ele se manteve lá, distante, mas mesmo assim ele estaria presente na minha partida.

“Obrigado, pai.”

– Olá, Gohan. – eu me aproximei dele.

– Olá, Trunks. Como combinado eu estou aqui. – ele disse sorrindo. – Ei, você cortou os cabelos!

– Foi Bulma quem os cortou, como da outra vez. Eu prometi a você que iria ficar com aquele cabelão até a luta.

– Sim, ter cabelos cumpridos dá trabalho. Eu sei porque eu já tive. – Ele sorriu. Nos silenciamos por algum tempo até que ele me perguntou se eu não poderia ficar mais.

– Me desculpe, Gohan, mas eu tenho mesmo que voltar para o meu tempo. O meu mundo ainda está em guerra com os androides.

– É verdade. Mas mesmo assim você poderá vir nos visitar, não é? – ele perguntou ansioso.

– Quem sabe. – Na verdade, o máximo que eu poderia fazer seria voltar uma única vez para avisar que tinha, com sucesso, conseguido matar os androides, mais do que isso não poderia garantir. Já haviam acontecido muitas mudanças graças as minhas sucessivas viagens no tempo. Se eu continuasse a faze essa viagem, algo de muito ruim poderia acontecer no tempo e espaço dos dois tempos. Ele se aproximou de mim e me abraçou.

– Irei sentir saudades. – ele disse apertando o meu peito.

– Eu também irei.

– Tenho muito que agradecer por você ter vindo. – ele confessou. – Você salvou nossas vidas e não deixou que meu pai morresse. – ele disse.

– Eu também tenho que te agradecer por ter procurado Vegeta. – eu apontei para onde ele estava, se mantendo de costas de onde estávamos. – Foi pelo seu pedido que ele está aqui hoje.

– Achei que você gostaria de ter a oportunidade de ver seu pai pela última vez. – eu me agachei ficando mais próximo dele.

– Você achou certo, Gohan. Obrigado. – eu beijei seu rosto e eu voltei a agradecê-lo.

Quando Kuririn chegou, eu percebi que era a hora da despedida final. Dei adeus a todos, em especial para a minha mãe. Para surpresa minha, quando eu caminhava em direção a máquina, meu pai acenou pra mim. Eu acenei de volta. Meu peito estava inflado, como se receber o carinho de Vegeta fosse tudo o quê eu gostaria de ter recebido todos esses anos, sem um pai. A oportunidade de poder conhecê-lo tinha sido única pra mim. Depois de todas as despedidas, eu entrei na máquina do tempo, configurei a máquina para o meu ano. A máquina flutuou. Olhei para as faces que estavam no chão, me acenando. Olhei para a minha mãe e depois para o meu pai e depois em Gohan. Tentei memoriza-los na minha mente e de repente a imagem deles desapareceu. A viagem em direção ao futuro estava sendo realizada.

Quando cheguei ao meu tempo, embora eu estivesse cheio de alegria e de esperanças, a destruição que eu vi ao meu redor, me recobrou a realidade. Aquilo que eu tinha vivido não era meu, pertencia ao outro Trunks.

Eu pousei a máquina do tempo e sai correndo em direção ao interior da cidade. Percorri alguns quilômetros até entrar no subterrâneo, onde o laboratório da minha mãe se encontrava.

– Mãe. – eu a vi sentada na escrivaninha lendo um livro. – Eu cheguei. – Ela olhou para o lado e me viu. Seu olhar de surpresa foi substituído por um de alegria. Ele caminhou até mim, me abraçando.

– Bem-vindo, Trunks. – ela disse, com um sorriso nos lábios. – Ei.. – ela me rodeou... – você está diferente. – me avaliando — Você ficou bem mais alto. – ela observou.

– É, mãe. – eu sorri pra ela, feliz por vê-la de novo por tanto tempo que eu fiquei distante. – No palácio de Kami-sama tem um lugar chamado Sala do Tempo. Dá para treinar o equivalente a um ano em um só dia.

– Não entendi direito o quê você falou, mas estou feliz por você ter voltado bem. E então? Como foi? – ela estava mais ansiosa em receber as movidas do que eu para conta-las. — Pela sua expressão, aconteceu alguma coisa boa.

– Sim! — Comecei a contar tudo pra ela, enquanto ela me oferecia café. Pelo o quê eu relatara, ela disse que tinha sido muito difícil. Ela também lamentou o fato de Goku estar morto.

– Também lutei junto com o meu pai. – eu falei.

– Com o Vegeta? – ela se surpreendeu.

– Meu pai não era mesmo uma pessoa fria, egoísta. – eu me lembrei das palavras que Yamcha me falou. – Quando eu fui morto por Cell, ele ficou muito sério e nervoso por minha causa. – Minha mãe pareceu ficar surpresa.

– Mesmo? Eu não falei... – ela pareceu se perder em memórias, provavelmente memórias envolvendo meu pai, pois ela mergulhou em um silêncio.

Ouvimos de repente no rádio informações sobre os androides que estavam novamente atacando a população. Eles estavam em Parsley City. Eu me levantei. Essa era a minha oportunidade.

– Desta vez... – eu disse com fúria.

– Trunks... – minha mãe me olhou preocupada.

– Está tudo bem. – eu disse a ela. – Foi para isso que eu me encontrei com o Goku no passado. Dessa vez eu vou me vingar de Gohan e dos outros.

Eu me transformei em Super Saiya-jin. Eu precisava trazer paz para o meu mundo também.

– Tome cuidado, Trunks. – disse minha mãe. – Não se esforce. – Eu concordei e saí voando em direção a Parsley City.

Durante o meu trajeto, só o quê eu consegui ver foram cidades destroçadas. Era horrível, aquele meu mundo, mas eu tinha certeza que eu iria muda-lo. Surgiu uma explosão por onde eu sobrevoava. Só poderia ser ali que os androides estavam. Eu segui caminho em direção à explosão e quando cheguei mais perto, vi o Número 17 ameaçando um velho que estava preso nas ferragens de um carro que tinha sido virado de cabeça pra baixo. Eu disparei uma bola de energia em direção ao androide.

– Quem é? – Número 17 gritou. Eu aterrissei. — Trunks?

– Número 17, Número 18, suas atuações terminam aqui. Vou acabar com vocês.

– Ainda estava vivo? – se admirou Número 17. – Não tem ninguém tão idiota como você para desperdiçar forças.

– Número 17, estou muito irritada. – Número 18 falou. – Posso ficar com ele? Estou deprimida.

– Vou perder a brincadeira, mas não tem problema. – disse Número 17. – Faça como quiser, Número 18.

– Isso é mais interessante do que jogo de computador. – ela disse, atirando uma bola de energia em minha direção. Eu desapareci para não ser atingido, reaparecendo atrás dela.

– Cuidado, Número 18! – Número 17 avisou. Mas tinha sido tarde demais. Eu desferi um golpe em seu rosto. Ela saiu voando, sendo atingida por um prédio. Ela ficou em pé novamente, enfurecida me atacou, mas eu era mais veloz que ela. Novamente fugi de seu golpe reaparecendo atrás dela. Antes que ela pudesse me dar um chute, eu já tinha fugido de suas vistas, prendendo seu braço e chutando seu estomago. A energia que ela disparou, eu facilmente desviei.

– Qual o problema? – Número 17 desdenhou. – Nem parece você.

– Merda! Não vou perdoa-lo. – ela gritou.

– Você deve ter evoluído um pouco para deixar a Número 18 com raiva. – O número 17 disse.

– No passado ao qual eu fui com a máquina do tempo, vocês eram no fundo, boas pessoas. Mas, nesta era, vocês continuam destruindo cidades e matando pessoas a troco de nada. – eu comecei a falar. – Não posso perdoa-los!

– Está falando de que? – Número 17 perguntou.

– Vamos acabar com ele, Número 17! – falou a Número 18. Os dois então voaram em minha direção, mas eu conseguia desviar de todos os golpes desferidos por eles. Eu acertei o Número 17 com um soco em seu rosto. As energias que a Número 18 me lançavam eram repelidas pelos meus braços. Com energia que saiu das minhas mãos, eu a atingi, a destruindo completamente.

