Burning Desire
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Amada... Completa... Saciada... Plena e completamente feliz.
Pequenos feixes de luz adentravam pelo enorme cômodo e incidiam sobre a pele morena, fazendo-a resmungar baixinho e virar-se para o outro lado a fim de livrar-se do incomodo.
Ainda entre a meia consciência que o despertar trazia, flashes de uma noite mágica invadiam a mente de Elena, trazendo-lhe um sorriso a face.
Foi tudo que ela poderia ter sonhado e um pouco mais. Estava se sentindo como uma garota que acabara de perder a virgindade, o que tecnicamente é meio verdade, mas Damon a fez sentir-se assim. Fora com se ela não tivesse experiência alguma no assunto.
O jeito como ele a olhou, venerou e amou cada pedacinho do seu corpo ficara gravado pra sempre em sua mente. Todo o carinho e amor que exalava de Damon na noite anterior lhe atingiram bem no seu mais profundo ser. Foi mágico, incrível, romântico e ao mesmo tempo quente e excitante.
Tateou em busca do corpo que lhe aquecera e só encontrou um emaranhado de lençóis. Imediatamente ficou desperta e sentou-se a cama. Para comprovar que não havia nem sinal do moreno.
Se não fosse por sua nudez e roupas íntimas espalhadas pelo chão ela podia dizer que mais uma vez fantasiara tudo.
Com um pequeno vinco entre as sobrancelhas finas e bem delineadas, envolta pelo lençol branco. Damon observou a linda mulher que o inebriara e levara há loucura algumas horas atrás.
Havia acabado de tomar banho e vinha com apenas a toalha em sua cintura. Tinha até cogitado a ideia de acordá-la pra repetir tudo que fizeram a noite no banheiro. Porém a expressão tão serena no belo rosto morno, o fez desistir, e ele foi sozinho.
Linda!
Ele ainda podia sentir a maciez sob seus dedos, o gosto o cheiro. Tudo naquela mulher era perfeito. Até parecia que ela havia sido feita sob medida para ela. E ela amava tudo nela, até mesmo aquela pequena ruga formada em sua testa.
– Bom dia, amor.
Elena deu um pequeno salto no colchão ao ouvir aquela voz rouca e levou a mão ao coração. Estava divagando sobre onde Damon poderia estar. Quando o mesmo estava ali a sua frente, recém saído do banho.
E completamente delicioso!
Os cabelos negros ainda mais desgrenhados e úmidos, deixando pequenas gotículas de água cair por seu tronco, escorrerem pelo definido abdômen e se perderem na toalha.
A morena acompanhou o percurso de uma e teve que morder os lábios fortemente, pensando que queria muito ser aquela minúscula gotinha e ter a felicidade de tocar ao local escondido pelo pano.
Isso a fez voltar à noite interior, onde Damon havia feito tudo por ela. Não tivera a chance de tocá-lo como queria. E desejava muito poder fazê-lo. Talvez quem sabe, agora.
Sexo matinal é sempre o melhor.
Damon que manteve seus olhos cravados na morena desde que entrara no quarto percebeu seus olhares e não pode conter um sorriso malicioso diante da lasciva com que Elena o encarava.
Sentou-se de frente a ela sorrindo torto e levando seu polegar aos lábios rosados a fim de fazê-la soltar aquele que estava preso entre dentes.
– Vai tirar sangue se continuar mordendo desse jeito.
Um pequeno rubor atingiu o rosto de Elena, enquanto um sorriso tímido surgia, liberando seu lábio inferior para receber a carícia dos dedos do moreno.
Nenhum segundo depois e as duas bocas estavam coladas, beijando e provando-se ansiosamente. Um suspiro manhoso escapou de Elena quando a língua experiente de seu homem passou naquele mesmo lábio que sofria anteriormente e que depois foi sugado ao termino do beijo.
– Bom dia anjo.
– Agora sim é um bom dia.
Tomou mais uma vez pra si aquela boca fina e rosa que tanto amava e que tinha certeza que poderia beijar para sempre.
– Faz tempo que acordou?- Questionou enquanto brincava com o cabelo molhado do rapaz.
– Não muito.
– E por que não me chamou?
– Por que a senhorita fica ainda mais linda dormindo sabia.
Elena corou de novo. O que era bem comum de lhe acontecer sempre que estava com Damon.
Ele por sua vez não entendia como ela ainda ficava com vergonha toda vez que ele a elogiava. Porém adorava, pois em sua visão ela ficava ainda mais linda assim toda vermelha.
