Burning High

17 s02e09 - Beijando a Lona


Warrior — Beth Crowley

O torneio seria amanhã e eu já me sentia entrando em um ringue para lutar até perder a consciência. Não, eu não estava lutando boxe, mas pondo meus pés no chão de concreto liso da garagem do quartel, pela primeira vez desde que perdemos Mason.

Minha audiência sobre conduta desonrosa e desrespeito a oficial foi boa, se puder considerar algo do tipo podendo ser bom. Dimitri testemunhou a meu favor contra uma punição mais rigorosa além de outros bombeiros, o que fez com que permanecesse uma semana fora e não mais.

Na minha mão a mala de ginástica parecia estranhamente leve, e minhas botas Timberlands pisavam no chão manchado de óleo de várias estações acumulados até que não pudesse ser mais removido. Estava vazio, o caminhão solitário estacionado em sua vaga e a ambulância ao seu lado.

Eu sabia que deveria haver pelo menos uma equipe de plantão, mas o silêncio era desconfortável e parecia tão fora de lugar dentro do prédio.

A cantina também se encontrava vazia, se não pelo inconfundível aroma de molho temperado sendo cozinhado em fogo baixo.

Quando me aproximei do caldeirão sob a chama, ouvi gritos e urros vindo da área de dormitório, me obrigando a me dirigir com pressa pelo corredor, quando a conversa e sinal de ocupação finalmente ecoava pelas paredes.

As duas equipes de bombeiros e os socorristas estavam esparramados entre as diversas camas, alguns sentados no chão, torcendo, comendo e gritando com cada lance. Era a final do Super Bowl e ninguém parecia me notar ao fundo, todos os olhos na tela improvisada com um projetor e um lençol pendurado do teto.

Me aproximando devagar, desviando de alguns no chão e da eventual pipoca que rolava pra cá e pra lá.

Ao sentar-me ao lado de Adrian em uma cama só para nós, ele me sorriu fraco e triste, com seus olhos ainda abatidos por tudo que lhe vinha acontecendo. Mas não cabia a mim ajudá-lo mais. Eu sabia que deveria manter firme os limites impostos na nossa relação para que não perdêssemos a amizade mais tardiamente. Ele deveria se curar sozinho a partir de agora.

Ninguém mais havia notado minha presença, ou assim pensei inicialmente. Logo uma sensação de estar sendo observada me abateu, uma inquietude e um calafrio que se iniciou na nuca e percorreu toda a minha espinha me obrigando a sentar mais ereta sob o colchão desgastado em que estava.

Eu sabia quem estava me olhando, mesmo sem procurar seus olhos castanhos no escuro do salão. Era incrível que mesmo depois de quase uma semana sem nenhum contato com o russo, meu corpo ainda não parecia ter se livrado da dependência que eu tinha adquirido. Nossos corpos pareciam cientes um do outro sem necessidade de nos vermos, como se tivéssemos uma sintonia só nossa, que ressonava na proximidade. Eu me pergunto se nossos corpos se alinhariam também tao perfeitamente juntos. ÔÔÔ Rose, você está do lado do Adrian, ao menos tente se controlar!

Resisti a vontade de virar meu pescoço e ver como ele estaria depois desse tempo, mas só sentir seu cheiro de pós barba (ou seria coisa da minha mente?) já me deixava tonta, o jogo na tela era só um borrão e tudo ao redor era meros acontecimentos sem importância.

Isso é, até que Christian se levantou no fim do período de defesa se desculpando por passar na frente da tela para conferir se o molho não estaria queimando. Quando ele passou pelo nosso lado, a penumbra da área não foi suficiente para me ocultar, e ele parou seus passos de repente, me encarando com seus olhos azuis arregalados.

Rose! — Com certeza seu grito pôde ser ouvido do escritório de Kirova.

Segundos depois alguém ligou as luzes, e todos os olhos estavam em mim, como no primeiro dia em que entrei na garagem do quartel, no que parecia ser tanto tempo atrás.

O moreno magricela me puxou pela mão num baque, me fazendo erguer rapidamente e já me abraçando de maneira apertada, tirando meus pés do chão alguns centímetros.

Quem é você e o que você fez com o garoto tocha? — Pude dizer quando fui colocada novamente no chão, e ele me encarava com um sorriso estranho naquela cara debochada dele.

Finalmente, eu já estava cansado de esfregar os banheiros. — Oh, claro, o que mais poderia ser vindo de Christian?

