Burning Love
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Burning Love
Dia dos namorados, eu lá no meu apartamento, me sentindo sozinho e pra baixo. Resolvi escolher uma música para aquele momento deprimente. Sintonizei o rádio em uma estação qualquer, e deixei.
Estava tocando uma música chata, acho que "Strangers In The Night" do Frank Sinatra. Me irritei e mudei de estação, piorou...
Barbara Streisand? Que chato!
Próxima estação...
Celine Dion cantando a música do filme Titanic? Horrível!
Por que só música romântica quando não estou afim de ouvir coisa do tipo?
Tentei não desanimar. Peguei algumas flores do meu vaso de flores e fui bater na porta da vizinha do lado.
Dei alguns toques com o meu punho cerrado e a vizinha abriu.
"Sim"?
"Olá, eu te trouxe umas flores, quer sair comigo nesse dia dos namorados?", abri um sorriso carismático.
"Desculpa, eu não estou afim. Eu quero ficar sozinha, se me dá licença.", a vizinha replicou.
"Ok.", assenti.
A vizinha fechou a porta para mim. Desanimei e voltei para o meu apartamento.
Pus as flores de volta no vaso, e fui até a janela da minha sala observar a vizinhança, ao abri-la, vi uma bela moça de cabelos rosa chegando no meu prédio.
Mas isso não me animou. Suspirei de tédio.
Então a campainha tocou e fui atendê-la.
Ao abrir a porta para ver quem era, me deparei com a tal moça do cabelo rosa que eu tinha visto pela janela.
"Sim, pois não?"
"Por favor, esse é o apartamento 642 B?", a tal quis saber.
"Não, aqui é o 642 A", repliquei.
"Ah, desculpa. Eu acho que errei de apartamento.", a tal se desculpou.
Então ouvi um sibilado. Eu e ela voltamos nossa atenção para onde vinha o som.
Me deparei com uma senhora de meia idade, alta, cabelos pretos, olhos castanhos, vestindo uma blusa tomara que caia vermelha, com uma calça jeans, e sapatos vermelhos. A mesma estava chamando pela garota.
"Olá, sobrinha! Entre, por favor. Eu fiz um bolo de maçã!", ouvi ela dizer.
A moça então olhou para mim e se despediu.
"Eu tenho que ir", a mesma disse acenando um "tchau" para mim.
Me mantive firme como uma árvore, e depois relaxei os músculos. Acabei voltando para o meu apartamento.
Mais tarde atendi um chamado do interfone. Era o porteiro me avisando que havia umas cartas para mim na caixa de correio.
Eu respondi e depois coloquei o telefone na base do interfone.
Desci para pegar as cartas.
Após pegar as cartas, fechei a porta da caixa de correio e me deparei com a senhora e a moça que estavam lá pegando as cartas. A moça acenou um "oi!" Para mim, e depois voltou sua atenção para a senhora.
Eu fiquei branco que nem um lençol e corri. Então me encostei num canto perto da escadaria para os apartamentos e fui ver se elas ainda estavam lá. Vi elas cochichando algo, possivelmente sobre mim.
[...]
Mais tarde eu fui pondo as minhas roupas para lavar na máquina e a moça veio lavar as roupas da senhora que estava com ela.
A tal deixou o cesto com as roupas e acidentalmente fui pondo parte das roupas do cesto dela na minha máquina e a mesma colocou parte das roupas do meu cesto na outra máquina, fizemos isso sem percebermos o que estávamos fazendo.
1 hora depois
Fomos tirar as roupas da máquina. A moça foi pegando as roupas secas e colocando de volta no cesto e eu fui fazendo o mesmo.
Quando a moça percebeu que estava faltando algumas roupas lavadas, e depois viu que as que faltavam estavam comigo, eu me apavorei.
"Desculpa, acho que as suas roupas caíram no meu cesto por engano", disse sem olhar para a tal.
"Na verdade, essas não são as minhas roupas, são da minha tia.", a tal comentou.
"Pode me devolver?", ela continuou.
"Claro!", repliquei e fui passando as roupas para ela.
Me senti tão envergonhado que cheguei a pedir desculpa algumas vezes para ela.
"Desculpa, eu sinto muito. Me desculpa."
"Está tudo bem.", a mesma falou com tranquilidade.
"Desculpa mesmo. Eu não vi que eram roupas da sua tia e fui pondo na minha máquina, junto com as minhas." Continuei.
Foi então que ela começou a fuçar nas roupas que estavam no cesto, e notou que havia lavado uma cueca minha. Ela a pegou e me mostrou.
"Por acaso, isso é seu?", ela quis saber.
"É sim. Como você achou isso?", devolvi.
"Acho que lavei por engano. Estavam com as minhas roupas na cesta.", a tal comentou.
"Por favor, pode me devolver?"