– Não pode ser... – eu escutei Número 17 se queixar, mas ele logo teria o mesmo destino. Eu me virei para observá-lo. – Como alguém como você pode destruir a Número 18?

– Isso foi pelos amigos que mataram. – eu disse. – E, agora... é para vingar Gohan! – eu lancei o meu corpo, chutando o rosto do Número 17. Alcancei voo e disparei uma energia igual a que tinha disparado em Número 18 em direção ao Número 17. Uma explosão se seguiu e finalmente eu tinha destruído os dois androides.

Eu peguei o velhinho que estava preso nas ferragens, o salvando de um destino cruel.

Por um momento pensei que tinha acabado, mas me lembrei do outro androide.

– Ainda resta Cell... – eu acompanhei o velho para um local que estavam atendendo os feridos. Ele começou a falar que eu tinha o salvado e destruído os androides. Ninguém parecia acreditar.

Nem eu mesmo acreditava. Finalmente o inferno tinha acabado.

Alguns meses após a destruição dos Número 17 e da Número 18, minha mãe reconstruiu a máquina e eu falei pra ela que eu iria voltar mais uma vez no passado para avisar a todos que eu tinha destruído os androides. Minha mãe pediu para eu tomar cuidado. De repente senti uma presença atrás de mim, não pelo Ki, mas pelo o quê eu já sabia que iria acontecer. Ele estava ali e iria me matar. Pedi para a minha mãe entrar em casa imediatamente. Ela fez o que eu disse.

– Eu sei que você está aí, Cell. – eu disse me virando em direção a uma sombra. – Você pretende me matar, se transformar em ovo e usar a máquina do tempo para ir ao passado e absorver o Número 17 e o Número 18, não é? Para assumir a forma perfeita.

– O quê? – Cell gritou aparecendo de trás do muro. – Como você sabe disso?

– Seu plano é uma falha. – eu disse sorrindo. – E tudo vai acabar. – Ele se aproximou mais de mim.

– Meu plano é uma falha? – ele me perguntou. – Alguém como você...

– Cell, na sua forma perfeita, você era muito forte. – eu confessei a ele. – Mas no seu estado atual, eu sou o bastante para derrota-la. – eu disse convicto.

– Sério? – ele se assustou. – Você foi para o passado? Entendi, está bem informado porque voltou no tempo. Mesmo assim, é muito dizer que pode me derrotar. Trunks, consegui informações suas com os robôs espiões. Com o seu poder, não pode derrotar Número 17 e a Número 18.

– Então porque o Número 17 e a Número 18 estão mortos? – eu o questionei.

– Entendi. – ele se surpreendia cada vez que eu falava. – então é a sua culpa por eles terem sumido. Droga! Você matou o Número 17 e a Número 18. Não precisava ter feito isso! Por causa disso, não posso assumir minha forma perfeita nesta era! Preciso mata-lo. Vou mata-lo, ir para o passado com sua máquina do tempo e absorver o Número 17 e a Número 18! – ele disse irado.

– Não podemos lutar na cidade. Estão se esforçando muito para reconstruí-la. Vamos mudar de lugar. – Eu usei da minha energia para repeli-lo e o segui voando.

– Que ingênuo. – Cell falou quando estávamos no campo, em um local distante dos outros. – Parece que melhorou um pouco, mas me faz rir achar que pode me derrotar. Eu sou o androide supremo que o Dr. Gero criou. Ninguém nesse mundo pode me derrotar!

– Será mesmo? – eu me transformei em Super Saiya-jin. Ele aumentou a sua energia. – Não vou deixa-lo ir para o passado de forma alguma! – Cell então me atacou, mas eu virei para bloquear seu golpe. Ele tentou me golpear de novo, mas eu desapareci de suas vistas, aparecendo atrás dele para chutá-lo. Com a minha velocidade, ninguém conseguia me tocar. Ele jogou uma energia em minha direção, mas eu a repeli com um braço. Eu o golpeei, mas ele se estabeleceu pousando em terra. Vi ele murmurou alguma coisa a respeito de que ele era um androide supremo. Ele foi para a minha direção, mas eu novamente sumi de suas vistas. O golpeando por trás. Voltei a chutá-lo e antes que ele recobrasse os sentidos, continuava com os meus golpes. Cell caiu em terra e agora tinha dificuldade para ficar em pé. Eu pousei e fiquei a sua frente.

– Cell, não posso perdoa-lo pela paz da Terra! – ele expandiu a calda tentando me golpear, mas eu a peguei, rodando agora com ele em círculos. Cell gritava, à medida que eu o ia rodando, até o lança-lo longe, no céu. Ele então conseguiu parar. Ele iria usar o Kamehameha, mas antes dele completar o movimento, eu lancei uma energia maior em direção a ele.

– Suma completamente, Cell – eu gritei.

E com essa energia que eu disparei, Cell desintegrou totalmente.

Finalmente agora tinha acabado. Não deixei de me lembrar do pessoal do passado e de Goku. Eu fechei os olhos, me lembrando de seus rostos. Senti a felicidade dentro de mim.

Eu ia viajar para o passado para avisá-los, mas agora, não achava que era preciso. Com certeza no outro mundo, eles deveriam sentir a minha felicidade.

oOo

Depois de algum tempo a cidade estava sendo reerguida, a força nacional passou ser capaz agora de atuar depois de finalmente a ameaça dos androides acabar, devido algum benfeitor que conseguiu destruí-los. Como no outro tempo, a verdadeira identidade de quem tinha matado os androides no meu mundo foi encoberta. Ninguém saberia que eu tinha salvado o mundo, praticamente duas vezes, após ter matado o Cell, antes que ele tornasse uma máquina totalmente adiantada que nem eu seria capaz de deter.

Após tantos anos, eu via a população andando nas ruas, ou naquilo que tinha restado. Os cofres públicos estavam sendo abertos para a reconstrução mundial. Todas as nações se uniram e todas se ajudavam mutualmente para reerguer o mundo após a devastação de tanto tempo. Muitas pessoas foram perdidas, mas as pessoas passaram a ver com outros olhos o futuro, ver a partir de novas mudanças, esquecer o passado de clausura que todos enfrentaram, vivendo em subsolos, nunca podendo caminhar com o sol batendo nas costas. Agora tudo seria diferente.

A principal empresa que ajudava o governo era a “Capsule Corporation” que tinha aberto seus cofres para reerguer o distrito, no qual ele pertencia. Claro, a primeira coisa que foi construída foi a própria empresa. Após, um galpão foi improvisado para milhares de pessoas ficarem abrigadas, enquanto suas casas eram reconstruídas. Minha mãe estava no comando de tudo, e eu estava a ajudando como podia.

Quase um ano tinha se passado e quase todas as casas tinham sido entregues. O nosso distrito estava bem adiantado nas construções em relações a outros bairros. Em um dia mais tranquilo, quando a minha mãe tirava o dia de folga, eu me aproximei de sua sala. Três ajudantes dela estavam saindo quando eu entrei.

– Olá, Sr. Briefs. – eles me cumprimentaram quando me virão entrar na sala. Eu acenei. Apesar de ajudar em tudo quanto à reconstrução, eu era totalmente a par do que acontecia no campo de pesquisa, no qual minha mãe atuava avidamente, muitas vezes concentrando todas as suas atenções em detrimento da administração da empresa.

– Olá, Trunks. Estávamos conversando a respeito de um novo empreendimento agora que a cidade está quase construída. – ela me disse animada.

– Pensei que hoje fosse seu dia de folga, eu estava pensando de nós sairmos um pouco... – ela sorriu pra mim, falando para seus colegas de laboratório saírem da sala por um momento.

– Sim, mas eu acabei dando um pulinho aqui para ver como estão os projetos. Você queria falar comigo?

Apesar de trabalharmos no mesmo local, e de eu vir pelo menos uma vez, todo o dia para a empresa, eu ficava mais fora, ajudando a reconstrução e eu passei a morar na casa antiga de Gohan. Eu pedi a Chi-chi para ficar lá e ela falou que estaria tudo bem. Eu me sentia melhor ali, com a presença de suas antigas coisas, do que sozinho, morando com mamãe. Mas pelo menos uma vez por semana eu passava ali para ver como ela estava.

