Burning High

6 s01e06 - Iniciação


Notas iniciais
Sry pela demorada, gente. Eu tinha prometido cap na terça, e não veio. Sabe como é, jogo do Brasil e depois eu também assisti o jogo da Russia x Coréia, porque, né, tinha que ver e imaginar o Danila também assistindo o mesmo jogo por aí em algum lugar do mundo. haha Depois eu prometi o cap na quinta, mas também não saiu. Esse cap foi difícil de escrever, e embora eu tenha um cronograma do que vai acontecer e estar em cada cap, eu mudei os acontecimentos deste umas três vezes, e ainda assim não me senti totalmente satisfeita, mas eu não sabia o que fazer, e já tinha passado das 6k palavras sem nem ter o momento especial que eu planejava. Desculpe se causei decepções, mas esse capítulo foi realmente muito difícil de produzir para mim, foi praticamente um parto! Espero que o próximo venha mais fácil e naturalmente... Sem mais, boa leitura e até a próxima. Se leu, deixe um comentáriozinho, nem que sejam só seis palavras. Comentários remendam minha alma maltratada (L)

O turno estava quase ao seu final, e embora meu corpo exibisse sinais de exaustão, minha mente era incapaz de descansar. Então aqui eu estava deitada sob uma das camas do dormitório, analisando cada caroço no colchão e buraco de uso excessivo no fino material de espuma, e a maneira como alguém pareceu apagar o cigarro contra o material criando uma mancha preta que era visível sob a capa. Encarava o teto nas suas pequenas manchas de tinta antiga e as imperfeições do cimento, como se fossem as coisas mais interessantes existentes, como se eu fosse desvendar os segredos do universo a cada fissura daquela antiga estrutura.

A reclamação do meu celular tirou minha mente do teto, e seu insistente apito me indicava que havia terminado o turno. Havia passado a última meia hora encarando o teto, e eu sequer havia notado.

Após bater o ponto, me dirigi para o vestiário, me livrar do uniforme grudado ao meu corpo e me mandar dali para descansar dentro do apartamento. Tomaria um banho lá mesmo, Lissa não ligaria se eu sequestrasse da banheira dela por algumas horas.

Ao dobrar o corredor e entrar na área dor armários, meu corpo estacou no lugar e meu cérebro pareceu se desligar, porque o que eu via a minha frente era a última coisa que eu esperava no final do turno, mesmo trabalhando com ele 24 horas seguidas.

Ele estava em frente ao próprio armário, com nada mais do que uma fina toalha cinza enrolada na cintura. Seu corpo já estava praticamente seco, mas de seu cabelo caíam ritmadas gotas no chão, e pude notar pela primeira vez que ele estava deixando o cabelo crescer, já maior do que a maioria dos outros bombeiros. E continuava remexendo algo dentro de seu armário, sem exibir nenhuma reação a minha chegada de bola de destruição, mas claramente havia me notado ali parada como uma estátua congelada no tempo.

Precisa de algo, Hathaway? – Acordei da minha reveria com o cérebro ainda demorando a engrenar, e minha boca aberta não produziu som algum. Meus olhos lutavam para se fixarem naqueles orbes de chocolate, ao invés de varrerem seu corpo, suas curvas definidas pelo exercício diário, e a maneira como uma pequena concentração de pelos negros se formavam na barriga e desciam em triângulo para dentro da toalha, me atormentando com o pensamento do que estava sendo escondido pelo tecido.

Quando meus olhos finalmente se tornaram domados e se fixaram em seu rosto, sério e tentando exibir indiferença, com uma sombra de barba ao circular seu rosto. Mas pude ver mais além como os cantos de seus lábios se curvavam em um sorriso presunçoso meio escondido na maneira como se posicionava de lado a mim. O bastardo estava se divertindo.

Apenas me trocar para o fim do turno...

Fiz uma prece mental para que minhas pernas não me falhassem naquele momento, e parece que fui ouvida já que fui capaz de andar até meu armário sem cair feito gelatina. Só então notei que meu armário era exatamente do lado do dele. Grande, podia ficar pior? Ele apenas concordara perdendo o sorriso de canto que tinha, assumindo totalmente sua máscara de gelo, retirando finalmente o que queria do armário e indo para a zona dos chuveiros masculinos, provavelmente para se vestir lá.

Soltei o ar quando seu corpo não estava mais em meu campo de visão, e eu nem sabia que havia parado de respirar todo aquele momento. E quando o ar entrou pelo meu corpo, trouxe o cheiro de seu corpo. Mais natural e suave, como sabonete e shampoo.

Minhas mãos ainda tremiam enquanto eu recolhia minhas roupas do suporte dentro do armário, me dirigindo para a área dos chuveiros femininos. Acho que precisarei daquele banho apesar de tudo.

Já estava vestida devidamente guardando coisas para o próximo turno no armário e recolhendo o desnecessário para levar para o apartamento, quando ele retornara. Estava vestido com uma calça jeans justa o suficiente para notar os músculos de sua perna e seu traseiro torneado dançando por baixo do tecido grosso. Apenas uma camiseta regata preta justa e esticada ao redor de seu peito lhe cobria a parte superior do corpo, deixando os braços livres para meu olhar se deliciar. Ele estava fazendo isso de propósito, só pode.