– E também digamos que estou um pouco atrasado. Certa morena me esgotou sabe.
Se houvesse uma escala de vergonha de 0 a 10, ela com certeza estaria no nível 11, enquanto Damon gargalhava de sua expressão incrédula.
– Idiota! Deu um pequeno tapa no peito dele, que fingiu dor tentando segurar o riso, antes de esconder o rosto nas mãos.
Ele segurou as duas entre as suas e beijou-as olhando na imensidão chocolate.
Ele a olhava com total fascínio, tudo em Elena o encantava, ela o envolvia mesmo sem saber. Estava completamente apaixonado por aquela linda mulher desde que a vira e que ela ainda nem sabia de sua existência.
Na cabeça de Elena passavam quase as mesmas coisas. Também estava encantada com tudo que havia em Damon. E pensava como ele fora capaz de em tão pouco tempo fazê-la questionar tudo em sua vida.
Ele veio como um raio disposto a bagunçar seus sentimentos e conseguiu. Encantou-a com seu charme e beleza e a ganhou com seu imenso coração e atitudes. Podia dizer que estava quase se apaixonando por ele.
– Te amo.
E ela sorriu mais uma vez. Aliás, sorrir havia se tornado rotina desde que Damon aparecera e roubara seus pensamentos.
Os lábios mais uma vez se encontraram, dessa vez mais ávidos, incapazes de permanecer por mais tempo longe um do outro. E uma vez mais aquelas paredes foram testemunhas da entrega dos dois.
[...]
Aos risos eles desceram pro café da manhã, claro depois de tomarem banho juntos com direito a amasso, carícias e mãos bobas. Estavam felizes e seus sorrisos denunciavam isso.
Encontraram a caçula Salvatore já à mesa, debruçada apoiando a cabeça sobre os braços.
– Bom dia maninha. Damon cumprimentou enquanto puxava a cadeira a sua direita para Elena.
– Bom dia April.
– Só se for pra vocês.
–Hey, o que foi? Ele questionou tomando seu lugar a cabeceira. Alias, não era pra você estar em aula mocinha.
– Obrigada. Elena o agradeceu quando a serviu o suco de laranja e recebeu um lindo sorriso em troca.
– Sim.
– Então por que ainda esta aqui?
– Argh! Vocês estão mais grudentos que mel. April fez uma careta ao ver seu irmão pegando mais uma vez a mão livre de Elena e levando aos lábios com um sorriso bobo, que era retribuído pela morena. Eu perdi a hora, não dormi direito. Ainda bem que minha prova é no terceiro tempo.
– E o que te fez perder o sono assim?
– Sério? Ela passou o olhar diversas vezes pelos dois com uma expressão no mínimo de deboche. Pois tentem dormir com o barulho de vocês dois.
– April.
– O que?
Assim que a frase saiu da boca da menina Elena caiu em uma crise de tosse, engasgada com a fatia de bolo que havia acabado de por na boca, mias vermelha do que nunca.
Não sabia onde enfiava a cara e nem acreditava que estava sendo repreendida por uma garota de dezesseis anos. Procurou o olhar de Damon e ficou ainda mais vermelha, agora de raiva, pois percebeu que o moreno segurava uma risada.
– Tudo bem anjo, calma e respira ta bem.
O moreno agachou-se ao lado da cadeira e alcançou um copo de água para a mulher, enquanto massageava suas costas a fim de acalmá-la.
– Eu juro que se a nossa casa não fosse a mais afastada do condomínio eu até pensaria que algum vizinho, tava dando uma festa pelas batidas na parede.
– April Salvatore.
Damon repreendeu assim que viu os olhos de sua namorada quase saltarem das órbitas. Ele sabia que ela estava brincando, apenas de olhar o pequeno sorriso no canto dos lábios, igualzinho ao seu, mas Elena estava realmente constrangida e ele achou melhor parar.
– Tudo bem, tudo bem. A pequena elevou as mãos rendidas. você me leva na escola?
– Claro só tenho que levar a Elena em casa antes.
– Ok. Vou pegar minhas coisas e Lena, relaxa.
[...]
Depois da manhã vergonhosa Elena já se encontrava em seu apartamento no Brooklin. Arrumou algumas roupas numa mala que levaria pra mansão.
Passaria alguns dias com Damon, sua mente lhe dizia que poderiam estar indo rápido demais, porém ela não ligava muito, desde que isso significasse mais tempo com ele.
