Bury Me In Black
6 This only happens to me?
Notas iniciais
**desviando das pedras**
xente desculpa a demora,mas tava dificil fazer esse cap
e tem muita liçao pra fazer rsrs' mas..ta aí
espero que vcs gostem
ate la em baixo >,
Uma voz irritante escoou pelo meu quarto “Acorda!”, me apoio em meu braço e olho para um radio – relógio próximo a minha cama. Será que minha mãe não sabe que eu sei acordar sozinha?
-Escola... – murmurei enquanto me levantava. Eu me sentia pesada. Meus olhos não paravam abertos. “Acho que ainda estou sob o efeito do calmante” pensei comigo, enquanto minha cabeça cambaleava, parecendo querer cair.
Pulei da cama tentando mostrar um pouco de empolgação. Eu estava feliz, afinal eu tinha arranjado novas amizades, aliás, novas lindas amizades! Enquanto me arrumava, lembrava-me de cada um deles. “Eles foram tão gentis...”- pensava. Eu sentia algo diferente quando pensava neles. Parecia que eu sentia atração por eles. Mas especialmente por um... Um deles havia me iludido. Sorri e baixei o rosto tentando não mostrar muita emoção. Quando terminei de se arrumar, me virei em direção ao espelho. Meu rosto parecia pálido. Caminhei até o espelho para me ver mais detalhadamente. Fixei o olhar enquanto me aproximava. Fechei os olhos e dei um suspiro de alivio. Eu estava normal. Quando os abri os olhos e olhei novamente, me assustei. Não aparecia meu reflexo, e sim o de uma pessoa que eu reconheci imediatamente. SIM! Era ela! A jovem de meu sonho! Mas estava um pouco diferente. Não estava completamente com uma aparência de morta, igual a ultima vez que a vi. Seu rosto... Estava bem menos pálido. Como se estivesse voltando à cor normal de uma pele perfeitamente saudável. Minha atenção se voltou para o resto do corpo, que pareciam não ter mudado nada. Estavam absolutamente pálidos. Em um tom azulado bem claro. Iguais à primeira vez que eu a tinha visto. Fechei os olhos e me virei para pegar minhas coisas do colégio. Com medo de olhar novamente para o espelho, sai de meu quarto e desci as escadas que me levavam a sala principal de minha casa. Fui até a cozinha e peguei uma maçã.
A casa de Gerard parecia bem maior de perto. Apertei a campainha e esperei impacientemente. Em alguns segundos, Mikey saiu e logo após Gerard apareceu,arrumando seu cabelo que moldava seu belo rosto. Ele parecia mais bonito do que no dia anterior. Mikey sorria pra mim como se tivesse esperando alguma coisa. Caiu a ficha e sorri pra ele, o cumprimentando:
-Olá Mikey!
-Oi!
Gerard apenas me mostrou um sorriso, parecia meio preocupado. Enquanto andávamos Mikey falava sobre raiz quadrada. Mas eu apenas tentava decifrar o que passava pela cabeça do Gerard. No ônibus, ele não se deu de indiferente. Até mesmo na escola nas primeiras aulas ficou em silencio. Quando o sinal soou para sairmos para o intervalo, ele não se juntou a nós, preferindo ficar na sala. Ninguém de nós se atreveu a contrariar dele, mesmo não sabendo o que estava acontecendo. Enquanto sentávamos em uma mesa próxima, Frank não se deu por vencido das atitudes estranhas do amigo e logo comentou:
-Cara, o Gerard não tá legal.
-Faz tempo que eu o via assim – Ray falou por fim — a ultima vez, foi quando ele começou a gostar daquela menina estranha... – nesse momento senti uma pontada de ciúmes – e olha que faz muito tempo!
-Eu não estou estranhando muito. Ontem ele estava pior! Quase não consegui dormir noite passada! – Mikey exclamou com raiva. Sem saber por que, mostrei um pouco mais de interesse na conversa.
-Como assim? – Frank perguntou.
-Como vocês dois sabem, eu divido meu quarto com ele. Ele mexeu no computador quase a noite inteira. Hoje de manha, quando olhei no histórico, percebi que ele não estava perdendo tempo como geralmente faz. –Ray e Frank quase podiam sentir as baforadas de Mikey por estarem tão curiosos e tão pertos. Mikey continuou. – Ele estava lendo artigos de Suicídio!
Quase levei um susto ao ouvir essa palavra. Suicídio. Isso era o que eu queria. Mas Gerard? Será que ele era igual a mim? Será que ele estava passando o que estava? Mas minhas perguntas eram esclarecidas conforme Mikey continuava:
-Não pude ver muitas coisas, porque com certeza apagou alguns itens. Mas a ultima coisa que ele viu, foram fotos! – enquanto falava, Mikey colocava muito suspense em suas palavras.