Me virei de costas para ele, girando os braços por trás das costas para me vestir com a jaqueta de couro de motociclista, e me virei novamente de lado para recolher meu colar que havia deixado no início do turno, prendendo a corrente e soltando o metal gelado para dentro da minha roupa.

O russo estava novamente ao meu lado, guardando algo na sua divisória do armário, e seu cheiro estava agora mais marcante e forte. Hortelã e algo amadeirado, nada de delicado, mas masculino e de forte presença, como ele. Notei que deveria ser o pós-barba, já que agora seu rosto estava novamente liso e livre de qualquer pelo facial, e eu me peguei imaginando o quão macia deveria ser a sua pele enquanto o olhava de canto.

Ele saiu primeiro, passando por trás de mim esfregando nossas roupas, e sem dirigir nenhuma palavra, se retirou do vestiário. Eu me deixei cair para trás sentando com força no banco que atravessava o vestiário, passando a mão pela cabeça desajeitando os fios de meu cabelo que estavam presos por um elástico. Eu acabaria indo a loucura se aquilo continuasse assim, e parecia que esses encontros iriam apenas piorar. Mas ele já tinha Kirova, porque parecia jogar comigo? A memória dos dois esquentara meu corpo mais do que já estava pela proximidade com Ele, mas desta vez por causa da raiva. Lissa estava certa, eu precisava de um homem. E eu sabia quando conseguiria, a festa de Christian seria na tarde da minha folga, já estava na hora de eu voltar a me divertir.

Estava pensando nisso quando meus pés passaram pelas portas duplas e em questão de um segundo algo foi posto na minha cabeça, acabando com minha percepção visual e abafando os sons, embora pudesse ouvir vozes, algumas mais altas e rápidas e outras mais baixas e calmas, deveriam ter apenas três pessoas ao redor, ou ao menos era o que eu ouvia. Minha reação foi rápida logo no momento seguinte ao sentir um par de mãos tentando segurar meus braços para trás das costas, dando uma cotovelada na pessoa que estava atrás de mim tentando me dominar. Eu podia sentir seu corpo contra mim por várias vezes, ouve um resmungo indicando que eu havia acertado um bom golpe, mas meus braços apenas foram novamente segurados com mais força, e eu ia sendo arrastada, eu não sabia para onde, o saco em minha cabeça impedia qualquer luz de passar.

Logo um novo par de mãos se juntou ao primeiro, me segurando pelo lado e ajudando a me guiar. Eu já não resistia como antes, pois meu braço estava sendo torcido e qualquer movimento podia causar uma quebra. Como isso estava acontecendo afinal? Onde estavam todos os garotos para impedirem de eu ser sequestrada, e porque alguém iria querer me levar?

Quando fui erguida aparentemente para ser posta dentro de um veicúlo, tentei mais uma vez minha fuga. Fui capaz de correr por alguns metros, sem saber para onde, até me chocar com força contra algo gelado e duro, pelo som, algum metal. Várias vozes chegaram aos meus ouvidos como risadas leves e despreocupadas, e minha tontura me impediu de me levantar e tentar uma nova fuga. Meus punhos haviam sido presos atrás do meu corpo, eu notei, o que me impedia de tentar tirar o que cobria minha cabeça. Logo um novo par de mãos agarrara meu braço direito, eram maiores e mais firmes do que as anteriores, e me levantaram com certa facilidade, embora pude notar que tinham cuidado para não forçar meu corpo, e então um aroma chegou as minhas narinas, tão forte que o reconhecimento do cheiro fora como um soco no estômago, me deixando mais tonta e enjoada com a situação. Era um cheiro fresco de hortelã e madeira, envolvente... Dimitri. Assim que fiz a conexão com a identidade de quem me levava agora, senti algo pressionar contra minha orelha direita, e ao ouvir as palavras, pude notar que era sua boca que estava ali, praticamente tocando meu lóbulo se não fosse pelo tecido.

Calma ou não vai chegar inteira, Rose... Ninguém vai te machucar.

Novamente fui erguida e colocada para dentro do que eu imaginava ser um furgão ou semelhante, pois ouvi a posta se arrastar para o lado e se trancar com uma batida seca, e então começou a se mover. Estava confusa, e ainda preocupada com a situação. Os meus sequestradores eram meus colegas de trabalho? Me lembrei do aviso de Mason, sobre pegadinhas que faziam nos novatos. Seria isso? Tentei me acalmar e acreditar que seria somente isso, mas parecia impossível. Talvez Dimitri fosse o único conhecido, e realmente planejasse algo ruim contra mim...