"Claro. Aqui está!", ela me passou a cueca.
Eu peguei a cueca com ela e coloquei de volta na cesta. Depois me retirei da lavanderia.
Quando entrei no elevador, acabei encontrando a moça que vinha do mesmo lugar. Ela entrou no elevador.
Me escondi atrás do cesto que carregava pois estava me sentindo como um avestruz quando enfia a cabeça na terra.
Ouvi a voz delicada dela.
"Pode apertar o botão do 6, por favor?"
Me movimentei como um Ninja e sem tirar o rosto do cesto, apertei o botão com uma das minhas mãos e voltei para o meu lugar.
A tal devia estar confusa com aquilo.
As portas do elevador se fecharam e o mesmo começou a subir.
Logo, ouvimos um estrondo, e logo depois veio um abalo que fez nós nos desequilibrarmos e cairmos um sobre o outro no chão do elevador no meio das roupas lavadas que estavam espalhadas. Eu acidentalmente acabei beijando a garota na boca e então me afastei.
"O que você está fazendo?", ela inquiriu.
"Desculpa, moça. Foi um acidente", me desculpei com ela.
Eme levantei do chão.
A mesma também fez o mesmo.
Eu fui sair do elevador andando normalmente e acabei batendo a cara nas portas do elevador que estavam emperradas. Doeu um bocado e eu exclamei com a dor.
A moça me olhou.
"Você está bem?", ela quis saber.
"Eu estou ótimo. Parece que estamos presos no elevador.", comentei.
"O quê?! E agora?!", a garota exclamou.
"Eu não sei...", repliquei.
"Bem, faz alguma coisa. Ou vai me dizer que você fez o elevador parar só para me beijar!", a mesma falou desesperada.
"Desculpa por aquilo, moça. Foi um acidente. Eu não tenho nenhum super poder para controlar o elevador...", balbuciei.
Fui até o painel do elevador e acionei o botão de emergência.
Logo, o alarme soou, uma luz vermelha se acendeu iluminando o local, e então uma voz respondeu ao chamado.
—Sim? Qual é o problema?"
"Ahn...eu estou preso com uma garota aqui no sexto andar. Parece que o elevador quebrou. Pode consertá-lo?", respondi.
—Eu verei o que eu posso fazer. Vocês podem esperar 30 minutos?
"30 minutos? Ahn...claro.", repliquei em voz tão alta que a garota ouviu e acabou se desesperando em seguida.
"30 minutos? Eu quero sair do elevador agora mesmo. Eu preciso voltar para a minha tia", a tal exclamou.
Me afastei do comunicador e fui falar com a garota.
"Olha, moça. O cara do elevador disse que vai levar uns 30 minutos...então...por que não conversamos um pouco?", comentei.
"E como isso vai ajudar?", a mesma estava totalmente cética.
"Bem, se ficarmos nervosos as coisas não vão melhorar.", aconselhei.
Então, agora eu estava falante?
"Ok. E você agora está falando comigo? Você não havia dito um A até isso acontecer", a tal comentou.
"Ahn...acho que é coisa do momento.", retruquei.
"Tudo bem. Então...quem começa?", ela quis saber.
"Ahn...pode ser você.", sugeri.
"Ok. Meu nome é Victoria, tenho 30 anos, vim visitar minha tia Abigail, e estou presa nesse elevador...e você?"
"Meu nome é Vicente, tenho 26 anos, moro no apartamento 642 A, e.…estou preso no elevador com uma garota que eu me sinto romanticamente atraído, que gritou comigo por causa do elevador, e que eu não tinha coragem de conversar até então..." Conclui minha parte.
"Nossa! Você é o cara do apartamento com o número parecido com o da minha tia, e que eu bati por engano.", Victoria ligou os pontos.
"Pois é.…", falei meio sem graça.
"Muito prazer. Olha, eu vim só visitar minha tia, depois eu volto para Amsterdã.", Victoria comentou.
"Sério? Que legal. Boa sorte", retruquei.
"Obrigada. Você...não gostaria de vir conhecer a minha casa em Amsterdã?", a mesma me convidou.
"Eu adoraria...", repliquei.
30 minutos depois...
A voz no painel do elevador voltou.
—Obrigado por esperar. Eu vou reiniciar o sistema agora...
"Não precisa, está tudo bem...", falei.
"É, não precisa. Agora que eu estava tendo uma conversa legal com o vizinho da minha tia?", Victoria retrucou.
Após algum tempo, as luzes normais do elevador se acenderam e o elevador começou a se mexer. As portas então se abriram, e depois fecharam, e continuaram até se estabilizarem.
—Está tudo bem agora. Obrigado por avisar do problema com o elevador.
E nós estávamos desejando que o elevador não fosse concertado...
Nós então tentamos juntar as roupas caídas no chão e colocar no cesto de roupa antes de voltarmos para o apartamento.
