Burning Desire

4 Capítulo 4: A veracidade da fantasia


Notas iniciais
Então galeraaa verdades sendo ditas nesse capítulo, muita polêmica e Gale recebendo dicas do que é essa nova realidade dele

É incrível a habilidade que alguma pessoas tem para se meter em más situações, normalmente essas são pessoas aventureiras por naturezas, pessoas animadas que gostam de arriscar; e quando não são, bem ai simplesmente essas pessoas nasceram para serem problemáticas, e quando eu digo nasceram é no sentido literal, o que eu digo não é suposição ou conclusão, é genética.

Gale olhava para o corpo imóvel a sua frente assustado sem saber o que fazer exatamente, o garoto se recompôs e saiu da sala fechando a porta em seguida, Brian viu ele saindo da sala e correu ao seu encontro, ao se aproximar da sala viu pelo vidro os pés do homem caído no chão:

–O.. o que aconteceu? – Gale olhou para o maior com os olhos arregalados mas não desesperados, estavam mais para assustados

–Eu acho que eu acabei de escapar de uma tentativa de estupro

–OQUE?!

–Sim mas ai eu meio que... apontei a minha mão para ele, e ele caiu desmaiado; bem teve uma dramatização da parte dele antes disso mas vamos pular essa parte

–Você esta me dizendo que aquele homem tentou te abusar?

–Brian! Eu estou dizendo que eu nocauteei ele com a mente; bem ele tentou me abusar também mas isso é normal... bem acontece por aí com as pessoas né

–ELE VAI SE VER COMIGO AGORA!

–Não! Nós temos que sair daqui agora... voltamos amanhã ok?

–...Ok –Ele disse relutante.

Claire corria pelas arvores com seu pai, sua visão não estava tão boa mas isso era um detalhe perto de como seu olfato e audição estavam ampliados, coisas que ela nem imaginava que teriam algum cheiro ao certo exalavam fragrâncias excêntricas, e um pequeno esquilo se movendo nas folhas já era o bastante para chamar a atenção de Claire como se fosse um vizinho fazendo umas festa de madrugada, ela e seu pai compartilhavam uma conexão naquele momento que a garota jamais teria sentido, ela sentia como se eles fossem irmãos siameses em corpos separados.

Brian dirigia pela estrada enquanto Gale olhava pela janela a noite de lua nova, o vento frio batia em seu rosto impedindo-o de abrir os olhos, seus cabelos balançavam parecendo-se com labaredas queimando na noite adentro. Os jovens chegaram em frente a casa do menor, Brian desceu rápido do carro e correu abrindo a porta para Gale que deu uma risadinha e disse:

–Sabe, você é um grande cavalheiro Senhor Sternford, pena que eu não sou a dama certa para você –Brian deu uma risada e abraçou o garoto pela cintura

–Você com certeza é a pessoa certa para mim –Os dois se beijaram graciosamente, naquela hora Gale não se preocupava que os vizinho vissem, ou que os dentes dos dois sem querer esbarrassem, quando ele tinha dito que ele não era “a dama certa”, ele queria dizer que ele sabia que aquele relacionamento nunca daria certo, e que no fim os dois acabariam machucados –Será que eu poderia entrar por alguns minutos Senhor Galdur?

–Na verdade... eu queria saber se você gostaria de passar a noite aqui –Gale deu um leve sorriso de canto, suas bochechas ficaram vermelhas e ele sentiu que naquele momento ele devia estar parecendo um pimentão

–Seria uma honra –Respondeu Brian dando-lhe um beijo.

Os dois entraram na casa e foram para o andar de cima, Gale começou a arrumar a cama de Brian no quarto de seu irmão, Gale pensava que já tinha passado por muitas situações vergonhosas em sua vida, e que ele já tinha visto o quanto podia ficar vermelho nesses momentos, isso foi até ele ouvir Brian dizer:

– Bem depois que você foi quase estuprado eu cheguei a conclusão que eu não me daria bem esta noite, mas aí você me convidou para dormir aqui, e agora você está arrumando a cama do seu irmão e como ele não está aqui suponho que seja para mim, estou realmente na duvida... eu trouxe camisinha hoje atoa ou não? –E foi naquele momento que Gale sentiu que se colocassem um ovo na sua cara, ele fritaria

–BRIAN! –O maior riu e aproximou do menor envolvendo-o pela cintura, Gale se desvencilhou dos braços dele –Não me toque

–Eei, eu estava só brincando ok? Mas eu realmente queria dormir na sua cama com você hoje... eu estou com frio – Gale deu um sorriso

–Você não esta não

–Bem, espero que você esteja então, pois eu estou aqui apenas para te aquecer –Ele disse se apoiando na porta e lançando um olhar sensual

–Ok se você parar com essas cantadas eu deixo você dormir comigo

–Já parei

–Bom mesmo.