Meus devaneios não puderam se desenvolver muito, pois a viagem durara pouco mais de cinco minutos, e fui novamente puxada e com as mesmas mãos e cheiro familiar, fui pega na cintura e erguida para ser depois colocada no chão do lado de fora do veículo. Mais alguns passos, uma porta pequena que tocou um sino, e fui posta numa cadeira reclinável. O saco em minha cabeça foi puxado para cima permitindo que eu enxergasse meu ambiente novamente, mas eu demorei a me acostumar com a luz, e quando o fiz, notei que havia sido trazida a um estúdio de tatuagem, claro e limpo, diferente da ideia do que se geralmente se tem de lugares desse ramo. Pude reconhecer logo Mason, Christian e Adrian a minha frente, Dimitri não estava a vista, mas alguém atrás de mim cortou o plástico que prendia minhas mãos, ao mesmo tempo que Adrian se aproximava de mim. Péssima escolha. Eu me ergui arrancando surpresa dos presentes,e depositei meu punho na lateral do rosto de Adrian que recuou vários passos pelo golpe, e sua cabeça girou no choque o deixando atordoado. Quando eu me aproximava novamente para continuar o ataque, ele se recuperou e arregalou os olhos vendo que eu continuaria a o atacar.

Calma, Rose, somos nós! – Ele tentou argumentar como se apenas isso me fizesse parar, mas meu chute em seu joelho direito deixou claro que eu sabia muito bem quem era, e que isso não o salvaria. Deixando um palavrão escapar e segurando a perna atingida ele se afastou mais, enquanto todos os presentes riam da situação de Adrian. Todos menos Dimitri e Mason. O primeiro porque parecia não se importava com o que estava acontecendo, o segundo porque claramente estava com medo de ser a próxima vítima da minha fúria.

Neste momento de uma porta que levava a outra sala saiu um homem, de estatura baixa e consideravelmente gordo para sua baixa idade. Vestia uma camisa branca que ficava justa com seu corpo grande, e uma calça jeans tingida de preta. Nenhuma parte de pele a mostra dos seus braços estavam sem tinta, e seus lábios colecionavam argolas.

Essa deve ser Rose, o pequeno fogo da estação 51? – Imaginava que o apelido teria vindo de Adrian, mas tinha coisas mais importantes para me ater naquele momento.

O que esta acontecendo? Que brincadeira é essa? – Cruzei os braços e busquei respostas no rosto de cada um dos presentes, e o único que se pronunciou foi Christian, de sua maneira presunçosa habitual:

Você passou pelo seu primeiro incêndio, sendo oficialmente um membro da equipe de bombeiros. E todos nós passamos por uma iniciação. É bem simples na verdade... e quase indolor. – Uma fileira de dentes despontou atrás dos lábios curvados do moreno, e tudo que eu queria naquele momento era arrancar seu sorrisinho do rosto com as minhas unhas.

Todos nós passamos por isso, então, quanto mais rápido aceitar mais rápido poderemos ir para nossas casas para descansar do dia... – Foi Adrian que falou agora, escorado contra o balcão que exibia vários desenhos e modelos de tatuagem, curvado para baixo e ainda esfregando o joelho atingido. Sua voz tinha um tom claro de irritação e ofensa por eu o ter atacado daquela maneira. Ou talvez fosse a falta de uma bebida que ele sentia naquelas horas.

E o que é “isso”, exatamente?

Uma tatuagem na nuca, com o símbolo de união e o número do nosso quartel. É uma tradição milenar, você não pode quebrá-la. – Falou Christian dramaticamente, enquanto eu analisava a folha com o desenho que o tatuador me alcançara. Não parecia tão mal.

Até você? – Perguntei me virando para trás e encarando Dimitri que estava ao lado da porta de entrada do estúdio, na sua postura famosa, de braços cruzados e cara de quem estava pouco se lixando para a situação. Então ele soltou um misto de suspiro e bufada, descruzou os braços e se virou de costas para mim. Imaginei que iria sair dali me ignorando completamente, mas ele puxara a camiseta preta que vestia para baixo, esticando a gola e exibindo a tinta preta na parte debaixo da nuca, praticamente na linha dos ombros, para ser oculta pelas roupas. Como eu não havia notado antes? Bem, quando ele estava praticamente nu ao meu lado, conferir atrás do pescoço dele era uma das últimas coisas que eu faria com tantas outras partes a mostra... Dois segundos depois ele soltou a camiseta deixando que voltasse ao seu lugar e cobrisse novamente a tatuagem, e se virou mais uma vez para me encarar com um sorriso que parecia me pedir desculpas pela situação, mas também mostrava que estava no fundo se divertindo com meu drama. Um sorriso que me tirou o ar e por um breve momento me fez esquecer que existia um mundo além Dele.

Desculpe Rose, você não tem escapatória. – Só então notei que fora a segunda vez que ele utilizara meu apelido, me tratando de maneira mais acolhedora do que nos outros dias, e eu adorei a maneira como o som de meu nome enrolava-se na língua dele. Eu finalmente estava sendo aceita dentro do círculo, e eu não iria contra aquilo.

Vamos logo com isso então.

No final o tatuador segurou um espelho para refletir em outro espelho a minha frente e eu pudesse ver o desenho na minha nuca. Era uma espécie de S, mais curvado e pontudo que normalmente, e de cada lado do S havia um número, formando “51” juntos. Lissa iria pirar quando descobrisse que eu fora sequestrada pelos meus colegas para ser tatuada.

