Burning High

10 s02e03- Se tá no Baile é pra Dançar


Após descer cuidadosamente do palco por culpa dos meus sapatos de saltos mortais –obviamente escolhidos por Lissa-, me dirigia a mesa quando ouvi meu nome ser chamado a distância e ao me virar me deparei com uma ótima surpresa. Desviando das pessoas pelo salão vinha Alberta, minha antiga instrutora na Academia de Bombeiros na Califórnia, sorrindo e equilibrando um copo ainda cheio do espumante amarelado.

Rose! Há quanto tempo...

Alberta, não sabia que viria...

Nos cumprimentamos de maneira despreocupada ali mesmo, no cuidado mínimo para que a bebida da mulher não virasse em meu vestido.

Não poderia perder sua premiação. Mal chegou e já está fazendo bagunça, não é mesmo?

Alberta foi a pessoa que mais se aproximou de uma mãe para mim após a morte de Rhea, e me tutorou no caminho da academia. Sem ela, provavelmente teria desistido nos primeiros momentos de dificuldade. Ela agia como uma mãe atenciosa, mas igualmente cobrava e exigia o máximo de mim. Tough Love, como chamamos.

Enquanto conversávamos sobre o que havia acontecido na vida de cada uma após a minha formatura e partida para Montana, nos dirigíamos sem pressa para minha mesa. Eu estava com meu rosto em direção a Alberta a meu lado, ambas rindo com o comentário da mesma sobre como os recrutas deste ano eram intoleravelmente inapropriados como bombeiros, inclusive narrando um ocorrido onde um deles jogou água na própria cara com a mangueira e quase se afogou, quando senti uma força bater contra meu corpo e me fazer recuar um passo com o impacto. A sensação de algo frio escorrendo em meu corpo me chamou imediata atenção, e notei que quem havia esbarrado em mim também tinha o feito de ter derramado o espumante em minha barriga, marcando meu vestido.

Ah, desculpe-me, como fui desastrada. Por favor deixe-me ajudá-la a limpar.

Quando ergui meu olhar para retribuir o pedido de desculpas, encarei a morena que acompanhava Dimitri ao baile, me dando um pequeno sorriso que fazia com que a metade queimada de seu rosto se repuxasse. Aquilo devia doer. Ao meu lado Alberta apenas encarava a morena no limite da neutralidade.

Tudo bem, não se preocupe, eu não estava olhando para onde caminhava...

Com um balançar da cabeça Natasha colocou o copo agora vazio em cima de uma bandeja sendo carregada por um garçom, e se retirando sem mais nenhuma palavra. Eu heim, até parece que o ato foi planejado.

Alberta, vou ter que ir ao banheiro me secar.

Informei a mulher mais velha enquanto tentava esfregar o vestido para disfarçar a marca do líquido, sem sucesso.

Toalete, Rose, sinceramente, ainda fala como uma moleque.

Revirei os olhos no tom reprovador de Alberta, aparentemente ela nunca desistiria de tentar me educar. Se dependesse de mim, nesse quesito ela continuaria falhando.

Certo, certo, de qualquer jeito terei que ir, nos falamos mais tarde.

Com uma breve despedida seguimos rumos diferentes, e eu nem pude apresentar minha tutora aos meus colegas, no final das contas.

Depois de algumas árvores torturadas para produzir a toalha-papel que estufei no vestido para absorver a bebida, eu retornei do b-a-n-h-e-i-r-o –toma essa Alberta, ao menos sei soletrar- e minha tentativa de discretamente ir à mesa foi destruída quando alguém me envolveu pela cintura e girou rapidamente, me prensando de encontrou a um corpo de estatura média e definida por debaixo do traje escuro dos bombeiros.

Estava te procurando, pequena bombeiro¹. Estava se escondendo de mim?

No banheiro, Adrian, e me solte, estamos chamando a atenção.