Eu me aproximei dela e a abracei. Sim, eu queria muito falar com ela, mas seria difícil. Eu nem sabia como explicar aquilo pra ela. Não quando minha escolha envolvia o meu egoísmo. Ela percebeu que a situação era especial e não falou mais nada, simplesmente se sentando à mesa.

– Vamos para casa? – eu confirmei com um acenar com ela e caminhamos para longe da ala de pesquisa. Como no passado, a casa dos Briefs ficava dentro da empresa, em uma ala especial. Sentamos na sala.

– Sim, mãe. Eu preciso falar com você, mas não sei como... – acabei confessando a ela. Falar o quê eu tinha que falar, depois de tanto tempo que fiquei ausente por conta das lutas que eu participei no mundo do passado, era difícil.

Desde que eu tinha voltado eu tive a ideia de voltar mais uma vez para o passado e usar as Dragon Balls em meu benefício próprio, mas aquilo implicaria em nunca mais poder ver a minha mãe.

Ela se aproximou de mim e apertou os meus ombros. Suas mãos eram quentes, acolhedoras, mãos de mãe.

– Você está muito diferente desde que chegou. Ter ficado tanto tempo com o seu pai o fez mudar tanto assim? Inacreditável! – ela comentou enfim, sentando no meu lado e fitando o meu rosto.

– Os dias que eu passei como o meu pai foram muito bons. Eu te contei que eu acho que fiz ele aceitar o pequeno Trunks. Talvez ele esteja agora vivendo com você e com comigo. Eu vou ter um futuro muito feliz. – eu disse.

– É uma pena que seu pai tenha ido embora tão cedo nesse mundo. – ela disse. Seu rosto se tornando triste à medida que pensava em Vegeta. – Eu te disse, não foi? Apesar do egoísmo de Vegeta, do seu temperamento arrogante, de só querer se tornar forte e nada mais do que isso, ele era uma boa pessoa.

– Eu sei mãe. E foi por isso que você começou a amá-lo. Ele é arrogante exatamente como a senhora. – eu confessei. Ela não deixou de rir. – Parei de contar às vezes em que você dizia ser a mulher mais bonita do mundo. – Dessa vez ela gargalhou.

– E continuo sendo. – ela fez um pequeno silêncio e seguiu a sua explicação – se não fosse essas rugas.

– Que isso, mãe. Você ainda é linda. – eu corei diante do que eu falei pra minha mãe.

– Obrigada, Trunks. Você é também lindo e apesar de você ter essa cor de cabelos, seu olhar, sua face, você é idêntico ao seu pai. Quando eu olho para você, eu me lembre dele... – seus olhos agora estavam repletos de lágrimas, como se a memória de meu pai ainda trouxesse bastante tristeza dentro de si, apesar de tanto tempo passar.

– Eu sei mamãe. Eu também o amava. Mesmo antes de ir para o passado. – eu suspirei. – Seria impossível não amá-lo a partir do jeito que você falava dele, sempre tão apaixonada.

– Sabe, — ela me fitou de lado – é do mesmo jeito que você fala com a Chi-chi a respeito do Gohan. – fiquei vermelho automaticamente. Não pensei que fosse tão visível assim os meus sentimentos por ele.

– Mãe, ele foi o meu professor. A única conexão que eu tive com os outros. Foi com ele que eu aprendi que dentro de mim havia sangue Saiya-jin.

– Sim, ele foi seu professor, eu garanto que apesar de você ter ficado muito forte nessa viagem que você fez na máquina do tempo, sem Gohan na sua vida, nada tinha acontecido dessa maneira e evoluído tanto. Mas, Trunks, eu sou sua mãe. E você não pode mentir pra mim. Como foi a experiência de vê-lo outra vez?

– Diferente... diferente do que eu vi aqui. Como as coisas são. Apesar de não ver muitas diferenças com você, em relação ao seu passado, eu consegui ver nitidamente diferenças no Gohan que eu conheci.

– Não será porque ele ainda fosse uma criança? — ela me perguntou avaliando a situação.

– Além disso, naquele tempo ele tinha amigos. Seu modo de pensar era mais simples e... você tinha que ver a relação amorosa que ele tinha com Goku. Eles eram tão unidos, tão...

– Pai e filho? – ela completou.

– Sim, e eram amigos.

Um silêncio constrangedor se seguiu. Nós dois ficamos por um tempo sem falarmos. Como se ela esperasse pelo o quê viria.

– Mãe... – eu reunia forças internamente para fazer aquilo.

– Sim, Trunks? – ela virou pra mãe dando total atenção ao que eu ia falar.

– Eu estou pensando em voltar para o passado e fazer um pedido para Shen-long. – eu disse.

– Um pedido para as Dragon Balls? – ela pareceu confusa agora. – Não vejo o motivo. Está tudo bem conosco, agora que estamos a salvo...

– Eu queria fazer um pedido pra mim. – eu então confessei a ela. Ela balançou a cabeça entendendo aonde eu queria chegar.

– E esse pedido envolve o quê você perdeu aqui nesse tempo... – ela previu.

– Sim, eu quero ter um novo recomeço e isso talvez implicasse em... em nunca mais voltar. – eu disse enfim.

– Você tem certeza disso? – ela me perguntou fitando os meus olhos.

– Tenho, mãe.

– Entendi. – ela então se levantou e deu as costas pra mim, indo em direção à porta que a levaria novamente para a empresa.

– Mãe... – ela parou de caminhar, mas continuou de costas pra mim. Eu levantei e caminhei para ficar mais próximo dela. Eu sabia que ela iria ficar triste, mas não que iria me virar as costas. – Mãe, eu... se você quiser eu fico, eu... me des...

– Trunks, — ela se virou e apesar de ver lágrimas escorrerem pelo seu rosto, em sorriso aparecia em seus lábios. – Eu preciso melhorar a Máquina do Tempo antes que você parta.

– Mãe, não precisa...

– Se é o quê você deseja, meu filho... uma mãe não pode impedir o sonho de um filho. – Ela então saiu, me deixando sozinho, olhando meus pés.

Apesar de sentir uma dor invadir o meu peito, eu não iria voltar atrás. Agora era hora de pedir a Kami-sama para iluminar os meus passos para que eu tomasse o caminho menos doloroso.

Naquele dia, eu caminhei para a casa, procurando ir lentamente, perdido nos meus pensamentos e no futuro que estaria agora ao me alcance. A possibilidade de ter novamente Gohan perto de mim era inebriante. Não aquele Gohan que eu tinha conhecido no passado, mas o meu Gohan que eu conheci no meu mundo.

A paisagem da cidade foi passando, até que eu percebi que já estava próximo da casa de Gohan. Sem perceber, eu deveria ter usado o meu poder Saiya-jin. Eu respirei o ar limpo que só aquele local possuía. Voei em direção a um rio que ficava próximo dali e observei o local. Resolvi me demorar por ali. Eu queria ficar sozinho. Me deitei na primeira árvore que avistei e observei o céu que estava limpo, sem nuvens. Eu fechei os olhos e me concentrei nas memórias que ainda permaneciam vivas dentro de mim.

Pensar em Gohan era difícil, mas me fazia ter mais certeza do que teria que fazer.

Era tão difícil viver naqueles tempos, sem perspectiva de um futuro melhor. E apesar de nós termos entregado um ao outro, em uma relação que ia bem mais de pupilo e professor e se estendia a amantes, parecia ainda difícil. Não tínhamos digerido bem a nossa nova relação ainda. Eu lembro de um dia ter saído durante a madrugada para lutar com os androides. Naquele dia eu estava sem sono e resolvi me arriscar, saindo do subterrâneo para ir ver como Gohan estava. Durante o trajeto eu escutei uma explosão vinda de um dos dutos que ainda passava gás encanado. Eu fui para o local e vi a Número 18 próxima do local. Ela foi capaz de sentir o meu Ki.

– Olá...você é o Trunks, não é mesmo? – ela perguntou já sabendo da resposta. – Onde está aquele outro? Vocês não são em dois?

Me aproximei dela.

