Burning Desire
13 Capítulo 13
Notas iniciais
“A felicidade é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude são transformados em emoções ou sentimentos que vão desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo.” Dizia um artigo na internet.
“A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação à felicidade que fizermos para os outros.” Um pensador.
“A suprema felicidade da vida é ter a convicção de que somos amados.” Um escritor inglês disse.
Porém fosse o que fosse. Qualquer definição, ou significado que houvesse para tal palavra ou sentimento. Era nisso que se resumia a vida de Elena, nesses três meses.
Felicidade.
Pura e genuinamente verdadeira, era a felicidade que se apossara de sua vida desde que conhecera Damon. Não que ela não tenha sido feliz antes.
Mas, assim que passara a dividir a vida com o moreno, tudo parecia mais intenso, eram proporções gigantescas de sentimentos que ela não sabia precisar quais e que a faziam extremamente bem.
Nunca pensara que uma vida toda pudesse mudar em tão pouco tempo. Mas, como estava enganada. Damon Salvatore entrara em sua vida e mudara tudo.
Ele chegou e sem permissão tomou-lhe por completo, seus pensamentos, seus sentidos, seu corpo, e principalmente, ela havia lhe roubado o coração.
Sim, Damon tinha seu coração. Tinha também seu amor. Nestes três meses ainda não havia ditos as tais três palavrinhas, mas tinha absoluta certeza que o amava.
O moreno literalmente bagunçara todo o seu mundo. E ela que nunca sequer havia sentido desejo por homem nenhum. Agora estava completa e irrevogavelmente apaixonada por um.
Damon lhe despertara coisas jamais sentidas. Não negava que assim que o conheceu, o que a movera foi atração física, mas com o passar dos dias e a convivência. Cada coisa que descobria sobre ele, a encantava, e no final, aqui estava ela. Amando-o com toda sua alma.
Só não conseguia, dizer o tão esperado “eu te amo”. Todas as vezes que Damon lhe dissera o mesmo, tentava responder porém não saia. E ela perguntava-se o porquê. Sentia que ele esperava que ela disse e podia ver um pouco de tristeza em seus olhos quando o silêncio predominava, mesmo que ele não demonstrasse e até fingisse que não importava.
Sempre dizendo que esperaria o tempo que fosse, que não tinha problema. Mas, Elena sentia-se mal por isso. Queria dizer que também o ama. Porém parecia que sua capacidade de falar lhe fugia sempre no exato momento que estava pronta pra isso. E era muito frustrante, tanto para ela, como para seu moreno.
Nesse tempo outras coisas também mudaram. Como por exemplo Rebekah havia desaparecido. E da última vez que a morena soube, ela não estava indo sequer ao estúdio. Até ligou para os pais da loira que disseram que a filha estava numa viagem de férias.
April desde o dia do telefonema no escritório andava cada vez mais estranha e muitas vezes dispersa. O que deixava seu irmão cada vez mais paranoico, indo levar e buscar na escola, só pra depois deixa-la na Flower’s com Elena.
O que ele não fazia ideia é que algumas vezes, a garota só esperava ele ir embora, pra nem entrar na academia. E sobrava pra pobre Elena esconder as escapadas. Mas, isso teve um pequeno custo claro, a morena exigiu saber o que April estava aprontando. E como desconfiava, esse comportamento tinha nome. Matt, um garoto de sua classe.
A Gilbert no entanto temia o que aconteceria se seu namorado descobrisse. Se ele já andava mais que irritado sem ter certeza, não queria nem imaginar o que aconteceria quando houvesse uma confirmação.
Foi por isso que prometera a caçula Salvatore que a ajudaria no que pudesse e que também iria preparar o moreno, pra receber tal notícia.
Porém talvez a maior mudança mesmo tenha ocorrido para Elena. Ela mudara-se definitivamente para a mansão. Depois de passar muitos dias com o moreno, ambos acharam melhor que ela ficasse de vez, já que segundo Damon era perigoso ir e vir do Brooklyn como Elena fazia.
Ela achou um tanto precipitado, achava que estavam indo um pouco rápido demais. E ela não queria se arrepender ou perder algo por isso. Mas ela não conseguia dizer não aqueles olhos azuis suplicantes e ainda o beicinho manhoso que Damon sempre fazia quando queria algo dela. Então depois de muita insistência – alguns amassos quentes também – ela cedeu.
Havia agora também suas frequentes idas a Salvatore’s, mais precisamente a sala da presidência. Quem parecia não estar muito contente com isso era a tal Bonnie, secretária do rapaz.
