Burning In Red
1 Bem-vindos a Homeward.
Notas iniciais
Homeward. 15.000 habitantes. Uma cidade um tanto pequena para uma pessoa que tem uma mente tão aberta quanto a minha. Meu nome é William, tenho 17 anos, tenho cabelos cacheados castanhos, olhos castanhos e sou um pouco alto. Sou um típico adolescente americano. Ah, e estou no ultimo ano do colegial. Graças a Deus, odeio esse lugar. Nada acontece na minha vida, nada mesmo, por isso eu não vejo a hora de ir pra faculdade. Harvard que me aguarde, pois próximo ano eu estarei lá. Eu sou um bom aluno, apesar de tudo. Ter poucos amigos te ajuda a estudar mais porque não vai ter ninguém te chamando pra sair ou ligando pra conversar. Eu só tinha um amigo de verdade, que era o Arthur. O Artie era, assim como eu, aquilo que os burros denominam de nerd. Ele era alto, tinha algumas sardas no rosto e um cabelo bem encaracolado. Mas infelizmente ele acabou se mudando para Nova Jersey, pra morar com sua vó que estava meio doente. Ele me liga todo fim de semana e às vezes aparece aqui e passamos o dia todo juntos. Mas a verdade é que eu não tenho ninguém. Meus pais não dão a mínima pra mim; Minha mãe, a Michele, passa o dia todo fora trabalhando em um consultório de odontologia como recepcionista e chega tarde da noite. E meu pai, Brad, trabalha em Nova York, como bancário. Eu só o vejo nos fins de semana e por isso somos tão separados um do outro. De todos meus familiares só uma pessoa se preocupa de verdade comigo: A tia Vanessa. Tia Vanessa era aquele tipo de mulher que você só via na TV. Ela é linda como uma modelo. Tem um corpo definido, é loira com olhos azuis e lábios carnudos. E ainda por cima é meiga e fofa. Ela se casou com um ogro, meu tio Finn. Ele não passa de um cara sem modos e nem liga pra minha tia. Acho que por isso somos tão juntos, os dois rejeitados da família. Mas enfim, foco Will, esse é seu ultimo ano e assim que acabar você vai deixar essa cidade sem olhar para trás. Essa semana foi um pouco calma pra mim porque teve feriado de Ação de Graças, passei o dia trancado no meu quarto dormindo. Só sai do quarto para jantar, dei um Oi para meus pais e voltei pro quarto novamente. Depois que comi, apaguei ali mesmo na cama e só acordei no outro dia, com uma manhã bem ensolarada. Fiz o meu ritual diurno: Tomei banho, escovei os dentes, arrumei o cabelo e fui à padaria comprar pão e ovos para o café da manhã. Ao sair de casa, percebi que tinha alguém se mudando para a casa ao lado da minha. Muita gente já morou nessa casa. Teve um cara chamado Bobby que fazia a casa de boca de fumo. Toda noite era lotado de gente comprando drogas. Mas ele foi descoberto e acho que até hoje está na cadeia. Outro caso foi o da mulher que vivia sozinha o dia todo enquanto o marido trabalhava numa construtora. Mas todo mundo descobriu que ela traia o marido com o irmão dele e por isso acabaram se mudando os dois. Enquanto me lembrei desses casos, comecei a rir disfarçadamente e continuei caminhando em direção à padaria. Olhei de relance para a casa e percebi que tinha um menino lindo. Ele era loiro, tinha estatura mediana, olhos verdes e um pouco musculoso. E uma menina loira, um pouco mais alta que o menino, do meu tamanho mais ou menos, com cabelos longos e cacheados. Assim como o menino, ela era linda. Mas enfim, eu não posso achar um cara bonito. Lembre-se, você é um cara. Continuei caminhando, comprei os pães e ovos, voltei pra casa rapidamente e fiz meu café da manhã. Daqui a pouco o meu pai chega e eu não quero vê-lo, vou para casa da tia V. Subi para o meu quarto, troquei a roupa e fui para casa da minha Tia. Estava trancando a porta e andei alguns metros até a calçada quando bati em alguém. Olhei rapidamente e pedi desculpas. Era a menina que eu vi na mudança.
– Ei, desculpe, eu não tinha te visto. – Ela disse e deu um sorriso de lado.
– Eu que peço desculpas, sou um desastrado sempre. – Dei um sorriso e estendi o braço me apresentando. – Sou o William.
– Sou Rebecca, me mudei hoje de manhã.
– Ok Rebecca, seja bem vinda a Homeward, onde sua vida será um tédio. – Sorrimos e me despedi dela para ir à casa da minha Tia.
Na casa da minha tia estava tudo como sempre, o Finn estava trabalhando e minha tia estava em casa fazendo os afazeres. Eu sempre a ajudo quando tenho vontade, mas hoje eu fui mais para conversar com ela porque ela sempre me dá conselhos ótimos. Conversamos muito sobre vários assuntos, até que ela me perguntou isso:
– Will, você viu a nova família da cidade? – Olhou pra mim esperando uma resposta.
– Sim, Tia. Eles parecem ser legais. – Sorri.
– Que bom. – Ela falou em um tom meio triste, mas eu não dei muita relevância, pois estava lembrando-me da Rebecca e do tal menino que vi na mudança. Ele realmente era muito lindo. Está bom, esquece isso Will.
Na volta pra casa à noite, eu percebi uma movimentação estranha na minha casa. Fui aproximando-me aos poucos do quintal quando meu pai abre a porta gritando enfurecido com minha mãe. Ele estava carregando uma mala e em seguida minha mãe apareceu chorando na porta. Ele passou por mim tão rápido que eu voltei para trás antes que ele esbarrasse em mim. Naquela pressa, colocou as malas no carro e dirigiu rápido, saindo dali em segundos. Voltei a olhar para minha mãe. Ela estava aos prantos.
– MÃE! O que aconteceu aqui?! – Perguntei meio atordoado.
– Seu pai me traia todo esse tempo, e eu não sabia filho. – Ela falou com a voz rouca, derramando lágrimas. Tudo o que eu poderia fazer no momento era dar um abraço nela e dizer que tudo estava bem. E eu o fiz. Depois que ela se acalmou, ela me explicou toda a história. Essa história de meu pai ir para Nova York era tudo uma farsa, ele trabalhava lá, como ele dizia. Mas a noite, ele ia pra casa da amante e tinha outra família lá. Ela o expulsou de casa e agora só era Michele e eu. Eu acho que vai ser melhor assim, acho. Depois de tudo isso, eu fui para o meu quarto e tomei uma bela ducha. Enquanto me ensaboava, a imagem daquele menino veio na minha mente e eu me excitei. Fiquei assustado, pois isso nunca me aconteceu. Será que eu estou virando um viadinho? Isso não pode acontecer! Saí do banho, me enxuguei e coloquei minha cueca samba-canção. Antes de dormir eu sempre olhava para as estrelas um pouco. Ao olhar para a janela da casa vizinha eu percebi que o tal menino estava lá. Ele me olhou e deu um sorriso de lado para mim. Não sabia o que fazer, então fiz o mesmo e saí da janela. Eu precisava saber o que está acontecendo comigo. Mas não hoje, estou cansado e vou dormir porque amanhã é o primeiro dia de aula. Tinha até esquecido disso! Deitei e apaguei assim que caí na cama.
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