O processo todo durou um pouco mais de meia hora, e agora um curativo estava preso ao meu pescoço protegendo a pele sensível pela contínua penetração da agulha da pistola de tatuar.

Na viagem de volta fomos no veículo que me trouxera, e eu pude confirmar que era um furgão, com Adrian dirigindo. Christian ainda parecia se divertir com a situação que me fizera passar, e eu começava a sentir um galo se formar na minha testa onde havia batido na minha tentativa de fuga momentos antes.

Quando Adrian parou na frente do apartamento, ele me dera um carinhoso aperto na mão me desejando boa noite, aparentemente já esquecendo que eu o havia golpeado. Christian e Mason foram ainda mais acanhados em sua despedida, e quando cheguei em Dimitri, atirado ao fundo do banco traseiro do furgão, ele parecia nervoso e agitado, embora eu não encontrasse um motivo para aquilo. Com apenas um aceno de cabeça para ele pulei para fora e fechei a porta, andando apressada para dentro do prédio para fugir do frio.

E como eu adivinhei, Lissa pirou. Entre gritos, xingamentos, e ameaças de me arrastar para a polícia, levou uma hora para acalmá-la a ponto de podermos ter uma conversa normal. Bem, normal entre nós.

A festa seria a tarde e Lissa estaria livre para me acompanhar. Embora sua atenção se voltasse às roupas e produção para sairmos, bati o pé e insisti em algo simples, já que era algo entre bombeiros e de tarde, nada de vestidos compridos e maquiagem de super estrela. Sua decepção era evidente, mas eu encerrei o assunto me retirando para o meu quarto para ter algum descanso.

Apenas retornei ao mundo dos vivos quando já passava do meio dia, e Lissa andava de um lado para o outro no meu quarto, desesperada como se o mundo estivesse prestes a acabar. Sua fala ininterrupta gritava sobre estar atrasada para nos arrumarmos, e quando eu pude realmente abrir os olhos, a garota fixou os olhos em mim e tudo que pude fazer foi soltar um som gutural e tentar me esconder debaixo das cobertas. Sem sucesso, já que Lissa a puxou até metade do meu corpo, com um semblante que anunciava seu mau humor. Não havia nada mais a fazer senão acordar e me deixar levar pela loucura que Vasilisa Dragomir era quando se tratava de festas. Ainda tínhamos cinco horas para comparecer na casa, mas era como se já estivéssemos atrasadas quinze minutos. Lissa corria de um lado para o outro, tentando me maquiar e secar o próprio cabelo com o eletrodoméstico, tudo ao mesmo tempo.

Acabou que tudo deu certo no final, como eu insisti para a obcecada da minha amiga que daria, e ainda tínhamos vários minutos para dirigir calmamente até o endereço que Adrian havia me enviado por mensagem no celular. Ambas vestíamos vestidos simples, Lissa em um vermelho que era capaz de não ser vulgar, mas belo e jovial, e eu em um preto que agarrava meu corpo feito segunda pele, que descia até metade das minhas pernas, no limite do comportado para o “vestida para matar”. E no fundo, era essa o objetivo que eu havia posto na minha ida ao aniversário de Christian. Eu estava precisando disso, e eu admitir minhas necessidades físicas era meio caminho andado, certo? A única coisa que não combinava era o curativo branco em meu pescoço, menor do que o primeiro, mas eu não poderia tirá-lo para permitir que pegasse sujeira e infeccionasse, e não seria uma visão muito bonita de qualquer maneira, provavelmente ainda inchada e vermelha.

A festa fora na espaçosa casa de dois andares, de design moderno de linhas retas e várias partes tendo paredes de vidro ao invés de concreto.

Mason atendera a porta, nos apressando para dentro e longe do frio do clima de Montana. Era final da tarde, o Sol parecia se agarrar a sua última oportunidade de aparição do dia, mas fazia frio como se não houvesse o astro para nos aquecer, e a neve insistia a se acumular como uma impertinentemente prima em visita.

Após retirarmos nossos casacos e o ruivo fazer questão de pegá-los para pendurar em um suporte por trás da porta.

Adrian logo que nos avistou se desculpou com a roda de amigos que mantinha conversa e veio em nossa direção, com um sorriso aberto assim como seus braços, e eu não pude resistir a lhe dar um sorriso em resposta. Largando seu copo no balcão do barzinho no seu caminho até nós, ele me envolvera em seus braços em um abraço apertado mas longe de ser sufocante, era incrível o poder que ele exercia em mim, me fazendo sentir confortável e em casa em qualquer lugar.

Após o breve momento em que ele colocou sua cabeça na dobra do meu pescoço e sussurou boas vindas com voz já carregada pelo consumo de substâncias, eu me desvencilhei e virei de lado para que Liss entrasse no campo de visão do anfitrião.

Milady. – Não perdendo tempo o homem pegara levemente na mão de Liss a erguendo e levando aos lábios, depositando uma sombra de beijo sob sua pele. Liss parecia que iria convulsionar ali mesmo, tive que segurar seu outro braço para que as pernas dela não cedessem. Eles já se conheciam daquele dia no bar, mas ele estava realmente diferente daquele dia.