Ele riu com minha reprovação, mas afrouxou a maneira com que seu braço cruzava minha cintura, permitindo que eu me virasse e ficasse agora ao seu lado, com sua mão ainda exibindo posse apoiada a minha cintura. Seu cheiro de álcool já se fazia forte o suficiente para me anestesiar só pela proximidade, e eu tentava culpar a ação da bebida na maneira como meu corpo reagia a formigava após ser apoiado contra o de Adrian.

Vamos dançar, pequena bombeiro.

Me guiando com energia excessiva Adrian nos levou ao centro do salão onde músicas lentas e valsas se intercalavam naquela altura da noite, e onde dezenas de casais dançavam focados apenas nos seus pares, claramente apaixonados ou ao menos flertando com uma possível companhia para o resto da noite. E essa comparação fez minha preocupação crescer sobre a maneira como estávamos claramente íntimos para qualquer um testemunhar.

A música atual rendia uma dança lenta da qual Adrian guiava sem esforço, me mantendo a mínima distância possível de seu próprio corpo, e utilizando da minha até então permissão, para subir e descer a mão nas costas, acariciando e provocando a sensibilidade causada pelo vestido que dava acesso aquela parte do meu corpo.

Você está deslumbrante esta noite, já lhe disse isso pequena?

Numa tentativa respeitosa Adrian inclinou a cabeça em direção a mim, mas manteve a boca tocando minha bochecha, acariciando meu rosto com o próprio, barbeado e definido por traços arredondados mas masculinos.

Diversas vezes, Adrian. – Quando seu rosto começou a virar e sua intenção de me beijar se mostrou clara, tive de tomar ação antes que um desastre ocorresse, e apertei a sua mão que segurava na minha para lhe chamar a atenção.

Todo mundo pode ver, Adrian. Não aqui...

A indicação de que teria uma chance melhor quando em momento apropriado ajudou a voltar a posição normal de dança, não sem antes de maneira como um menino maroto, raspar seus lábios no canto da minha boca. Mais tarde na dança passei a língua, e pude sentir o gosto de bebida alcoólica, mais forte do que estavam servindo na noite, e também de canela. Cheiro e sabores que estava começando a me acostumar.

Após mais duas danças alguém tocou no ombro de Adrian, o quebrando do aparente feitiço que meu corpo havia posto no coitado, e pude ver que a mão pertencia a Mason quando meu par se virou para encarar quem estava atrapalhando.

Me permite uma dança com a senhorita?

Adrian se virou novamente para mim para conferir minha permissão, a ao meu balançar de cabeça entregou minha mão para Mason.

Eu vou sair para fumar. Comporte-se, ferrugem.

E partiu, me deixando com o ruivo que portava um sorriso mais do que aberto.

Parabéns pela medalha, e você está linda hoje.

Sem muito jeito para a situação o garoto procurava me conduzir na valsa mais veloz, intercalando os giros com suas falas de flerte inexperiente.

Você também recebeu uma medalha, e está deslumbrante no uniforme, por sinal.

Suas bochechas adquiriram tom similar ao seu cabelo, enquanto ele tropeçava não só nas palavras.

Mas você mereceu mais que todos. Foi incrível o que fez... Sinto-me honrado e orgulhoso por ser seu colega...

Sem saber exatamente qual resposta deveria dar para os elogios, me limitei a sorrir e procurar conduzir a dança afim de evitar meus trauma nos meus pés.

Mason durou mais uma dança e se despediu, para meu alívio, já que dançar com ele necessitava de grande resistência a dor, e eu já não sentia mais direito meus dedos após serem pisoteados cinco vezes –sim, passei a contar depois do segundo.

Na falta de uma janta decente para aliviar o consumo de álcool que estava correndo livre na festa, a melhor opção era o pequeno Buffet de doces e salgados oferecidos em diversos cantos do ginásio.