-Fotos? – indagaram Frank e Ray quase ao mesmo tempo, em um tom de desapontamento na voz.
-É. Mas não eram fotos normais. – Nesse momento, Mikey parou e olhou para os lados como se estivesse se certificando de que ninguém nos observava. Quando terminou de checar, continuou em um tom sinistro na voz. – Eram fotos de pessoas que se cortavam!
Quando ouvi isso, tive vontade de que um raio caísse em minha cabeça. Precisei de um tempo para que meu coração voltasse a pulsar novamente em um ritmo certo. Frank se levantou:
-Seja o que for que ele esteja planejando, precisa comer. Vou levar algo para ele, vocês vêm comigo?
-Com certeza. – disse Ray enquanto se levantava. – E você Mike?
-Vou com vocês... – Mikey disse também se levantando. – Quer ir conosco Alice?
-Bem que eu gostaria, mas preciso ficar aqui por mais um tempo, tudo bem?
-Claro! – disse Frank. Os três viraram-se e logo desapareceram de vista.
Tive um calafrio e senti que alguém me olhava por de trás. Levantei e sem ao menos ver quem era, fui até o banheiro. Enquanto caminhava tive a impressão de estar sendo seguida. Virei-me rapidamente, mas não era possível distinguir se realmente alguém estava me seguindo. Muitas pessoas circulavam ao redor de mim. Dei uma risada discreta de minha estupidez e continuei andando. Ao entrar no banheiro pude ver um espelho largo que se estendia de uma parede a outra perto de onde ficavam as pias. Caminhei até ele e baguncei um pouco meu cabelo que como sempre, estava em perfeito estado:
-Será que você não pode ficar assim por um tempo? – Falei irritada em relação aos meus lisos cabelos pretos que nunca permaneciam como eu queria.
Minha franja caiu em meu rosto, tampando minha visão. Quando a prendi novamente e olhei para o espelho, pude ver que atrás de mim, na porta do banheiro, alguém me vigiava. Um frio percorreu minha espinha, quando em pensamentos tive uma pequena impressão de ser a jovem de meus sonhos. Me virei com um pouco de medo.Não havia ninguém. Dei um suspiro de alivio por não ser quem eu imaginava. Fui em direção à porta e tentei ver se realmente alguém estava me olhando.
Vi uma jovem correndo, mas sem dar a mínima ao que ela estava fazendo ou porque, fui até minha classe. Houve apenas uma aula após o intervalo. Enquanto saiamos da classe Mikey avisou que não iria conosco, pois prometera a um amigo que o ajudaria em um trabalho de Filosofia. Concordamos com a cabeça. Frank bateu nas costas de Gerard e disse:
-Cara! Comprei uns DVDs irados! O que você acha de irmos assisti-los em sua casa? Você disse que sua mãe e seu pai foram viajar, nós podemos aprontar umas... – Após dizer isso ele arqueou as sobrancelhas e mostrou um sorriso maroto.
-Não sei não... O que você tem em mente?– Gerard perguntou um pouco desanimado.
-Uma festa! – Frank disse quase gritando de tanta empolgação, parou na frente Gerard e abriu um largo sorriso.
Gerard ficou um pouco pensativo, ele parecia não querer participar de nenhuma festa. Principalmente quando sua casa era o lugar onde aconteceria à festa.
-Ah, vai! – Ray pede todo animado com a ideia de Frank. – Todos nós iremos, eu, Frank e Alice. – Até ai, eu não tinha ouvido nada direito. “Pera aí, eu vou?” pensei comigo um pouco desconcertada com a ideia. Gerard pareceu um pouco mais contrariado do que eu. Mal ele teve tempo de responder o que achava, Frank caminhava em direção a um grupo de meninas:
-Ei, o que você vai fazer? – Gerard gritou franzindo a testa.
-Você não achou que apenas nós quatro iríamos à festa, né?
Gerard cruzou os braços e fez uma cara de abismado com a ideia. Ele estava incrédulo com a situação. Não pude deixar de rir ao ver ele boquiaberto. Ray também deu umas risadinhas e foi em direção a outro grupo, só que agora era de meninos. Gerard se virou para mim e disse:
-Eu não acredito que eles vão fazer isso comigo! – Eu abaixei a cabeça e enquanto ele falava, eu voltava a andar.
-Acho que eles querem ver você alegre. – Dei de ombros e comentei em meio a risos.