Sintam-se a vontade em nossa casa, se necessitarem de bebidas, temos alguém no bar para servir, e ao fundo temos um coquetel, mas guardem lugar para o bolo. Agora se me desculparem, tenho que ir fazer sala para uns burocráticos chatos. – E com uma rápida piscadela dirigida a mim, ele se misturou novamente na concentração de pessoas na sala, não sem antes passar no bar e pegar um novo copo com líquido rubro até metade.

Céus, Rose, casa com ele. – Falou Lissa lentamente saindo do encantamento e me rendendo uma boa revirada de olhos, enquanto fora me acompanhando até o bar, pedindo duas taças de um brinque misturado que eu não me importava em desvendar.

Após dois goles da bebida, que parecia doce demais para ser apreciada de maneira descontrolada, passei a notar o meu redor e os presentes. A festa havia sido feita em plena tarde, graças aos nossos horários absurdos, e a maioria ali presente era realmente bombeiros, alguns inclusive de outras cidades. Uns poucos pareciam ser simples amigos ou familiares, facilmente identificados na multidão com seus corpos finos e relaxados, enquanto a guarda do fogo se posicionava imponente aos cantos ou pequenos grupos, musculosos e sérios homens, com feições que indicavam que estavam prontos para correr em direção ao perigo, a qualquer momento. Tudo o que vemos ou fazemos nessa profissão nos esculpe dessa maneira, e eu não me perguntava SE isso iria acontecer, mas quanto tempo levaria para eu ser assim.

Após alguns minutos e Lissa já no seu terceiro drinque, e eu empurrando o meu primeiro, Mason se juntou a nós. O apresentei para Lissa, que fez pouco caso do pobre menino, se concentrando em sugar uma azeitona que estava espetada em seu copo.

A conversa com ele correu leve e discreta, e me surpreendi quando Mason na verdade revelou que a enorme casa era dividida entre ele, Christian e Adrian, como uma república de bombeiros. O sorriso do ruivo era fácil e leve, mas não como era de Adrian, que acordava algo dormente em mim e me mergulhava em calor e conforto, nem o de Dimitri, que era tão raro que parecia esquentar e era esmagador quando aparecia em seus lábios.

Já conversávamos a algum tempo, eu estava a mais de meia hora na festa, e nada do aniversariante aparecer, o que me deixava levemente nervosa. Estariam aprontando algo mais?

Parecendo me sentir desconfortável do outro lado da grande sala, Adrian atravessou novamente o cômodo e se postou atrás de mim, seu cheiro de perfume caro misto com bebida chegou em mim antes de sua sombra.

Com licença, mas irei roubar a dama por alguns instantes. – Ele se inclinou então para frente, posicionando sua boca logo atrás da minha orelha, e seu hálito mentolado misturado com álcool:

Se não se importa, tem algumas pessoas que estão curiosas sobre a nova cadete da 51...

E com isso me despedi de Lissa e Mason, pedindo com o olhar para que ele cuidasse dela e não deixasse que exagerasse tão cedo na “festividade” da festa. Ela tinha aula amanhã, e eu não planejada passar o restante da minha noite cuidando de uma Lissa bêbada.

Com a mão em minhas costas logo onde o tecido do vestido terminava e minha pele ficava exposta, Adrian me guiou para uma roda solta no centro da sala, devia haver seis ou sete pessoas, conversando de maneira animada e descontraída, quando Adrian me empurrou entre dois deles, abrindo espaço para si e chamando a atenção de todos, deixando o silêncio desconfortável apenas por uma fração, pois com um habilidoso anfitrião, Adrian dominou a situação e me permitiu sentir segura, mesmo prestes a conhecer um bando de desconhecidos de alto escalão dos bombeiros.

Senhores, esta é a famosa Rose Hathaway, cadete da 51.

Todos sorriram de maneira confortável, me cumprimentando um a um, e um dos mais baixos dos homens de idade avançada, praticamente careca e mais gordo do que seria saudável, estendera sua mão e a sacudira várias vezes, com um sorriso que parecia infantil demais para sua aparência.

Ouvimos bastante de você durante esta semana, não ligue para esses velhos que acham que o único fogo que mulher tem de lidar, é na cozinha. Estamos todos felizes com as mulheres embelezando e trabalhando em nossas estações...

E então ele piscara com apenas um olho para mim, mas de maneira diferente de que Adrian fazia. Aquele foi um gesto brincalhão, como um pai tentando confortar um filho, e meu coração se apertou com esse pensamento.

Tudo que pude retribuir foi um pequeno sorriso, enquanto me encolhia tímida pela atenção que estava recebendo dos homens ali. Não por estar insegura de minha aparência ou presença física, mas por que estava sendo reconhecida pelos meus esforços e habilidade em meu trabalho, e isso tirava meu chão, me sentir valorizada.

Uma nova voz, de um homem um pouco mais jovem e belo do que o anterior se pronunciou, ele já tinha alguns grisalhos em seu cabelo crespo, e segurava um copo de uísque com uma mão que exibia uma aliança dourada.

Acredito que tenente Belikov esteja satisfeito com a transferência, com todos os relatórios positivos que tenho lido. Fico feliz de puder finalmente dar um rosto a jovem heroína da estação 51.