Havia acomodado dois dos canapés na boca o que dificultava a mastigação, e já mantinha minha mão firme num terceiro –para garantir, vai que acaba-, quando uma voz atrás de mim despertou meu corpo a um nível celular. Seu timbre indicava que estava tentando segurar uma risada, mas quando me virei, sua face nada entregava.

Cuidado para não se engasgar...

Camarada, se fosse para me engasgar agora morreria feliz. Esses salgadinhos são demais. –Tratei de engolir tudo antes de responder, mas evitei sorrir para caso tivesse algo preso nos meus dentes.

E sem nenhum autocontrole ou senso de etiqueta, mais um canapé desapareceu para dentro da minha boca. Enquanto isso o russo se curvava para alcançar a mesa graças aos seus dois metros, saboreando um salgado similar aos que eu devorava.

Realmente estão bons. Mas seria melhor ir com calma ou vai ganhar uma indigestão enquanto dança com Ivashkov. Por falar nisso, onde está seu acompanhante?

Seu tom se transformou em algo afiado ao utilizar do sobrenome de Adrian, já havia lido sobre uma descrição correspondente em um livro, “adaga em seda”, seria como descreveria poeticamente a maneira como ele falava. Seu olhar se manteve firme no meu como se analisando e procurando por algo, e depois de alguns segundos em que esqueci até de respirar, me toquei que o que ele provavelmente estaria procurando era uma resposta.

Ele saiu para fumar...

A maneira como ele me fitava já havia passado de algo educado a dois níveis atrás, e a situação me deixava nervosa de maneira única. Agarrei a uma taça de champanhe que passou pela minha frente, descendo o líquido doce pela garganta.

Perda dele...

Engasguei-me com o champanhe achando ter ouvido errado do russo, e ele tomou de mim a taça sem pedir permissão, a largando sob a mesa do buffet. Aparentemente ele não era acostumado a pedir autorização para muita coisa.

Me daria a honra desta dança? -Ele se curvara forçadamente fazendo com que seus olhos atingissem o mesmo nível dos meus, e manteve a mão esticada no ar esperando que eu pousasse a minha sob a dele.

[...] Bem, talvez ele não fosse tão ruim assim, não é? Fácil considerar um homem um príncipe depois de cinco porções de champanhe.

Suas mãos não estavam mais cobertas pelas luvas, e eu pude sentir a textura e o calor de sua pele naquela região, junto com uma sensação de eletricidade sendo transferida com nosso contato.

Ele me guiara naturalmente até a área de dança, me girando uma vez para me segurar agora de frente, com uma mão erguida apoiando a minha, e outra pousada no meio das minhas costas. Ele mantinha uma distância respeitosa na dança, ao contrário da proximidade exagerada de Adrian e da coordenação falha de Mason. Ele movimentava-se com leveza, mas ao mesmo tempo imprimia força e masculinidade, e veladamente uma promessa de saber dominar uma mulher. Ou talvez essa parte fossem só meus hormônios entrando em ebulição a cada tragada de ar que trazia o cheiro de Dimitri. Amadeirado e hortelã. Nunca iria me acostumar com ele.

A primeira dança se seguira leve e silenciosa, entre nós apenas o som que o tecido de seu traje produzia com meus passos certeiros.

Mas a partir da segunda dança senti a mão nas minhas costas desnudas fazer mais pressão, e os centímetros entre nós diminuírem vagarosamente, até que nossos corpos estavam se tocando e a ação de respirar se mostrara tarefa árdua demais para meu cérebro comandar. Talvez fosse seu cheiro que me circundava, o calor de seu corpo que mantinha cada pedaço de minha pele em atenção, ou simplesmente porque meu peito estava comprimido contra o peitoral trabalhado do russo, não dando muito espaço para meus pulmões se encherem. Provavelmente todas as opções anteriores, e notando agora como ele me encara diretamente movendo-se com precisão para me conduzir, eu tinha certeza que estava perdida por esse homem. Me sentia mal, como se estivesse traindo tanto a Adrian como a meus próprios conceitos enquanto sentia meu corpo reagir ao dele, mas o magnetismo que parecia exercer ela irresistível, e eu já não tinha certeza que desejava resistir.