Depois disso ele se lembrou do que queria fazer quando se levantou, e foi correndo até a cozinha de onde seus palavrões puderam ser ouvidos. Teríamos molho queimado no jantar.

Cada um dos presentes me reconhecia com um balançar de cabeça ou um erguer de caneca com café, porém quando meus olhares pousaram na cama de onde eu sentia meu observador quando na escuridão, ela estava vazia. Desarrumada como se alguém tivesse ali recentemente, mas nenhum sinal do russo. Eu não pude resistir a franzir a testa. Ele havia fugido de mim na primeira oportunidade? As coisas não voltariam ao normal tão facilmente, ao que parece.

O turno se seguiu tedioso, o que geralmente era bom. Significada sem acidentes, fogo ou pessoas em perigo. Mas eu queria uma emoção para me lembrar de como era correr até o caminhão e dirigir pela cidade com a sirena invadindo meus tímpanos. E todo esse tempo nem sombra do Tenente Russo assombrando meu serviço. Onde ele havia se metido? Debaixo das saias da Kirova?

Retornei para o apartamento com carona de Christian. Na porta Lissa já esperava toda produzida para um encontro, e eu fiz questão de não perguntar nada quando ela entrou no carro no lugar onde eu estava, me dando um sorriso trêmulo e sussurrando para que eu desejasse sorte a ela. Se tratando de Christian, ela precisaria de muita sorte mesmo para ter um bom momento. E ele bem sabia o que eu faria com ele caso ele maltratasse minha amiga, mas só por precaução lhe dirigi um olhar assassino que o fez engolir em seco. Isso mesmo garoto tocha, se comporte.

Fechei a porta com o pé a fazendo bater e estremecer todas as paredes do andar. Dona Alberta vai me azucrinar os ouvidos na próxima vez que nos encontrarmos no elevador, tenho certeza. Ela é uma velha do final do corredor que mantém tipo, uma dezena de gatos, e faz sei lá o quê da vida, além de se meter na dos outros, é claro.

O banho morno relaxou meu corpo que mesmo sem esforço parecia esgotado em todos os músculos possíveis. Deveria ser o desgaste emocional de estar olhando por cima dos meus ombros a todo momento esperando que Dimitri pulasse em mim latindo ordens para limpar algum lugar, e também a ansiedade com a luta amanhã. Adrian me levou para ver escondido minha adversária e seu treino dias atrás. Quase caímos trepados pela janela da academia.

Aquela mulher não tinha nada de pequena. Deveria ter 10 kg a mais que eu, e cada um desses quilos espalhados pelos braços e pernas em músculos que saltavam em cada soco e passo que ela dava no ringue. Ela parecia uma boxeadora profissional voluntariando como bombeira, e não o contrário. Levar uma bofetada de um bicho daquele tamanho deveria doer, muito. Adrian me assegurou que usaríamos capacetes acolchoados, mas minhas incertezas não se acalmaram depois daquilo.

A única coisa a fazer era tentar dormir bem agora, e subir no ringue com intuito de dar o melhor de mim, torcendo para que isso fosse suficiente para não me fazer passar vergonha na frente de tantos bombeiros de toda a região que viriam prestigiar o evento.

É, pensar nisso não está ajudando a relaxar, melhor simplesmente cair na cama logo.

Hoje era o dia em que eu seria a heroína do 51, ou pagaria mico entre tantos amigos e conhecidos. Acordei com um passarinho filho da… natureza, em minha janela berrando com seus pequenos pulmões, só se mostrando satisfeito depois do segundo travesseiro que eu arremesso nele. O primeiro passou reto e aterrissou na rua.

Lissa já estava em seu quarto quando fui conferir, provavelmente não quis me acordar para contar sobre seu encontro, sabendo do dia importante que seria hoje. Ela prometeu em ir me assistir logo que soube que eu fui escolhida para a luta, o que teria que servir.

Após o café e lanche solitário peguei minha mala agora carregando meu equipamento e roupas para boxe, conferi mais uma vez o apartamento antes de sair pela porta, para me assegurar que não deixei nada no fogo para iniciar um incêndio (o que seria muito irônico, mas não impossível em meu estado atual).

Suspirando e lutando com a pressão em minha barriga pelo nervosismo, virei a chave na porta e fui. Era agora ou nunca.

O bar em que o encontro ocorreria foi transformado para abrigar as lutas.