Ao amanhecer, Claire acordou nua, coberta por um cobertor velho em seu jardim, ela se enrolou e entrou na casa, Mary estava no fogão fazendo ovos mexidos, enquanto Sam tomava um café e lia o jornal, ele levantou a cabeça e disse:

–Bom dia querida –Mary olhou e deu bom dia para Claire também, a menina estupefata respondeu

–Bom dia? Eu me transformei em um monstro ontem a noite, e isso doeu bastante acreditem, e hoje eu acordei no jardim pelada, e só o que vocês me dizem é bom dia?

–Bem querida... eu expliquei as coisas ontem para vocês, não há mais o que dizer sobre isso, a não ser para vocês tomarem cuidado com acônito, mas isso todo mundo tem que ter já que é uma planta venenosa, mas ela para os licantropes arde como se fosse ácido, e também com prata que nos enfraquece.

–Aaa e eu pensando que não poderia piorar, agora vou ter que jogar todas as minhas coisas de prata fora

–Querida se você tem algo que parece de prata, e fomos nós que te damos, garanto que é falso

–DROGA! ODEIO ESSA VIDA JÁ!

–Na verdade eu curti... fiquei triste por não ter sido eu o descendente do gene –Disse Jonathan descendo as escadas –Acho que seria bem legal na verdade

–Aaa querida evite também andar pelas rua a noite, digamos que vampiros e licantropes não são muito amigos, e nessa cidade, nós andamos pelas matas e eles pela cidade –Disse Sam

–O que? Tem vampiros na nossa cidade? Ela nem é tão grande assim!

–Na verdade apenas uma família de vampiros

–Qual família?

–Sternford.

Gale acordou com o som das vozes em sua cabeça, eles ao estavam tão intensas mas foram o bastante para lhe acordar e deixa-lo irritado, o ruivo olhou para o lado e viu Brian dormindo ao seu lado, seu rosto parecia angelical, ele estava sem blusa, seus músculos eram marcados e sua pele parecia perfeita, impenetrável e estava fria como sempre, Gale admirava aquela imagem que tirou toda a raiva que as vozes tinham trazido para ele e então ele foi interrompido pelo som da porta se abrindo e fechando em seguida, Gale então ouviu a voz de seu irmão alta, mas o que foi estranho para ele foi que a voz estava apenas em sua cabeça:

–Brian... Brian! Acorda! –Sussurrou o menor, Brian abriu os olhos alerta, e olhou para o garoto –Meu irmão chegou em casa!

–Oque?! Eu pensei que ele só iria chegar amanhã!

–Eu também! Vai se esconde no armário, embaixo da cama sei lá

–Me sinto em um desses filmes que a pessoa é pega com um amante na cama e ele tem que se esconder no armário

–Brian! Vai logo!

O maior correu e se escondeu dentro do armário, Gale pegou a calça, blusa e os tênis dele e jogou para debaixo da cama, naquele momento Jake abriu a porta, ele olhou para seu irmão que estava de pijama e depois olhou em volta dizendo:

–Pensei ter ouvido uma voz

–Ai deus! Será que a doença e genética?

–Cala boca pirralho! Você é o esquisito aqui!

Brian havia desenvolvido um sentimento de que ele devia proteger Gale sempre, e ouvir Jake tratando ele daquele jeito, fazia com que ele tivesse vontade de saltar daquele guarda-roupas e socar a cara de Jake, mas sair daquele armário e deixar ele descobrir que os dois jovens estavam dormindo juntos faria não só com que Gale sofresse em casa mas também arruinaria a vida acadêmica dos dois, não que o ruivo tivesse muito a perder, mas para Brian? Sair de jogador de futebol americano, popular, bonito e pegador da escola para “o cara gay e o namorado gay dele”, bem... era um grande salto, um salto em direção a um enorme precipício social.

Jack ficou parado mais um tempo olhando para o quarto, e então presumindo que não havia nada de errado, saiu. Gale trancou a porta do quarto e abriu o armário para deixar Brian sair:

–E agora? Como eu vou fazer para sair daqui? –Disse o loiro

–Essa é uma boa pergunta viu... –Gale observou enquanto Brian caminhava até a janela e olhava para baixo –É muito alto, e arriscado, melhor você não pular

–Acho que é uma altura razoável –Brian vestiu suas roupas e se dependurou no parapeito da janela –Quando vamos nos ver novamente?