Todas as vezes que Elena chegava sempre era tratada da mesma forma pela outra, o mesmo olhar de raiva e muitas vezes de desdém. A morena tinha certeza de que não tinha a simpatia ou mesmo empatia da garota, não tinha certeza do porquê disso. E tão pouco lhe importava as rabugices de Bonnie, afinal também não havia ido com a cara dela.
Porém a gota d’água para ela foi num dia que Bonnie a fez ficar esperando por horas a fio, dizendo que Damon estava em reunião em outro andar. Ela estava quase indo embora quando Damon saiu de sua sala a encarando surpreso.
Elena recordava da imensa raiva que sentira, e como ficara ainda mais indignada com a cara de pau da funcionária de seu homem.
Depois que a morena explicou que estava lá pra vê-lo e o que Bonnie havia lhe dito. Damon cobrou uma explicação, e ela teve coragem de dizer que fora ela Elena que entendera errado.
Ela lembrava com clareza a força que teve que fazer pra não acertar aquela cara deslavada da garota naquele momento. Contou diversas vezes até 10 e por fim jogou os braços em volta do pescoço do seu moreno.
E no final para Elena nenhum tapa teria lhe dado melhor sensação do que a cara de tacho que Bonnie fez quando Damon lhe envolveu a cintura. Enquanto ela mexia nos fios negros e murmurava em tom manhoso que não importava quem havia se enganado, que tudo que ela queria era ficar um tempinho com ele.
Fora ainda esse episódio que fizera a morena trazer à tona aquilo que lhe vinha perturbando há algum tempo.
– Amor? – estavam na cama de Damon depois de terem feito amor mais uma vez. Elena deitada sobre o peito do moreno, enquanto traçava desenhos na pele branca.
– Hum. – o rapaz murmurou distraído, pensando o quão sortudo era por ter uma mulher tão incrível e bela como Elena ao seu lado.
– Você já teve alguma coisa com a Bonnie. – hesitante ela fez a pergunta como quem não quer nada. Mas em seu interior ela gritava pra que a resposta fosse não.
A pergunta o pegara totalmente de surpresa. E por uns instantes Damon não soube o que dizer ou como agir. O que só serviu para aumentar a inquietação da mulher em seus braços, que imediatamente levantou-se para encara-lo.
– Por que essa pergunta?
– Sei lá. – ela deu de ombros. – Mas, o jeito que ela te olha, como age com você. É de mulher apaixonada. Além de que ela parece me odiar.
– Amor, já disse que isso é impressão sua. – ele acariciou seu rosto.
– Não Damon, não é. – ela segurou a mão que estava em sua bochecha e olhou-o fundo nos orbes azuis. – Pode ser coisa da minha cabeça, mas eu acho que ela sente algo por ti. – Damon tentou negar, mas ela prosseguiu. – Sabe, no começo eu até achei que fosse só admiração pelo chefe, pelo homem bem sucedido que você é. Só que depois... Eu vejo e conheço os olhares de uma mulher apaixonada. São com esses olhos que ela sempre olha.
– Elena.
– Só me diz. Vocês já tiveram algo? Por que ela sempre me olha como se soubesse de algo que eu não. Me diz, você já ficou com a Bonnie?
– Já. – admitiu num sussurro.
Foi o que a morena precisou ouvir pra largar a mão dele que estava entre as suas.
– Hey. – rapidamente, Damon pegou seu rosto forçando-a a olha-lo, já que Elena passou a fitar o lençol branco depois da confissão. – Olha pra mim. –pediu baixinho. – Isso foi a muito tempo. Muito antes de te conhecer. Você é única na minha vida baby, eu te amo.
– Eu sei.
– Não fica pensando bobagem Eu já te falei das minha aventuras de uma noite não foi? – fez que sim com a cabeça. – Então, a Bonnie foi uma delas, eu até quis despedi-la, mas ela disse que precisava muito do emprego. E eu não tive coragem. Além do mais, ela disse que assim como pra mim, não tinha significado nada. E que devíamos esquecer.
– E você acreditou nisso? – Elena meio que exclamou a pergunta.
– Por que não acreditaria? – ela o encarou cética.
– Sério Damon? Eu sei que pra vocês homem, esse lance de “comer” num dia e esquecer no outro é normal. – Elena deteve-se no meio da frase assim que Damon começou a gargalhar. Olhou-o sem entender. O moreno estava vermelho e com lágrimas nos olhos. – O quê?
– “Comer”? – perguntou ainda rindo.
– Idiota. – deu-lhe um tapa no peito desnudo também rindo. Ouviu um “hey, doeu”, mas não ligou. – O que eu tô querendo dizer é que. Pode não ter significado nada pra você, mas pra ela é claro que significou.
– Mas ela mesma disse que não.