– Eu digo o mesmo.- Ela sorriu e colocou as mãos na cintura, retirando uma das mechas do seu cabelo que caia em seus olhos. Se ela fosse humana, aquele seria um tic nervoso que ela teria, pois ela sempre fazia aquilo, como se seu cabelo fosse mais importante do que o restante de seu corpo.

– O Número 17 está por aí, nada que possa intervir na nossa luta. – E antes que ela falasse alguma coisa, ela correu até meu encontro para me dar um golpe. Eu consegui me desviar, mas tinha sido por pouco. Ela ainda tentou me acertar com um chute, mas eu já estava longe. – Não adianta fugir. – ela observou, uma bola de energia se formando em suas mãos, pronta para ser atirada em minha direção.

– Eu não estou aqui para lutas, Número 18. Eu gostaria de conversar com você. – Ela pareceu surpresa e conteve a energia que estava quase completa em suas mãos, antes de eu dizer alguma coisa.

– Pois então fale de uma vez! – eu me aproximei dela. Ela também se aproximou. Nos fitamos e eu resolvi ser direto.

– Existe alguma coisa que eu possa fazer para evitar que vocês destruam completamente o mundo?

Um minuto de silêncio e a Número 18 começou a rir ou melhor dizendo, a gargalhar.

– O quê?

– É isto mesmo que eu estou falando. Existe algum jeito de vocês simplesmente pararem de destruir o meu mundo e você e o Número 17 irem cuidar na vida de vocês? – ela parou de rir e me olhou interessada.

– Você está apelando desse jeito? Pelo visto, as suas esperanças de algum dia ficar forte para nos fazer frente diante da luta se esvaiu.

– Não. – eu prossegui com a minha explicação, embora eu não precisasse dar nenhuma explicação a ela. – Na verdade, já estou cansado de vê-los destruindo o que a humanidade gastou anos para fazer, sendo destruído em questões de segundos.

– Isso não nos diz respeito. – ela respondeu de nariz em pé. – Pouco me importa a respeito dos humanos. Aliás, você deveria se dar por satisfeito de nós não estarmos mais matando gente sua. Afinal, aquele esconderijo que vocês cismam em ficar, não vale de nada. Ele é muito fácil de ser descoberto e destruído.

Meus nervos aumentaram à medida que ela falava com tão desleixo para com a minha gente. Aqueles eram os androides construídos pelo Dr. Gero, afinal.

– Pelo quê me falaram, vocês foram construídos para derrotar Goku, mas quando vocês surgiram, ele já estava doente e morreu logo em seguida. – interrompi o meu raciocínio e busquei ar. — Porque simplesmente vocês não vão cuidar de suas vidas e nos deixam em paz, já que o objeto inicial de vocês... – era com bastante tristeza que eu completei aquela frase: — já se encontra morto desde o nascimento de vocês?

Ela demorou a responder. Vi que ela procurava algo. Para o meu espanto, ela simplesmente se sentou em uma pedra, um dos escombros que tinha restado de uma construção antiga que eles tiveram o favor de destruí-las.

– Quando nascemos, ou seja, iniciados fomos colocados para trabalhar pelo próprio Dr. Gero. Ele nos informou que deveríamos derrotar Goku, mata-lo. Ele explicou que este era o objetivo de termos sido criados. Dentro de nós, a informação chave também foi colocada, para nunca esquecermos o nosso objetivo. Logo depois disso, matamos o Dr. Gero. Aquele velho tinha medo de nós ficarmos mais fortes e simplesmente ficássemos fora de seu controle. Claro, isso acabou acontecendo. Quando fomos procurar Goku, descobrimos que ele estava morto. Você deve imaginar como ficamos desolados. Imagina o objetivo de nossa existência já tinha sido morto, por obra do destino. Então, simplesmente decidimos matar aqueles que eram preciosos para Goku. Foi tão fácil que passamos a nos divertir, simplesmente. E você sabe diversão para nós significa destruição.

As palavras dela me enojavam. Não havia explicação, como sempre previmos. Pensamos que alguém ou algo estivesse controlando eles, apesar do Dr. Gero estar morto, mas pelo o quê ela dissera, não havia nada os controlado.

– Vocês simplesmente seguem as próprias ordens.

– Claro. Não temos mais mestres, desde que nós matamos o Dr. Gero. Mas como ele pertencia a Red Ribbon acho que estamos atuando muito bem, dentro do que a organização acreditava. – não deixei de notar um leve sorriso se mostrar sobre sua face, sem vida. – Sim, eles queriam que os mais fortes vivessem e os mais fracos simplesmente fossem descartados. Bom, na prática, é o que estamos fazendo.

Um momento de silêncio persistiu no local. Eu não tinha coragem de olhar para a face da androide Número 17 ou a qualquer momento eu me descontrolaria e iria tentar a todo custo destruí-la, mesmo que aquilo custasse a minha vida. Vê-la falar daquele jeito, me despertava a ânsia de poder destruir aqueles androides, fazerem sofrer, se aquilo era possível, já que eles eram máquinas, não sentiam medo e nem dor.

– Você ainda não me respondeu a minha pergunta.

– Ahh... se há alguma maneira de pararmos de fazer o quê estamos fazendo. – ela de uma forma sarcástica demorou a responder, como se tivesse que muito pensar a respeito do que eu tinha perguntado, como se tivesse que analisar alguma coisa que fosse de muito importante. – Sinto dizer, Trunks, mas para fazer nós pararmos, só nos destruindo. – Ela me fitou intensamente, apesar da distância senti a força de seu solhos, frios e sem vida, olhos de máquina.

– Era só isso que eu queria saber. Não irei mais te interromper com perguntas...

– Perguntas idiotas! – ela falou, eu ouvia ela gargalhar.

– ... com perguntas idiotas. Mas eu juro, — voltei a olhar, recobrando o meu desejo e minha força de vontade. – que um dia eu irei derrota-los. Custe o quê custar.

Saí voando dali. Me peguei olhando para o nada, totalmente estagnado. Não sabia para onde ir ou se queria voltar para o esconderijo. Ali me parecia tão melhor. A lua no céu, as estrelas diante de mim, o frio da madrugada...

De repente eu senti um Ki se aproximando. Era o Ki dele, de Gohan, a única pessoa capaz de derrotar aquelas máquinas. Ele pousou ao meu lado. Seus braços me rodearam pelos ombros, de uma forma protetora.

– Eu ouvi o quê você falou. – ele sussurrou meus ouvidos, de uma forma lenta e acolhedora.

– Eu estava sem sono. Me desculpe.

– Shhh... – ele pediu que eu me silenciasse e que fechasse os olhos.

– Tente relaxar. – fiz o quê ele pediu. Sua aproximação tinha me deixado mais mole, como se diante dele eu pudesse ficar bem, me esquecer do mundo em que eu vivia.

– Gohan... – murmurei.

– Não fale mais nada. – não sentia mais os pés em solo. Ele me levava agora para a casa dele, em um voo, onde só ele usava energia. Quando chegamos, ele me levou até a cama e retirou os meus sapatos. Senti ele me envolver em um abraço, o vento que assoprava pela janela aberta era refrescante. Ele me beijou no queixo e no pescoço. Me sentia cada vez mais relaxado. Nossas respirações ficaram mais lentas, eu abri os olhos, mas voltei a fechá-los, pois já sentia a vista tonta.

Dormi sem demora, na cama de Gohan, sendo abraçado por ele.

Foi uma das melhores noites que eu lembrei de ter. Eu me senti completamente recuperado, meu sono foi sem medos, sem o perigo eminente de ter que estar em alerta o tempo todo. Quando eu estava com Gohan, eu simplesmente conseguia relaxar e curtir o momento.

Quando eu acordei, ele não estava mais na cama. Escutei um barulho na cozinha e quando me aproximei ele se voltou pra mim.

– Dormiu bem? – ele perguntou.

– Ótimo.

– Pois então agora eu posso falar o quê eu tenho a dizer: nunca mais vá falar sozinho com os androides. Já pensou se tivesse acontecido alguma coisa? – ela estava irritado comigo, pensei que ele não iria abordar o fato de eu ter ido falar com os androides sem preocupação nenhuma.

– Gohan...

– Por uns dias eu não o levarei para ver a minhas lutas. Nosso treinamento continuará, porque ele é muito importante, mas você deverá ficar um tempo sem vir aqui em casa.