Gerard pareceu ter sido derrotado. Deu um grande suspiro e disse:
-Preciso mandar os garotos comprar alguma coisa para o pessoal beber. – disse balançando a cabeça. – Alias, preciso de uma ajuda lá em casa.
-Quer que eu te ajude? – perguntei.
-Pode ser. – Ele concordou e continuamos andando até a casa dele.
Não tinha ninguém na casa. Minha casa era bonita, mas a do Gerard era sem comparação. Tinha muitos quartos e cômodos. Ele me levou até uma Sala onde tinha muitas decorações e no centro, um grande globo brilhava no teto. Até sala de Festas na casa de Gerard tinha!? EU NÃO ESTAVA ACREDITANDO NO QUE VIA. “Alô? Mamãe, precisamos reformar nosso museu!”. Após Gerard confiscar de que lá não precisava de nenhuma arrumada, fomos à sala de estar. Uma TV enorme ocupava uma das paredes da sala:
-Senta Alice. Vou buscar algo para você comer. Gosta de pudim?
-Huhum. — Respondi admirando a TV de ponta a ponta.
Logo depois Gerard voltou com uma bandeja de pudim. Sentou ao meu lado no sofá e me deu uma colher. Ele pegou uma colherada de pudim e depois levou á boca. Após terminar de saborear, ele percebeu que eu estava esperando uma tacinha:
-Não precisa de tacinha, Alice. Come. – ele disse e deu risada. Quando percebeu que eu não iria pegar, ele pegou a outra colher e atacou o pudim, quando a tirou com um grande pedaço de pudim, pediu para eu abrir a boca. Balancei a cabeça negativamente e mostrei um sorriso:
-Eu não vou fazer isso. –disse contrariando a ideia. Mas eu não me importaria se ele realmente fizesse isso. Ele insistiu. – Não mesmo.
-Se você não comer eu vou te dar a força. – ele disse por fim dando um grande suspiro.
-Então eu faço isso. – mostrei um sorriso e peguei a colher da mão dele. Ele riu e começou a devorar o pudim novamente. Estávamos sentados um virado para o outro quando Frank entrou na sala:
-Gerard, eu não acredito que você já esta dando em cima da Alice– Ele disse meio que rindo da situação. Gerard corou.
-Sabia que às vezes é bom tocar a campainha? –disse e depois de um tempo o lembrou- Você já comprou as bebidas?
-Puts, cara esqueci! – Frank disse levando a mão ao rosto e suspirou– Vou lá ao deposito. – disse indo até a porta e abrindo-a. Mas antes de sair virou para nós dois e deu uma piscadinha. Mostrei um sorriso, e quando Gerard ia levantar e talvez espancar ele, Frank fechou a porta.
Arrumamos algumas coisas juntos. E quando deu mais ou menos sete horas da noite, Gerard me levou ao andar de cima. Percorremos um corredor inteiro até chegar à porta de um quarto. Quando Gerard a abriu, vi um quarto feminino, com uma decoração meio gótica, repleto de pôsters de bandas que eu reconheci facilmente. Gerard entrou. O lugar parecia lhe trazer lembranças tristes, mas antes que eu perguntasse, ele me falou:
-Eu tenho uma irmã mais velha. – Ele abriu uma das portas do grande guarda-roupas. Pude ver roupas de todo tipo. – Você pode escolher o que quiser aqui para vestir na festa, tá legal?
Balancei a cabeça positivamente meio desordenada.
-Pode ficar tranquila. Eu irei se arrumar no meu quarto e ele é bem longe daqui. – ele acrescentou.
-Tudo bem. – Eu disse rindo.
-Então tchau, por enquanto.
-É... Tchau.
Ele parecia não querer ir embora, pois dava passos lentos até a porta. “Cara! Eu estou mesmo gostando dele!” Quando ele saiu, eu olhei em volta. Soltei um gritinho de empolgação. Todas as bandas que eu gostava ocupava um lugar em cada parede. Olhei de novo no guarda-roupas. Eu odeio festas! Mas eu podia tirar uma exceção quando se tratava de Gerard. Ele era tão lindo! Percorri o olhar em todas as roupas. Eram muitas. E todas eram extremamente lindas! Eu odiava estar na moda, mas aquelas roupas não eram nada da moda, só se forem de uma moda gótica. Sorri. Meu olhos pararam em um vestido. Eu odeio vestido. Mas esse vestido era diferente, acho que nunca tinha visto um antes. Fui ao banheiro do quarto e tomei um banho não muito demorado. Vesti o vestido e me dirigi a uma parede que era coberta de espelhos. O vestido serviu perfeitamente em mim. Modelava minha cintura e depois se abria como uma rosa dela para baixo. Ele era incrivelmente lindo. Penteei meus cabelos e prendi uma pequena parte dele. Olhei no relógio, faltavam cinco minutos para as oito horas. Percorri o corredor inteiro, mas antes que eu chegasse ao fim dele encontrei Frank:
-Uau!