Deixando minha moto nos fundos do local, entrei para verificar que ainda estava cedo e apenas organizadores junto de Adrian estavam a vista.

A área central onde os jovens dançavam e jogavam sinuca foi limpa de objetos e um ringue estava montado ali. No canto para os convidados as cadeiras ainda estavam em cima da mesa, e o barman e garçons iam e vinham com caixas de bebidas para estocar o pequeno bar no outro canto da estrutura.

Ao me ver, o loiro se despediu de outros bombeiros e veio ao meu encontro, tirando dos meus ombros a mala e me puxando para uma área VIP que se tornou o vestiário naquela noite. Um banco e várias mesas continham roupas, luvas de boxe e ataduras. Ninguém estava lá dentro além de nós.

Pronta para apanhar?

Não está ajudando, Adrian.

Relaxe pequena. Do chão não passa.

Eu apenas bufei em resposta e ele pôs as mãos nos meus ombros me pressionando para sentar no banco, onde ele começou a fazer movimentos circulares ali massageando meus ombros tensos. Ele parecia notar muito bem meu nervosismo, mas o que mais esperar, ele era Adrian, minha outra metade.

Se lembre do que treinou todo esse tempo, e simplesmente suba no ringue com o queixo erguido e dê tudo de si. Ninguém pode cobrar mais do que isso.

Eu apenas concordei balançando a cabeça. A massagem de Adrian me embalava a um momento calmo, e eu não queria quebrar o encanto tão cedo.

O que acabou acontecendo de qualquer maneira, com o Russo carrancudo entrando na sala vociferando com um sotaque afiado para Adrian.

Está na hora. Estão te chamando no bar, Ivashkov. — O quê? Por quanto tempo fiquei no meu próprio mundo embalada pelo toque do loiro?

Resisti a abrir os olhos e encarar o mar marrom de Dimitri, mesmo que já estivesse completamente fora do transe.

A leve pressão nos meus ombros se desfez e eu senti Adrian se afastar de mim, indo para a saída.

E no bar é onde eu pertenço. Não se preocupe pequena, você vai ficar bem.

Eu abri os olhos num relâmpago, observando as costas de Adrian em uma camisa fina cinza, se retirando.

Mas e eu? Vou sozinha para o ringue?

Ele não se deu o trabalho de se virar, apenas passou pela porta e antes de fechá-la novamente, eu ouvi a voz rouca de Dimitri agora atrás de mim, mexendo em minha bolsa para pegar meus equipamentos. Senti novamente aquele tão conhecido calafrio, mas que eu nunca me acostumaria. Se ele me notou estremecer com sua voz, não demonstrou.

Ele não é seu treinador. Você lembrou de tratar suas mãos com o creme que te dei?

Ele perguntou quando puxou minha mão e observou os cortes e calos causados pelos constantes treinos. Tudo que pude fazer foi sorrir sem graça encarando o chão. Eu usava o bálsamo para cheirar pois cheirava a Dimitri, em vez de lembrar de colocar em minhas mãos. Não queria ninguém mais sentindo ele, só eu, por mais bizarro que isso soasse.

Ele estalou a língua nos dentes exibindo sua irritação e não insistiu mais no assunto, enrolando minhas mãos com tamanha delicadeza que contrastava com sua cara emburrada e sua respiração que claramente constatava que ele estava irritado. O homem era um poço de contradição em seus sentimentos, como ele não poderia causar contradição em mim também?

Quase pediria para que ele apertasse mais o tecido entre meus dedos, mas desisti de roubar-lhe a concentração, só faltava ele pôr a língua para fora, o que eu provavelmente não resistiria.

Após enfiar a luva acolchoada e fechar o velcro em cada uma das mãos, eu me levantei para perder a respiração ao erguer o olhar e notar a nossa proximidade. Um palmo carregado com a eletricidade dos nossos olhares. Eu sentia perfeitamente seu perfume único agora, tão forte como nunca, seus lábios vermelhos entreabertos e as rugas sob sua testa como se ele pesasse as consequências de dar um passo e acabar com a distância, como eu fazia.

Ele estava claramente dividido entre responsabilidades e vontades, e eu não tinha a coragem de tomar a decisão por ele. Ainda.

A porta se abriu de repente e ambos pulamos para nos afastarmos, ele fingindo carregar sua bolsa, eu batendo as costas da perna no banco e caindo sentada nele.