Como um bom aluno eu aceitei sem falar nada.

– Sim, mestre.

Aquele era o meu professor, o meu mestre muito diferente do Gohan que tinha me encontrado ontem a noite durante a madrugada, que tinha sido tão cuidadoso comigo.

Por um tempo eu não entendi esses dois Gohans que pareciam tão diferentes em seus modos de comportar em relação a mim, mas depois eu entendi...

Se era difícil pra mim, imagine para Gohan.

Eu me espreguicei e agora pronto, segui para a casa de Chi-chi. Quando cheguei, o jantar já estava pronto. Ela me chamou para comer, mas eu disse que eu já tinha comido com a minha mãe e a agradeci pelo cuidado. Eu me tranquei no quarto que um dia foi de Gohan e que agora era usado por mim. Eu me afundei nos travesseiros e me lembrei de seus toques, naquela madrugada. Caí no sono, como se o relaxamento tinha sido proporcionado pelo próprio Gohan.

oOo

A máquina do tempo foi restaurada pela minha mãe. Já tinha passado algum tempo desde que eu tinha comentado com a minha mãe o desejo que eu tinha de voltar para o passado. Algumas vezes eu pensei no risco que eu estaria tomando para realizar o meu sonho. Com tantas voltas no tempo que eu tinha feito, será que teria mais alguma grande mudança? Iguais que aconteceram na minha última viagem?

Passei os dias nervoso, repassando os meus passos que eu faria no passado. Se alguma coisa desse errado, eu poderia colocar a minha vida em risco, algum pedido que não fosse bem explicado para Shen-long realizar poderia colocar em risco a minha existência e os outros que estivessem envolvidos na minha vida. Seriam três desejos que Shen-long iria realizar que foram pensados com muito cuidado. Tudo na minha cabeça foi planejado. Agora era a hora de colocar tudo na prática. Voltar no passado, reunir as Dragon Balls, convocar Shen-long e pedir para que eu voltasse em uma realidade que Gohan não estivesse morto, o meu Gohan.

No dia da viagem, fomos para o local onde a maquina se encontrava. Minha mãe tinha a reformado, deixado com mais energia e com menos possibilidades de dar erro durante a viagem no tempo.

Quando fiquei ao lado dela, ela me olhou nos olhos, e apesar de um sorriso nos lábios, seu rosto triste não negava o momento difícil que passava.

– Chegou a hora. – ela colocou suas mãos em meus ombros e me puxou para um beijo no rosto. – Eu fiz todos os reajustes possíveis. Ela está uma máquina nova, com mais potência.

– Obrigado, mãe. – eu olhei para a máquina confirmando com um acenar. Eu voltei para fita-la.

– Boa sorte na viagem! – Ela me abraçou forte. Eu senti seu corpo quente, acolhedor, abraço de mãe, bem apertado. Vê-la naquele estado me deixava com dúvidas a respeito do que se eu fazia era o certo.

Mas ao olhar para a máquina e para um novo futuro que eu teria, eu me fortalecia. Voltei a agradecer a minha mãe novamente e pedi para que ela se cuidasse. Eu esperava que ela ficasse bem sem mim. Apesar de não ter mais seu marido, seus amigos, familiares, ela ainda tinha a amiga Chi-chi, o trabalho e a “Capsule Corporation”. Essas três coisas ajudariam a minha mãe a se fortalecer e seguir em frente.

Ela se afastou do meu corpo. Eu não mais olhei para ela. Se eu a visse chorando, eu provavelmente desistiria dos meus planos.

Me aproximei a passos lentos da máquina, muito diferente da vez em que eu a usei pela primeira vez, com ânsia de chegar no passado para poder salvar Goku e poder voltar para salvar o meu mundo. Eu subi na máquina e me cobri com a redoma. Eu olhei para o painel e digitei o ano em que eu queria voltar: exatamente um ano depois de termos derrotado Cell. Assim, programei a máquina no tempo exato, e iniciei o vôo.

Quando a máquina começou a sair do chão, eu acenei pra minha mãe. Apesar de estarmos distantes, eu vi a tristeza estampada em sua face. Ela acenou de volta. Eu vi as palavras “eu te amo” sendo formadas nos lábios dela. Meu coração se aqueceu e eu disse o mesmo. Eu só esperava que ela tivesse visto as palavras sendo formadas em minha boca. Aquela seria uma recordação, pois duvidava muito que eu ela não soubesse que eu a amava muito.

A viagem, como as anteriores, foi rápida, só demorando alguns minutos, talvez menos de vinte minutos.

A nave pousou em um descampado. Fiquei olhando se aparecia alguma coisa, mas o local estava quieto, desabitado. Saí da máquina, apertei o botão que a transformava em cápsula e a guardei no estojo que eu carregava no interior do meu casaco.

Fiquei sem reação por algum momento até me restabelecer e perceber que eu deveria ver a minha mãe daquele tempo imediatamente se eu quisesse obter as Dragon Balls. Olhei para o GPS que integrava o sistema do meu relógio e observei o mapa. Havia alguns quilômetros para eu chegar na “Capsule Corporation”, onde minha mãe deveria estar, provavelmente.

Durante o voo eu pensei o quê tinha acontecido com todos que eu conheci: Kuririn, Piccolo, Tenshinhan, Mestre Kame... Além disso eu também pensava nos meus pais daquele tempo. Como será que progredira a relação entre Vegeta e Bulma? E a Chi-chi? Como estava depois da morte de Goku? Será que ainda pegava muito no pé de Gohan em relação aos estudos?

Gohan... o Gohan daquele tempo tinha crescido ainda mais, ele estava já com doze anos...

Mas eu sabia que aquilo só eram pensamentos. Aquela não era uma visita, aquele seria um adeus que eu também daria aquele mundo. Não estava disposto a voltar mais naquele tempo, mesmo que ele fosse perfeito, tendo meu pai, minha mãe e os outros guerreiros. Aquele mundo já pertencia a um outro Trunks.

Cheguei na empresa e pousei no gramado que ficava na entrada. Fui recebido pela minha avó que me reconheceu.

– Ah, você! O garoto do futuro! – ela sempre sorrindo, não tinha mudado nada.

– Olá! – eu me aproximei. Logo, meu avô também chegou, caminhando pelo jardim. Ele também pareceu me reconhecer, pois disse o meu nome.

– Ah Bulma está?- eu perguntei a eles.

– Ela está lá dentro. Entre com a gente. – eles falaram. Era muito estranho entrar na empresa que eu era dono, mesmo não sendo oficialmente. Minha avó me ofereceu um chá e eu fiquei esperando a minha mãe na sala. Alguns minutos de espera, ela chegou trajando um jaleco branco e ela estava com os cabelos mais curtos.

– Quantos eles falaram quase não acreditei! – Ela correu praticamente e foi ao meu encontro, me abraçando. — Pensei que nunca mais nos veríamos. – Ela sorriu pra mim.

– Como está o Trunks? — eu perguntei, enquanto ela se sentava ao meu lado.

– Ele cresceu muito depois da última vez que você veio! – ela falou com um ar sonhador. – Parece que deu tudo certo no seu tempo. – Confirmei com um acenar.

– Deu tudo certo, consegui destruir os androides e ainda matar Cell antes que ele atingisse um poder que eu não seria capaz de detê-lo. Não deixei ele voltar para o passado.

– Ótimo! Se não fosse aquele treinamento... – ela observou se referindo a Sala do Tempo localizado no Templo de Kami-sama.

– Realmente. – eu concordei.

– Está precisando de algo? Alguma ajuda? – ela tomou as minhas mãos nas dela. Eu corei com o ato. Era muito difícil ver a minha mãe tão diferente, mas tão igual ao mesmo tempo.

– Sim, na verdade eu preciso que você me empreste o Radar do Dragão. – eu enfim disse o que precisava. – Você está com ele.

– Sim, eu estou com ele. – respirei aliviado, diante de sua confirmação... – mas por que de tanta ansiedade? – ela percebeu que as minhas mãos suavam, e que eu estava nervoso. – Há alguma coisa de errado?

