Burning Love

2 Natasha Williams


Quando cheguei, percebi que a escola era muito grande e eu estava realmente perdido. Eu tinha um papel que me dizia o número da sala e, depois de alguns minutos procurando, finalmente achei a sala 607 e entrei. Os alunos já estavam lá mas, pra minha sorte, a aula ainda não tinha começado. Entrei e sentei numa cadeira bem no canto, longe de todo mundo. Meu primeiro impulso foi começar a olhar as pessoas: tinha umas garotas em pé olhando pra os garotos com blusas do time de futebol da escola, tão sorridentes e animadas. Um pouco atrás, uns dois garotos as observavam como se fossem tudo o que queriam no mundo, um pessoal do outro lado da sala gritava, fazia bagunça e se zoava, enquanto algumas pessoas estavam sentadas conversando baixo. Eu não me via fazendo amizade com ninguém ali, aliás, ninguém nem sequer notou minha presença.

Um professor de uns 45 anos e cabelos meio grisalhos chegou, mal deu bom dia e começou a atirar matéria no quadro. Ele é professor de matemática, pelo que eu entendi, eu estava tentando acompanhar alguma coisa da matéria até que o professor parou de falar e olhou fixamente para a porta, o que fez com que todos repetissem o gesto. Uma garota um pouco baixa, com cabelos pretos, grandes e lisos que faziam pequenos cachos nas pontas, usando uma roupa preta com um decote provocador e com um sorriso insolente entrava pela porta.

—Atrasada de novo. — o professor falou com um olhar severo.

Ela sorriu ironicamente.

—Você ainda não se acostumou?

—É "senhor" pra você, senhorita Williams. Sente-se.

Tenho que admitir que ela é linda. Definitivamente linda e definitivamente gostosa. Até demais. Ela parecia ter saído de um filme. Merda! Ela ta vindo pra cá!

A garota com olhos eletrizantes, cabelos bagunçados e cordão de caveira sentou do meu lado. Ela cheirava a cigarro e a perfume, numa mistura estranha, que eu até que gostei.

Tentei ignorar a menina incrivelmente linda que estava sentada do meu lado e prestar atenção na aula. Em vão.

Senti alguma coisa tocar meu braço.
—Hey! Por que eu nunca te vi aqui? — ela sussurrou.
—Sou novo na escola.
—E você tem um nome, garoto novo? — disse sorrindo, de um jeito provocante e inocente que eu realmente não entendi como ela conseguia.
—Hã...Charlie. Charlie Benneth, eu...acho.
—Você acha? ela riu — Você é engraçado, garoto novo. Pode me chamar de Natasha. Nathasha Williams.
E ela começou a prestar atenção na aula, o que significava que a conversa tinha acabado.

Natasha.

Depois da aula, surpreendentemente, eu criei coragem pra ir falar com ela.
Procurei Natasha por todo lugar e a encontrei fumando, sentada no muro baixo que tinha ao lado do colégio.

—Natasha. — falei andando até ela, embora o Sol batesse no meu rosto, o que fazia meus olhos arderem

—Charlie. — ela respondeu tirando o cigarro da boca e jogando fumaça no ar de uma forma um tanto quanto sexy. Concentre- se, Charlie.

—Você quer, tipo, passar na minha casa?

—Seus pais estão em casa?

—Não.

Pra falar a verdade, estão mortos.

Ela desceu do muro.

—Então eu acho que você está tentando abusar de mim. — ela disse com olhos divertidos

—Só tem uma forma de descobrir. — respondi

Ela riu, de um jeito engraçado, jogando a cabeça pra trás.

—Vamos descobrir, então.

Eu gostava daquilo, do jeito como ela ria como uma criança de 5 anos e ainda sim parecia sexy.

Droga, o que ta acontecendo comigo?