– Lógico que ela disse isso pra não perder o emprego. E pior, pra não ficar longe de você. Porque tá na cara que aquela garota gosta de você.
– Que seja! Mas você sabe que eu só tenho olhos pra você. E pra mim não importa Bonnie ou qualquer outra aventura minha vida. Porque a única mulher que eu amo é você Elena. E é com você que eu quero passar o resto da minha vida.
Damon falou tudo de forma tão firme e intensa olhando dentro dos olhos da morena. Que ela não evitou que lágrimas se acumulassem nos seus olhos. E depois quando ele a beijou, foi como se o mundo houvesse sumido ao seu redor. E ela resolveu esquecer de tudo. Mesmo com algo lhe dizendo para não esquecer-se da secretária.
[...]
Elena estava na sala da mansão sentada no chão, enquanto fazia algumas anotações num caderno que se encontrava na mesa de centro em frente ao grande sofá.
April havia lhe pedido pra fazer a coreografia de um musical de sua escola. E ela estava trabalhando nisso já que não daria aulas hoje.
Foi quando ouviu a porta se abrir, seguidas das vozes alteradas de Damon e April.
– Você está exagerando!
– Exagerando? Eu estou exagerando – ela pode ouvir a risada cínica de seu homem cada vez mais próximas e logo depois os dois estavam à sua frente. – Eu vi aquele garoto quase engolindo a sua boca April.
Elena que já estava de pé via as veias do pescoço do moreno quase saltarem. Devido aos gritos e a eminente raiva que ela estava sentido, a pele outrora pálida agora era revestida de um tom rubro. E pela última frase, ela sabia que ela havia descoberto sobre Matt. E não fora da melhor maneira.
– Era apenas um beijo Damon.
– E você fala isso com toda essa naturalidade?
– E como você quer que eu fale? – a menina retrucou revirando os olhos.
– De nenhuma forma é claro. Você não tem idade, sequer permissão pra sair beijando qualquer um por aí.
– Ele não é qualquer um. É o Matt da minha classe de francês.
– Oh ele tem nome. – Damon usava todo o seu sarcasmo e Elena que até agora só assistia a discussão como se estivesse numa partida de tênis, de tanto que virou a cabeça. Acharia até divertido se não fosse trágico. – É o Mutt da aula de francês então?
– Matt!
– Que seja. O fato é que você não tem idade pra beijar, muito menos daquele jeito.
– Que graça você age como se eu fosse uma criancinha. Como se eu não soubesse o que você e a Elena fazem no seu quarto. Aliás o seu quarto, no escritório, na piscina, na biblioteca. Perto das coisas que vocês fazem o meu beijo com o Matt não é nada.
– April Salvatore. – foi um grito seguido de um passo à frente. E Elena soube que deveria intervir.
Pôs-se à frente de Damon e encarou April, lhe mandando um olhar que dizia que aquela não era a hora pra brincar com isso.
– Damon, calma.
– É Damon, escuta sua namorada e fica calmo.
– April. – a morena a repreendeu e recebeu mãos erguidas em sinal de rendição.
– Que tal me contar o que ouve. – pediu ao homem. É claro que ela já imaginava o que havia acontecido. Só queria ganhar algum tempo e arrumar uma forma de tranquiliza-lo.
– Acontece que eu fui buscar essa mocinha mais cedo. O que me deu a chance de ver um idiota quase engolindo ela. – Elena que o segurava nos braços notou-os contrair-se sob suas palmas, assim como o viu trincar os dentes.
– E eu já disse. O que tem demais nisso? Ele é meu namorado!
– Namorado? Com permissão de quem posso saber?
– Eu já tenho dezesseis anos.
– E eu não me importo. Já disse que enquanto morar debaixo do meu teto Minhas regras. E eu não quero você com aqueles aproveitador de irmãs alheias. – a ironia voltou na última frase. E foi a vez da caçula Salvatore ficar vermelha.
– Elena. – ela suplicou, os olhos azuis marejados. E Elena assentiu.
– Damon.
– Sem “Damon” Elena. A resposta é não. – as suas costas ela pôde ouvir sua cunhada choramingar. Estava ficando com pena da garota.
– Amor você nem o conhece.
–Nem preciso. Ele é um idiota, não conseguiu dizer nem duas palavras assim que me viu. – debochou.
– Claro você já chegou ameaçando ele.
– Você fez isso? – Damon apenas deu de ombros e quando a expressão de Elena se tornou incrédula, ele apenas a olhou como um “o quê”. – Não acredito que fez isso.
– Fiz e faria de novo.
– Damon, sua irmã já tem dezesseis anos.
– Continua sendo uma criança.