– Não, como eu disse, está tudo bem com o meu tempo. Deu tudo certo. Nós estamos acabando de reconstruir a cidade. A população está mais calma e depois de um ano, já devem estar se esquecendo dos androides.

– Ótimo, mas porque você está tão nervoso? – eu não queria revelar o que eu pediria a Shen-long, mas ao mesmo tempo, era difícil de mentir para a minha mãe.

– Eu quero realizar o meu sonho e é só com a ajuda das Dragon Balls que eu poderei concretiza-lo. – ela confirmou com um acenar.

– Agora entendi. – ela se levantou, foi até uma estante e pegou o radar que estava dentro de uma gaveta. – Pode usa-lo. – ela me ofereceu. Eu peguei a máquina a analisando. – Basta apertar o botão de cima – ela apertou o botão para que eu visse o objeto ser ligado – para acionar as posições das Dragon Balls. Você já sabe, para conseguir ter os dois desejos realizados e convocar Shen-long, você precisa reunir as sete Dragon Balls.

– Sim, eu sei como elas funcionam. – eu disse sorrindo. – Obrigado. – Ela me entrou também uma bolsa para eu colocar todas as Dragon Balls colhidas e protege-las, para não perde-las nenhuma em minha viagem.

– Caso precise de outra coisa, pode contar comigo. – ela me disse.

– Então é isso. Eu tenho pressa. Tenho que ir. – confessei a ela.

– Tudo bem. Você acha que não seria melhor levar alguém para ajuda-lo? As Dragon Balls podem estar em locais difíceis e mesmo você sendo forte... – ela me advertiu.

– Não há o que temer, Bulma. – desviei a atenção dela e olhei em direção da voz que tinha falado. Era a voz do meu pai. Ele estava parado na soleira da porta nos olhando.

– Ah... – eu fiquei sem reação, fitando Vegeta. Ele não tinha mudado em nada. – Olá. – eu o cumprimentei, mas ele não retribuiu.

– Ele tem sangue Saiya-jin correndo nas veias. Ele irá conseguir as Dragon Balls em um piscar de olhos. – depois de falar, ele saiu por onde entrou, me ignorando completamente.

– Ele está certo, mãe. Eu tenho sangue Saiya-jin correndo nas minhas veias.

– Eu sei, mas... – ela levou as mãos até meu rosto. Senti seus dedos alisarem a minha face. – uma mãe sempre se preocupa com o filho.

– Não se preocupe. Eu ficarei bem. – A beijei na testa, como tinha feito tantas vezes com a minha mãe do meu tempo. Ela pareceu se surpreender, quando voltei a fita-la novamente. Mas em nada a desagradou. – Agora tenho que ir.

– Boa sorte. – ela me desejou.

– Antes de convocar Shen-long, eu te devolverei o radar. – eu a garanti.

– Tudo bem. – Ela me acompanhou até o jardim da empresa, acionei o botão do radar e a primeira Dragon Ball surgiu, sendo marcada no aparelho. Estava a alguns quilômetros dali. Saí voando.

– Boa sorte. – ela gritou acenando pra mim. Eu retribuí. Eu também fui capaz de ver o meu pai na porta, olhando pra mim, não demonstrando emoções.

“Mas ele está ali!” eu sorri internamente e parti com a certeza que eu teria todas as sete Dragon Balls o mais rápido possível.

oOo

Pelo que o radar indicava, uma das Dragon Balls se encontrava a poucos metros dali. Eu olhei pra baixo e imaginei onde ela poderia estar no meio daquela cidade. Podia estar em qualquer lugar! Eu fui pousando, me aproximando na rua. Algumas crianças me viram e ficaram assustadas, mas eu continuei o meu caminho, observando o radar. Bom, eu já estava no ponto em que ele estava indicando estar a Dragon Ball. Olhei para os lados, segui o caminho e vi o terreno de uma imensa propriedade. Provavelmente a Dragon Ball estaria ali dentro. Mas como eu iria entrar ali? Aquela casa parecia ser de alguém muito importante, pois o jardim ocupava quase todo o quarteirão. Eu olhei por cima do portão, na casa não parecia ter ninguém, mas eu simplesmente não poderia invadir. Resolvi ir embora dali para pensar em algo, enquanto eu almoçava. Entrei no primeiro restaurante que vi e pedi qualquer coisa para a garçonete.

Mais belisquei do que comi realmente. Eu estava ansioso por achar as sete Dragon Balls e fazer logo meu pedido para Shen-long. Eu saí dali e resolvi dar uma olhada envolta. Olhei a rua, várias vezes e resolvi voltar para o local onde estava a Dragon Ball.

“Quando alguém vai chegar?” Queria que alguém da casa chegasse para eu poder questioná-lo a respeito da esfera, mas parecia que ninguém chegava. Próximo das quatro da tarde, alguém se aproximou. Era uma menina, usando uniforme, provavelmente estava chegando da escola naquela hora. Mas quando atravessou a rua, um homem a atacou. Usava uma arma e pedia para ela entregar o celular e a carteira, caso contrário a violentava. Com a minha velocidade, tomei a arma do bandido, bati em seu rosto e falei que não chegasse mais perto daquela menina. Ele fugiu imediatamente. Quando olhei para o lado, vi a menina caída, ainda assustada com o quê tinha acontecido com ela. Peguei sua bolsa e estendi a mão, para ajuda a se reerguer.

– Você está bem? – questionei a menina, devolvendo sua bolsa.

– Eu estou. Muito obrigada. Se não fosse por você, eu nem sei o quê teria acontecido comigo... – ela então olhou pra mim e sorriu. – Você agiu tão rápido...

– Eu estava na rua e quando vi, corri o mais rápido que pude. – eu disse a ela.

– Ah entendi. Muito obrigada por ter me salvado. Qual o seu nome? – ela me perguntou.

– Trunks. E o seu?

– Umi. — ela sorriu ainda mais. Ela não teria mais do que treze anos. Possuía cabelos pretos curtos na altura dos ombros. Era muito bonita. Ela olhou por todo o meu corpo. – Pelas suas roupas, você não é da cidade, não é? – ela me questionou.

– Não, eu sou de fora. – eu expliquei, já estava pronto para me despedir da menina quando ela se voltou pra mim e apontou a casa onde estava a Dragon Ball.

– Eu moro aqui com a minha avó. Você gostaria de entrar para beber alguma coisa? – que sorte. Então a menina que eu tinha ajudado, morava naquela casa e ainda estava me convidando para entrar?

– Ah claro... seria um prazer. – eu sorri e a segui. Nós atravessamos os portões e como já previsto, aquela era uma casa muito luxuosa, daquelas construções antigas com uma casa em estilo japonês, com um jardim com um imenso jardim. Olhei para todos os lados atrás da Dragon Ball, mas não consegui ver nada. Talvez ela estivesse dentro da casa. Ela me pediu para entrar e se sentar perto de uma mesinha. Fiz o quê ela pediu.

– Vó, eu trouxe um senhor comigo. – ela chamou a avó que veio imediatamente aparecendo na porta.

– Ohh... – ela se assustou com a minha presença.

– Olá, senhora. Meu nome é Trunks. – eu me apresentei, fazendo uma reverencia.

– Ele me ajudou agora na porta de casa. Ele me salvou de ser assaltada! – ela completou. Poderia se notar o alivio em sua voz.

– Oh, mas em pleno dia? – ela a questionou. – Como estão as coisas.

– Provavelmente ele já estava de olho na sua neta, já sabendo dos seus horários. – eu disse.

– Você deve tomar cuidado, Umi. – ela advertiu a neta. – Ainda bem que havia um jovem para ajuda-la. – ela olhou pra mim e sorriu. – Gostaria de beber alguma coisa? – ela me perguntou bondosamente.

– Não, muito obrigado senhora. – eu neguei.

– Então irei buscar um chá e irei te servir um bolo. – Ela caminhou até a porta, insistindo para eu comer alguma coisa. – Eu já volto.

Fiquei em silêncio na sala. Umi disse que iria se trocar e que voltaria em um segundo. Alguns minutos se passaram e nada delas voltarem. Olhei para todos os lados da sala e me surpreendi ao ver a Dragon Ball de cinco estrelas no alto de uma estante encima de uma almofada vermelha.