-O que foi? – perguntei assustada. O coitado estava de boca aberta. – Você esta bem Frank?
-Ah... Não é nada. Gerard mandou eu vim ver se você esta bem. – ele continuou a me olhar.- Você esta bem? – Isso eu queria perguntar a ele. Acho que ele está: COMPLETAMENTE bêbado.
-Desculpa pela demora. É que eu fiquei um tempo vendo umas fotos de bandas e...
-Não precisa se desculpar Alice. Tudo bem, mas eu acho que Gerard não vai aguentar mais te esperar. Vamos?
-É... Vamos lá. – eu disse sem nenhuma empolgação. Eu não conheço ninguém da escola. Quantos estariam ali?
No pé da escada pude ver um monte de gente. “Eles convidaram a escola inteira?” Pensei indignada. Agora eu faria de tudo para sermos apenas nós quatro na festa. Quando terminamos de descer as escadas, a atenção se voltou para mim. Eu odeio isso! As pessoas não sabem disfarçar quando estão assustadas, né? Olhei cada rosto, eu não conhecia praticamente ninguém ali. Frank viu que eu estava andando muito devagar, ele se aproximou de mim e disse:
-Alice... Vamos. Gerard deve estar por ali. – e apontou para um lugar vazio. Quando viu que eu havia procurado e não achado, olhou também. – Bom, ele estava... Mas curte a festa! Tem bebida logo ali à trás. – e agora apontou para um canto da sala.
Fui até lá tentando ignorar as pessoas que me encaravam. E mesmo de longe, eu podia sentir os olhares queimando minhas costas. Parei em frente à mesa de bebidas. Ao meu lado estava um rapaz caindo de tão bêbado. Eu não queria ter o mesmo fim dele, então peguei um copo de refrigerante ao em vez de cerveja. Sai da casa, já que não vi Gerard lá e fui até a varanda. Sentei em uma mureta e encostei-me à parede. O refrigerante descia queimando e eu parecia estar longe. Mas uma silhueta me chamou a atenção. Era uma jovem, pois estava de vestido. Ela se aproximou de outra silhueta que estava sentado em uma mureta do lado oposto ao meu. Era um jovem. Ele poderia ter me visto se a jovem não entrasse na frente dele e o beijasse. “Isso acontece em todas as festas”, pensei comigo. A luz de um carro repleto de adolescentes que acabavam de chegar iluminou o casal. Aí meu Deus! Gerard!? Era Gerard?! Eu não acredito no que vi!
Levantei desesperadamente e fui até o quarto onde havia deixado minhas coisas. Sentei no chão, pressionei minha cabeça contra o joelho e comecei a chorar.
“Ele tem namorada!?” soluços “Porque ele fez isso comigo?” mais soluços “Ele nunca havia mencionado dela” “Como sou tão sentimental assim?” “Eu pensei que... eu pensei que... Como sou idiota! Ele nunca iria gostar de mim!””Então porque ele me tratou como se sentisse algo por mim?”
Olhei no relógio. 11:00 horas. “O que eu ainda estou fazendo aqui?” Levantei, enxuguei umas lagrimas do meu rosto e peguei minhas coisas. Sem que ninguém percebesse, sai da casa e fui para a rua. “Amanha devolvo esse vestido para Mikey!”
Caminhei lentamente até chegar ao portão de minha residência. Subi as escadas e respirei fundo antes de tocar na maçaneta da porta. “Minha casa...” O ultimo lugar em que eu gostaria de estar depois da escola. Respirei outra vez o ar gelado de Jersey e girando a maçaneta, empurrei a porta devagar para não fazer nenhum ruído. Logo pude notar a presença de minha mãe na sala. Mesmo não querendo saber o mínimo do porque que ela estava lá tentei ser conveniente:
-Esta tudo bem, mãe? – perguntei pondo minha mochila em cima do sofá e notei um grande vaso de vidro, e lindas rosas vermelhas o ocupavam.
-O que é isso? – perguntei novamente e sem obter alguma resposta, peguei um cartão posto em cima da mesa. Cada palavra que eu lia, ficava cada vez mais preocupada,
“Senhorita Willians, é com um enorme prazer que lhe dou essas lindas rosas... A cada dia que passa me apaixono cada vez mais por você!”.