Ao terminarmos, saímos carregando o cesto de roupas e voltamos para o nosso apartamento.
[...]
Mais tarde eu tinha vestido uma sunga preta e ido para a piscina do apartamento, e eis que eu encontro Victoria, a vizinha, tomando sol na cadeira com óculos escuro, e usando um biquíni de amarrar com estampa florida.
Fui dar um "Oi" meio tímido para ela.
Me aproximei e a minha sombra a envolveu.
"Ei, você está bloqueando o meu sol", Victoria se queixou.
"Desculpa", disse me afastando.
Ela então se levantou irritada.
"Quer saber? Já que está ai, poderia passar o protetor nas minhas costas?", ela me pediu.
Estremeci.
"Claro.", consenti.
"Ótimo! O protetor está ai do lado da cadeira.", ela me avisou.
Peguei o protetor e ela se deitou de barriga para baixo para eu aplicar o produto.
Sentei sobre as minhas pernas e despejei um pouco do mesmo na palma de uma das minhas mãos e coloquei o protetor no chão.
Esfreguei as mãos e então comecei a espalhar o creme nas costas dela suavemente massageando a pele dela.
Ela então começou a soltar espasmos.
"Deus! Você tem mãos maravilhosas...devia ser massagista.", ela comentou.
Pausei depois de um tempo esfregando o creme, e fui pegar mais.
Pus mais creme nas mãos, esfreguei e espalhei nas costas dela, o que arrancou mais espasmos dela.
"Ah...tão bom..."
"Obrigada", a mesma agradeceu.
"De nada", retribui.
Depois disso, eu voltei para o meu apartamento e acabei dormindo tão profundamente que eu não ouvi as batidas na porta.
Quando acordei, eu fui até a porta ver quem era e não havia ninguém. Fechei a porta e voltei para dentro.
Tentei refletir um pouco sobre quem poderia ter batido na minha porta, mas..o meu cérebro demorou para processar a informação. A hora que o meu cérebro pegou no tranco, lembrei de Victoria, a garota com quem eu tinha ficado preso no elevador e passado protetor nas costas.
Subitamente fui até a janela e vi a mesma pegando um táxi. "Meu Deus! Eu preciso alcançá-la!", pensei.
Fui rápido trocar de roupa, botei um perfume e...
Sai do meu apartamento voando, desci as escadas para a rua e quando cheguei lá, vi o táxi andando.
"Espera ai!", berrei.
Fui correndo atrás do Táxi e então entrei na frente e o parei colocando as mãos espalmadas no capô do veículo.
Para minha sorte, o táxi freou. Eu estava com o coração na mão e ofegava bastante.
Fiz uma pausa.
O motorista já enfezado, desceu do veículo e foi tirar satisfação comigo.
"O Cara! Você está maluco? Quer se matar?", ele berrava.
"Não, senhor...eu só quero falar com a minha garota que está ai no veículo.", explanei.
O motorista assentiu.
"Vai lá, falar com ela"
"Obrigado", agradeci.
Entrei na parte de trás e me sentei do lado dela.
"Vicente?", Victoria exclamou olhando para mim.
"Oi, vizinha! Que loucura, né? Me atirei na frente do carro só porque eu queria te ver.", comentei.
"Eu bati no seu apartamento para te buscar, pois queria que você viesse comigo para Amsterdã", Victoria comentou.
"Ah, então foi você que bateu no meu apartamento? Digo, eu imaginei que fosse você mesmo.", rebati.
"E eu peço desculpas, eu acabei dormindo tão profundamente que não ouvi as batidas na porta.", me desculpei em seguida.
"Está tudo bem. Só não faça mais isso de se jogar na frente de um carro, babaca", Victoria me alertou.
"Tudo bem. Eu vou me lembrar disso.", assenti.
Então o motorista voltou e fechou a porta de trás e depois de entrar na parte da frente fechou a dele.
"Desculpa pela demora. Não resisti e parei para fumar um pouco.", o mesmo comentou.
"Tudo bem. ", dissemos.
"Então, para onde?", o motorista inquiriu.
"Leve-nos para o aeroporto", Victoria pediu.
"Com prazer.", o motorista assentiu e guiou o carro.
Eu e Victoria nos olhamos e em seguida fomos aproximando nossos rostos um do outro e então nos beijamos ali. Depois nos afastamos.
"Sabe, de certa forma eu estou contente por você ter se jogado na frente do carro. Só, não vá pensar em repetir a dose só por isso.", Victoria retrucou.
"Claro. Não vai acontecer de novo. Até porque eu só conheci uma Victoria.", devolvi.
Victoria gargalhou daquilo e eu acabei me juntando a ela.
Que história louca,não é mesmo? Agora eu deixo para vocês imaginarem o que acontece depois...
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