Quem havia entrado foi Kirova, disfarçando a situação e sorrindo de uma maneira doce que eu duvidava que ela era capaz. Senti como um animal se arrastando por debaixo de minha pele ao ter de vivenciar seu olhar brilhante, como se estivesse encarando uma cobra nos olhos. Talvez fosse minha cabeça, já que eu estava cogitando em roubar seu homem segundos antes.

Aí está minha campeã, vá para lá e traga o troféu de volta para casa onde ele pertence. — Disse me empurrando porta a fora, com Dimitri logo atrás após carregar sua própria bolsa com garrafas de água e spray de Gelol. Acho que eu precisaria de uma farmácia inteira até o final dessa luta.

Sem pressão. — Comentei sem nenhuma motivação. Eu estava indo para a forca, ou melhor ringue.

Quando pus meus pés de volta ao salão, ele estava totalmente diferente agora, lotado com uma massa de pessoas que causava um burburinho de conversa vindo de todos os lugares.

Eu congelei no lugar sentindo um buraco no meu estômago, um buraco negro que logo me sugaria para dentro. Toda essa gente veio me ver apanhar.

Kirova havia sumido novamente na multidão, e eu agradeci pela pequena misericórdia. Dimitri era quem me guiava agora, desviando do mar de gente que cumprimentava e batia em minhas costas me desejando sorte. Eu seria a primeira a lutar aparentemente. Dá para ficar pior?

Quando chegamos ao ringue, minha adversária já estava do outro lado, conversando com seu treinador, pronta para entrar.

Eu me virei para o Russo, que conferia uma última vez minhas luvas, e depois voltou a me encarar. Ou ele estava com vontade de ir ao banheiro, ou estava tentando esconder a preocupação que sentiu ao ver minha adversária.

Você consegue fazer isso, Rose. Eu acredito em você.

Eu sabia o peso que essas palavras tinham. Ele não estava se referindo apenas a luta de hoje. Era como se ele estivessem tentando tirar peso desnecessário das minhas costas e das dele.

“E tentando ficar de consciência limpa caso eu morresse daqui alguns instantes”, cantou uma vozinha irritante na minha cabeça.

Ele pôs o capacete azul em minha cabeça e abaixou as cordas do ringue para que eu entrasse, se fixando no fundo dos meus olhos por todo esse tempo.

Quando me abaixei e pisei dentro da lona que cobria o chão do ringue, o som dos gritos, aplausos e torcidas se tornou abafado até sumir. O árbrito ao meu lado conferia nossos equipamentos e pedia para nos aproximarmos do centro do ringue, tocássemos as luvas, e após gritou que começasse a luta.

Eu me sentia movendo como em câmera lenta em respostas aos movimentos da outra lutadora. Ela avançada e eu recuava, ela tentava um jab e eu desviava, dançando nós duas em um mundo só nosso. A distancia nunca era suficiente para nossos braços nos alcançarem facilmente. Ao fundo eu ouvia a voz de Dimitri tentando em plenos pulmões me dar instruções, mas eu tinha apenas olhos e ouvidos para a mulher a minha frente. Trocamos poucos socos mas meu ouvido já zumbia por um cruzado que me pegara. Eu revidara com uma direta que a faz jogar a cabeça para trás, mas ela recuperou rápido o suficiente para fechar a guarda e não permitir que encaixasse nenhum outro golpe.

O gongo soou e o primeiro round terminou como um exercício de avaliação das capacidades de cada um. Eu a analisava como eu sabia que ela me analisava.

Dimitri colocou um banquinho em nosso canto onde sentei, esticando e pousando meus braços nas cordas laterais do ringue.

Depois de tirar o protetor bucal para beber água, Dimitri aplicou uma pomada sob meu olho, eu nem havia notado que um golpe ali havia causado uma ferida.

Ela não batia tão forte quanto esperava, ou era a adrenalina me anestesiando.

Ela baixa a guarda de tempos em tempos, e favorece o pé direito. Preste atenção na movimentação dela e poderemos ir para casa mais cedo.

Dimitri tentava me dar dicas e apontar melhorias em meu estilo e falhas no dela, e eu apenas balançava a cabeça indicando que estava ouvindo, sem querer tirar os olhos da minha adversária.

Quando o gongo soou novamente, nos erguemos e os banquinhos foram retirados, o juiz rapidamente nos ordenando a voltar a lutar.