– Não, não é. E você sabe. April já tem idade suficiente pra saber o que quer.
– Mas...
– Sem mas. April vai trazer o Matt aqui e nós vamos conhece-lo. Que tal um jantar?
– Não.
– Por favor amor, você nem o conhece e já está julgando. Faz isso por mim. – pediu manhosa brincando com a gola da camisa branca.
– Desculpe bebê, mas não dessa vez. – beijou-lhe de leve os lábios.
– Tudo bem. – Elena soltou-se dele virou para a garota.
– April marque um dia pro seu namorado vir aqui.
– Sério? – a menina perguntou animada, enquanto o moreno as olhava incrédulo. – Obrigada Lena. – a abraçou.
–Hey, mas eu.
– Nada disso. Eu tentei por bem e você não quis. Agora vai ser assim. Matt virá jantar conosco e você vai trata-lo muito bem. Nada de ameaças ou cara feia. Estamos entendidos? – Damon bufou e cruzou os braços. – Estamos entendidos Salvatore?
– Sim. – respondeu mal humorado.
– Ótimo. – deu um sorriso lindo. – E você mocinha vá guardar as coisas pra almoçarmos.
April assentiu e se dirigiu a escada que dava pro segundo andar. Enquanto Elena arrumava seus papéis e via de canto de olho seu moreno se sentar, com um enorme bico e braços cruzados.
Ela quase riu de como ele parecia uma criança fazendo birra. Resolveu provoca-lo um pouco. Prendeu seu cabelo em coque, deixando assim seu pescoço e grande parte do colo exposto pelo decote da regata que usava.
Ouviu um suspiro baixinho do moreno e debruçou sobre a mesinha deixando seus seios de frente para ele. Ainda fingindo recolher suas coisas.
– Elena. Para com isso. – foi um sussurro de dentes trincados.
– Parar com o quê? – mordeu a ponta da caneta que usava “distraída”.
– Você sabe.
– Sei é? – o olhou sorrindo maliciosa ao passo que ia em direção a Damon. Colocou uma perna de cada lado e sentou-se lentamente sobre o mesmo. Apoiando as mãos nos ombros largos. Já que o moreno não lhe envolveu como ela esperava, já que insistia em permanecer de braços cruzados. – Já disse que você fica lindo assim todo ciumento?
– Não é ciúmes, e cuidado. – respondeu sem olha-la. Elena já era uma tentação pra ele sem fazer nenhum esforço. Sentada em seu colo, tentando seduzi-lo então. Era uma perdição. Ele não podia olhar aqueles olhos cheios de luxúria e desejo ou se entregaria rapidamente.
– Vai ficar com esse bico pra sempre? – questionou divertida.
– Vou. Você me desautorizou.
– Tem certeza? –plantou um beijou entre o pescoço e o ombro do rapaz, que se arrepiou imediatamente. Elena sorriu e continuou explorando aquela área.
– Elena. – foi um gemido baixo. Ela subiu, arrastando a ponta do nariz, sentindo aquele cheiro tão gostoso que só Damon possuía. Até chegar na orelha e deixar um mordida em seu lóbulo.
Damon estremeceu e suas mãos foram direto para a cintura fina. A morena deu-lhe um selinho seguida de uma sugada no lábio superior rosado. – Ainda está bravo?
– Um pouco.
– E agora? – perguntou depois de beijar-lhe um pouco mais profundamente.
– Só um pouquinho. – sorriu e ela sorriu junto. Antes de mergulharem num beijo mais intenso.
– Elena querida.... – separaram-se quando a voz de Madeleine fora ouvida. Ambos ofegantes e com Elena escondendo o rosto no peito do moreno. – Me desculpem. – pediu um senhora vermelha
– Tudo bem Mad. – foi Damon que respondeu. Elena nunca sabia como ele conseguia se recuperar tão rápido ou controlar a voz. Mas um dia perguntaria.
– Sinto muito querido. E que isso chegou pra Elena. – assim que ouviu ela virou-se e deu de cara com Madeleine segurando um enorme buquê de rosas vermelhas.
– Pra mim? – questionou surpresa enquanto o pegava. – Quem mandou?
– Eu não sei, mas tem um cartão aí.
– Ótimo por que eu estou louco pra saber quem mandou flores pra minha mulher. – Damon respondeu com "ciúmes".
Com as mãos trêmulas Elena pegou o papel com caligrafia forte e bem desenhada, contendo os dizeres.
Flores para uma flor...
Eu se, isso é muito clichê.
Mas espero que goste.
Só quero dizer que esteja anda mais bela esta noite.
Pois a senhorita será sequestrada.
Com amor e devoção.
Seu sequestrador.
PS: Eu te amo.
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