Minhas orelhas pareceram crescer para ouvir melhor aquela conversa que pareceu envolver o russo, e então acompanhei o olhar que o homem dera para o lado enquanto falava, e meus olhos se chocaram com castanhos tão conhecidos para mim ultimamente, que não pude evitar deixar minha boca se abrir em surpresa. Como não notei ele na roda antes? Todos ali eram quase tão grandes quanto ele, e aparentemente havia se escondido com habilidade atrás de outras duas pessoas do grupo, ficando oculto e silencioso. Ele me olhara por cima graças a sua imponência de dois metros, seus olhos tinham um brilho e tremor diferente do rotineiro olhar fixo e incógnito, mas seu rosto estava sem emoção espontânea. Relaxado, mas não o suficiente.

Quando ele abriu a boca para responder a fala do companheiro de profissão, nem notei que me inclinara para frente em sua direção como se fosse beber de sua voz.

Rose foi uma ótima adição à equipe, tem grande potencial na profissão. — É eu ou o ar ficou rarefeito? É eu ou o chão se amoleceu? É, era eu.

Logo após terminar de falar, ele erguera a pequena garrafa de vidro de cerveja e me cumprimentou com um meio aceno da cabeça, e permaneceu aprisionando meus olhos nos seus. Eu sentia que estava corando, mas não pude evitar, estava nos céus demais para controlar meu corpo.

Uma risada do meu lado me puxou de volta a realidade como uma âncora, e eu senti que a mão de Adrian descera para minha cintura, quente contra o fino tecido preto, quase que de maneira possessiva, marcando território, e eu não pude deixar de girar os olhos para aquilo. Ele não precisava competir com Dimitri. Não havia nada pelo que competir, certo?

Ow, isso vindo de Belikov, é grande coisa. – Adrian brincou, e eu senti que seria o momento oportuno para fugir daqueles orbes poderosos, enquanto sua atenção pudesse ser roubada pelo meu “parceiro”, e eu senti falta de um drinque em minhas mãos para poder ocupar minha boca e usar como desculpa para não aprofundar a conversa.

Nos desculpem, mas temos que cumprimentar o Comandante Hans... – Adrian disse, me guiando com poder para longe do grupo, e eu metade o odiei por me afastar do russo — que pareceu acompanhar com o olhar minha retirada-, e a outra metade o agradeceu por me salvar do momento incômodo que estava construindo ali.

Hans parecia um homem sério e restrito, que controlava os bombeiros com braço forte, mas capaz de ser justo e correto, e todos os bombeiros pareciam respeitá-lo e o admirar de maneira que era impossível ignorar a aura de liderança que ele exercia.

Após todas as apresentações serem feitas e Adrian me levar ao redor como sua namorada – eu estremeci no pensamento-, me desculpei com ele e pedi direção para o banheiro, indo lavar levemente meu rosto e retocar a maquiagem que deve ter saído correndo com tanto falatório que tive de fazer.

Quando retornei, a sala parecia mais quieta, e logo notei o motivo: Christian vinha descendo pela escada lateral na sala, vestido de maneira excepcional e com o cabelo penteado e domado com excesso de gel, e eu tinha de admitir, mesmo que seu jeito me irritasse a todo momento, que ele estava uma visão naquela noite. Ele parou no meio da escada após atrair todos os olhares, e com um sorriso presunçoso começou seu breve discurso.

Agora que a atração já está aqui, podemos começar a festa de verdade... – E tão rapidamente ele terminou, alguns riram, provavelmente já acostumados com o jeito do homem, e ele terminou de descer as escadas indo cumprimentar um por um os convidados.

E eu precisava de algo para forrar a barriga já que a coisa indicava que iria correr por mais um tempo. Já havia anoitecido, e me surpreendi ao ver em um relógio na parede que se tratava de sete horas da noite. Imaginei que às oito os convidados já começariam a sair, sendo que a maioria era bombeiro e trabalhava a em horários noturnos.

Na mesa haviam pequenos alimentos claramente preparados por um chef, e eu não conseguia identificar exatamente seus ingredientes entre raviólis e sanduíches, e estava realmente temerosa de acabar ingerindo aqueles patês de fígado de pato que pessoas ricas pareciam tanto apreciar. Só o nome já me dava voltas no estômago, e decidi por um pequeno pastel, que eu com alívio senti como sendo de frango. Tendo demarcado o território seguro, saboreei outros dois entre um copo de espumante que estava sendo servido agora por dois ajudantes.

Quando me virei para retornar e procurar por Lissa, meus olhos esbarraram numa cena no mínimo intrigante, e ele havia ainda achado outra maneira de me surpreender naquela noite, de maneira boa e ruim.