–Não sei, afinal você tem que manter sua imagem não é? Seus amigos vão desconfiar que você anda sumindo por ai –Gale disse isso mas rezou mais que nunca para que ele dissesse algo do tipo “eu não ligo, só quero você” ou “vamos fugir juntos e deixar tudo isso para trás”.

–Ah. Sim pois é –Disse o maior relutante sem saber se era aquilo mesmo que ele queria dizer –Mas ainda assim quero encontrar com você sempre que possível –Ele se virou e colocou a outra perna para o lado de fora da janela, pronto para pular –Sabe Gale. Eu acho que estou gostando de verdade de você. –E então ele pulou. Sem dar tempo para poder ouvir o ruivo responder

–Eu também. Gostando MUITO de você.

Após a saída de Brian, Gale ficou deitado em sua cama olhando para o teto e vendo o tempo passar, quanto tempo ele estava ali? Um minuto? Uma hora? Não importava realmente, importava? Ele começou a repassar em sua mente os acontecimentos do dia anterior, e se aquela menina fosse apenas fruto da sua doença? Não poderia, ela deixou um endereço real afinal de contas. Mas então o que era ela? Um espírito?

Os pensamentos dele foram interrompidos pelo toque do celular:

–Alô

–Alô. Gale?

–Sim sou eu Claire

–Eu preciso falar com você. É meio urgente

Gale chegou ao parque e avistou Claire sentada em um dos bancos, ela estava cabisbaixa, com o cabelo preso por um rabo de cavalo que deixava algumas mechinhas soltas, uma blusa de frio e uma calça de ginástica:

–Claire? Aconteceu alguma coisa?

–Sim eu preciso te contar uma coisa. Acho que você tem o direito de saber –Claire contou resumidamente os acontecimentos da noite dela enquanto observava as feições de Gale passando de simpatia, para seriedade e no final para choque. –Me desculpe Gale, eu realmente achei que você deveria saber.

–Não pode ser verdade. Ele dormiu comigo ontem a noite. Quer dizer não dormir de sexo mas nós dormimos na mesma cama...

–Foi o que meu pai disse para mim. E depois da noite de ontem eu acho que não duvido de nada

–Mas se ele fosse um vampiro ele não deveria... –E então a ficha dele caiu, ninguém poderia ser tão perfeito e a pele dele, sempre fria

–Eles são monstros Gale, monstros sem sentimentos que se alimentam da força vital das pessoas. – Aquilo não podia ser verdade, o Brian? O caloroso, amoroso e brincalhão Brian? Para brincar assim com os sentimentos de alguém, teria de ser uma criatura bem perversa. Até demais.

Era muito para suportar, ele se levantou e saiu correndo se afastando de Claire, podia sentir seus olhos ardendo, mas ele não queria chorar, não devia, ele queria ser forte, mas aquilo era demais para ele. Tudo aquilo era muita informação, ele se jogou no chão da floresta e ficou deitado nas folhas olhando para o céu nublado. Era muito para aguentar, quando as coisas começaram a dar certo, tudo desmoronava na sua frente. Como um castelo de cartas sendo destroçado por uma bola de boliche. Gale sentiu as lagrimas queimando seus olhos e começando a rolar pelo seu rosto, ele não emitia sons, não se movia, apenas deixava as emoções saírem com as lagrimas. Ele fechou seus olhos e sentiu a natureza a sua volta até adormecer.

Gale se viu em frente a um lago, ele era escuro e a água estava parada mesmo com a brisa leve que roçava o rosto do ruivo. Ao levantar o rosto viu varias pessoas em volta do lago, seres etéreos, com olhos fechados. Seus lábios se moviam todos juntos pronunciando palavras inaudíveis, então ele viu, entre as pessoas em volta do circulo, lá estava a menina que apareceu para ele em seu quarto. De repente a brisa parou, velas que se encontravam ao lado das pessoas começaram a se acender sozinhas, então o vento começou a ficar cada vez mais forte rodeando o lago e as pessoas. Gale olhou para o lago e viu que ele agora tinha o reflexo da lua cheia nele. Aquela imagem fez o garoto entrar no lago lentamente até chegar no ponto em que a lua se refletia. E então tudo desapareceu.