Ela não compreendia a intensidade de seus sentimentos, tão pouco sabia defini-los, mas sabia que era forte o bastante pra que ela terminasse tudo com Rebecka. E era isso que faria. Já havia ligado pra a loira, agora só restava esperar.
Não demorou muito para que a campainha tocasse e lá estava à loira a sua frente. Bonita e bem arrumada como sempre, um sorriso doce nos lábios, Lhe lembrava muito a Rebekah que conhecera há cinco anos.
– Lena. Rebekah cumprimentou e se aproximou para um beijo que pegou em sua bochecha por ela ter virado.
–Ei, entra.
Caladas e um pouco constrangidas às duas se sentaram. A morena na poltrona e Rebekah no sofá a sua frente.
Elena não sabia como começar a conversa, tinha medo da reação de sua namorada quando soubesse tudo. Principalmente quando soubesse que o termino seria por um homem.
Aquilo soava muito estranho para ela. Nunca imaginou que passaria por isso.
Sempre teve certeza de seus sentimentos, de suas escolhas e principalmente de sua sexualidade.
Porém ali estava pronta para acabar com uma relação linda, cinco anos de parceria e cumplicidade, com a mulher que escolheu pra ser sua o resto da vida.
Se alguém lhe contasse isso há alguns meses trás, com certeza ela acharia muito engraçado. Mas tudo havia mudado. Conhecera Damon e nesse instante tudo foi diferente.
Damon Salvatore o que fez comigo?
– Momento constrangedor. a loira tentou brincar.
– Eu sei.
– Olha Lena, eu queria pedir desculpa.
– Rebekah.
– Não Elena, me deixa falar. Me perdoa por aquela idiotice de dois dias atrás. Foi loucura, eu não devia nem ter cogitado a ideia. É só que...eu não consigo nem ao menos pensar na possibilidade de te perder amor.
Nada daquilo devia ter acontecido, o tempo, Sage, nada amor. Me desculpe. Você sabe que eu sou possessiva e quando você se afastou sem motivo, eu fiquei paranóica, mas eu te amo e não sei viver sem você Elena. Vamos esquecer o passado, focar no aqui e agora. Voltar ao que nós éramos. Vamos ser felizes, eu prometo amor.
Elena deixou que Rebekah falasse tudo o que queria e não pôde evitar a umidade que acumulou no canto de seus olhos. A mulher ali a sua frente, aquela com quem construiu uma boa vida durante cinco anos, dizendo-lhe palavras doces lembrando a época em que se conheceram, mexeu com seu coração.
Amava a loira, sabia disso, sabia também que sim poderiam esquecer tudo e começar outra vez, afinal se amavam, fariam dar certo, encontrariam o caminho de volta uma pra outra. Se fosse em qualquer outra circunstância teria se jogando nos braços da namorada e fariam sexo louco na sala.
Mas tinha algo mais forte que seu amor e desejo por Rebekah. Algo que não podia ignorar e que cada dia que passava ocupava um lugar maior em seu coração, em seu ser.
Um sentimento forte e intenso, muito intenso. O qual não sabia definir direito o que era. Mas que tinha um dono e olhos lindos. Damon Salvatore.
Não podia de forma alguma ignorar esse sentimento tão latente dentro de si. Não sem ter a chance de descobrir o que sentia. Mesmo que isso fosse magoar a loira e mesmo que não fosse nada ou talvez nem durasse muito. Porém tinha certeza que queria viver isso.
Queria com toda alma e coração, se entregar a esse desconhecido, mas apaixonado sentimento.
– Escuta Bekah. limpou a garganta antes de começar. Tudo que a gente viveu foi lindo e eu vou guardar pra sempre comigo.
– Lena...
– Não, deixe-me falar ta bem? ganhou um acenar de cabeça e respirou fundo para continuar. Você foi meu primeiro amor, minha parceira, companheira de vida e de todas as horas. Aprendi e amadureci tanto contigo loira. as duas riram diante do apelido, ambas com lágrimas nos olhos. Sou grata por tudo que fez por mim, por me amar me apoiar e por ser essa pessoa linda que me deixou de quatro no instante em que conheci.
Parece que foi ontem que a gente se esbarrou na NYU. Você me olhou e disse Hey você é nova aqui não? Eu posso te ajudar se quiser é claro. Você sorriu pra mim, esse sorriso lindo, e eu acho que me apaixonei naquele instante. O que eu quero dizer é que eu fui muito feliz, nós fomos não é?
– Fomos sim. Ainda podemos ser.
– Eu sei, mas não agora. Não nesse momento.
– Mas por que não? Eu te amo... Você me ama. Não ama?