– Ah Dragon Ball... – eu me levantei e peguei-a nas mãos. De repente a senhora entrou trazendo uma bandeja com um chá e bolos.

– Aqui está. – eu olhei e ela depositou a bandeja na mesa.

– Obrigado. – Eu coloquei a Dragon Ball de volta no local onde eu tinha achado. Eu voltei a sentar e peguei uma xícara.

– Vi que você estava olhando para aquele enfeite. – meu rosto corou.

– Sim, eu o achei muito bonito. – ela sorriu bondosamente.

– Aceita ficar com ele como presente por ter salvado a minha neta? – eu olhei espantada pra ela.

– Mesmo? Posso leva-lo? – estava surpreso com tamanha sorte.

– Claro. Essa estranha pedra foi achada quando eu cuidava do jardim. Ela apareceu no meio das minhas rosas há quase um ano. Eu achei tão bonita que resolvi guarda-la.

– Muito obrigado, senhora. – eu agradeci.

– Vejo que gostou muito dela. – ela sorriu.

– Sim, na verdade eu preciso encontrar sete dessas que estão espalhadas pelo mundo. – eu admiti pra ela.

– Uma tarefa muito complicada. Caso você consiga reunir as sete pedras dessas o quê acontece? – ela perguntou pra mim interessada.

– Eu irei conseguir realizar o meu desejo. – eu disse enfim.

– Ainda bem que você achou. – ela disse bondosamente. – Quantas ainda faltam para o senhor encontrar?

– Essa foi a primeira que eu encontrei. – eu admiti.

– Então ainda falta uma boa viagem...

– Sim, tenho que concordar.

Ficamos em silêncio por algum tempo até que sua neta apareceu, também se servindo de um chá.

Conversamos um pouco e eu me despedi das duas, com a Dragon Ball de cinco estrelas no meu bolso.

Dessa vez eu tinha dado sorte, nada muito complicado.

oOo

Eu já estava voando a algumas horas. Pelo que o radar me indicava, ainda faltava um pouco para eu chegar onde se encontrava a Dragon Ball seguinte. Eu estava em um descampado e sentia muita cede, mas parecia não haver nenhum local ali por perto para eu parar para descansar. O caminho se seguia e eu me vi dentro de um deserto. Os ventos continuavam fortes e fui pego por uma tempestade de areia. A visão me impossibilitava de enxergar por onde eu ia, fiquei um bom tempo perdido no deserto. Uma hora depois, a tempestade terminou. Eu estava soterrado por um monte de areia. Olhei para o radar, a Dragon Ball estava por ali, mas eu não conseguia saber aonde ela estava exatamente, como da outra vez.

Fui caminhando até ver uma fortificação, muito bem guardada por soldados armados até os dentes. Um jipe surgiu nas areias e foi em direção a fortificação. Dentro do carro, além do motorista, havia outro homem com um rifle na mão. Eu me aproximei e tentei me esconder entre umas pedras que ficavam perto dali. Por sorte, eu consegui escutar o que dois falavam.

– O Sr. Chabad irá ficar desapontado por não termos conseguido prisioneiros. – o homem que estava no volante falou para o outro.

– Eu sei, mas o quê podemos fazer? O velho da cidade nos ameaçou dizendo que iria ligar para nos denunciar.

– E você acha que irá acontecer isso? O Sr. Chabad é que manda por essas bandas...

O motorista então seguiu caminhou em direção a passagem que o portão tinha revelado. Não tive nem tempo de ver o quê tinha lá dentro, o portão já tinha sido fechado.

Pela informação dos homens, havia uma cidadezinha perto dali. Resolvi sobrevoar o local para coletar mais informações. Como falado, havia uma cidade ali, muito pobre, com muitas crianças, mulheres e pessoas idosas, quase nenhum homem. Eu desci e comecei a andar pelas vielas, no meio das construções até que surgiu um grupo de homens com pedaços de madeira na mão.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

– Ei, vocês estão vendo? É mais um soldado do Sr. Chabad. Dessa vez ele veio sozinho! – um deles falou, me cercando. Os outros o imitaram.

– Espere, eu não sou um soldado e não conheço esse Sr. Chabad que vocês estão falando. — eu alertei, colocando as minhas mãos pra cima, dizendo que tinha vindo em paz.

– Não pode ser... – um deles disse.

– Então para quê veio? – um outro me questionou. Eles ainda pareciam desconfiados de mim.

– Eu estava perdido no deserto e acabei por chegar aqui. Estou cansado. Precisava tomar uma água. Se quiser, podem me revistar. Eu não estou com nenhuma arma.

Eles pareceram ficar mais relaxados e soltaram os pedaços de ferro e madeira que antes serviram para me ameaçar. Como se aquilo servisse de alguma coisa. Eles então deixaram eu passar. Eu segui o caminho e entrei em um bar. Ele estava vazio, a não ser por uma criança que estava sentada perto da porta, o garçom que estava de trás de um balcão e um ser encapuzado, distante da porta, sentado em uma mesa. Eu me aproximei e pedi algo para beber.

– Você tem dinheiro para pagar? – ele perguntou. Eu disse que sim, então ele foi buscar algo pra mim. Eu me servi quando ele me trouxe água fresca. Olhei para os lados e resolvi saber o quê estava acontecendo na cidade.

– O quê está acontecendo na cidade? Eu fui recebido por um grupo de homens perguntando se eu era um dos homens de um tal de Chabad... – eu questionei o garçom que agora passava um pano no batente, por mais que ele já estivesse limpo.

– A cidade pertence ao Sr. Chabad. Ele vem aqui a procura de homens para escraviza-los e o tomam de suas famílias. Muitos já foram presos e por isso nós o tememos.

– Por quê ele faz isso? – eu queria saber mais.

– É um jeito de conseguir mão de obra barata. Escravos. Para o trabalho nas minas de carvão.

– E não há como detê-lo? – antes que o garçom pudesse responder, o estranho encapuzado no fundo do bar respondeu por ele.

– Se você quiser ser morto. – eu me virei para o estranho.

– Parece que esse Sr. Chabad está na posse de um objeto muito importante pra mim. – eu disse me explicando.

– Esqueça garoto. Você já viu a porção de soldados com armas que ele possui?

– Já e não dou a mínima pra isso. Se eu precisar invadir o local onde ele está, eu irei fazer isso.

– Pois então você vai precisar de ajuda. – Ele abaixou o capuz e revelou ser um homem bem forte, com uma cicatriz no rosto, olhos amarelos e cabelos pretos desgrenhados. – Quando você pretende fazer isso?

– Irei agora pra lá. – eu disse terminando a minha água e ficando em pé. – Tenho pressa em pegar o quê eu quero e ir embora daqui.

– Irei com você. – disse ele.

– Faça como você quiser. – quando estávamos saindo no local vimos uma série de tiroteios começar. O mesmo jipe que eu vi anteriormente estava estacionando perto dali, enquanto dois homens ameaçavam uma mulher e uma criança, enquanto outros olhavam assustados para a cena.

– Eu sei que o marido de vocês ainda estão aqui na cidade! Vamos, entregue-os que eu irei poupar a vidas de vocês.

– Nós já dissemos, todos já foram. – disse um velho tomando partido da mulher e da criança ameaçada.

– É mentira. Sabemos que um grupo de homens ainda estão em ativa, mas se escondem por sentirem medo.

Mais jipes chegaram, cada um trazendo três homens. Agora no total eram onze homens armados. As mulheres começaram a gritar, segurando sua filha de colo.

– Saiam da nossa cidade. – uma delas gritou. – Vocês já saquearam as nossas casas e roubaram os nossos maridos. Não temos mais nada.

Diante disso, um soldado ficou nervoso e se aproximou da mulher que tinha gritado. Ele estava pronto para atirar na jovem quando eu intervim, tomando a arma daquele homem o socando no estomago. Ouvi o povo da cidade gritar e os outros se aproximarem.

– Então pelo visto ainda há alguém que necessitamos aqui nesse fim de mundo. – um deles falou se aproximando de mim.

– Eu não sou daqui. – eu disse. – E essas mulheres estão falando a verdade. Não há mais ninguém na cidade que vocês necessitem. Aliás, vocês não deveriam nem estar aqui.