Gale reapareceu em uma cidade, parecia uma cidade pequena, varias pessoas estavam vestidas com roupas de uma época muito anterior a atual. As pessoas se aglomeravam tentando ver algo, Gale tentava chamar a atenção das pessoas mas era como se ninguém o visse, ouvisse ou sentisse. Ele foi passando por um caminho até chegar ao local onde o espetáculo acontecia:

–Marie Claire De Galdur e Anne De Galdur –Dizia um homem ao ler um pergaminho, alto e claro –Após serem flagradas utilizando de ervas desconhecidas, falando e escrevendo a língua do demônio e dançando a noite na floresta. Estão sendo acusadas da pratica de bruxaria, tendo como sentença a morte por enforcamento.

Gale olhou para cima e pôde ver duas mulheres, as duas com cerca de 30 anos, uma delas de cabelos rebeldes loiros, chorava e gritava –ERA PARA CURA. MEDICINA. NÃO ERA BRUXARIA. ERA DEUS AGINDO PELAS MINHAS MÃOS... –Enquanto ela falava o homem que havia lido o pergaminho olhou para um outro homem que estava atrás das duas moças. O olhar bastou como sinal, o homem empurrou ela com força para fora do pedestal de madeira que eles se encontravam e a corda apertou em volta de seu pescoço. E Gale pôde ver a luz deixando os olhos da mulher. La em cima a outra mulher olhava com desprezo para todos que observavam aquela brutalidade, a mulher era magra, alta, com cabelos longos e ruivos com uma aparência suja, seu vestido que algum dia havia sido branco, agora era encardido e sujo. A mulher murmurava algumas palavras que Gale reconheceu como as mesmas que ele ouvira no circulo do lago. Então começou, o vento começou a ficar forte como se cantasse as palavras com a mulher, o céu antes apenas nublado começou a ficar carregado e preto como uma tempestade chegando. Agora ela não murmurava, ela gritava as palavras que eram levadas pelo vento. As pessoas da cidade estavam assustadas, algumas chocadas, mas o homem que havia lido o pergaminho que agora Gale percebia pelas vestes e a cruz pendurada em seu pescoço que era um padre, não hesitou:

–Enforque-a!

O homem que estava atrás da mulher, agora olhava para o céu sem entender muito bem o que acontecia, mas ouviu a ordem com atenção e empurrou a mulher, mas a corda se rompeu antes que pudesse se quer começar a lhe enforcar. A mulher continuou falando as palavras repetidamente. Gale olhou para o padre e viu, seu olhar era de ódio, raiva, havia morte exalando dele. E Gale viu que agora ele mostrava presas, seus olhos estavam com a íris avermelhada, e o padre estava em posição de ataque, se segurando para não ser levado pelo vento.

A mulher olhou para trás, o homem que a empurrara do pedestal, ela levantou a mão e a madeira quebrou como se tivesse repentinamente ficado podre, o homem caiu e logo depois uma tabua de madeira quebrada e pontuda caiu em seu pescoço decapitando-o. Mas quando a mulher voltou a olhar para o padre já era tarde, ele estava do lado dela, usando uma tocha acesa para botar fogo em suas vestes:

–Queime no inferno bruxa! – As chamas começaram a subir pelo corpo dela, ela gritava estridentemente de terror, o vento começou a parar lentamente até parar completamente no momento em que ela parou de gritar, caída no chão. –Adeus Marie Claire, que deus salve sua alma –Disse o padre, para os outros podia não ser evidente mas Gale viu a ironia naquela frase, depois disso ele saiu sorrindo, mostrando aqueles caninos hediondos. Naquele momento Gale começou a sentir como se sua pele queimasse, como se ele passasse pelo menos processo de Marie Claire, as chamas foram subindo pelo seu corpo, enquanto ele tentava sem sucesso apaga-las.

Gale acordou abruptamente se sentando nas folhas úmidas da floresta, ele podia sentir que começava a chuviscar, ao acostumar sua visão e absorver a informação ao seu redor ele pode ver. Brian estava em pé ao lado de uma arvore, ele havia acabado de chegar e olhava para Gale com preocupação. Ele olhava para o loiro mas tudo que ele conseguia enxergar era a imagem daquelas presas afiadas e os olhos vermelhos em sua mente. E então ele fez o que lhe pareceu mais plausível naquele momento. Correu.

Notas finais
Gostaram??? =D como que vocês acham que vai ficar o relacionamento do Gale e do Brian? Será que o Brian gosta mesmo do Gale? ou só está enganando ele? E a Claire vai se acostumar com essa coisa de transformação? COMENTEM