Burning Love
11 A palavra com S.
Notas iniciais
Acordei e me recusei a abrir os olhos. Me sentia, não necessariamente triste, mas vazio, como se um buraco estivesse se abrindo em meio ao meu peito. Ela me deixou, e agora o mundo parece escuro e vazio, ou talvez seja o fato de eu estar de olhos fechados. Abri os olhos e a claridade me invadiu, o que doeu, então fechei os olhos, virei e voltei a dormir.
Algum tempo depois, Bruno veio me acordar.
—Vai se foder. — eu murmurei
—Ô, educação! Levanta daí.
—Não. To passando mal.
—Isso é só drama porque a Natasha te deixou. Levanta.
—Não!
Ele me deu um tapa bem na cara.
—Deixa de ser idiota! Levanta seu cu daí!
Eu fiquei em silêncio por alguns segundos.
—Agora. – ele disse, saindo e batendo a porta.
Hesitei por alguns segundos, mas depois levantei. Eu estava no modo automático, nem estava pensando muito no que estava fazendo. Minha garganta estava apertada, como se eu não conseguisse respirar. Eu comecei a reviver cada momento de ontem na minha cabeça. Eu levantei, fui andando até o sofá e deitei lá, todo bagunçado, sem vontade de fazer nada. Bruno sentou do meu lado.
—É só uma garota. – ele disse
—Não é só uma garota...! – eu disse, soando como uma criança de 5 anos.
Depois de alguns segundos, ele disse:
—Vai se foder, Charlie.
Eu não disse nada, então ele passou o braço ao redor do meu pescoço, eu encostei e fechei os olhos.
Insistentemente, ele disse:
—É só uma garota...
Eu empurrei ele pra longe de mim com força:
—Não é só uma garota! – gritei, levantando, com muita raiva crescendo dentro de mim – NÃO É SÓ UMA GAROTA!!!! – eu fui andando até o banheiro – PORRA! – e bati a porta.
Tive uma forte ânsia de vômito, o que encheu meus olhos de lágrimas, mas então respirei fundo uma, duas vezes. Molhei meu rosto e respirei fundo de novo. Quando eu saí de lá, Bruno me fuzilava com os olhos. Eu não conseguia ficar dentro de casa nem por um segundo, então fui andar na rua. Eu gostava de observar as pessoas, cada uma com sua vida e com sua história, cada uma com seu universo infinito dentro de suas mentes. E é a terceira vez que meu coração foi partido. Mas eu acho que se considerar as outras vezes, nenhuma foi pior do que essa porque: 1- eu mereci os foras que eu levei 2- as outras garotas me deram um motivo razoável 3- Ninguém nunca me fez sentir como a Natasha fazia.
E então, tão preso nos meus pensamentos, eu esbarrei em alguém. Uma garota. Uma garota com cabelos longos e cheiro de cigarro. Porra, destino!
Natasha me olhou nos olhos, com um olhar um tanto indiferente, como se não me conhecesse. E então, pra piorar tudo, ela disse, tão indiferente como se dissesse “Ei, olha, seu tênis ta desamarrado”, ela disse:
—Foi mal por ontem. – deu de ombros e saiu.
Então uma raiva tomou conta de mim de repente. Eu corri até alcançar Natasha e parei na frente dela, que me olhava bem dentro dos meus olhos, como se me atravessasse.
—Você NÃO PODE fazer isso comigo. — eu disse- Você não pode terminar comigo sem me dar um motivo, e depois passar por mim na rua e fingir que não me conhece! E me disseram que você não é quem eu penso que é, mas eu nem liguei. E porque? Porque eu te amo, PORRA! E você fica aí agindo como se eu nem merecesse saber porque. Eu mereço resposta, Natasha. Você disse que era pro meu bem, mas isso é uma escolha MINHA!
Eu estava gritando, mas não tinha percebido até ter parado. Eu estava respirando fundo e tremendo.
—Charlie. – ela disse, tocando meu rosto, o que foi o suficiente pra me acalmar – Charlie, eu tenho tanta coisa pra te contar, eu... – ela se afastou, e eu deixei, sabia que ela não ia embora — Vamos pra outro lugar?
Nós fizemos o caminho até a casa dela em completo silêncio, ignorando a existência um do outro. Quando chegamos no portão, ela parou. Estava chorando e eu não tinha percebido até agora.
—Charlie. – ela começou – Charlie, eu fiz uma coisa muito horrível, eu não posso te contar o que é, eu... – ela parecia estar perdendo o controle, então parou, respirou fundo, limpou as lágrimas – Charlie, sobre aquela noite, o cara que te bateu é meu ex- namorado. – Um ex namorado ciumento? É só isso? – E ele perigoso. Eu não quero que nada acontecesse com você. Eu fiz uma coisa horrível um pouco antes de te conhecer e agora ele descobriu, eu não quero te envolver nisso, Charlie. E é um risco. Você tem que confiar em mim. Se você quiser me deixar, eu não vou te culpar, mas se quiser ficar comigo, mesmo sabendo que eu tenho algo que eu não posso te contar, — ela respirou fundo — sabe onde me encontrar.
Eu estava calado. Não sabia o que falar, ou dizer, nunca fui bom em tomar decisões. Ela estava me olhando.
Todo livro deveria ter um final feliz.O meu estava indo embora naquele exato momento.
Então a segurei pelo braço e a beijei. Foi impulsivo, mas eu não ligava. Eu queria ela, ali, comigo.
Nós nos beijamos com força, entramos no portão e subimos as escadas da casa dela se beijando. Sem que eu percebesse, estávamos no quarto dela. Ela me beijando com força, minhas mãos na cintura dela, descendo lentamente até a bunda, ao mesmo tempo que ela riu e começou a desabotoar a minha blusa. E foi assim que ela consegui partir meu coração e tirar minha virgindade em menos de 48 horas.
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