-Quem te enviou isso?
-Não tenho certeza. – respondeu olhando abismada para as rosas. Seus pensamentos estavam tão longe que ela nem havia percebido que eu não estava com o uniforme da escola e que chegara quase meia-noite em casa.
-Onde estava? – perguntei em relação às flores.
-No meu escritório hoje de manhã.
-Foi ele?
Ela logo percebeu de quem exatamente eu estava falando:
-Não, não foi seu pai... Ele não sabe onde eu trabalho. Só existe uma pessoa que me enviaria isso...
Nesse momento sorri. E logo pensei em ajudar minha mãe:
-Nossa mãe! Você tem um admirador secreto! – minha mãe me olhou seria — Quer dizer... Não é tão secreto porque você acha que sabe quem é. – de repente pude ver uma raiva se expandindo nela, mesmo assim continuei — Mas, essa é sua chance de recomeçar a sua vida!
-Chega Alice! – a expressão em seu rosto mudou freneticamente – Eu não estou interessada. Será que você ainda não percebeu que por mais que o que o seu pai tenha feito foi errado, eu ainda o... – ela parou e viu uma lagrima escorrendo de meus olhos.
Odiei minha mãe por um segundo. Claro que eu já tinha percebido! Sempre que a via, ela estava segurando uma foto ridícula de meu pai. Desejei falar umas verdades para ela, umas coisas que eu vinha planejando há muito tempo dizer. Mas não disse. Apenas joguei o cartão em cima da mesa e disse me virando:
-A vida é sua!
Abri a porta de casa, saí e a Bati bruscamente atrás de mim. Pude ouvi-la me gritando para eu voltar.
Mas era tarde de mais. Essa voz irritante sabia que se me provocasse, eu iria sair e mesmo assim me provocou. Ela sabia que se me desse motivo, eu faria de tudo para estar longe dela e mesmo assim fez o possível para que isso acontecesse. E acima de tudo, sabia que as palavras que ela falaria, iria me prejudicar de alguma forma e mesmo assim pronunciou-as como se por seleção. Quando me aproximei da casa de Gerard, vários jovens se aproximaram de mim. Caminhei mais umas duas quadras e ao me ver longe de casa sentei no banco de uma praça e comecei a chorar. Perguntas tomavam conta de minha mente:
“Porque acontece isso comigo?”
“Porque minha vida está assim?”
“Onde eu errei, por estar sofrendo tudo isso?”
“Só em um dia, já sofri o suficiente! Primeiro aquela garota de meus sonhos, depois Gerard e agora minha mãe...”
“Pra que exatamente a gente vive nessa porcaria de...”
Meus pensamentos foram interrompidos quando senti alguém se aproximando de mim:
— Porque esta chorando, Alice?
Levantei o rosto e secando as lagrimas rapidamente com a mão, pude ver quem estava ali. Era Gerard.
— O que você esta fazendo aqui? – ele perguntou.
— O que você esta fazendo aqui? Quer dizer, como sabia que eu estava aqui?
— Eu estava passando por aqui e... – ele tentou se explicar.
— Em um lugar deserto? Em plena noite. Quando a escola inteira esta lá na sua casa. Você não tem medo?
— Isso eu gostaria de perguntar a você. – ele riu ao me ver assustada.
— Sabe do que eu tenho medo? De ficar em casa. E eu sei muito bem que você não tava passando aqui coisa nenhuma! Me Seguiu!
— Você é muito esperta, mas porque você esta chorando?
— Eu não gostaria de falar sobre isso com você... Mas valeu por ter me seguido. — Ele deu um pequeno sorriso e fitou os olhos no chão. Fiz o mesmo e ficamos um tempinho assim. “Por que ele me seguiu?” “Porque não ficou lá com a namorada?”. Depois de um tempo, pude ver que Gerard não estava bem. Ele parecia inquieto. Querendo me perguntar alguma coisa. Algo importante para ele.
— Você esta bem? – perguntei.
— Posso te perguntar uma coisa?
Pela expressão em seu rosto, ele não iria perguntar nada de bom. Eu sabia perfeitamente o que ele queria saber. Ele mostrava isso claramente em seus olhos.
— Claro. – respondi. Mas o que eu realmente queria era que ele perguntasse tudo, menos isso.
- Aqueles cortes... Foram de propósito, né?
Mesmo eu sabendo o que ele queria me perguntar, foi como se ele me tivesse me pego de surpresa. Meu coração pulsou furiosamente. Minha respiração pareceu ter findado. Pronto! Agora fudeu para o meu lado!Tudo o que eu desejei foi nunca ter nascido.
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