Sentado ao sofá estava o russo, completamente relaxado e diferente de tudo que havia visto até então. Como se estivesse em uma bolha, separado do resto do mundo. E com ele uma alta morena de cabelos longos, claramente tratados em um caro cabeleireiro. Seus olhos eram azuis e sua aparência vagamente me lembrava Christian, mas o que me chamou a atenção em seu rosto foi que metade dele estava deformado e retorcido, com a pele enrugada e endurecida, com uma cicatriz de queimadura que ocupava uma lateral de seu rosto, das têmporas até quase o queixo. E apesar disso, aquela característica não parecia ter lhe tirado a beleza e o brilho de presença, pelo contrário, seu rosto destruído adicionava a uma beleza exótica. E aparentemente o russo também pensava assim, pois conversava de maneira descontraída, até dando risinhos quando a morena lhe respondia algo. Risinhos!

Eu não sabia exatamente o motivo da cena me incomodar tanto, ou no fundo apenas tinha medo de admitir saber o motivo. Me ocupei em deixar a raiva guiar meus pensamentos. Porque ele tratava a todos friamente, inclusive eu, quando era claramente capaz de agir como uma pessoa normal e agradável, como agora? Ele tinha especial aversão a mim? Com este pensamento trotei para fora da casa, tentando desviar das pessoas pelo caminho sem perder a velocidade, e é claro esbarrando em uma e outra no meio da minha missão.

Pela primeira vez o ar gélido contra meu rosto e o clima cruel do lugar pode ser usado a meu favor, e minhas ideias se acalmaram e minha raiva se dissipava, mas logo o frio atingiu não só minha mente como meu corpo, e eu estava de vestido curto no lado de fora onde devia estar fazendo 5 celsius. Talvez não tenha sido uma boa ideia, afinal.

Um cheiro de cravo chegou ao meu nariz e atraiu minha cabeça para a lateral da casa, onde uma figura estava postada a alguma distância, soltando uma fumaça forte e resistente demais para ser só a respiração. Quando o homem soltou a bituca do cigarro no chão e se virou sem se importar em pisar nela para apagar, seu rosto se iluminou pela luz que vinha de dentro pela parede de vidro, e pude reconhecer aquelas linhas do rosto quase que como alívio.

Rose! – Ele exclamou apressando o passo ao mesmo tempo que retirava a própria jaqueta de couro curta que vestida, a colocando sob meus ombros. Sua parte interna tinha pele para ajudar a aquecer, e o objeto realmente auxiliava um pouco. Mas o frio era implacável.

O que está fazendo aqui fora assim, está congelando! – Ele envolveu também seu braço sob meu ombro aproximando meu corpo do seu, tentando fazer com que seu calor passasse para mim, e então eu notei que ele também não estava preparado para resistir muito, sem o seu casaco.

Precisava de um ar. – Respondi sem desejar aprofundar o motivo, e Adrian é claro não forçou.

Aconteceu algo? Christian está pegando no seu pé de novo? É aniversário dele, mas se quiser posso dar um jeito nele, só dizer. – Embora eu apreciasse a ideia de Adrian dando uma dura em Christian por mim, não era esse o motivo de minha frustração, portanto a oferta não me fez sentir melhor.

Não me senti bem lá dentro, só isso... É que... – Seus olhos verdes agora nos meus me indicavam para continuar, que qualquer fosse o problema, ele daria o máximo de si para resolver.

Tenente Belikov me tratando bem na frente dos superiores, mas agindo o contrário comigo na estação, como se ele quisesse que eu falhasse. Talvez ele é mesmo um coração de gelo, incapaz de ser legal com as pessoas...

Acabei com falando mais do que desejava, e soltar a raiva em palavras acabou me ajudando mais do que eu esperava, deixando o silêncio substituir minhas reclamações, esperando que Adrian dissesse algo. Mas por um longo tempo, ele não reproduziu nenhum som, apenas me segurou naquele frio.

Você sabe, talvez não devesse chamar ele dessa maneira... – Eu me desvencilhei do seu braço e me virei para ficar de frente para ele, exibindo minha indignação em todo seu esplendor. Ele estava defendendo Dimitri? Justo Adrian?

É só uma maneira de defesa, medo de aproximar das pessoas. Eu tenho meus vícios, ele tem os dele... – Por mais irritante que seja o cheiro de álcool no hálito de Adrian, nem se comparava com a frieza e descaso que Dimitri dirigia a mim. Notando que essa era a linha de meu pensamento, Adrian continuou, abraçando a si mesmo para tentar se aquecer de novo.

As pessoas não deveriam julgar as outras tão rapidamente... Cada um luta as suas batalhas internas. – E olhando para trás, pela porta agora fechada como se desejando conferir que estávamos realmente sozinhos, ele conferiu o nosso redor duas vezes, para só então voltar a me encarar.

É uma longa história... Ou não, acho. – Ele levou a mão ao bolso do casaco dele que agora estava em meu corpo, tirando um pacote de cigarro dali e o abrindo com dificuldade pelos dedos gelados e com pouca sensibilidade.

Eu nem deveria saber disso, mas com a família que tenho, histórias chegam, e eu ouvi a conversa sobre ele quando chegou na cidade para assumir como tenente...