Ver aquelas pessoas sofrerem por outros, me deixaram completamente perdido. Não era justo aquelas pessoas sofrerem por simples maldades dos outros. Aquele que estava mais próximo me analisou de cima abaixo. Eu percebi um sorriso aparecer em sua face.

– Você será útil. Peguem-no. – os outros foram em minha direção com armas em punho. Alguns atiraram em mim, mas as balas nem chegaram perto, devido a energia do meu Ki que tinha me envolvido. – Não pode ser. – ele olhou apavorado pra mim. Fiquei contente em ver que eu despertava medo daquelas pessoas, assim como eles despertavam medo naquela cidade.

Eu tinha me decidido, eu iria proteger aquelas pessoas.

– Me levem até o chefe de vocês. – eu caminhei em direção de alguns dos automóveis, mas eles de repente correram até os jipes, entraram em um só pulo e partiram. O povo da cidade pareceu ficar contente, mas pra mim aquilo só era o começo.

Eu me transformei em Super Saiya-jin e em segundos, eu tinha movido o meu corpo até os carros, parando na frente deles. Seus olhares de medo agora revelavam o quanto eram insignificantes.

– Vocês estão com a Dragon Ball não é mesmo? – eu gritei para eles.

– Não. Quem possui a esfera dos desejos é o Sr. Chabad. – um deles disse.

– Pois então vocês irão me levar até o chefe de vocês agora. – eles me fitaram longamente e eu ameacei atirar uma bola de energia nos carros, caso demorassem mais algum tempo para eles tomarem alguma decisão.

– Sim, senhor. – um dos jipes foi cedido pra mim e eu guiei, seguindo na direção que eles iam. Voltei a olhar para o povo da cidade que me observavam também com surpresa, mas em seus olhares não havia medo, mas sim orgulho. Eles então gritaram pra mim e me agradeceram.

Logo, estávamos diante da fortaleza que eu tinha visto quando cheguei ali. Eles abriram o portão e eu entrei com o carro. Alguns guardas perguntaram quem eu era, mas aqueles que me acompanharam pediram para que minha entrada fosse permitida e que não houvesse mais perguntas. Eu desci do carro e um dos homens me levou para a sala do comandante. Ao que eu via do lado de fora, era um prédio baixo, não mais com três andares, mas quando entrei ali, percebi que havia mais andares no subterrâneo, onde eu estava sendo conduzido. Dentro daquela base, havia inúmeros armamentos e muitos homens trabalhavam em regime de escravidão em poços espalhados por todo o terreno.

O homem que estava me acompanhando pediu para que eu aguardasse eu fui anunciado para entrar na sala do tal do Sr. Chabad.

– Senhor. – o homem fez uma profunda mesura e me apresentou. – Esse é um dos homens que estavam na vila. Ele deseja falar com o senhor.

O Sr. Chabad era um homem muito moreno, usava roupas brancas e ele possuía um grande bigode em seu rosto. Ele pareceu me avaliar de cima abaixo.

– O quê deseja? – ele perguntou pra mim.

– Eu quero que o senhor liberte todos os homens que estão aqui como escravos e que... me dê a Dragon Ball. — um riso apareceu em seu rosto e aquilo me enfureceu. – Eu estou falando sério.

– Impossível. Você não vê que esta é uma fortaleza e que todos os homens ao meu redor estão armados? Basta uma estalar de dedos e você seria derrotado em segundos. – ele me ameaçou.

– Eu não estou com muita paciência. – Eu me aproximei daquele homem e o segurei pela gola da blusa. – Me dê agora a Dragon Ball e liberte os escravos que vocês mantem aqui dentro.

– Homens! – ele acionou um botão, onde apareceram vinte homens armados, todos apontando as armas pra mim.

– Não funcionara. – eu disse o alertando.

– Isso é o quê vamos ver. – ele disse me fitando profundamente.

Os homens apontavam as armas pra mim e atiraram. Eu consegui desviar de todas as balas. O Sr. Chabad ficou bastante assustado, mas não se deu por vencido. Pediu que os homens me atacassem dessa vez usando de artes marciais. Eles me bloqueavam, mas aquilo era uma simples brincadeira para o que eu era. Eles não significam nada pra mim, simplesmente nem chegavam aos meus pés. Derrotei todos e fui amontoando os homens perto da parede.

– Então? – eu o questionei e ele pareceu perdido. Vi ele acariciar alguma coisa no bolso. Cheguei mais perto dele e arranquei aquilo que estava em seu domínio. Era a Dragon Ball de seis estrelas. Eu a peguei e a enfiei no meu próprio bolso.

– Você pode ter a esfera dos desejos, mas não tirara nenhum escravo de mim. Guardas! – dois homens maiores do que o habitual apareceram de repente na sala. Eu olhei para os dois lados e movimentei os ombros.

– É só isso? – um deles pareceu enfurecido e me deu um soco. Não desviei, fazendo ele ter um momento o gostinho de vitória. – Isso não adiantará. – eu disse e olhei para o homem que tinha o dobro do meu tamanho.

– Não pode ser... – ele disse. Seu companheiro tentou me desferir um golpe no estomago, mas eu bloquei com uma das mãos, enquanto que a outra eu usava para acertar o rosto daquele que tinha tentado me atingir primeiro. Eu também acabei dando uma joelhada em seu estomago, fazendo ele cair no chão e gemer de dor. Eu voltei a olhar para o outro que tinha recuado, colocando o Sr. Chabad na sua frente.

– Mas o quê pensa que está fazendo? – O Sr. Chabad gritou, dando ordens novamente para que me matassem.

– Isso é impossível, chefe. – ele disse apertando um botão e saindo pela porta que tinha aparecido em uma das paredes mais próximas de onde ele estava.

Um minuto de silêncio se fez presente.

– Prometa que nunca mais mexerá com o povo da cidade e que soltará todos os escravos que estão em seu domínio. – eu pedi.

O Sr. Chabad novamente se negou a fazer o quê eu falava então eu fui obrigado a soltar uma bola de energia das minhas mãos e destruir as paredes do local. Uma pequena explosão se fez presente.

– Eu acabei de destruir essas paredes. Você quer que eu desfira o meu golpe em sua cabeça? – eu o ameacei, dessa vez surtindo efeito. Ele deu um telefonema e eu escutei o comando dele sendo passado pelos seus empregados.

– Soltem todos os prisioneiros. – um dos seus homens que tinham atendido o telefonema ficou mudo por algum momento. Eu elevei as minhas mãos o ameaçando de explodir o local. – Rápido. – O Sr. Chabad ordenou, no vocal eu percebi o outro confirmando as ordens dadas pelo chefe. Eu então saí dali, caminhando em direção a saída daquele local. Eu percebi muitos homens serem soltos e correrem em direção à saída.

Todos os guardas que trabalhavam para ao Sr. Chabad olhava tudo abismado, sem poderem fazer nada graças a minha presença no local. Alguns minutos foram precisos para todos saírem. Eu olhei novamente para o Sr. Chabad e para os seus guardas que tinham se reunido na entrada da fortaleza.

– Eu direi mais uma vez. Se vierem a voltar a prenderem aqueles homens, eu voltarei e matarei todos.

Eu então subi e voei em direção a cidade. A medida que os prisioneiros chegavam, todos gritavam de alegrias. Agora a população da cidade me olhava de cima me agradecendo. Eu entrei novamente no bar, onde poucas horas eu tinha entrado. Dei o número do telefone para aquele que havia me servido e pedi para que me ligasse, caso o Sr. Chabad voltasse a incomodar alguém da cidade. Ele assentiu e sorriu pra mim, me agradecendo.

– Foi um prazer ajuda-los. Bom, agora que eu consegui o quê eu tanto queria, posso ir embora.

Caminhei para fora do local e saí voando. Voltei o olhar para a cidade e percebi que todos que me viam me acenavam e me agradeciam pelo quê tinha feito.

Eu sorri pra mim contente e apertei o bolso da minha blusa, onde ainda estava a Dragon Ball de seis estrelas.

Só faltavam mais cinco Dragon Balls para eu fazer os meus pedidos diante de Shen-long.

Continua...