A segunda dança acabara rapidamente, e ele estava claramente disposto a emendar a terceira quando me forcei a me distanciar, e seus olhos entregaram a dúvida e questão dos motivos.

Preciso de um pouco de ar...

Consentindo com um balançar da cabeça Dimitri me escoltou até as portas duplas do ginásio, e eu apressei meu passo largando de sua mão e tentando colocar o máximo de distância possível entre nós. Eu precisava recuperar minha capacidade de raciocinar, e sentia que a exposição prolongada a Dimitri transformaria meu cérebro em pudim.

Depois de três longas respirações meus batimentos começavam a retornar a um ritmo normal, isso é até que o corpo de Dimitri se postou ao meu lado, aproveitando a noite gélida de Montana. Só então notei como ele favorecia a perna esquerda, por consequência dos ferimentos ainda não recuperados do acidente. Dentro da festa ele movimentava-se normal e dançava de maneira impressionante. Estava ele apenas se controlando e esforçando para não apresentar fraqueza ou vulnerabilidade lá dentro, entre tantos oficiais e superiores de todos os cantos do país? Ele deveria estar com dor esse tempo todo, e apenas se permitiu demonstrar agora, com apenas nós dois na calçada lateral da escola.

Quando estava abrindo a boca para me pronunciar, tentar aliviar com palavras a tensão que ele exalava, ele se apressou e assumiu a dianteira, me surpreendendo com a naturalidade e a maneira amigável que me tratava, oposta ao campo de batalha que exercíamos dentro do quartel:

Aqueles salgadinhos não vão te segurar, e considerando que deve estar tão bêbada quanto todos os outros convidados do baile, seria melhor comer algo decente. Conheço uma lanchonete que está aberta agora, o que acha?

De fato, por causa do meu ataque aos salgadinhos ter sido interrompido por ele próprio, eu sentia que poderia devorar um hambúrguer sem remorso.

A Lissa deve estar me esperando para companhia, e tem Adrian...

Eu cuido do Ivashkov, acho que os dois podem usufruir de certa distância por enquanto, amenizar a impressão deixada nos oficiais da festa. –Seu tom retornara a ser um tanto frio e afiado ao novamente se referir a Adrian, e eu decidi que insistir retornaria minha relação com Dimitri para algo azedo.

Com a minha concordância ele retornou para dentro a procura do meu agora não mais acompanhante, enquanto eu digitava uma mensagem para Lissa pelo celular. Obviamente que ela apenas disse para mim ir e aproveitar, comemorando histéricamente por SMS a notícia. Não é como se estivéssemos indo a um encontro, certo? Meus pensamentos foram interrompidos com um novo vibrar do celular, e eu pude ler a mensagem complementar de Lissa que me fez revirar os olhos: “Me avise se for para não ir pro apartamento hoje, e se lembre de usar camisinha ;) “.

A noite estava terminando, mas eu ainda sentia que havia mais por vir antes que ela realmente chegasse ao seu fim.

Notas finais
Atrasadinha, eu sei, e capítulo menor para não ficar mais alguns dias pendurada sem postar. Só um teaser para o que a fic está se encaminhando... Aproveitem, e comentem, sério, to sentindo falta de muitas(o) leitoras(o) nos comentários semanais, ânimo aí gente! _______________ Trocando de saco pra mala, já viram o comercial que o nosso Dimka fez? Da CocoChanel, que está passando na FOX e Universal, aiii, eu quase pirei a primeira vez que vi, e agora to sempre deixando tv num desses canais pra rever, e rever, e rever... Ele tá lindão, ele fica maravilhoso com cabelo curto e barba rala, eu sinceramente não gostei do visual que fizeram nele no filme, achei estranho e que não se encaixou na figura dele, mas ele nesse comercial tá uma delícia... Vejam e concordem comigo :3