Ele sacudiu o maço de cigarros para baixo fazendo um deles escorregar, e o pegou sem pressa de continuar o que começara. Arrancando um fósforo de um pacotinho também dentro do maço, ele acendeu a chama e deu a primeira tragada para atrair o fogo e acender o objeto, soltando a fumaça para o lado, não exatamente em mim, mas o cheiro forte da substância me atingiu de qualquer maneira. Enfiando o pacote de cigarros no bolso da própria calça, ele tragou mais uma vez mantendo o cigarro entre os dedos, para finalmente voltar à revelação que estava tendo comigo.

Dimitri era tenente em Chicago, recém promovido. Ele tinha uma irmã nessa equipe, ela devia ter por volta de 23 anos. Num incêndio, ela havia se separado do grupo, e encontrado uma pequena menina nos escombros. Quando tentou retirar, uma nova parte da casa caiu sob elas. Dimitri tentou retirar, mas não conseguiu, e os outros bombeiros tiveram que arrastar ele para fora da casa, enquanto ouvia sua irmã gritar e morrer queimada lá dentro. Ele nunca mais foi o mesmo, largou o trabalho e ficou fora do radar por dois anos, até aceitar a vaga e vir para cá. Ele se culpa, claramente. Imagine como é carregar nos ombros a morte da própria irmã.

Enquanto eu ouvia a narração, tudo que eu podia fazer era arregalar os olhos e imaginar o horror da cena. Quando Adrian terminou, meus olhos estavam marejados, e eu me sentindo mesquinha por ter agido e pensado daquela maneira dele. Nunca imaginaria que teria uma história assim por trás daquela máscara de frieza que o russo vestia.

Ontem, no incêndio, quando ele ficou parado... – Adrian balançou a cabeça positivamente, entendendo ao que eu me referia.

Eu vi uma foto do ocorrido na internet, foi numa casa muito parecida com a do nosso incêndio. A mesma porta vermelha...

O que deveria ter passado pela cabeça dele? Relembrada aquele momento de horror quando sua irmã morrera sob seu comando?

Vamos voltar para dentro, estou prestes a perder permanentemente a sensibilidade dos meus dedos...

Ele falou após se livrar do segundo cigarro, estendendo a mão e a colocando nas minhas costas como mais cedo na noite, me empurrando para dentro e eu receber novamente o calor do aquecimento interno da casa.

Ia devolvendo o casaco para Adrian quando meu olhar parou no bar, vendo uma Lissa um tanto já alterada, conversando e rindo alto com nada menos que Christian, e claramente ambos estavam num jogo de flerte que parecia estar indo a tempos. Quando AQUILO aconteceu?

Acompanhando meu olhar, Adrian riu enquanto dobrava seu casaco e o deixava pendurado em seu próprio braço.

Você resgata sua amiga, e eu vou lembrar o aniversariante do bolo...

Juntos na mesma missão, ambos rumamos para o bar, eu sentando do lado de Lissa e Adrian puxando Christian para longe, claramente contra a vontade dele.

Lissa, manera, você tem aula amanhã.

Tudo que eu recebera foi uma língua exposta para fora da boca e uma risada descontrolada. Isso que eu ganho por tentar ser uma amiga responsável. Aproveitando que ela já estava grogue, troquei seu drinque por um refrigerante, e quando ia pedindo uma para mim mesma, todas as luzes se apagaram, e do oposto da sala surgiu um bolo imenso, sendo empurrado por Mason e Adrian até o meio da sala e em frente a Christian. As pessoas começaram a cantar parabéns, e no final, o topo do bolo se abriu, e de dentro se ergueu uma mulher praticamente nua se não fosse pelas pequenas indumentárias íntimas, cobertas por um casaco de bombeiro sob os ombros. Erguida com a ajuda de Mason e Adrian, a mulher saiu para fora e começou uma dança erótica envolvendo Christian, numa clássica apresentação de strip tease. Sinceramente, eu deveria ter esperado algo diferente de Adrian e Chris?

Rose, eu quero ir para casa... – Lissa se pronunciou, tentando se por de pé sozinha e falhando miseravelmente, comigo tendo que segurá-la pelos braços. A cena claramente a incomodava tanto quando incomodava a mim, embora todos os outros homens da festa estavam apreciando o show.

Eu a guiei até a porta de saída, pegando nossos casacos e procurando por Adrian na multidão que se formou ao redor da mulher que dançava. Quando nossos olhares se cruzaram, eu indiquei com a mão Lissa e apenas movendo os lábios disse que tinha que ir. Ele tinha uma feição decepcionada, mas aceno com a cabeça antes de ser engolido novamente pela concentração de pessoas.

O caminho para o apartamento foi calmo, e as estradas estavam vazias aquela hora da noite, como se previssem o meu humor não era indicado para cruzar caminhos comigo. Do meu lado uma Lissa roncava com a cabeça apoiada no cinto de segurança, já apagada para o mundo ao seu redor.

Meu turno começaria em 7 horas, e a única coisa boa que eu podia vir na viagem de volta era que não havia bebido quase nada de álcool, e finalmente teria a minha chance de ser a primeira a chegar na estação, com todos os outros estando de ressaca amanhã.

Notas finais
Sei que to devendo ainda o beijo Rodrian, mas, realmente não senti clima em cena nenhuma pro Adrian beijar a Rose, ia parecer falso e forçado demais. Na próxima, quem sabe?