– Amo.
–Então...
Elena durante seu discurso havia sentado a mesinha de centro em frente à Rebekah e juntado suas mãos. As duas não escondiam suas lágrimas se olhando ternamente enquanto a loira levou a mão esquerda ao rosto molhado e vermelho da outra.
– Não da mais.
– Por quê? quis saber procurando o olhar da morena que o mantinha baixo. Tem alguém não é?
A morena assentiu hesitante e viu a amada levantar-se num rompante e caminhar por toda sala. Mãos nos cabelos, atônita. Elena permaneceu sentada apenas observando e ouvindo-a murmurar coisas como.
eu sabia oh meu Deus controle-se já Rebekah, sem escândalos você não é assim respire.
– Oh meu Deus. É ela não é? Elena fez cara de confusa. A menina, sua aluna. É ela não é?
– Não.
– Como não? Então quem é?
– Bekah senta aqui, por favor.
– Não... Só me diz quem.
Elena já tinha perdido as contas de quantas vezes tivera que respirar fundo antes de dizer qualquer coisa que fosse naqueles poucos minutos em que estavam ali. Mas mesmo assim, fez outra vez.
– O irmão dela.... Damon
Sua voz saiu um pouco mais baixa do que pretendia, mas teve certeza que a outra ouviu, quando recebeu um olhar surpreso.
– Oi? Eu acho que não te ouvi direto Lena. Você disse irmão? Tipo irmão? Homem.
Um pequeno sorriso quase se fez presente na boca de Elena quando ouviu como Rebekah pronunciava as palavras irmão e homem, quase soletrando e com expressão incrédula.
Era mesmo difícil de acreditar. Se há alguns meses atrás alguém lhe disse que ela estaria completamente envolvida por um homem, ela gargalharia na cara da pessoa e lhe mandaria procurar um médico.
Porém hoje era diferente, não se via sem ter conhecido Damon. E não podia imaginar não tê-lo em sua vida. Ele apenas surgiu, adentrou por sua pele, enraizando-se em seu coração e mente, e ela só não podia, muito menos queria tirá-lo de lá.
– Sim eu disse. a loira fez cara de como isso e voltou a sentar-se. Aconteceu. Você sabe, eu nuca senti nada por homem nenhum.
– Sei.
– Mas com Damon tudo foi diferente e rápido, muito rápido. Quando dei por mim já estávamos envolvidos demais pra voltar atrás. E pode ser errado, pode até não durar, mas eu preciso viver isso Bekah. Eu nunca senti o que sinto por ele. ela pôde ver mágoa nos olhos azuis assim que disse tais palavras, mas não podia mentir. Sinto muito.
Rebekah virou o rosto pro lado, às lágrimas ainda manchando o belo rosto. Elena entrelaçou seus dedos mais uma vez e as duas ficaram os observando juntas, em silêncio.
– Eu não sei o que dizer. deram pequenos sorrisos. Aliás, o que se diz numa situação como essa não é?
– É estranho.
– Com certeza é. Olhe pra mim.
A loira pediu carinhosamente e Elena atendeu de pronto, recebendo um pequeno carinho no rosto.
– Ai meu Deus eu não sei, mas eu preciso dizer algo.
– Bekah
– Não. pousou os dedos sob os lábios da outra e continuou de forma terna. Eu vou te deixar ir. Eu sei... Eu sei... Não me olhe assim.
sei que fui uma vadia nos últimos tempos, mas eu te amo e te quero feliz. Então vou te deixar ir. Viver essa experiência. fez aspas com os dedos. Eu não sei como me referir a isso. E eu já disse tantos eu não sei hoje, que acho que minha cota já se esgotou.
Uma gargalhada vinda de Elena reverberou todo o ambiente e Rebekah riu junto, contagiada.
– Você fica linda rindo. E é assim que eu te quero sempre ouviu. Por isso eu te deixo ir. Ser feliz. Mas com a certeza de que um dia nós vamos encontrar o caminho de volta. Porque eu te amo Elena Gilbert, e eu sempre vou te amar.
Aproximou seus lábios num beijo demorado, uma despedida talvez. Cheia de lágrimas. Duas línguas saudosas e sem pressa se tocando, buscando reconhecimento.
Ao se separarem, Rebekah sorriu e assim saiu porta a fora. Deixando para trás uma Elena invadida por múltiplos e distintos sentimentos. Sentia feliz e triste na mesma medida.
Mas também se sentia leve e livre pra viver seu talvez amor por Damon Salvatore.
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