Começou novamente a dança “dois passinhos pra cá, dois passinhos pra lá”, e ocupávamos todo a área do ringue buscando aceitar golpes.

Não sei o que naquele exato momento me fez tirar os olhos da outra lutadora por um instante. Mas eu sei que vi por trás da minha adversária Dimitri, escorado sob as cordas atento a nossa luta e dando instruções periodicamente. O que roubou minha concentração fatidicamente foi a mulher alta e esguia, de longos cabelos negros hoje presos em um coque frouxo, moderno com alguns fios caídos. Ela estava ao lado de Dimitri, próxima demais, ~atraente demais. Vi a mão pintada de vermelho se contorcer como uma cobra, enrolando-se furtivamente em Dimitri e acariciando de uma maneira íntima. Ela passava levemente a unha de manicure sob a pele a mostra do braço do Tenente, e se inclinou para sussurrar algo ao seu ouvido. Poha, tinha que ser agora que essa salafrária tentava puxar atenção dele? Ela realmente se importava com nós vencermos esse desafio?

Quando ela desviou o olhar e me encarou fora do campo de visão de Dimitri que ainda tentava se ater a luta, me deu um sorriso venenoso como que se tivesse captado meus pensamentos, pega no flagra desejando o Tenente fora das garras dela. A vadia estava fazendo de propósito!

Uma fração depois disso tudo que vi foi uma luva vermelha tapando meu campo de visão. Senti o golpe tao logo, como se um impacto de vários km/h me arremessasse para trás.

Eu pisei na bola, baixei a guarda e tirei os olhos da adversária enquanto ainda estávamos no meio da luta. Podem dizer que mereci, porque eu, com certeza, diria depois dessa luta terminar.

O equilíbrio se foi e eu senti, sem brincadeira, meu cérebro chacoalhar com a força do soco. Caí para trás como um saco de batatas, rebatendo no chão de tecido que cheirava fortemente a suor. Eu podia sentir, porque agora estava com a cabeça nele, literalmente.

De repente como que em uma enorme onda me atingindo, todos os sons ao meu redor voltaram, os gritos dos que assistiam, a voz franca de Dimitri me instigando a levantar, até Adrian e Christian perto de mim, me mandando voltar a luta. o árbitro começando a contar.

E eu apenas encarando o teto, fortemente iluminado por lâmpadas brancas que agora me cegavam. Seria tão fácil continuar no chão e terminar com isso de vez, sem mais pancadaria, sem mais assistir Dimitri e Kirova a distância e não fazer nada.

Foi então que ouvi também, mais baixo porém muito mais claro um sussurro trazido pelo ar abafado com cigarro e cerveja. Era a voz de Mason, clara como água, me lembrando do porquê eu havia escolhido ser bombeiro em primeiro lugar.

E foi como se um raio de atingiu, figurativamente. Pareceu que a Rose de sempre retornou depois do longo sono após a morte do meu amigo. Eu havia perdido meu espírito de guerreira, mas não mais. Eu era Rose Hathaway-Dragomir. Badass do início ao fim, que não recua diante dos desafios, mas adora a chance de provar ser aquilo que minha fama proporcionava.

Eu poderia fazer isso, eu poderia ao menos ir até o final dos rounds dando a luta da vida dessa guria. Se não fosse para vencer, que seja para fazer meu adversário suar como nunca.

Não se preocupe Ferrugem, não é tao fácil derrotar Rosemarie Hathaway. — Sussurrei ao ar, ponto as luvas no chão para me impulsionar de volta a luta enquanto o árbitro pausava a contagem no Sete.

Agora a coisa começava de verdade.

Notas finais
Taí, cambada. Vocês queriam pancadaria, vai ter dois capítulos disso, se entupam muahaha Agora, sério, essa fic deve ser a mais assombrada das fics de VA. Temos 130 acompanhando e só 15 comentando por capítulo. É muito fantasminha pra me sentir segura =O Se você está acompanhando e lendo BH, comenta, você nao vai levar mais que uns segundinhos, e só vai doer um pouquinho, prometo. É como doar sangue. Bora mostrar bondade pros escritores, novamente reforço que nosso trabalho amador nao recebe nenhum pagamento mas o feedback dos leitores, é isso que nos alimenta. É a sua chance de animar seus escritores a continuarem, e mais que isso, fazerem coisas cada vez melhores. Por isso, comente nas histórias, vale a pena, grande preço-benefício ;D